quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Mês das Bruxas: 25 Clássicos do Terror - Tucker e Dale Contra o Mal


A triste verdade sobre filmes de terror é que muitas vezes eles se apoiam em clichês que já foram usados milhares de vezes. E se você é um fã obsessivo do gênero, passa a ser muito difícil encontrar algo que te pegue de surpresa.

Um filme Slasher, por exemplo. Quem já assistiu tantos filmes de terror quanto eu, só precisa dar uma olhada no elenco principal, e de imediato já sabe quem vai sair vivo ao fim da história.

Então, quando já está cansado da mesmice e acha que mais nada pode pegá-lo de surpresa, surge um filme como Tucker e Dale Contra o Mal, que vira do avesso tudo aquilo que já se tornou padrão no estilo, e consegue entregar uma experiência nova para seu público.

Pois vamos a ele.

Aliás, SPOILERS no artigo a seguir.


"Oi, meninada! Como cês tão?"

Tucker (Alan Tudyk) e Dale (Tyler Labine) são dois caipiras gente boa, que acabaram de comprar a casa de veraneio de seus sonhos... Um barraco caindo aos pedaços, que eles decidem reformar enquanto aproveitam sua primeira viagem de pesca.

Simultaneamente, um grupo de universitários decide acampar próximo ao local. Onde fazem todas aquelas coisas que jovens aprontam quando estão sozinhos no mato: Bebem, usam drogas, e vão nadar pelados no lago.

De fato, o grupo decide nadar na mesma noite em que Tucker e Dale saem para pescar. Uma das meninas do grupo, Allison (Katrina Bowden) se assusta com a presença dos dois, escorrega da pedra onde está apoiada, e bate a cabeça, antes de cair na água. Os dois caipiras salvam a moça, mas seus amigos acham que ela foi sequestrada por ele.

Quando acorda, Allison se assusta com a presença de Dale, mas aos poucos percebe que ele é um cara gentil e amoroso, e começa a se afeiçoar a ele. Enquanto isso, seus amigos planejam um grande plano para resgatá-la e destruir seus “captores”.

É aí que a bosta acerta o ventilador. Pois cada tentativa de resgate dos universitários, acaba resultando na morte de um deles. E Tucker e Dale, coitados, acabam cercados de gente empalada, estraçalhada ou que atira na própria cabeça, em uma sucessão de mal entendidos e acidentes que poderiam ter sido evitados se estes jovens do ensino superior não fossem completos imbecis.

Maldita juventude...

Tudo criado a leite com pera, a Ovomaltino. Não
aguentam cinco minuto na porrada comigo!

A esta altura, acho que já ficou claro que Tucker e Dale Contra o Mal é uma sátira/tributo aos filmes de terror que todos crescemos assistindo. Apesar disso... ou talvez por causa disso, seu elenco consegue ser muito superior a aquilo que nos acostumamos a ver em filmes do gênero.

Tyler Labine consegue dar enorme credibilidade a Dale, que é aquele sujeito que todos já tivemos como amigo: O gordinho boa praça com habilidades impressionantes (no caso de Dale, ele tem memória eidética, nunca se esquece de algo), mas que possui auto-estima tão baixa que é incapaz de reconhecer as próprias qualidades.

Alan Tudyk, por sua vez, cria o contrapeso perfeito para o parceiro. Tucker é o melhor amigo e companheiro inseparável de Dale, que incentiva o amigo ou lhe dá broncas, conforme a situação pede.

A química entre os dois atores funciona muito bem, e eles acabam sendo uma versão moderna de Abott & Costello, ou de Dean Martin e Jerry Lewis, com o mais sério (no caso, Tucker) sempre servindo de vítima das trapalhadas do amigo, ou dos infortúnios do destino. Enquanto Dale, com a sorte que abençoa os abobalhados nas comédias, consegue escapar ileso de quase tudo que a vida lança em seu caminho.

E temos Allison, que se tornou uma das minhas mocinhas de filme de terror favoritas.

Pra ser sincero, eu costumo não dar a mínima para as garotas em filmes de terror moderno. As atrizes normalmente são escolhidas por terem um rosto bonito, e implantes de silicone do tamanho (e muitas vezes, formato) de um forno de microondas. No fim, elas acabam sendo intercambiáveis. Se houverem duas loiras no grupo, até uma delas morrer, é impossível dizer qual é qual.

Katrina Bowden consegue fazer Allison sair desse molde. Obviamente, ela é linda, mas sua sensualidade não é o foco da sua existência no filme. De fato, os únicos momentos em que isso é destacado, são para mostrar como Dale se sente desconfortável perto de garotas que ele considere atraentes.

Allison recebe um desenvolvimento melhor que a média para mocinhas neste tipo de filme. Ela é gentil, inteligente, e cresceu em uma fazenda, o que faz com que ela tenha mais em comum com seus salvadores caipiras do que com seus colegas de faculdade. Ela não é inocente de forma alguma (no começo do filme, Allison aplaude a iniciativa de um dos rapazes em trazer maconha na viagem), mas uma pessoa não precisa de inocência para ser boa. O que acaba sendo mais uma quebra de clichê da personagem.

E além de linda, ela quer ser psicóloga. Que todos sabemos,
é a melhor profissão do mundo

E claro, tem o Chad.

Oh, o Chad.

Como eu o odeio.

Interpretado por Jesse Moss, Chad é um dos amigos de Allison, que parece ter algumas soldas soltas em sua placa mãe. O rapaz é claramente desequilibrado, o que piora com o passar da história. Próximo ao final do filme, é meio óbvio que ele é quem deveria estar usando uma máscara de hóquei e um machete e perseguindo quem resolvesse adentrar na mata.

E se como eu, você assistia Power Rangers depois de adulto (E NÃO ME ARREPENDO), o filme ainda traz Brandon Jay McLaren (o Ranger Vermelho de Power Rangers S.P.D) e Sasha Craig (a Ranger Amarela em Power Rangers: O Resgate).

Então pronto. Graças a mim, você já sabe que são eles. E não precisa passar o vexame de reconhecê-los e ter de admitir que assistia Power Rangers quando estiver vendo Tucker e Dale Contra o Mal, junto de seus amigos.

Não lamento meu sacrifício. Pois a necessidade de muitos, impõe-se a necessidade de poucos... Ou de um.

E se apenas um tiver de se sacrificar, que seja
esse moleque com cabelo de Moe.

Tucker e Dale Contra o Mal foi produzido em 2010, mas permaneceu engavetado até 2013, pois não conseguia um distribuidor.

Isso provavelmente aconteceu porque este é um filme um pouco difícil de se vender. É uma comédia de humor negro que caçoa dos clichês de filmes de terror, mas que ao mesmo tempo apresenta violência gráfica extrema. Pra que público ele é direcionado? Para os fãs de comédia, ou para os aficionados por horror?

Além disso, nenhum ator muito conhecido pelo público está envolvido com o projeto, o que também dificulta sua comercialização. De todo o elenco, Alan Tudyk é o mais famos, e apenas entre as dez pessoas que assistiram Firefly. De fato, Johnny Knoxville e Dan Cook foram ambos considerados para o papel de Tucker, e embora eles talvez não fossem os mais adequados para dar vida ao personagem, com certeza tornariam a produção mais marketável.

Tucker e Dale Contra o Mal foi lançado em apenas 30 salas de cinema nos Estados Unidos. Um espirro, considerando que até Os Oogieloves e a Aventura no Grande Balão, uma das maiores bombas de bilheteria da história do cinema, foi lançado em 2000 salas.

É uma pena que um filme tão criativo como este não tenha recebido a divulgação merecida, mas talvez seja o mais adequado no fim das contas. Tucker e Dale Contra o Mal tem tudo para se tornar um cult. E daqui a 30 anos, talvez os fãs estejam organizando exibições especiais a meia-noite, exatamente como já fazem com Rocky Horror Picture Show.

Peço desculpas por dizer que Firefly tem dez fãs.
Sei que na verdade só tem três.

Então, o que mais resta a dizer? Se Tucker e Dale Contra o Mal fosse comida, ele seria um belo misto quente na chapa que você compra por três reais na cantina do Antero, na esquina da sua casa.

Pode não ser o sanduíche mais chique da cidade, tampouco o mais conhecido, mas em sua simplicidade, é extremamente satisfatório e o deixará com um sorriso ao fim da refeição.

Algo cada vez mais raro na indústria de cinema moderna, que insiste em ferver bosta e a disfarçar com creme de espinafre e trufas, na tentativa de fazê-lo parecer mais sofisticado do que realmente é.

Mas na primeira dentada, você sabe que estão tentando te empurrar merda goela abaixo.

Droga, Hollywood...

Cheers!!!

7 comentários:

Galomortalbr disse...

Achei legal esse filmr

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Terror com comédia? Hmm... uma boa opção para fim de domingo

TrialW disse...

Amer Nunca pare de escrever.

Adan Ribeiro disse...

"Mas na primeira dentada, você sabe que estão tentando te empurrar merda goela abaixo." - Tartarugas Ninja, Transformers, Crépusculo voltem aqui... não saiam assoviando.

Leandro DM disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leandro DM disse...

Falou tudo sobre a pessoa q vê filme de terror há um porrão de tempo. Tanto q esse filme e Cabin in the Wodds se tornaram filmes prediletos só pela abordagem nova e interessante. E creio q ninguém na faixa dos seus 30 (acima ou abaixo) reclamaria de ter visto Power Rangers.

Paulo Cesar disse...

MUito foda !! Tucker & Dale quebram o estereótipo de "Rednecks from hell", são só dois caipiras bonachões que gostam de pescar, esse filme é um diamante garimpado muito bom !!!