terça-feira, 27 de outubro de 2015

Mês das Bruxas: 25 Clássicos do Terror - Fome Animal


Em 1992, um diretor neo-zelandês chamado Peter Jackson produziu seu Magnum Opus: Fome Animal. Um filme que presta homenagem, ao mesmo tempo que satiriza impiedosamente os clássicos de zumbi de Hollywood.

E que é também uma das coisas mais repulsivas e sangrentas já criadas.

Atenção: Imagens repelentes a seguir.


Eu avisei

Nossa história começa em Skull Island (aquela mesma em que capturaram King Kong), onde um grupo de exploradores foi em busca do “Macaco-Rato da Sumatra”. Uma criatura que surgiu depois que macacos foram estuprados por ratos infectados com a peste bubônica.

... Já começamos com classe...

Durante a viagem, um dos exploradores é atacado pelo rato, e os nativos decidem que é melhor remover todas as partes que foram mordidas. Primeiro um braço, depois o outro e finalmente a cabeça do sujeito. Seja lá o tipo de doença que esse bicho transmita, é altamente contagiosa e perigosa, e deve ser tratada com seriedade.

Assim, é óbvio que o Macaco vai parar em um jardim zoológico na Nova Zelândia. Que melhor lugar para um ser tão perigoso?

Pois bem, nosso protagonista é Lionel Cosgrove (Timothy Balme) um banana comum, que vive com sua mãe ultra dominadora Vera (Elizabeth Moody). Todos conhecemos alguém assim, que é um boa praça e tem muitas qualidades, mas que é tão esmagado pela mãe que não consegue seguir em frente com sua vida.

Felizmente, Lionel começa a se livrar dos grilhões quando se apaixona pela fofinha Paquita Maria Sanchéz (Diana Peñalver), que possui aquele que é possivelmente, o nome mais mexicano de todos os tempos. Nosso herói começa a trabalhar seu relacionamento com a garota, e um dia decide que um passeio no jardim zoológico é uma boa idéia.

Sim, todos vocês já sabem pra onde essa história está indo.

Vera os segue, e passa perto demais da jaula do Macaco-Rato da Sumatra. A megera é prontamente mordida por ele e transforma-se em um zumbi assassino horrendo. Lionel, incapaz de se desligar de sua mãe, tenta escondê-la do mundo. Mas suas tentativas são em vão, e a mulher ataca mais pessoas, que também se tornam zumbis.

E estes zumbis atacam mais pessoas, que TAMBÉM se tornam zumbis.

E antes que perceba, Lionel está até o pescoço de mortos carniceiros, e precisa dar um jeito neles, ao mesmo tempo que acerta sua relação com Paquita.

Igual aquela época em que você tinha provas finais na escola, mas estava com a cabeça cheia porque tinha brigado com a namorada (ou o namorado), e precisava dar um jeito de equilibrar as duas coisas.

Só que com mais sangue, morte e rins espalhados pelo chão.

E mais caras sendo arrancadas

A produção teve um orçamento de US$ 3.000.000,00 com o qual. Para os padrões Hollywoodianos, isso não é suficiente para contratar um assistente que fique do lado de fora do banheiro inalando os odores emitidos por Johnny Depp.

Sorte que esta película foi rodada na Nova Zelândia, onde a quantia acima descrita deve equivaler ao Pib da nação.

Tanto que Peter Jackson terminou as filmagens com uma semana de antecedência, e com US$ 45.000 no bolso. Ao invés de encaçapar essa grana e torrar tudo em cocaína, prostitutas de luxo e Mirinda, como fariam os cineastas brasileiros, o diretor aproveitou para filmar uma última cena, em que Lionel levava o bebê zumbi para passear no parque.

... Sim, tem um bebê zumbi... Um casal de zumbis transa, a moça engravida e dá a luz uma pequena abominação da natureza. Por motivos de “ora, por que não???”

Na época de seu lançamento, Fome Animal foi um fracasso absoluto, e conseguiu uma bilheteria de pouco mais de US$ 240.000. Ainda assim, na Nova Zelândia ele acumulou mais dinheiro do que Batman – O Retorno, que chegou aos cinemas no mesmo ano.

Basicamente, a Nova Zelândia levantou-se contra Tim Burton e disse: “Não aceitaremos esta defenestração da honra do Batman que você está fazendo! Vá para o inferno seu projeto de pirigótica!”

O que imediatamente torna os neo-zelandeses pessoas muito melhores que eu ou você.

Mesmo assim, o filme foi amplamente ignorado com o passar dos anos. Apenas recentemente ele foi reconhecido pela crítica profissional, e aceito como uma pérola do mau gosto e do entretenimento descompromissado.

Prova de que opiniões mudam com o tempo... E de que você jamais deve confiar em um crítico de cinema.

"Não! Meu senso de auto-importância como crítico!
Devolva, é tudo que eu tenho!"

Descobri Fome Animal por completo acidente... Como normalmente acontece com os melhores filmes de terror.

Eu tinha por volta de 17 anos, e estava no último ano do colegial. Em uma madrugada preguiçosa (porque eu sou um morcego, se deixado por conta própria, não durmo antes do nascer do sol), zapeava pelos canais de tevê, até que decidi parar na Band.

O que chamou minha atenção foi uma cena em um cemitério, onde um bando de punks espancava um banana (no caso, Lionel). Meu sentido de terror tilintou, e decidi ver até onde ia essa história.

Nem dois minutos depois, uma mão brotou de uma cova e agarrou um punk pelo pinto.

Nem cinco minutos depois, um padre que parecia uma cruza entre o Sharlto Copley e o Leslie Nielsen surgiu do nada e começou a espancar zumbis com Kung Fu, enquanto proferia as lendárias palavras: “Eu chuto bundas em nome do Senhor!”

E eu fiquei totalmente hipnotizado, pensando: “Mas que diabo eu estou assistindo?” E totalmente incapaz de mudar de canal.

Este é o ponto forte de Fome Animal. O filme chama nossa atenção, e queremos então saber o quão longe ele pode ir. Seja com seu humor mórbido, com sua violência sem limites, ou com o mero absurdo que é seu roteiro. E ele não decepciona em nenhum destes quesitos.

E devo fazer uma menção especial a sua sanguinolência. Este deve ser o filme mais sangrento de todos os tempos. De fato, a cena com o cortador de grama exigiu que cinco galões de sangue fossem jorrados no cenário A CADA SEGUNDO!

De fato, sempre que você fica insensível com a carnificina presente e acha que mais nada irá lhe impressionar... PAU! BEM NA BOCA! A história te pega de surpresa e joga uma bola curva que você jamais esperaria vir em sua direção.

Em uma cena, o sistema digestivo de um zumbi é arrancado por inteiro e cria vida própria. A equipe do filme conseguiu dar expressões faciais para a coisa. E este é provavelmente o único filme de toda a história onde você pode olhar para um estômago arrancado e dizer: “Óun, que gracinha!”

Mas tudo é feito em nome da diversão. Diferente de filmes como O Albergue, que foi criado para chocar e causar repulsa, Fome Animal existe unicamente pelas risadas. E atinge seu ideal com perfeição.

De fato, arrisco dizer que em termos de comédia de horror, o longa de Peter Jackson está no mesmo nível de obras como Uma Noite Alucinante II e A Volta dos Mortos-Vivos.

... Mesmo sem ter nudez frontal completa de uma punk gata...

Não que não existam garotas bonitas aq... Hmmm, deixa

Este é mais um daqueles filmes perfeitos para se assistir com os amigos em uma noitada de cinema.

Assim, chame sua galera, encomende umas pizzas e bebidas geladas, acomodem-se no sofá ou esparramem-se pelo chão, coloquem Fome Animal e preparem-se para gargalhar madrugada adentro com o espetáculo que se desenrola diante de seus olhos.

Quanto a esse menino, Peter Jackson, não sei o que aconteceu com ele, mas espero que sua carreira tenha decolado. Um rapaz de talento como esse pode ir longe na vida, vou falar pra vocês.

Cheers!!!

10 comentários:

Lucas Vieira disse...

Pois é né? Por onde anda esse diretor? HAHAHA
E eu também sempre considerei Fome Animal o trabalho máximo do Peter Jackson...

Anderson "ANDF" Ferreira disse...

Nunca vi Fome Animal por inteiro, mesmo na Band. Não foi por nojo. Achei muito bizarro. Achei no Youtube, dublado. E olha que já assisti ao primeirão do Jackson... Trash- Náusea Total (Bad Taste), também via internet.

Como diria o Jaca Paládium (TV Colosso):
"E na Nova Zelândia..." ;)

Anderson "ANDF" Ferreira disse...

Só uma coisa... este filme também é chamado de Braindead., como vi na capa de uma cópia do VHS. Era de uma locadora de Alvorada-RS, chamada III Milênio Video e que já fechou. Deixava Fome Animal na prateleira de TERROR, junto com diversos clássicos, cults e... Faces da Morte!
Haha!!

Adan Ribeiro disse...

Assisti esse filme com uma galera de amigos durante uma madrugada.

Havíamos feito um pacto (claro, porque não?) de zerar Megaman 4 do NES revesando o controle e assim compramos comida, refris e nos instalamos na casa do Negão. Daí íamos revesando o jogo enquanto em outra TV que eu trouxe da minha casa, colocaríamos filmes de terror pra ajudar a passar o tempo dos que estavam "de fora".

O fato é que escolhemos Fome Animal como primeiro filme que colocamos e...
...e nunca conseguimos zerar Megaman 4...

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Não acredito que o cara que nos apresentou Frodo, Gandalf e Ragnadesh dirigiu o fome animal.. novamente só vi esse filme uma vez que passou no Cine Trash da Band, Acho que eu é meu irmão tínhamos voltado do Colégio mais cedo e ligamos no canal. A cena que me lembro é que tinha um padre que lutava Kung Fu e desceu a porrada nos zumbis.

LOBO disse...

Já ouviram falar também de "Bad Taste" Lançado no Brasil com o título de Náusea Total?
Outra cria nojenta de Peter Jackson lá do anos 80

Azrael_I disse...

Também vi o Fome Animal pela primeira vez na Band, mas na época não consegui decorar o nome do filme, só fui reencontrá-lo na época do Orkut (R.I.P.)... mas a primeira vez que ouvi falar dele foi de um colega da escola, que descrevia a cena do cortador de grama achando que era um ventilador (teria sido mais bizarro se fosse um ventilador, heheh)! Por sinal que a cena do cortador de grama é de longe a minha preferida, valeu cada hemoglobina arremessada. E a cena da "concepção" do bebê zumbi é inacreditável!

Agora, sinceramente, apesar de todas as qualidades, eu acho que o status de cult que o filme tem hoje se deve em grande parte ao aumento do status do próprio Peter Jackson ter aumentado bastante após o Senhor dos Anéis (e Leandro, não foi o PJ quem nos apresentou Frodo e cia., ele apenas os levou às telonas, nunca esqueça disso). Todo mundo ficou curioso de ver um filme do Jackson na época que seu salário ainda não era de alguns milhões por semana e uma prostituta diferente por dia, daí o interesse em suas obras trash. Mas claro, se não fosse a qualidade do Fome Animal, ninguém teria mantido o interesse, apesar da curiosidade (se não fosse assim todo mundo também gostaria das cagadas que o Joel Schumacher, diretor de Um Dia de Fúria, fez com os filmes do Batman...)

Rafaeul disse...

Minha primeira lembrança do filme é do beijo zumbi, assistido no cine trash às 15 horas da tarde na band. Eu devia ter uns 10 anos, era muito bom pra caralho. Cara, assisti depois umas duas vezes na TV, mas era piá. Assistindo "hoje em dia", leia-se: tipo uns 10 anos atrás, me diverti muito e me divirto ainda quando lembro de toda a nojeira que exite nisso. Canal.

Giovanni Seiji disse...

Um amigo meu me recomendou esse filme, porque
segundo ele "Cara, tem um padre matador de zumbis que fala 'I kick ass for the Lord!'".
Até agora não o vi, pelo visto agora me sinto má obrigação de finalmente vê-lo!!

OBRIGADO GRANDE AMER!!
Por Odin, esse mês está sensacional!

Giovanni Seiji disse...

Um amigo meu me recomendou esse filme, porque
segundo ele "Cara, tem um padre matador de zumbis que fala 'I kick ass for the Lord!'".
Até agora não o vi, pelo visto agora me sinto má obrigação de finalmente vê-lo!!

OBRIGADO GRANDE AMER!!
Por Odin, esse mês está sensacional!