sábado, 30 de junho de 2018

Crítica do Amer: The Order 1886


Sim, eu sei. Falei inúmeras vezes nas minhas Lives, podcasts e Let’s Plays (SIGA MEU CANAL DO YOUTUBE) que jamais compraria The Order 1886. Nunca ouvi críticas positivas com relação ao jogo, de fato, o único ponto a favor sobre o qual todos parecem concordar, é que os gráficos deste game são impecáveis. Como já abandonei a fase de me dedicar a jogos ruins apenas pela boa aparência dos mesmos (a última vez foi com Final Fantasy XIII), coloquei um selo de “pro diabo que o carregue” em sua capa e o deixei pra lá.

Eis que apareceu uma promoção na Playstation Network, sim, uma daquelas malditas promoções onde jogos caríssimos, por tempo limitado, passam a custar um afago no cabelo. E lá estava... The Order 1886... Por ainda menos que uma simples demonstração de afeto...

Decidi comprar, pois sabia que uma de duas coisas poderia acontecer: 1) Todos os críticos que apedrejaram este game eram divas que não souberam apreciá-lo e eu teria a chance de me divertir muito com um jogo injustiçado, como já aconteceu no passado, ou 2) O game não chega nem perto de ser bom, o que pelo menos me daria a chance de escrever uma crítica engraçada sobre ele.

Adivinha em qual realidade estamos?


"IT'S A-ME! GALAHAD-O! WOO-HOO! WA-HAA!"

A história se passa na Londres da era vitoriana, com toda umidade, neblina, prostitutas desdentadas e vagabundos dizendo “guv” duas vezes por frase, como a lei da época exige. Aqui, controlamos Machão pra Caralho da Silva, também conhecido como Gallahad (o puro), que faz parte da ORDEM, um grupo dedicado a caçar monstros, demônios, lobisomens, cruz credos, blogueiros e todo tipo de horror que assole Londres e ameace o estilo de vida dos locais.

Ao longo de sua aventura, Gallahad se envolve em uma grande batalha contra um grupo rebelde, descobre uma enorme conspiração envolvendo a sua Ordem, é marcado como traidor... E mata meia dúzia de lobisomens no caminho, usando armamento steampunk fornecido por Nikolai Tesla, porque todo game com um mícron de ficção científica hoje em dia PRECISA de uma referência a Tesla, ou terá suas credenciais nerds revogadas.

A história do game vai do nada a lugar nenhum, e nada dentro dela é devidamente estabelecido. Em um momento, os membros da ordem são apresentados como os antigos cavaleiros da Távola Redonda que um dia serviram ao rei Arthur. Como eles respondem pelos nomes de personagens da lenda (Galahad, Perceval) e bebem constantemente de um misterioso frasco, deduzimos que são os membros originais da corte de Pendragon, que tornaram-se imortais devido ao uso do conteúdo do Cálice Sagrado... Exceto que eventualmente um dos cavaleiros morre em serviço, e seu substituto recebe seu nome ao ser nomeado. Então... Os membros da ordem são os servos originais de Arthur, ou os nomes dos mesmos são apenas passados como títulos de geração em geração? O pior é que ambas as ideias são boas, mas nenhuma é elaborada suficiente para se tornar interessante.

Aliás, pra quem a Ordem trabalha? Para a Coroa Inglesa? Estão acima dela, afinal foram estabelecidos pelo Rei Arthur? Se é assim, por que seus membros vivem presos a burocracia? The Order 1886 não sabe se quer ser uma aventura Steampunk despreocupada ou um conto adulto complexo e cheio de moralidade cinza, tenta ser ambos e consegue ser nenhum.

E os personagens são ainda menos profundos que um soldado raso do Freeza, pois eles ao menos conseguiam expressar mais de um sentimento. Os membros da Ordem são todos definidos por uma única emoção, Gallahad é ríspido, o francês cujo nome não lembro é galanteador, a mocinha cujo nome também não lembro é “menina durona que pode fazer tudo igual aos homens ou melhor”, e por aí vai. As interações entre estes personagens são ainda menos interessantes do que pegar duas lixas e esfregar uma na outra. Ao menos as lixas poderão fazer alguma sujeira e te forçar a varrer o chão, o que é mais emoção do que este jogo irá proporcionar.
 
"Tenho uma arma que dispara relâmpagos... E nunca me senti tão vazio..."

Infelizmente, devo concordar com meus colegas críticos, aquela nata de pseudo intelectuais que rotulam como neo-nazistas qualquer pessoa que não esteja lotando seu perfil do Facebook com fotos do beijo lésbico de The Last of Us II... Mas estou divagando. Pois bem, a melhor coisa de The Order 1886 são seus gráficos... E QUE GRÁFICOS!!!

Todos os personagens são magnificamente esculpidos, beirando o fotorrealismo. Podemos ver com perfeição cada ruga de ódio de Galahad, os belos olhos da mocinha, o bigode engomado do francês, tem até um pinto renderizado a perfeição em uma das cenas, se você prestar atenção o suficiente.

E não apenas nossos heróis, TUDO AO REDOR DELES É LINDO!!! Os cenários foram exaustivamente construídos, com texturas tão perfeitas que sentimos poder tocá-las. Numa fase onde está chovendo, podemos perceber o quanto as gotículas que caem em torno das lamparinas de rua se destacam das demais, e como as roupas de nossos heróis ficam realisticamente molhadas. E todos os personagens movem-se de forma extremamente realista, mas sem que isso os torne menos ágeis do que um personagem num game de ação deve ser.

E os criadores do game estavam cientes do belo trabalho que fizeram e deixaram claro o quanto estavam orgulhosos disso, pois todo colecionável que você pegar em mãos pode ser virado, revirado e analisado por todos os ângulos, como se os produtores quisessem mostrar todo o cuidado que tiveram ao duplicar a ferrugem em uma lata que só era possível com a umidade presente em Whitechapel no fim do século 19.

O áudio por outro lado, é MEH. Não ruim, mas MEH.

A começar pela dublagem, que conta com um bom elenco sim, mas que peca em um fator decisivo: Ninguém nessa porra de jogo tem sotaque inglês.

“AIN, AMBER! OLHA U ELITISMU! I DAÍ? NU BRASIU SI FALA BRASILÊRU, NINGUÉM LIGA PRA SUTAQUI DI GRINGU!!! ÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ, SÔ BRASILÊRU!!! CU MUITO ORGUIUUUUUU...”

Permita-me explicar, cria de diarreia, porque isso é importante: Ambientação.

Lembra Call of Duty: Modern Warfare 2, onde no meio da favela, os bandidos gritavam frases que pareciam ter sido escritas por um nerd do Vale do Silício como “cuidado, ali está o inimigo”, quando sabemos que NENHUM TRAFICANTE DO MORRO JAMAIS FALARIA ASSIM? Pois é, mesma coisa. Cavaleiros que pertencem a uma Ordem sagrada, estabelecida por Arthur Pendragon e ativa na era vitoriana, teriam o sotaque inglês mais batatoso possível, e a ausência dele afeta muito a imersão do jogo.

Curioso que duas personagens indianas comunicam-se no idioma de sua terra natal, mas também falam inglês americano perfeito, sem nenhum semblante de sotaque... O QUE TEM CONTRA SOTAQUES NÃO AMERICANOS, THE ORDER 1886? SEU JOGO XENOFÓBICO CHUPADOR DE TRUMPS!!! NÃO PASSARÃO!!! NÃO PASSARÃO!!! NÃO PASSARÃO!!!

...

O resto do áudio é passável, com efeitos sonoros aceitáveis, mas trilha sonora BLEh. De fato, a única música que ficará em sua mente após jogar, é a da tela de abertura, e unicamente porque você passará muitos minutos olhando para ela, enquanto decide se vale a pena continuar jogando até conseguir o troféu de Platina, ou se vale mais apena voltar pra Dragon Ball FighterZ e passar sete horas seguidas fantasiando sexualmente com a Androide 21.

Visto aqui: A amargura de um homem sem Waifu.

Quanto a ação, ela é igual a Gears of War... Depois de tomar Valium... Com um litro de suco de maracujá... E Melatonina...

O que temos aqui é um shooter com cobertura: Você se esconde atrás de alguma coisa, sseja uma barricada, porta, ou os peitos da Mariana, deixa seus inimigos atirarem contra sua proteção, na vã esperança de perfurarem uma parede de concreto a tiros (se bem que isso é possível em Metal Slug), e quando pararem para recarregar, você brota detrás da parede e apresenta um pedaço de chumbo aos pensamentos mais íntimos deles.

Mas enquanto Gears of War e demais jogos do estilo são frenéticos e fazem a pressão de qualquer jogador disparar enquanto aguarda aquele segundo de fôlego entre saraivadas de balas que parecem ser disparadas por uma família de ED-209s, aqui é tudo letárgico. BANG, BANG, BANG aqui... BANG, BANG, BANG ali... PAAAAAAAUSA... Você mete bala em dois ou três bandidos, BANG BANG BANG recomeça... E assim as coisas continuam até o amargo final.

Para compensar a mesmice e o quão fácil é mandar os inimigos pra vala, os produtores acharam adequado popular cada sessão de tiro com oitocentos trilhões de inimigos, que pipocam no cenário sempre que a primeira leva de canalhas foi devidamente baleada, e ao final do jogo, você matou mais gente do que a Peste Negra, a Gripe Espanhola, e a gorda da sua mãe juntas!

Quanto aos lobisomens, tem suficientes deles pra se ganhar um troféu. Quando aparecem, eles correm na sua direção, se escondem após alguns balaços bem acertados para em seguida se lançarem contra você mais uma vez e é isso. Red Dead Redemption tem mais sobrenatural que The Order 1886, e isso SEM o DLC dos zumbis.

Por falar em Red Dead Redemption, The Order 1886 tenta copiar na cara de pau o mecanismo de Red Eye, aquela mira mágica que permitia a John Marston alvejar seus inimigos facilmente, e que todos usávamos para conseguir o máximo de petardos no saco que pudéssemos. Aqui ele é parecido, só que menos eficiente e preciso, e que normalmente se encerrará antes que todos os inimigos presentes sejam eliminados.

De fato, quase todos os métodos de combate neste jogo são ineficientes, desde rifles que são pouco mais potentes que uma pistola, a metralhadoras que espalham seus tiros mais do que A GORDA DA SUA MÃE ESPALHA UM PEIDO PELO APOSENTO! A melhor maneira de avançar no jogo é com uma pistola, baleando cirurgicamente a cabeça de cada inimigo que aparece.

Um.

Por.

Vez.

DIVERTIDO, NÉ?
 
Tanto quanto fazer a declaração de Imposto de Renda

Agora que olho para minha avaliação, não posso deixar de crer que ela é um pouco injusta. The Order 1886 foi um dos títulos de lançamento do Playstation 4, criado para mostrar o poder gráfico do console e causar ereções em consumidores impressionáveis. Ele é como uma esposa troféu, existe para ser visto, não avaliado por algo além de seus peitos enormes, redondos e suculentos, que custaram uma fortuna e devem ser trocados todos os anos antes que vazem e façam o resto da estrutura do troféu entrar colapso.

Mas eis que me lembro de outros consoles e seus games de lançamento, como o Super Nintendo com Super Mario World, F-Zero, Actraiser, Pilotwings, e mesmo Final Fight, que com todas as duas falhas, era um ótimo jogo. Todos estes títulos tornaram-se clássicos instantâneos, que ofereciam não apenas uma vitrine para o potencial de um novo console, mas algo imprescindível em um vídeo game: Diversão.

The Order 1886 não é a pior bosta já feita, mas não consegue estar acima da mediocridade extrema. E acho que este é o pior resultado possível.

Cheers!!!

9 comentários:

Galomortalbr disse...

Excelente Review Amer, Fez o meu dia

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

Belo texto Américo.

Sobre o jogo... como não tenho um PS4, somente soube da "flopada" desse game através de podcast, se bem que aquele jogo do Xone que tem um centurião Romano foi com o mesmo objetivo do The Order e ambos fracassaram em serem os novos clássicos dos novos consoles.

Pior que esse jogo tinha potencial, era quase um Bloodborne ( esta mais para rascunho, eu sei) da From Software. Mas se nem o tempo melhorou o jogo, nada mais irá salva-lo.

Alex Souza disse...

Excelente

Franci23 disse...

Não tenho Ps4 e por isso nem posso opinar mas pensei que era um jogo injustiçado por conta de um colega ter elogiado, agora vendo sua critica entendo que o colega que é um asno mesmo.
Compararam com Ryse - Son Of Rome do XOne ali, Ryse é bem divertido e flopou por culpa do pessimo inicio do One mesmo.

Bier disse...

Utilidade pública, você vê por aqui!
Obrigado, Amer!

Twero disse...

Gostei da análise, Amer! Quando você comentou que ele tava em promoção, acabei pegando também e talvez eu jogue um dia para passar o tempo.

E só uma observação: você comenta no parágrafo final que dá uma colher de chá para ele por ele ser título de lançamento do PS4.... acontece que ele saiu em Fevereiro de 2015, e o PS4 tinha saído em Novembro de 2013.

Ele realmente tem cara de ser um jogo de lançamento, mas não é o caso. Talvez ele tenha sido projetado para tal, mas atrasou horrores e não tem mais desculpa.

Matheus Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
luciano viana disse...

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MateusSan10 disse...

Espero que esse jogo JAMAIS entre na lista de games da PLUS.