domingo, 4 de outubro de 2015

Mês das Bruxas: 25 Clássicos do Terror - Halloween - A Noite do Terror


E hoje falaremos sobre o primeiro grande sucesso de Michael Myers, lançado muitos anos antes de Quanto Mais Idiota Melhor e Austin Powers.

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É isso. Acabou. Com essa piada horrenda eu oficialmente me tornei um tiozão. Daqui a pouco tou fazendo a piada do pavê em reuniões de família.

Em duas semanas serei assim... Mas sem esta barba gloriosa

Nossa história começa em 1963, na casa da família Myers. Os pais estão fora e a filha aproveita para fazer coisas FEIAS E NÃO-CRISTÃS com seu namorado. O rapaz termina em cinco minutos (típico) e sai pra comprar pão. Eis que uma criatura mascarada adentra o quarto da moça e A ESFAQUEIA NOS PEITOS ATÉ A MORTE! PAM-PAM-PAAAAAAAAAAM!!!

Acompanhamos toda esta cena através do ponto de vista do assassino, que agora tenta fugir. É quando os pais da vítima chegam em casa e o desmascaram, então decobrimos que o facínora é ninguém menos que Michael Myers, UM MENINO DE SEIS ANOS! PAM-PAAAAAAAAAAM de novo!!!

Como não se pode mandar uma criança pra cadeira elétrica, mesmo nos Estados Unidos (pelo menos, na maioria dos Estados), Myers é internado e permanece esquecido em um hospital psiquiátrico por 15 anos. Eis que, em 1978, ele foge de sua prisão, rouba um carro (MACOMO???) e retorna para sua cidade, a bucólica Haddonfield. E lá, na Noite das Bruxas, ele marca a inocente babá Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) como sua próxima vítima.

Inicia-se uma corrida contra o tempo, com o médico de Michael indo até a cidade e dando seu máximo para capturá-lo, antes que o monstro faça mais vítimas.

Sim, isso.

Halloween - A Noite do Terror tem uma premissa simples: Um maníaco perigoso a solta em uma vizinhança monótona, sem que as pessoas saibam de sua presença. Muitos de nós já moraram em um lugar assim, que podia se tornar um lugar extremamente assustador a noite, quando o silêncio absoluto podia mexer com a nossa imaginação e nos fazer acreditar que havia algo lá fora. Algo doido para entrar e nos pegar.

O longa brinca com esta sensação, e o faz de maneira esplendorosa.

"Ele vai te pegar, Bárbara..."

O orçamento de Halloween – A Noite do Terror, foi de US$ 300.000. Desta forma, a produção precisou rebolar para fazer esta grana render.

A icônica máscara de Michael Myers por exemplo, foi comprada por US$ 2 em uma loja de fantasias. Ela era originalmente uma máscara do Capitão Kirk, que teve as sobrancelhas e costeletas removidas, os olhos cortados, e que foi pintada de branco. A escolha desta máscara se deu principalmente pela falta de expressão no seu rosto, que ajudava a desumanizar Myers e mostrá-lo como um monstro. John Carpenter não queria que o público se identificasse com o assassino.

Como curiosidade, William Shatner passou anos sem saber que era o seu rosto que Michael Myers vestia no filme. Ele descobriu por acidente, durante uma entrevista, e desde então se disse honrado em ser parte, ainda que indiretamente, deste clássico do horror.

Agora, o elenco... Não é dos melhores. Com exceção de Jamie Lee Curtis, as demais atuações variam entre “horrendas” e “tão melodramáticas quanto o Bison do Raul Julia”.

Nancy Keyes e P.J Soles são extremamente canastronas como as melhores amigas de Laurie. Ambas as atrizes já estavam na casa dos 30 quando trabalharam no filme, e parecem ter tentado emular o melhor que podiam, aquilo que elas viam como “os maneirismos” da juventude dos anos 1970.

Sabe aquela sua amiga que tem um pai gatão? Sujeito na casa dos 50, que se cuida, é bonitão e tá em boa forma? Sabem como ele fica quando resolve pagar de meninão e tenta se enturmar com a molecada que é 30 anos mais nova? Mesma coisa.

Não que seja algo necessariamente ruim no caso de Keyes e Soles. A atuação das duas, embora soe forçada em alguns momentos, é bastante memorável. De certa forma, elas são o protótipo do que se tornariam as vítimas dos assassino em filmes de terror da década seguinte: Jovens tão determinadas a transar, que não conseguiam sequer perceber um monstro assassino de dois metros e meio se aproximando.

Donald Pleasance também deixa uma impressão duradoura na platéia, como Sam Loomis, o médico que cuidou de Michael Meyers por todos estes anos. Ele é extremamente melodramático em todas as suas falas, como se estivesse plenamente convencido de que seu paciente não era menos que uma força da natureza.

Em uma cena, ele e o xerife entram na antiga casa dos Meyers (onde ocorreu o assassinato do começo da história) e encontram um cachorro, morto e carcomido. O Dr. Loomis é rápido em apontar que Michael deve ter ficado com fome, enquanto o xerife tenta descartar a idéia e diz que o animal pode ter sido por por um gambá e que “dificilmente um homem faria isso”.

A resposta de Loomis? Dizer sombriamente: “Este não é um homem.”

E todo este melodrama funciona. Myers não é uma criatura sobrenatural, é apenas um sujeito grande, com macacão e uma máscara barata. E mesmo assim, a impressão que temos é a de que aquela coisa que persegue Laurie e suas amigas não é um ser humano.

Não é humano... E só ganhou pedras...

Falando em Laurie, Jamie Lee Curtis é a melhor coisa do filme. John Carpenter considerou que contratá-la era o tributo definitivo a Psicose. Afinal, Curtis era filha de Janet Leigh, que atuou no filme de Alfred Hitchcock.

Sim, ela é a loira esfaqueada no chuveiro.

Diferente de suas colegas, Curtis tinha meros 20 anos quando trabalhou no filme, então não teve problemas em interpretar uma garota que ainda estava no colegial. Ela é extremamente natural, casual até, e com isso, Laurie se tornou uma personagem muito crível.

Mas vocês acham que ela gostou de sua atuação no filme? CLARO QUE NÃO! De fato, John Carpenter a telefonou uma tarde, e Curtis tinha certeza que o diretor pretendia demiti-la, por um trabalho que ela considerava péssimo. Foi exatamente o contrário, e Carpenter a parabenizou, porque o filme havia ficado “exatamente como ele queria”.

Atores. Nunca estão felizes com NADRA!

Você teve de tolerar dois fardos durante as filmagens.
Por mim você merecia um Oscar.

Ok, uma coisa sobre o qual este filme me deixou curioso: Como diabos Michael Myers aprendeu a dirigir? Ele ficou trancado em um sanatório por 15 anos, mas mesmo assim, ele rouba o carro do Dr. Loomis e de sua enfermeira sem problemas, e dirige alegremente até Haddonfield, que ficava a quilômetros de distância do lugar onde ele estava internado.

Não apenas isso, Myers passa boa parte do filme seguindo Laurie e suas amigas de carro. Ele não apenas sabia dirigir, como conhecia as regras da máfia de como seguir alguém no trânsito sem ser notado? Como pode?

Bom, eu não fui o único que percebeu isso, e uma explicação foi criada para a adaptação em livro do filme. Vejam bem, com o passar dos anos, o Dr. Loomis levou Michael a várias audiências legais, para que o estado pudesse ver que o rapaz não estava capacitado para viver em sociedade. É sugerido no livro que durante essas viagens, Michael prestava muita atenção ao que Loomis fazia na direção, e desta forma, ele aprendeu a dirigir por osmose.

...

E na primeira vez que pegou num volante, ele tinha malícia suficiente para dirigir por auto estradas sem sofrer nenhum acidente. CLARO! E se passar anos assistindo basquete, na primeira vez que entrar em uma quadra, será melhor que o Michael Jordan e Magic Johnson juntos!

Por outro lado, eu não reclamei de quando vi um monstro borrachudo entrar em cena dirigindo uma kombi num episódio de Kamen Rider (a série original, de 1971), então, não sei porque raios não estou dando um desconto ao Michael Myers por saber dirigir também.

Olha, um carro! Eu estava falando sobre dirigir no último parágrafo, e agora tem
a foto de uma caminhonete! Viram como eu aproveitei o gancho do texto?

Curiosamente, eu não assisti Halloween – A Noite do Terror quando era criança, só conheci as peripécias de Michael Myers quando já era adulto. Isso aconteceu porque eu achava Michael Myers “sem graça” naqueles tempos.

Vejam vocês, naqueles tempos eu já era fã das séries Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo e Hellraiser, e cada uma delas trazia monstros que eu considerava fascinantes. Respectivamente, um zumbi indestrutível, um espírito malevolente que habitava a dimensão dos sonhos, e demônios obcecados por dor e tortura. Perto de tudo isso, um gordo em um macacão com máscara branca parecia tão... “meh”.

Bom, eu era criança, não tinha como entender que o ponto da história era mostrar que um humano comum podia ser tão temível quanto qualquer monstro. De fato, minha percepção da palavra “monstro” era extremamente literal... porque eu era estúpido.

Mas acho que a parte mais interessante dessa brincadeira é saber que eu era a única criança que preferia Jason ao Michael Myers na minha escola. De fato, eu era o único que conhecia o Jason, e o motivo disso era que os filmes do senhor Voorhees dificilmente passavam na televisão na década de 1980, enquanto Halloween e A Hora do Pesadelo eram constantemente reprisados no SBT.

Mais precisamente, estes filmes eram exibidos na Sessão das Dez, que ia ao ar no domingo de noite, logo após o Show de Calouros. A molecada ficava acordada, via as piadas “sujas” do Ary Toledo, assistia as apresentações dos transformistas... Sem saber exatamente o que estavam vendo, e depois ficavam acordadas até ALTAS HORAS (normalmente, meia-noite) para desfrutar de clássicos do terror que seriam o assunto principal de todas as conversas no recreio, no dia seguinte.

Eu era diferente (e superior), porque tinha uma mãe cinéfila que alugava dezenas de filmes todos os finais de semana, e que os devorava antes que o Domingo se encerrasse. E minha mãe gostava de todos os gêneros, incluindo terror, então foi graças a ela que eu iniciei meu longo romance com um monstro decomposto vestindo uma máscara de hóquei.

...

Esta frase soou muito errada, mas vou deixá-la assim mesmo. Me julguem!

Estou vendo você me julgar atrás desta persiana, Jamie Lee Curtis...

Halloween – A Noite do Terror é um grande filme, mas que eu tenho um certo receio de recomendar a plateias mais jovens. A produção de John Carpenter é devagar, mais preocupada em criar uma atmosfera adequada, do que em jogar galões de sangue na platéia. Pessoas que tenham se acostumado a coisas como O Albergue podem ficar entediadas com o fato de que Michael Myers não mata uma pessoa diferente a cada cinco minutos.

Mas para fãs de terror que se interessem pela história do gênero, Halloween – A Noite do Terror é um filme obrigatório. Não apenas por ter sido o responsável por introduzir os filmes Slasher ao grande público, mas por ser um trabalho extremamente bem feito, que mostra como criatividade e engenhosidade podem criar obras primas com pouquíssimos recursos.

Algo que muitos diretores da Hollywood moderna poderiam aprender.

Cheers!!!

9 comentários:

vic666 disse...

Esse mês promete!

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...
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Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Boa resenha amblim

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Boa resenha amblim

Giovanni Seiji disse...

YEEAAAAAH! Mês das Bruxas é do Balacobaco!

E Amer, tem que pensar pelo lado de que o Myers provavelmente dirigiu carros americanos, e isso implica em carros automáticos! Carros com uma direção tão simplória que até mesmo alguém que passou a vida jogando simuladores de corrida no fliperama da lanchonete do tio Araújo da esquina conseguiria pilotar.

Giovanni Seiji disse...
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DanieX disse...
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DanieX disse...

ei amer no ano passado você prometeu que faria a lets play com o jogo de psx apocalypse zero ( sim, o mesmo daquele anime de bosta) será que vai acontecer ainda neste mês?