domingo, 18 de outubro de 2015

Mês das Bruxas: 25 Clássicos do Terror - Elvira: A Rainha das Trevas


Todos saúdem Elvira! Rainha das Pirigóticas e senhora das Drags!

...

Ok, eu sei que não é exatamente um filme de terror, mas qualé! Nenhum Halloween é completo sem a Elvira!

Porque ser pirigótica é pra quem pode,
não pra quem quer!

Conheçam Elvira, a Rainha das Trevas! Apresentadora de um glorioso programa que exibe filmes de terror em uma estação de tevê local.

Exceto que o programa não é glorioso, é uma bosta. E Elvira pede demissão assim que o novo dono da emissora decide que pagar o salário da moça lhe dá o direito de agarrar seus peitos. Agora, livre de um ambiente que não respeita sua glória pirigótica, Elvira pode realizar seu sonho: Ter um show em Las Vegas.

Só há um problema, porque é claro que sim. Ela precisa de 50 mil pacotes para poder financiar seu show. Quando tudo parece perdido, Elvira recebe a extremamente conveniente (ela até mesmo comenta sobre isso) notícia de que sua tia-avó Morgana morreu e lhe deixou uma herança. Sem perder tempo, ela corre para recebê-la.

Então, nossa heroína vai parar na cidadezinha de Fallwell, habitada apenas por carolas fanáticos ultra moralistas. O tipo de pessoa atira discos do Kiss numa fogueira, e quando vão pro hospital por ficarem inalando fumaça de vinil queimado, dizem que a culpa é do Satanás.

Bom, Elvira herda a mansão de sua tia, seu poodle Algonquin e um livro de receitas... Que na verdade é um livro de feitiços, pois a moça descende de uma longa linhagem de bruxas super poderosas. E agora, ela tem de proteger o livro de seu tio Vincent Talbot (W. Morgan Sheppard), enquanto ajuda a juventude local a se livrar das amarras moralistas de seus pais cagões.

E claro, ela também arranja um tempinho pra namorar o bonitão local Bob Redding (Daniel Greene) que parece um daqueles halterofilistas tão expressivos quanto um chinelo, que cineastas italianos insistiam em colocar como protagonistas de filmes de ação nos anos 1980.

... Espera... Não pode ser...

MEU DEUS, É! Daniel Greene interpretou o protagonista de Keruac, O Exterminador de Aço! Um dos filmes de ação italianos mais chorumentos dos anos 1980! Oooooohhhh, a humanidade!!!

Escuta, isso não significa nada pra vocês, mas é importante pra mim. Eu assisti Keruac, tá legal? Eu odiei, mas foi um dos filmes cagados do SBT que divertiu minhas tardes infantis. E saber que o Keruac e a Elvira se pegaram é um lance extremamente viajado e metafísico na minha existência!

Tá?

Mas de volta ao filme, ele é apenas mais uma versão da velha história: “Conservadores em uma cidadezinha estadunidense são confrontados por um forasteiro livre pensador, e a juventude local é tomada de assalto pelas mudanças.”

O filme é bobo, cafona, sabe disso e não tenta ser mais do que é. E Elvira parece estar se divertindo tanto em cada cena, que não temos como não ser levados por seu entusiasmo e acabamos desfrutando cada minuto da experiência com ela.

E após ver esta imagem, eu queria que Elvira Vs. Dona Florinda
fosse um filme real.

Agora, quero falar um pouco de Cassandra Peterson, a intérprete de Elvira, que teve uma das vidas mais fascinantes que eu já vi.

Peterson nasceu no Kansas, que como todos sabem, é o estado de onde veio o Superman (o clássico. O dos Novos 52 deve ter saido de Guarulhos) Desde criança, ela tinha fascinação por monstros e coisas do além, diferente de suas amigas, que curtiam Barbie e sonhavam em casar com um cara lindo e gay que lhes comprasse um porsche rosa.

Ora, essas pessoas comuns e sem graça.

No início dos anos 1970, Peterson se mudou para a Itália e formou a banda I Latins Ochanats and The Snails, do qual era vocalista. Mas antes disso ela teve um breve rolo com um músico norte americano chamado Elvis Presley. Não sei o que foi feito dele, mas deve hoje se gabar muito de ter namorado uma ESTRELA como Elvira.

Ao voltar para os Estados Unidos, ela trabalhou como comediante e passou a desenvolver os trejeitos que se tornariam a marca de Elvira. Ela também posou nua para diversas revistas masculinas e foi a garota na capa do álbum Small Changes de Tom Waits, um fato do qual ela definitivamente não se lembra.

Os anos 1970 foram muito doidos. Acredita que achavam John Travolta um galã nesses tempos?

E tudo isso rolou antes de Cassandra conseguir o papel de Elvira, em 1981, quando os produtores do programa Fright Night procuravam uma nova apresentadora para o show, e gostaram do que viram quando ela fez o teste.

Peterson criou a personagem de Elvira junto de seu melhor amigo na época, Robert Redding. Os dois decidiram contrastar a aparência gótica e sexualmente carregada da garota com uma personalidade alegre, que fala o que pensa e não tem medo de rir de tudo, até de si mesma.

Não demorou muito e Elvira deixou de ser uma apresentadora que entretia fãs de terror solitários e pervertidos nas madrugadas dos finais de semana, e tornou-se um dos ícones da cultura americana moderna.

E aqui vai um fato que nem todos sabem: A peruca com cabelos ridiculamente longos de Elvira, foi feita para esconder marcas de queimadura. Peterson sofreu um acidente com fogo aos cinco anos de idade e tem cicatrizes que se estendem pelo seu pescoço e por suas costas.

É o que eu digo sempre, comediantes sempre tem algum elemento trágico em sua vida. Eles aprendem a rir para esquecer a própria dor primeiro, depois tentam fazer os outros rirem, pois sabem como uma boa gargalhada faz bem.

Então não julguem tanto os comediantes que fizerem piadas das quais vocês não gostem. Pois você não sabe as porradas que esta pessoa levou da vida até subir em um palco.

Não só de pessoas, mas de assoalhos também. Casas
podem ser cretinas temperamentais

Uma coisa que eu sempre achei curiosa na personagem da Elvira é que ela não me excita.

Claro, ela é uma mulher linda, possui magumbos magníficos e é uma ruiva que se veste de pirigótica, o que é praticamente o cúmulo da felicidade para mim. É como se alguém me trouxesse uma pizza de hamburguer.

Mesmo assim, nada. Quando olho pra ela, não consigo ter pensamentos sexuais, e acredito que isso acontece pela forma que Cassandra Peterson apresenta sua personagem.

Calma, vamos dar um minuto para os leitores do Orgulho de Ser Hétero virem aqui me xingar.

...

Ok, prosseguindo. Cassandra Peterson se preocupou em construir uma personagem que em seu âmago fosse cômica, desta forma, Elvira consegue ser sexy, mas sua sexualidade é usada como uma mera escada para comédia.

Ela não é uma fêmea fatal pois quando tenta seduzir alguém, o faz de forma tão desengonçada que chega a ser ridícula. Ela é exageradamente teatral e faz joguinhos com as pessoas, mas sem malícia real. É mais como uma criança fazendo dengo pra ganhar um mimo dos pais. E embora ande por aí com um decote generoso que realça seus seios enormes, eles são usados como piada tantas vezes que perdem qualquer dose de erotismo, tornam-se um mero acessório cômico, não diferente de uma torta na cara.

No final, Elvira é uma personagem extremamente ingênua, quase uma adolescente brincando de ser adulta, que no fim é apenas aquela garota diferente e divertida que leva a vida com a leveza de espírito que todos gostaríamos de ter.

E talvez este seja o motivo de seu sucesso. É impossível não gostar de Elvira, porque ela é a amiga excêntrica que ilumina nossos dias apenas com sua presença.

E quem resiste a esse sorriso?

Elvira: A Rainha das Trevas, é um prazer culpado. É aquele filme que você sabe que não é bom, mas não resiste e sempre para pra assistir quando o encontra por acaso ao zapear pelos canais de tevê em uma noite preguiçosa.

Se nunca assistiu este filme, dê a ele uma chance. Poucas coisas conseguem ser mais prazerosas do que uma pirigótica espasmódica que transforma tudo que toca em diversão.

Cheers!!!

10 comentários:

Ace Of Spades disse...

Muito bom, eu amo esse filme e eu assisti pela primeira vez na sessão da tarde quando ainda era um pequeno gafanhoto fã de "Deu a Louca nos Monstros" e todas aquelas podreras violentas do cinema em casa e do cine trash, e apesar de entender muito bem o seu ponto que faz total sentido, eu não consigo não achar a Elvira uma mulher excitante de um ponto de vista sexual, exatamente por todas as características que você citou (sou um pervertido mesmo, ME PROCESSEM) e digo mais, não consigo pensar em uma garota que seja tão sexualizada mesmo que pra comédia, que me cause esse efeito, pra falar a verdade acho que a Elvira é insuperável! E puxa, a senhorita Peterson continua um mulherão, e consegue se vestir de Elvira e manter o mesmo sentimento! OH QUE MULHER!!! QUE MULHER!!!
Isso me lembrou da Tura Satana e OH THE HORROR!!!! Bom o tempo não é gentil com todo mundo!

Anderson "ANDF" Ferreira disse...

Esse eu vi na Tela Quente e por anos (antes da tal classificação indicativa obrigatória) na Sessão da Tarde, que atualmente só passa dramecos, poucos filmes velhos (com alguns cortes), comedinhas e filmes de animação.
Realmente, é um filme bobo, mas divertido e desencanado.
Cheguei a desenhar uma personagem minha fantasiada de Elvira e já postei até no Facebook.

Diogo Lopes Bastos disse...

Eu adorava ver esse filme na época da Sessão da Tarde moleque que não tinha medo de colocar mulheres nuas, sempre considerei esse filme muito engraçado e como você Amer nunca vi a Elvira como um simbolo sexual, mas como uma ótima personagem que conseguiu me conquistar pelo seu jeito. Esse é um tipo de filme que faz muita falta para essa nova geração.

Azrael_I disse...

Nunca vi o filme da Elvira (desvio dos ovos, das pedras e dos tomates podres), mas depois da resenha do Amer vou dar uma chance, quando puder. O troço parece divertido.

Quanto à questão da dor do humorista, eu sempre lembro da clássica piada do Rorschach em Watchmen: Um homem vai ao médico e fala que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Ele se sente só, num mundo ameaçador onde o futuro é vago e incerto. O doutor diz..."O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade esta noite. Vá vê-lo. Levantará seu astral. O homem começa a chorar e fala: "Mas doutor...eu sou o palhaço Pagliacci".

Diana Santos disse...

Nossa, eu adoraaava ver esse filme. Lembro que toda vez que passava na Sessão da Tarde eu sempre assistia. E você Amer (como de costume) fez uma ótima análise não só do filme, mas também da própria personagem. Tanto é verdade o fato da erotização dela ser mais uma escada para a comédia, que eu nunca me incomodei com o decote gigante que ela usava. Elvira é o tipo de pessoa que todo mundo adoraria ter como amiga!

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Realmente a Elvira era bem carismática. Pena que só assisti uma vez que esse passou aleatoriamente numa sessão da tarde.

Lucas Vieira disse...

Bom artigo como sempre
Eu realmente nunca tinha percebido que eu não a via como uma figura sexual mesmo ela sendo linda!!!

Lucas Vieira disse...

Amer, eu sei que outubro já ta acabando, mas seria muito legal se voce fizesse um artigo para Braindead/Fome animal/Deadalive (não sei porque esse filme tem tantos nomes)

Makoto Bakura disse...

Eu nunca tinha entendido direito o que eu sentia pela Elvira... Acho que finalmente consegui ao ler esse texto

Apesar da aparência dela, que deveria me fazer sentir uma coisa, a sensação é outra... Acho que deve ser isso mesmo, é como se eu me sentisse feliz só de ver ela alegre

kayuri kurotsuki disse...

Comentando atrasada, talvez. Não me julguem.
Elvira é uma personagem tão amada por mim, que me fez esquecer todas as neuras com o corpo para simplesmente me fantasiar dela no Halloween e me divertir. Sem ficar pensando que me achariam uma gorda louca por atenção. Dane-se. Eu tenho tanto carinho pela personagem E pela Cassandra, que ao ver sua crítica, meu dia ficou mais feliz. E a mensagem que ela passa é "divirta-se, mesmo que o mundo ache que você é uma doida, errada e tente te derrubar".