segunda-feira, 11 de junho de 2018

Como consertar a Rey?


Rey é a pior personagem de toda franquia Star Wars, ponto.

Sim, pior que o chorão do Anakin, pior até do que o Jar Jar Binks. Ora, o senhor Binks foi criado para ser o alívio cômico, e embora tenha cumprido este papel tão bem quanto uma depiladora cujo método de trabalho é remover pelos um por vez, com uma pinça, enquanto escuta Faroeste Caboclo em looping, ao menos ele não tinha ambições de ser algo maior.

Ok, exagerei. Rey não é a pior personagem de Star Wars, este posto hoje pertence a L3-37, a droid feminista de Solo. Que foi? Não a conhece? Não me surpreende, nem os próprios atores foram assistir Solo.

Enfim, a menina pode não ser a pior personagem de Star Wars, mas chega perto disso. Fato que é agravado por ela ser a protagonista, e portanto, o pilar da nova trilogia da série.

Mas... E se pudéssemos consertá-la? Reescrevê-la para que se tornasse suportável?

Bem, é isso que faremos hoje.

Aliás, a todos que querem ir aos comentários me chamarem de machista e fazerem acusações de “mansplaining”... E deve ser lindo viver nesse mundo onde palavras que não existem são tão excessivamente usadas... Agora é a hora.

Para todos os demais... Sigaaaaaaaaaammmmmmmmmmm-ME!!!


Por que Rey é uma personagem ruim?

BOA PERGUNTA, GENOVEVA! Ganhou um biscoito Scooby bem no rabo!

Bem, o maior... E único... Problema com Rey, é que ela é uma Mary Sue.

“O QUE XOXOTAS É UMA MARY SUE, AMBLIM?”

Mary Sue é uma personagem infalível, perfeita, que fazem tudo melhor que todo mundo e que simplesmente não possuem iguais dentro da história. Na maioria das vezes, uma Mary Sue é uma auto inserção do autor em sua obra, ou um ser criado para representar seus desejos e idealizações dentro da história.

Sabe a menina fanfiqueira que escreve uma história onde uma personagem MUITO PARECIDA COM ELA, e que COINCIDENTEMENTE POSSUI O MESMO NOME, vai parar em Hogwarts, passa a ser disputada pelos meninos, luta de igual pra igual com a Bellatrix Lestrange logo no primeiro ano, e no fim da série casa com o Harry? ISSO é uma Mary Sue.

O termo surgiu em 1973, graças a uma paródia de Star Trek chamada A Trekkie’s Tale, escrita por Paula Smith. Na história, conhecemos a tenente Mary Sue, apresentada como “a oficial mais jovem da Frota Estelar, com apenas quinze anos e meio de idade”. A história foi publicada no fanzine Menagerie, e era uma crítica de seus editores a este tipo de personagem, que eles entendiam como sendo pouco realistas e incrivelmente irritantes.


Pode nos dar um exemplo de Mary Sue?

Mas claro, meu chuchuzinho! Ninguém menos que Bella Swan, protagonista da Saga Mamelúsculo!

Sobre a qual escrevi extensivamente, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Vão ler, é bom.

Mas Bella... Oh Bella, por onde começar?

Primeiro, embora esteja sempre cabisbaixa e ache que a vida é OH MEU DEUS, TÃO DIFÍCIL, todos a adoram de imediato quando a conhecem. De fato, em seu primeiro dia de aula, ao invés de ser alienada por alguns de seus colegas (o que normalmente acontece quando um autor quer fazer o público sentir empatia pelo protagonista), todos os alunos de sua classe passam a disputar sua atenção, e ela logo é elevada a patamar de “líder” em seu grupo social.

Depois, mesmo sem ter QUALQUER QUALIDADE QUE A DESTAQUE, ela chama a atenção de Edward Cull... Hããããã... Cedrico Cullen, o rapaz mais misterioso, desejado e Shiryu da escola, e no filme seguinte, ela passa a ser disputada por ele e pelo lobisomem de barriga mais tanquinho da história das barrigas tanquinhos.

E não vamos esquecer que quando Bella foi transformada em vampira (SPOILERS!!!) ela se mostrou mais poderosa e capaz que qualquer um dos outros sanguessugas com séculos de idade que nos foram apresentados anteriormente.

Bella é uma Mary Sue lazarenta, e odiá-la deveria ser lei federal.


Ok, mas por que Mary Sues te irritam tanto? São só personagens!

Mary Sues não irritam “a mim”. Elas irritam a todos que tem um mínimo de apreço por estrutura narrativa.

Personagens precisam passar por um arco, eles devem começar a história em um ponto, e terminá-la em outro, completamente diferente. Se ao escrever um roteiro, ou livro, ou pornochanchada, seu personagem não passa por eventos que o mudam, e chega ao capítulo final exatamente como era na primeira página, então você fez algo errado.

Muito, muito errado.

Tomemos Bella como exemplo novamente. No primeiro minuto do primeiro filme, ela é uma menina “FOM” qualquer, genérica, sem qualquer interesse, habilidade ou virtude que a destaque... Mas que nunca erra e é amada por todos. Na última cena do último filme, ela é a exata mesma criatura... Só que com vampirismo, e consequentemente, ainda melhor.

E embora Rey não seja ruim como a Bella, porque afinal de contas, nem um Kim Jong-Um acionando seu arsenal nuclear e vaporizando a humanidade o seria, ela com certeza preenche muitos dos requisitos para ser considerada uma Mary Sue.

Pra começo de conversa, ela é linda e abraçável. Claro, não estou dizendo que os produtores do filme deveriam ter incendiado o rosto de Daisy Ridley antes de iniciarem as filmagens, mas a personagem parece mais uma debutante metida a alternativa preparada pra dar um rolê na avenida Paulista do que uma mendiga cósmica residente de um planeta hostil.

Quando penso em uma garota que vive num mundo onde tudo quer comê-la (literal e biblicamente), a imagem que me vem à mente é a Furiosa.


Rey está sempre impecavelmente limpa, e possui um cabelo tão bem penteado que faria inveja no Silvio Santos. Mesmo em momentos de desespero, quando tudo está explodindo ao seu redor e chamas, destroços, e discos do Jordy engolem todos a seu redor, o máximo que lhe acontece é ter uma mecha de cabelo fora do lugar.

Sem mencionar que ela tirou 20 quando rolou os dados pra determinar carisma no começo da aventura, e ABSOLUTAMENTE TODO MUNDO gosta dela. Finn praticamente se apaixona quando a vê (mas é claro que eles não namoram, porque Hollywood ainda tem medo de colocar o negão do blues dando uns pegas na debutante branquinha e londrina... Mas isso é outra história), Han Solo confia e passa a ser paternal com ela cinco segundos após conhecê-la, Leia ignora Chewbacca e a abraça assim que a vê após a morte de Han... Em seu microcosmo, ela é o centro de tudo.

Agora, falemos de sua infalibilidade, e serei justo. Parte de suas habilidades poderiam ter sido adquiridas ao longo de sua vida como órfã em Jaku.

HE-HE! "KU"!

Mas então, como sucateira, Rey pode ter aprendido a remendar todo tipo de tralha que encontrasse no deserto, uma vez que suas refeições dependiam inteiramente de sua capacidade de fazer lixo funcionar.

E sendo uma loli lindinha, cheirosa, de olhinhos claros e sotaque fofinho que neste exato momento deveria estar sentada na minha cara e rebolando até fazer barulho de lagoa...

...

...

... Com licença, sim?

...

...

...

Ok, bem melhor.

Onde eu estava? Ah sim, é de se imaginar que uma loli lindinha em um planeta hostil precisou aprender a se defender, de outra forma, acabaria em uma ilustração do Shadman.

E se entendeu esta referência, você é uma pessoa horrível! Dá cá um abraço!

Então, Rey saber consertar coisas e lutar, não são habilidades inacreditáveis para alguém em sua situação, mas saber remendar a Millenium Falcon com perfeição ao olhar pra nave pela primeira vez, pilotá-la de forma impecável, piruletando mais que o Eddy Gordo, e em Os Últimos Jedis, ela derrotar LUKE FODA SKYWALKER, O JEDI MAIS PODEROSO DE TODOS OS TEMPOS, SEM TREINAMENTO ALGUM... Bem... Quando olhamos desta forma, assim como sêmen cheio de unhas, Rey torna-se mais difícil de se engolir.


E daí? Continua sendo só um personagem! Cresce, seu nerdão!

Esse é o ponto: Rey é uma personagem. Personagens precisam de arcos onde eles passem por uma evolução gradual, de outra forma, é impossível que nos conectemos com eles.

Muito bem, permitam-me usar outro personagem de Star Wars como exemplo desta evolução: LUKE FODA SKYWALKER!!!

Quando o conhecemos, ele é um fazendeiro em Tattooine, pior ocupação de todas, uma vez que o planeta é desert e não deve crescer nem pentelho de Jawa por lá. Ele mora com os tios, bebe leite azul, quer ir pra academia de pilotos, mas o tio Owen não deixa por... Motivos.

Eventualmente, enquanto cumpre seus afazeres, ele descobre a mensagem de Leia escondida em R2-D2, o leva pro velho louco que morava no meio das pedras e os dois partem em busca de AVENTURA!!!

Luke inicia sua jornada como um guri ingênuo que conhece porra nenhuma de nada, toma diversos “calabocas” do Han, um rosnado do Chewbacca, vê seu mestre ser morto diante de seus olhos e claramente não tem a menor chance contra Darth Vader.

Claro, ele destrói a Estrela da Morte, mas é estabelecido na história que ele é um bom piloto e capaz de atirar no furico da estação, uma vez que em Tattoine, passava seu tempo matando roedores do deserto não muito maiores que seu alvo.

Ninguém questiona o fato de que só assassinos seriais passam seu tempo exterminando animais inocentes, mas isso não vem ao caso. O ponto aqui é que Luke só conseguiu alvejar o ponto fraco da Estrela da Morte com uma mistura de habilidade e um pouquinho de uso da Força, ambas coisas que haviam sido devidamente estabelecidas antes.

Chega O Império Contra-Ataca, Luke se aventura onde não devia, toma uma chulapada do monstro das neves e perde parte da cara, escapa do bicho com uma mistura de sorte e improviso, e sobrevive apenas porque foi resgatado pelo Han Solo. Então, ele vai treinar em Dagobah, onde mostra-se impaciente e irritado, ignora certos avisos de Yoda, e no final, decide viajar até Cloud City e enfrentar Vader.

O que acontece? Ele perde a mão e é comido com sete ervas e temperos.


Finalmente, após passar por poucas e boas, concluir seu treinamento, crescer e amadurecer, o vemos como um verdadeiro mestre Jedi, capaz de dominar a mente do mordomo do Jabba como se fosse terça-feira, treta com o Rancor como se ele não passasse de uma espinha na bunda da vida, e luta de igual pra igual com Darth Vader, o mano mais faixa preta da galáxia.

Existe uma progressão muito satisfatória no personagem, que começa como um garoto empolgado, torna-se um jovem adulto arrogante, e finalmente um homem maduro. Nos momentos finais de O Retorno de Jedi, Luke redime Vader, algo que tanto Obi Wan quanto Yoda sequer cogitavam ser possível. O rapaz tornou-se um mestre maior do que aqueles que o ensinaram, e é extremamente satisfatório contemplar seus momentos finais após o acompanharmos por toda esta saga.

Claro, destruiram tudo isso em Os Últimos Jedi, mas deixemos essa história de lado agora.

Rey não passa por esta evolução. Ela conserta a Millenium Falcon, pilota melhor que Han Solo, luta de igual pra igual com Kylo Ren (um cara capaz de congelar disparos laser em pleno ar apenas com a carranca) na primeira vez que pega um sabre de luz, controla a mente de lazarentos cósmicos sem nem tentar, possui uma quantidade de cosmo... Digo, Força, capaz de intimidar o maior Jedi da história... REY É INFALÍVEL EM TUDO QUE FAZ... E consequentemente... UMA MARY SUE!!!

Sem mais perguntas, meritíssimo.


Então, já que você sabe mais do que todos na Lucasfilm, nos diga: Como a Rey deveria ser?

Pra começar, não precisamos mudar a atriz. Gosto muito de Daisy Ridley, a acho muito competente e apertável. De fato, acredito que qualquer carinho existente por Rey (que não seja forçado por ideologias políticas) deve-se unicamente a seu carisma natural.

O que podemos fazer é deixá-la com uma aparência mais rústica, mais uma vez, Furiosa me vem a mente. Vejo como ideal uma pintura facial escura cobrindo seus olhos, para deixá-la com uma aura mais agressiva e mostrar a qualquer pedófilo do deserto, que mexer com ela é uma boa maneira de se acabar o dia com um Stormtrooper entalado no esfincter.

Eventualmente, ao encontrar Han Solo, o velho bandoleiro poderia aconselhar ela a lavar a cara, uma vez que outros lugares do universo talvez não recebessem bem uma garota decorada com pintura de guerra. Isso seria o primeiro passo de seu desenvolvimento: Ao invés de ser uma sucateira fofinha e cheirosa que todos amam, Rey poderia ser desconfiada, agressiva e sempre na defensiva, resultado do ambiente onde cresceu. Limpar o rosto a colocaria pela primeira vez em uma posição vulnerável, e o público começaria então a se conectar com ela.

Quanto a suas habilidades de luta, poderíamos vê-las em duas situações bem distintas: Primeiro, em uma batalha com vagabundos de Jaku, onde ela seria atacada por ladrões (ou sucateiros rivais, ou fãs do Vando) e limparia o chão com eles. Mais pra frente na história, ao invés de ser capturada por Kylo Ren, ela poderia se meter a besta com uma tropa da Primeira Ordem... Ou melhor... COM A CAPITÃ PHASMA!!! E nessa brincadeira, ter o rabo chutado com tanta força que orgasmos seriam cancelados em seu corpo.

Com isso, criaria-se a situação de “peixe grande em uma lagoa pequena”. Quando estava em Jaku, Rey era mais do que páreo para todos os bandidos que encontrava, mas agora que saiu de sua bolha, a menina deve aprender que existem pessoas MUITO mais fortes do que ela.

Assim, nossa heroína teria progressões óbvias a fazer em seu arco: Abandonar sua agressividade e aprender a confiar nas pessoas, além de ter treinamento formal e descobrir como lutar feito gente grande.


E quanto ao poder da Força presente nela? O que faz com isso? Enfia no cu?

MODERE O LINGUAJAR, ROBIN!!! VOU TE BOTAR NO COLÉGIO INTERNO!

Ok, que tal isso? Rey pode ser o Broly de Star Wars.

“Um bebezão cuja história é incrivelmente retardada e insatisfatória?”

... Certo... Ela pode ser a Kale de Star Wars...

“Minha waifu?”

NÃO! MINHA WAIFU!!!


Mas o que quero dizer com isso? Kale possui um poder descomunal, que não é capaz de controlar. Que tal usarmos este mesmo artifício aqui? Rey poderia ter nascido com uma afinidade natural para com a Força, mas por nunca ter sio educada a respeito, ela nunca aprendeu a usá-la da forma certa. Coisas apenas “aconteciam” ao seu redor, sem explicação.

Por exemplo, lembram da cena onde ela vai trocar sucatas por comidas, e o mercador pilantra lhe dá menos mantimentos que na semana anterior? Rey poderia não aceitar os novos termos do lanfranhudo, bater o pé e dizer: “Você não vai me trapacear, você vai me dar a mesma quantia da semana passada”. E após um breve silêncio, o patife repetiria: “Vou lhe dar a mesma quantidade da semana passada” e o faria em seguida, deixando a moça com uma expressão de: “Que porras aconteceu?”

Com esta cena, o momento em que ela controla a mente do Stormtrooper mais adiante seria bem mais plausível.

Outra forma de demonstrar seu poder seria mostrá-la tendo um pesadelo com a lembrança de quando foi abandonada pelos pais. Neste momento, toda sua casa começaria a tremer e o terremoto só cessaria quando ela acordasse. Com isso, temos outro ponto de progressão para Rey: Ela possui um poder enorme, mas enquanto não fizer as pazes com seu passado, ela não terá estabilidade emocional para controlá-lo.

Desta forma, ao se encontrar com Luke, faria sentido ele ter medo dela. Rey é capaz de rachar o planeta ao meio e uma crise de choro pode exterminar toda vida a seu redor. Alguém nessas condições intimidaria qualquer um.

Então aqui está. Temos um trio de características bem interessantes que podem ser parte do arco evolutivo de nossa protagonista fofolete: Aprender que pode confiar nas pessoas e permitir a entrada de amigos na sua vida, tornar-se uma exímia lutadora, e encontrar o equilíbrio necessário para dominar o poder absurdo que possui.


Pronto! Aqui temos uma personagem com um claro arco evolutivo, interessante, fascinante e eletrizante, oooooh-oooooooh Jem!!!

“Ainda te acho um machiste por não considerar a Rey a personagem mais melhor de todos os tempes!!!”

Entre na fila.

E é isso! O que acham? Gostaram? Odiaram? Querem me mandar nudes?

Não dou a mínima.

Exceto pros nudes, quero todos.

Cheers!!!

21 comentários:

Daniel F. Lemos disse...

Gostei da ideia! Bem mais aceitável.

Pedro Anubitt Fenris disse...

Cara, nunca me ocorreu que ela fosse Mary Sue. Eu só via isso como puro protagonismo de marketing feminista. Agora eu entendi, agora eu saquei.

Galomortalbr disse...

Amer por que você não e roteirista de filme, você e melhor que 95% dessas porcarias de holywood

Há! disse...

Também já fiquei pensando em como desmarysuezar a rey, curti bastante a sua versão!

Eu pensei em como fazer a personagem tomar atitudes erradas, já que, além de defeitos, um personagem mais tridimensional é aquele cujos defeitos (ou mesmo qualidades) reverberam em atitudes equivocadas. O ponto da Mary Sue não se resume somente à carência de defeitos - já que algumas delas os tem, de certa forma -, só que eles nunca acarretam em nenhuma situação negativa para o personagem (geralmente, os defeitos da mary sue são: ser bondosa demais, ser tímida, ser esperançosa, super confiante, perfeccionista... e outras porras do tipo). Se o defeito do personagem não a coloca em uma situação problemática, então aquilo não é um defeito. E a Rey NUNCA toma uma atitude errada. Se ela cai em um lugar problemático, nunca foi por uma atitude dela e a garota sai de lá voando, com toda a magia da força de vontade do roteiro.

Enfim, exemplo: eu teria feito a Rey ceder o BB8 para aquele vendedor (o que acontece justo no momento em que ficamos sabendo que o mapa estava com ele), pois acho difícil de acreditar que alguém que praticamente passa fome não teria feito isso. Para mim, aquela benevolência meio forçada foi a primeira marca de marysuezação. Acho que esta situação também poderia dar um grau de suspense para o conflito, uma vez que a personagem está gerando toda uma situação de perigo sem saber e, o público, tendo informação privilegiada sobre o a importância do droid, poderia se envolver mais fortemente com os erros da personagem.

Obviamente aconteceria todo um desenrolar narrativo para que a Rey ficasse sabendo da relevância do droid (provavelmente, através do finn), se arrependendo da cagada que fizera. A primeira dinâmica aventuresca entre os dois seria então a de ir atrás do droid, tentar resgatá-lo e fugir dos agentes da primeira ordem. E, em relação ao crescimento da personagem, a lição aqui seria a de se importar menos com o dia de hoje e mais com quem está ao seu redor (já que está maaais ou menos estabelecido que os droids de star wars tem algum grau de consciência, e o que ela fez foi um ato de egoísmo).

- pensando agora, não sei até que ponto que esta ideia serviria de fato para desenvolver conflito/suspense/desenvolvimento de personagem ou se apenas enrolaria a plot.... Enfim.

Resumindo:

Se fosse para colocar algum defeito nela, eu a teria feito um pouco mais "greedy" (pois creio que convém com a condição dela), bastante esquisita socialmente (não tem como uma pessoa naquele contexto ser tão sociável) e super preocupada com a sua autopreservação (o que, consequentemente, a teria feito tomar a atitude egoísta de vender o droid). Além destas, adorei a sua versão desconfiada e impetuosa, acho que casa com o que eu tinha pensado (vou adotar estes traços para a minha versão mental ideal da Rey =P )

Pois bem, com o desenrolar da narrativa, Rey aprenderia a abandonar o seu modo de pensar por que fosse mais saudável à nova situação, expandindo a sua autopreservação para todos ao seu redor.

Enfim, curti o artigo!

Monna R. R. C. disse...

Mas além disso....

Mas além disso... Eu praticamente teria mudado muito mais dos filmes, como a plot dos vilões :
como caralhos eles conseguiram verba e recursos para fazer uma segunda estrela da morte, muito maior que a original? Ok, supondo que tenham conseguido estes recursos.. suponho que este poder demorou para se acumular... tal como a estrela da morte não foi feita de um dia pro outro. logo... O QUE PORRAS a república ficou fazendo enquanto isso?? POR QUE deixaram a primeira ordem crescer tanto??

A estrela da morte funcionou na trilogia clássica pois se tratava de uma alegoria ao medo de uma guerra nuclear, o que era condizente com a época do lançamento dos filmes. Talvez a plot fosse mais inventiva se a primeira ordem se comportasse tal como uma organização terrorista... agindo nas sombras: difícil de detectar e de impedir -,o que condiz com o medo atual da nossa

Também mudaria bastante coisa da parte do finn :
"olha que legal, estamos humanizando um sotrm trooper!!" só que não: o Finn supostamente se importou com o amigo morto, no começo do filme... mas pouco tempo depois o vemos atirar friamente em praticamente todos os storm troopers a sua frente, gente que teócimente ele deveria conhecer ou mesmo ter tido alguma relação amistosa. Além de que ele é um cara sociável e normal demais pra alguém que passou a vida sofrendo lavagem cerebral militar - ahh mas ele tinha um bug! - naaahh, não, não justifica. O fato dele ser um storm trooper nunca é trabalhado e é esquecido pouco tempo depois.

Monna R. R. C. disse...

(Como eu queria que desse pra editar comentário o blogger... enfim:)

"..., Rey aprenderia a abandonar o seu modo de pensar por UM*** que fosse mais saudável à nova situação..."

"... Ok, supondo que tenham conseguido estes recursos.. E*** que este poder..."

"... o que condiz com o medo atual da nossa CULTURA***. "

"... gente que teoricamente** ..."

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

Belo texto Américo! Bom o seu retorno.

Sobre o texto, Nem sei dizer. Eu apenas vi O Despertar da Força e apesar de ter gostado da Rey (ela é fofinha e abracavel ) não imagina que era uma Mary Sue, talvez possam melhora-la no próximo filme da trilogia. Enfim... não vi os últimos Jedais e talvez veja Rogue One. E Han Solo... Whatever para mim.

Octavio Bannach disse...

Pra qual endereço eu deveria mandar minhas nudes?

Franci23 disse...

Ah Amer, discordo freneticamente de ti, quase todo mundo de Star Wars deveria ter a aparência de mendigos mas nenhum tem, sempre bem penteados e limpos, desde a trilogia original, isso nao ee argumento.
Metade dos personagens de Star Wars são Mary Sues se for pensar da maneira que você descreve ela, ela passa pelo mesmo tipo de treinamento com o Luke, nao vai toda pica das galáxias de cara.
Enfim, a sensação que dá é que você tá caindo na mesma armadilha dos pós modernos, detonando uma obra por questões políticas e se alguém descorda e porque e feminista pos moderna lacradora.

Paulo disse...

Sua maneira de ajeitar ela a deixou muito parecida com uma personagem chamada Vin de uma trilogia literária chamada Mistborn.

Amer H. disse...

Ok, Franci. Vamos lá.

Luke era um fazendeiro. Suas roupas eram basicamente sacos de farinha. Mesmo assim, ele vivia em um local com acesso a higiene básica.

Han Solo, contrabandista, tinha uma nave que TAMBÉM devia fornecer acesso a coisas como um chuveiro e máquina de lavar.

Princesa Leia: Uma princesa. Não preciso elaborar.

E todos os principais personagens das prequels moravam em Coruscant, um dos planetas mais ricos e urbanizados da galáxia.

Onde Rey mora? Nos destroços de um AT-AT no meio do deserto. Se você acha que o banheiro dela era algo diferente de um buraco na areia não sei o que te dizer.

E no primeiro filme, ela controla a mente de um Stormtrooper, luta de igual pra igual com Kylo Ren e ainda o impede de ler sua mente... Quando Ren foi treinado por Luke Skywalker e ela até este momento na história recebeu treinamento NENHUM!!!

E exceto pela piada no final, tudo que eu falei da Rey foi com relação a forma como ela foi escrita. EM MOMENTO ALGUM mencionei que a personagem era parte da "agenda feminista" ou o que quer que seja.

Você está projetando, senhor. Tá ressentido porque não temos as mesmas opiniões políticas, e agora vê tudo que eu escrevo como um ataque as posições que gostaria que eu tivesse.

C'mon.

Lupenauta disse...

Finalmente alguém verbalizou tudo o que eu sempre pensei da Rey, só não consigo odiar a personagem porque Daisy Ridley é a coisa mais linda e fofa que eu já vi na vida, mas não consigo suportar essa babação de ovo que a franquia tá dando em cima dela, prefiro a sua versão.
P.S: vou adorar mandar os meus nudes pra vc Américo <3

Franci23 disse...

Anakin Skywalker, era o escravo mais limpo e bem penteado que já existiu, o Obi Wan na trilogia original, era um fuck eremita mas com roupas branquinhas e cabelo arrumadinho...
Quando falei do posicionamento politipo, não falo que tenho posicionamento político igual das hipsters lacradoras, nem sou contra, meio que cago e ando pra isso. O caso é que você deve evitar de cair nessa armadilha de que se algo é bom ou ruim apenas porque tem alguma ligação com essa posição, lembrando que você mesmo fez ótimos argumentos defendendo a nova franquia em um podcast.
Mas enfim man, ate concordo que ela é muito perfeitinha em tudo mesmo mas quanto aos poderes, queria muito ver alguém ter uma linha sem treinamento com a Forca, poderia ser um belo caminho mas não foi explorado mesmo, enfim, ver como acaba isso.

Amer H. disse...

Anakin Skywalker morava em uma casa com a mãe... ESCRAVOS QUE TINHAM SEU PRÓPRIO LAR!!!

Se é pra reclamar, reclamemos direito. Rey foi concebida pra ser perfeita, Anakin foi feito de qualquer jeito, porque seu criador queria só lançar novos personagens de Star Wars pra marketar até ficar sem queixo.

E Obi-Wan modernizou a própria toca em Tatooine. Se assistir Episódio IV, verá que ele construiu um larzinho bem confortável na caverna em que vivia, algo plenamente possível nos anos que se passaram entre as duas trilogias.

E se defendi a nova trilogia, guess what... Eu mudei de ideia!!! E voltei atrás em muito do que pensava.

Não estou criticando Star Wars porque "HURR-DURR, FEMINISMO É MERDA, HURR-DURR", mas porque reassisti a os úlTimos Jedi e agora vi falhas terríveis no filme. Os responsáveis pela franquia possuem uma ideologia política nojenta, e a estão enfiando em cada aspecto da série, mas este não foi o motivo da minha crítica neste artigo.

E sempre que criticar uma ideologia política, deixarei claro o motivo de o estar fazendo. Nenhuma de minhas críticas é feita sem argumento. Só não foi o caso aqui.

Hao Cinis disse...

Eu sei que o correto seria fazer um post grande e elaborado para registrar minha opinião, mas vou encurtar: eu não consertaria a Rey, só colocaria o Finn como protagonista e pronto.

Rafael Oliveira disse...

Bom ver um post novo no blog Amer! Fiquei surpreso e impressionado com as sugestões para a personagem. Explicar o que é um personagem "Mary-Sue/Gary-Stu" é um excelente serviço de utilidade pública. http://queparezcaarmado.com/wp-content/uploads/2017/11/1.gif

Se tem uma coisa que pessoalmente observo é que esta nova trilogia de Star Wars está deixando muito a desejar em conteúdo, principalmente quando se trata da grande quantidade de oportunidades perdidas para contar uma boa história que prossiga com o enredo deixado no episódio 6. Digo, caramba! Sim, é inegavel dizer que as prequels tinham seus problemas de roteiro e produção, mas não é desculpa para produzir algo claramente mal elaborado e que passou a se tornar conflitante entre os fãs da saga como parece estar acontecendo desde o lançamento do episódio 8.

Mas falando de "Episódio 8", já ouviu falar sobre Ivan Ortega? Ele é um profissional que trabalha com edição de videos que atualmente está se dedicando a trabalhar numa re-edição do "The Last Jedi", consertando um monte de cenas e até planejando para inserir cenas novas, como a da luta entre Kylo e Luke, que muda bastante a ideia original deixada pelo filme.

Não sei qual é a sua posição com relação a fan-edits, mas dê uma olhada nos videos onde ele descreve as ideias nas cenas consertadas, garanto que vai achar interessante.

Além disso, ele até conseguiu dar um jeito no desenvolvimento de personagem da Rey enquanto treinava na ilha com Luke, tornando-a menos "Mary-Sue" e mais cativante para o público acompanhar:

Parte 1 - https://www.youtube.com/watch?v=TrCM-xxABqo

Parte 2 - https://www.youtube.com/watch?v=j8ankRpDiXA&t=1s

Franci23 disse...

Escravos com seu proprio lar e um eremita em um deserto de dois sois com uma casa ajeitadinha é aceitavel mas uma menina que vive em um planeta de catadores de tralha limpa não, presta atenção nisso Amer. Não faz sentido essa crítica.
Te acompanho a muito tempo, concordo com muita coisa que fala e outras tantas não mas aceito seus argumentos pois sempre são bem lúcidos e inteligentes, porem aqui, empacamos. Respeito seu ponto de vista, espero que entenda que nao estou aqui pra ser um mala te cobrando que pense igual a mim, mas entenda que nem sempre as pessoas irão concordar com sua linha de raciocínio e isso não quer dizer que sejam burras. Enfim, um bom fim de semana cara e paz.

Monna R. R. C. disse...

Estou vendo algumas pessoas problematizarem, dizendo que Luke também é meio mary sue.

De fato, antes de sair essa nova trilogia, eu percebia uma idealização um pouco forçada nele (um moleque ques está aprendendo a lutar derrotar um dos maiores Siths da galáxia? Ah tá). Sim, ele tem alguns traços de Mary sue....

A DIFERENÇA dele e pra Rey é que, enquanto ele tem alguns traços idealizados.... A Rey tem praticamente quase TODOS os traços de Mary Sue. Vem comigo:


- Passado dramático? CHECK

- Personagem simplesmente aparece em um meio e TODO mundo ao seu redor morre de amores por ela? CHECK

- Mesmo personagens fechados que definitivamente nunca lamberiam as bolas de ninguém? CHECK

- ... E as únicas pessoas que não gostam dela são automaticamente os vilões? CHECK

- Personagem constantemente ofusca toda a atenção do roteiro dada aos personagens ao redor? CHECK

- Personagem nunca erra? CHECK

- Personagem não possui NENHUM defeito passível de colocá-lo em uma situação complicada? CHECK

- Personagem extremamente bondoso? CHECK

- Inclusive, o seu defeito é o de ser incrivelmente esperançoso e bondoso? CHECK

- E seu único erro se resume em ter falhado com que todos gostem de você (em ter trazido o vilão pro seu lado)? CHECK

- O personagem é um jovem prodígio? CHECK

- Garota nova que entende de mecânica (um cliché da Mary Sue de ficção científica)? CHECK

- Pilota bem naves: na primeira vez que pega uma nave já pilota melhor do que o capitão (um cliché da Mary Sue de ficção científica)? CHECK

- O personagem possui "O PODER"? CHECK

- ... No final, o vilão que não gostava dela vai descobrir que também lhe tem afeição? Vocês duvidam?

- É o "escolhido"? Hm, ainda não sabemos... Mas provavelmente vai ela é isso mesmo, mesmo que não tenha ficado explícito.

- Personagem possui nome parecido com o do criador? Não sei, mas este é um detalhe.

- Personagem vai morrer no final de forma dramática e todos chorarão a sua perda? Provavelmente vai ser este o fim dos filmes.



Mas a principal diferença entre o Luke e a Rey é que ele tem um arco (e um BOM arco), mesmo sofrendo algumas idealizações. E ela não tem arco nenhum.
Ela não aprende nada, não muda nada. Já nasceu perfeita. Por isso a personagem é muito pouco empolgante. E me dá MUITA birra quando o roteiro se esforça de mais para que eu dê vaor a ela. Simplesmente não cola.

Senhor Seis disse...

Ótima postagem, Abner. Mostra muito do que eu vinha pensando desde que vi o Despertar da Força.

Mas uma coisa que eu estou vendo as pessoas falarem aqui nos comentários: desde quando Luke e os tios dele eram escravos? Tão confundindo com a história do Anakin.

Leandro disse...

Agora faz mais sentido eu não ter gostado dessa nova trilogia, mas enfim, SHAD é foda mesmo !!

Arial Holland Garter disse...

Ah mano, aceito o abraço com orgulho. Como eu tava com saudade dos seus artigos. Faz um tempo que não venho aqui.