quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Mês das Bruxas: 25 Clássicos do Terror - Um Lobisomem Americano em Londres


E hoje, vamos lembrar de mais um clássico da Sessão das Dez no SBT.

Isso mesmo, estou falando de Um Lobisomem Americano em Londres. O melhor filme que você podia escolher para uma festa do pijama naqueles tempos.

...

As crianças ainda fazem festas do pijama? E elas ainda tem esse nome, ou mudaram pra algo mais radical como “polução noturna entre amigos”?

Não importa. Vamos ao artigo.


Vamos, antes que escureça

A história começa e, North York Moors, uma área campestre da Inglaterra. David Kessler (David Naughton) e Jack Goodman (Griffin Dune) dois estudantes americanos, estão mochilando pelo local, quando em uma noite de lua cheia, são atacados por uma criatura bestial.

Jack morre, mas David é resgatado a tempo pelos aldeões locais. Ele desperta três semanas depois, em um hospital de Londres, sob os cuidados da enfermeira Alex Price (Jenny Aguter) e sem lembrança nenhuma do ocorrido.

Mas não demora muito e David passa a receber visitas constantes do espírito de seu amigo, Jack, que lhe explica que aquilo que os atacou era um lobisomem, e que David agora está amaldiçoado. Assim que a próxima lua cheia chegar, ele se transformará e tomará a vida de inocentes... A menos que se mate e coloque um fim a linhagem dos lobisomens.

David reluta em aceitar isso (porque é difícil acreditar nas palavras de um cadáver), mas quando a lua cheia aparece... Bom, acho que é óbvio o que acontece.

Ah sim, nesse meio tempo, David consegue se mudar para o apartamento da enfermeira Alex e não demora muito para se enfiar nas suas calcinhas. Porque em 1981, ninguém tinha tempo a perder com romance.

Não senhor. De maneira alguma.

Eram os anos 1980. Tomar um cafezinho antes do sexo
era investir demais em uma relação

O enredo é simples e direto: Sujeito é atacado por lobisomem, contrai licantropia e ele próprio se transforma em monstro toda noite de lua cheia. Sem complicações, isso é tudo que o público precisa entender da história. E este é justamente o ponto forte do filme, pois sem a preocupação de nos entregar um plot complexo, a história pode se dedicar apenas ao desenvolvimento de seus personagens.

David é um personagem perfeito para este tipo de trama, pois ele é um sujeito completamente comum, atirado de cabeça em uma situação fantástica e sem saber como lidar com ela.

De fato, o diretor John Landis teve a inspiração para essa história enquanto viajava pelo interior da Iugoslávia com um colega. Enquanto dirigia, os dois passaram por um enterro cigano, onde os locais envolveram o cadáver em alho e o enterraram de pé, em uma cova ridiculamente profunda, tudo isso para evitar que o falecido voltasse dos mortos.

Após este acontecimento, Landis percebeu que jamais poderia lidar com um acontecimento sobrenatural em sua vida. David foi idealizado com esta mentalidade, sobre como uma pessoa comum é despreparada para lidar com lobisomens e outros horrores não-naturais, caso seja vitimada por eles.

Se querem saber, acho que David é um personagem muito mais interessante hoje, do que em 1981, quando este filme foi lançado. Agora, no século XXI, todos já cansamos de assistir filmes de terror, e gostamos de acreditar que estamos preparados para enfrentar monstros das trevas.

Aconteceu um apocalipse zumbi? É só atirar na cabeça dos mortos e decapitar as pessoas que foram mordidas por eles, para evitar futuras re-animações.

Um vampiro se mudou pra vizinhança? É só enfiar uma cruz no rabo dele, e enquanto estiver desorientado pelo fio terra sagrado, cravar uma estaca em seu peito, ou jogá-lo no sol.

Lobisomens apareceram na sua faculdade? É só derreter a prataria da sua avó, fazer munição com ela, e encher o miserável de bala como se ele estivesse em Osasco.

Todos gostamos de pensar que sabemos todas as respostas e que jamais seríamos pegos de surpresa por um fenômeno desses, mas a verdade é que... Não. Nerds e estudantes universitários não são as pessoas mais preparadas e aptas a sobreviver a um horror desses, caso acontecesse.

E acredito que David representa bem como qualquer um de nós se sentiria nesta situação e como faríamos de tudo para tentarmos nos desligar dela.

Vocês ficariam surpresos em saber como pornografia softcore
não ajuda a tirar a mente dos problemas

A cena favorita da maioria dos fãs deste filme, é a da transformação (falo sobre ela daqui a pouco), mas existem dois outros momentos neste filme que eu considero muito melhores, pelo clima de suspense e ansiedade que criam.

Primeiro, a cena de abertura do filme, quando David e Jack transitam pelo interior da Inglaterra. A dupla pega carona com um pastor, que transporta suas ovelhas em um caminhão. Assim que os dois descem do veículo, a primeira coisa que motorista lhes diz é: “Fiquem sempre na estrada”.

Logo em seguida, eles vão até o pub de um vilarejo local, onde são recebidos com hostilidade pelos nativos. Jack percebe um pentagrama na parede do lugar, e pergunta sobre ele, o que torna todos os presentes ainda mais agressivos e motiva os rapazes a não passarem a noite no lugar e simplesmente seguirem viagem.

Mas antes de saírem, um dos frequentadores do pub novamente avisa: “Permaneçam na estrada enquanto caminham.”

A atitude dos nativos ajuda a construir o tom inicial do filme, com a ideia de que a região por onde os personagens passam convive desde sabe lá Deus quando, com um mal antigo, que os habitantes evitam confrontar, mas a sua maneira, também tentam impedir que se espalhe. Esta atitude entra em total conflito com o ceticismo dos médicos e policiais que encontramos nas cenas urbanas depois.

Minha outra cena favorita, é quando David passa o dia sozinho no apartamento de Alex. A garota sai para trabalhar, e o rapaz tem que matar as horas, após ter sido alertado pelo fantasma de Jack que esta será uma noite de lua cheia.

David tenta assistir televisão e não consegue. Tenta dormir, mas não relaxa. Tenta ler um livro, mas não tem concentração para isso. E se querem saber, esta foi a melhor representação de ansiedade que eu já vi em um filme.

Eu sou um homem notoriamente ansioso, e se eu tenho hora marcada para fazer algo (suponhamos, uma consulta no dentista), fico obcecado com a passagem das horas e absolutamente nada consegue me distrair até que finalmente chegue o horário do meu compromisso.

A incapacidade de David é uma ótima representação disso. A diferença é que na maioria das vezes, a ansiedade é causada porque vou fazer uma obturação, medir a pressão ou conhecer uma garota e bancar o completo idiota na frente dela. David... vai se transformar em uma máquina assassina assim que escurecer.

E por falar nisso...

Porque eu seria um fariseu lanfranhudo se não falasse dos efeitos visuais
deste filme

Um Lobisomem Americano em Londres foi o primeiro filme de terror a ganhar um Oscar de maquiagem.

Ok, tecnicamente, não foi o primeiro a ser premiado nesta categoria. As Sete Faces do Dr. Lao e Planeta dos Macacos receberam prêmios honorários da Academia em 1964 e 1968 respectivamente. Mas o filme de John Landis foi o primeiro a receber o Oscar quando os esforços dos profissionais da maquiagem passaram a ser reconhecidos oficialmente pelos esnobes que distribuem a estatueta todos os anos.

E rapaz, Rick Baker (responsável pelos efeitos visuais do longa) fez por merecer seu prêmio.

A transformação de David é uma das cenas mais espetaculares da história do cinema. Ela é lenta e parece horrivelmente dolorosa, e o público acompanha cada passo da metamorfose. Primeiro, as mãos do rapaqz se transformam em patas, depois seu torso se deforma e assume as proporções de um animal, finalmente seu rosto se estica e transforma-se em um focinho... Tudo ao som da versão de Sam Cooke da canção Blue Moon.

Aliás, a trilha sonora do filme é incrivelmente animada e dançante, considerando que Um Lobisomem Americano Em Londres conta a história de um monstro que estraçalha pessoas a dentadas.

Aparentemente, eram necessárias dez horas de trabalho para aplicar a maquiagem em David Naughton, e mais três para removê-la. O que limitava as filmagens a meia ho0ra por dia. Graças a isso, a cena da transformação levou uma semana para ser filmada.

Mas os méritos de Rick Baker não ficam apenas em David, pois o visual do fantasma de Jack também é espetacular. A cada vez que aparece pro amigo, o rapaz encontra-se em um estágio mais avançado de putrefação. Primeiro ele é um cadáver fresco, que teve a garganta arrancada, com sangue e pedaços de carne ainda dependurados onde o lobisomem fez seu estrago. Na segunda vez, sua pele está verde escura, já em claro estado de decomposição e em sua última aparição, ele é uma caveira com globos oculares e pedaços de pele presas a ela.

Os efeitos são tão impressionantes, que o ator Griffin Dunne ficou chocado ao se ver como morto. Foi duro para ele ver a si mesmo em estado putrefato e perceber a própria mortalidade.

John Landis também se chocou com o conteúdo gráfico do filme, mas apenas muitos anos depois. Quando Um Lobisomem Americano em Londres foi remasterizado para o lançamento em DVD, John Landis foi o primeiro a assisti-lo. Graças a alta definição do vídeo, Landis percebeu o quanto ele era sanguinolento, e ficou bastante impressionado com isso.

Mas talvez o maior triunfo do longa, foi que ele impressionou um certo artista que estava fazendo sucesso nos anos 1980. Um camarada chamado Michael Jackson.

Pois é.

O senhor Jackson adorou tanto esta produção, que contratou John Landis, Rick Baker e toda a equipe do filme para trabalharem no videoclipe de Thriller.

O resto é história.

E depois que encontrou o lobisomem, Jack também virou história.
TA-DUM-DISHHHHHHH!!!

Aliás, os uivos do lobisomem do filme? Foram reciclados pela Sega e utilizados em um Altered Beast.

E já que eu toquei no assunto, o grito de morte de dois policiais em em Rambo: Programado para Matar, também foram reciclados pela Sega, e utilizados em Golden Axe.

E não fiz a pesquisa, mas tenho quase certeza de que alguma amostra de som de RoboCop foi usada em E-Swat.

Porque a Sega era dessas.

Cheers!!!

6 comentários:

a volta dos que não foram disse...

first asuhashhsa


esse mês promete

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Foi o primeiro filme de lobisomens que vi na vida. Acho que foi no finado "cinema em casa " no SBT as duas da tarde depois do Chaves.

É, saudosos anos 90 que se passava filme de terror à tarde.

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Franci23 disse...

Nossa, curti ver a poesia por tras do classico, preciso reassistir depois disso.

Franci23 disse...

Nossa, curti ver a poesia por tras do classico, preciso reassistir depois disso.