sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Mês das Bruxas: 25 Clássicos do Terror - Quadrilha de Sádicos


Todos conhecemos Wes Craven por suas obras de maior sucesso: A Hora do Pesadelo e Pânico. Mas o caso é que ele foi um cineasta com uma longa carreira, que já criava maravilhas quando a maioria de nós não passava de um brilho nos olhos de nossos pais.

Assim, muito antes de colocar uma luva com facas na mão de um pedófilo chamuscado, Craven presenteou o mundo com aquele que se tornaria uma de seus filmes mais cultuados: Quadrilha de Sádicos.

E é sobre ele que falaremos hoje.


"Não quero falar disso! Eu gosto memo é do Bátima!"
"Menina, respeeeeeito!"

Nossa história começa em um posto de gasolina no meio de lugar nenhum. Porque após todos estes anos, comerciantes em filmes de terror não aprenderam as óbvias vantagens de se trabalhar numa área habitada.

O dono do posto, Fred (John Steadman) está colocando suas posses em uma caminhonete, apressado, como se estivesse pronto para fugir. É quando uma adolescente com aparência selvagem chamada Ruby (Janus Blythe), aparece para apanhar suprimentos. Quando vê que o velho está se mandando, ela pede para ir com ele.

A conversa é atrapalhada por uma família que está em uma viagem com um trailer. Bob (Russ Grieve) e sua esposa Ethel (Virginia Vincent) estão atravessando o deserto com seus filhos Bobby (Robert Houston), Brenda (Susan Lanier), Lynne (Dee Wallace) e o cunhado bigodudo Doug (Martin Speer), além da netinha Katie edos cães Bela e Fera.

Porque após todos estes anos, mocinhos de filmes de terror não aprenderam que é uma péssima idéia levar todos os seus descendentes para o meio do nada, onde podem ser vítimas de todo tipo de desgraça.

Bob enche o tanque de seu carro, e Fred o aconselha a NUNCA sair da estrada principal. A família segue adiante, se enrola com as instruções do mapa e é claro que saem da estrada e se perdem no meio do deserto.

Bob e Doug resolvem sair para buscar ajuda e suprimentos, e os demais resolvem aproveitar o tempo para comer, soltar os cachorros da família no meio de um lugar desconhecido e provavelmente infestado de predadores, e assim que volta, Doug decide que o melhor curso de ação é dar uma pimbada em sua esposa.

Enquanto agem como completos idiotas, nossos heróis não percebem que não são os únicos presentes neste cenário horrível. E que agora estão sob a mira de criaturas que para sobreviver, tiveram de se tornar os mais temíveis predadores da região.

Criaturas que na verdade são... SERES HUMANOS!!!

Então, é. Nossa adorável família de idiotas pão branco se tornou alvo de um bando de psicopatas canibais.

Porque após todos estes anos, acho que já ficou claro que no deserto sempre tem alguém doido pra te comer.

Mais rápido que ir até o Ragazzo

Quadrilha de Sádicos trabalha um tema que tornou-se comum ao cinema de horror, e o qual eu já debati quando falei de O Massacre da Serra Elétrica: O isolamento. Este tipo de história trabalha o medo que seu público pode sentir ao se imaginar em um local desconhecido e totalmente distante da civilização.

Quem nunca fez uma demorada viagem de carro ou de ônibus por uma auto estrada, e pegou-se imaginando que se o veículo quebrasse, poderiam levar dias até alguém perceber e enviar socorro? No cinema, este sentimento é elevado a máxima potência, com a adição de um perigo constante que ronda as vítimas.

Embora tenha várias semelhanças com a obra de Tobe Hopper, Quadrilha de Sádicos torna-se distinto pela forma que nos apresenta seus vilões. Leatherface e seus irmãos são completamente insanos, e suas ações não possuem razão ou lógica. O espectador é levado por eles através de uma espiral de loucura, onde o pavor maior é causado pelo choque que nossa mente enfrenta ao se ver diante de uma loucura que parece não ter fim.

Papa Jupiter (o antagonista principal, interpretado por James Whitworth) e sua prole não são guiados pela insanidade, mas pelo mais puro mal. Eles são inteligentes, astutos, e altamente estratégicos, executando planos elaborados que visam imobilizar, distrair ou matar seus alvos.

Como Clive Barker bem falou: “Um vilão inteligente é sempre mais assustador.”

E um bebê hiper dramático sempre
complementa a cena

Mas outro tema aqui tratado, é até onde uma pessoa comum pode ir, em nome da própria sobrevivência.

Vítimas do gênero costumam ser estereótipos irritantes, com pouco ou nenhum desenvolvimento. O bonitão babaca, a gatinha broaca, o piadista irritante, o membro de uma minoria que só foi adicionado para dar alguma diversidade étnica a história e por aí vai. Não nos apegamos a estes personagens e quanto antes o monstro os transformar em sarapatel, melhor.

Mas a família de Bob e Ethel é apresentada não como um emaranhado de clichês, mas como pessoas comuns e maçantes, exatamente como eu ou você. Eles não percebem que estão sendo vigiados por aquilo que há de pior na humanidade, e apenas seguem com suas vidinhas, como se ficar presos no deserto não fosse grande coisa. Normalmente, ao assistir um longa de terror, nos vangloriamos ao ver todas as idiotices que os personagens cometem, certos de que faríamos diferente no lugar deles.

Aqui, temos a certeza de que estaríamos tão alheios a situação quanto as pessoas na tela. Bebendo Coca-Cola e comendo salgadinhos enquanto sociopatas planejam nossa execução.

Esta identificação com as personagens já fincou seus dentes em nós, quando no Ato III, após uma noite de pavor e violência nas mãos dos bandidos, os mocinhos são forçados a revidar. E fazem uso de táticas brutais e desumanas para enfrentar seus algozes. Aquela família de pessoas comuns e maçantes é forçada até seu limite, e torna-se quase tão selvagem quanto aqueles a quem enfrentam. E em nossas poltronas, apenas imaginamos se faríamos igual, ou se nos manteríamos passivos diante da morte.

"Vejam! A MOOOOORTE! Temos de fazer algo!"
"Primeiro, salada de batata."
"Ok."

Mas talvez a maior contribuição de Quadrilha de Sádicos para a humanidade, foi que esta obra inspirou um episódio de O Incrível Mundo de Gumball.

... Você não conhece Gumball... Mas que tipo... Quem é você? Você não teve mãe pra te ensinar a ser gente? Como se atreve a vir aqui com essa cara imunda e amarela e me dizer que nunca assistiu O Incrível Mundo de Gumball? Seu Fariseu do Satanás!!!

Pois bem, O Incrível Mundo de Gumball pertence a mais recente leva de séries animadas do Cartoon Network. Foi criado por Bem Bocquelet, e narra o dia-a-dia de uma família classe-média comum, os Wattersons. Especialmente seus filhos, Gumball e Darwin, respectivamente um gato e um peixe.

...

Claro que um gato e um peixe podem ser irmãos. Darwin é adotado. Faz todo sentido, sua pessoa de mente fechada! Você me dá nojo!

Pois bem, no episódio The Vacation (da segunda temporada da série), os Wattersons saem de férias e o carro quebra no meio do deserto. Eis que surge um sujeito monstruoso que se oferece para ajudá-los. Em uma série de mal entendidos, nossos heróis acham que vão ser comidos pelo estranho e passam a noite fugindo dele.

Não apenas o tema do episódio remete ao enredo geral de Quadrilha de Sádicos, como o sujeito monstruoso do episódio se parece muito com Michael Berryman, que interpretou Pluto, e que de certa forma tornou-se o rosto da série.

Diga-se de passagem, Berryman trabalhou em dezenas de filmes de terror com o passar dos anos, e tornou-se uma figura muito querida entre os fãs do gênero. De fato, é possível reconhecer um amante dedicado do gênero pelo fato dele se referir ao senhor Berryman por seu nome.

E ele foi homenageado pelos criadores de O Incrível Mundo de Gumball.

MELHOR GERAÇÃO DE CARTOONS DE TODOS OS TEMPOS!!!

O homem... O mito!

Quadrilha de Sádicos recebeu um remake em 2006, chamado Viagem Maldita. A história é exatamente a mesma, só que com mais violência explícita e conteúdo criado unicamente para chocar o público.

Por exemplo, um dos mutantes obriga a mãe do bebê a amamentá-lo.

Não, não ao bebê.

Isso. Entendeu agora? Pois é.

Uma cena totalmente necessária, que faz maravilhas pela narrativa.

Se tiver de escolher entre uma das versões, fique com a clássica. Ela é superior em praticamente todos os aspectos.

E tem o Michael Berryman.

MICHAEL BERRYMAN É VITÓRIA!!!

Cheers!!!

5 comentários:

Azrael_I disse...

Até hoje só assisti mesmo o remake Viagem Maldita (e não assisti a sequência, O Retorno dos Malditos). Enquanto que a história original mexe com a questão de abuso e incesto (essa era a ideia do script original), o remake mexe com a questão da pesquisa de armas nucleares e de como elas afetam os seres humanos (por outro lado, gerou muita polêmica na vida real com a premissa de que "pessoas com deformidades são más"; claro que não era essa a intenção, mas acabou ficando essa impressão); seja como for, a ideia básica era de que os vilões possuíam algum tipo de deformidade que, aliada ao isolamento, os teria deixado loucos. E no script original, a história se passaria numa floresta, não no deserto.

O filme original perdeu boa parte de suas tomadas, cortadas devido à censura, sendo que a versão existente hoje está cheia de cortes e boa parte desse material é considerado irremediavelmente perdido.

Seja como for, Quadrilha de Sádicos possui uma sequência também, filmada em 1984, que é considerada um dos piores filmes do Wes Craven (aliás, Amer, acredito eu que você esqueceu de mencionar que ele morreu recentemente). Existe também uma "sequência indireta" filmada em 1995 chamada Mind Reaper que, apesar de muitos considerarem uma continuação, não tem quase nada a ver com os dois primeiros filmes, exceto a direção do Wes Craven. Só por curiosidade.

Agronopolos Macho Alpha disse...

Esqueceu de comentar que o mesmo ator fez uma ponta em Mulher nota mil (Weird Cience) como líder de uma gangue de sádicos/motoqueiros

Anderson "ANDF" Ferreira disse...

Esse, nunca vi. Só o remake e sua continuação.

Adan Ribeiro disse...

Não desprezo seus leitores, de forma alguma - até porque não sou um deles? - mas é fato que a sua sessão de cinema neste mês de outubro trouxe uma quantidade de comentários muito mais interessantes e construtivos por metro quadrado do que outros assuntos aleatoriamente falando.

Leandro DM disse...

O filme é.bom.demais, mas vim só pra saber se vc ia falar do episódio de Gumball. É um dos melhores episódios e a homenagem é perfeita.