sábado, 22 de novembro de 2008

Crítica do Amer: Mortal Kombat vs. DC Universe


Quando Mortal Kombat vs DC Universe foi anunciado, a primeira reação da maioria das pessoas foi comentar o quanto esta idéia era absurda, o quanto os dois universos não tinham nada a ver e como este game seria uma porcaria em todos os sentidos possíveis da palavra.

Outra coisa que todo mundo falava era se questionar como alguém seria capaz de dar porrada no Superman, afinal de contas, era do Homem de Aço que estávamos falando! Como meros mortais como o povo de Mortal Kombat poderiam bater nele?

E mais? Como o Sub-Zero arrancaria a cabeça do Superman? Mas nem o Apocalypse conseguiu isso!!!!

Ok, vamos por partes então.

Chamar os lutadores de Mortal Kombat de "meros mortais" é idiota. Sinceramente, nenhum mortal que eu conheço é capaz de disparar um arpão da palma da mão, arrancar a cabeça de outra pessoa com um gesto de pulso ou mesmo incinerar (ou explodir) um oponente com uma bitoca.

Segundo, o Superman sempre foi extremamente vulnerável à magia e os personagens de Mortal Kombat transpiram feitiçaria. O suficiente para fazer David Copperfield parecer um mágico de festa infantil.

E finalmente, a união das duas franquias não é absurda e se achar isso você está simplesmente sendo preconceituoso.

Afinal de contas, ninguém nunca reclamou de Marvel vs Capcom e do fato que o Ryu podia arremessar o Hulk longe...

Mas falemos do jogo! Ele é bom?

Sim, bastante!


Mortal Kombat vs DC Universe é uma grande amálgama da jogabilidade de todos os games da série MK.


Ao mesmo tempo que possui movimentação 3D pela tela e as toneladas de combos que surgiram com MK Deadly Alliance, o game também tem um pouco da antiga jogabilidade 2D da série. Você pode pular e dar aquelas voadoras estilo "losango perfeito" no oponente, assim como acertar-lhe o queixo com um belo uppercut se ele chegar perto demais.

O controle faz uso tanto da alavanca analógica quanto do direcional digital. Com a primeira, você pode mover seu personagem nas três dimensões e esquivar dos ataques inimigos andando para cima ou para baixo, enquanto no direcional digital, pode se abaixar e saltar, como se estivesse jogando os originais da série.

Desta forma, a Midway tenta agradar a gregos e troianos e dá a todos a oportunidade de jogarmos como bem entendermos.

A possibilidade de usar dois estilos de movimentação pela tela é bem legal, mas eu pessoalmente me apeguei à movimentação 2D e raramente fiz uso da alavanca analógica. Não sei se outros jogadores farão como eu ou se variarão entre os dois tipos de controle, mas é legal saber que há a opção.

Você pode tentar se virar com os ataques simples, como voadoras e rasteiras, além dos arsenais de golpes especiais, mas a chave para a vitória aqui está no uso dos combos.

Cada personagem tem uma quantidade de combos. São combinações simples, normalmente de três botões em seqüência, fáceis de se dominar e que serão suas principais armas na luta contra os oponentes.

Apesar de cada lutador tem um bom número de combos, a diferença entre eles é na maioria das vezes estética. O dano causado é quase sempre o mesmo, então só é preciso decorar um combo para cada lutador e usá-lo à exaustão.

Os golpes especiais são outra história.

Há muitos golpes especiais à disposição aqui, possivelmente o maior número de golpes já presente em um game da série Mortal Kombat.

Superman por exemplo pode usar sua visão de calor para atingir o oponente à distância, seu super fôlego para puxá-lo para perto ou seu super sopro para congelá-lo.

Já Sub-Zero pode se teleportar para trás do inimigo, cobrindo-se de gelo no processo e congelando o oponente caso este ouse atacá-lo durante o teleporte.

E saber usar os movimentos especiais no momento certo pode salvá-lo de muitas situações de aperto.

Quando Batman usa seu Batarangue, a arma sempre volta após arremessada. Assim sendo, mesmo que não atinja o inimigo naida, ela pode fazê-lo na volta, quebrando um combo que ele possa estar usando contra você ou simplesmente abrindo a guarda do sujeito para que um Bat-combo possa ser enfiado em sua fuça!

O único problema dos golpes especiais é que as vezes são meio difíceis de serem realizados. Isso porque os controles direcionais são um pouco duros, problema que persiste desde que Mortal Kombat se tornou 3D.

Embora seja possível executá-los numa boa a maior parte das vezes, em momentos de desespero eles simplesmente não vão sair, o que o força a contar mais com os combos.

Mas MK vs Dc não fica por aí e traz novidades para a jogabilidade, na forma de mini-games que podem rolar durante a luta.


O primeiro deles é o Klose Kombat. Apertando um dos botões do topo do controle, seu personagem agarrará o oponente e inicia-se este conflito.


Apertando os botões do controle, seu personagem ataca e o oponente tem de apertar o exato mesmo botão que você para evitar seu golpe e quebrar sua seqüência. Caso ele não consiga, você poderá atingí-lo quatro vezes e causará um bom dano.

Tal técnica é eficiente para se livrar de um inimigo chato que permanece colado e não lhe dá espaço, ou simplesmente para virar o jogo. Quando bem utilizada, ela pode causar um belo estrago.

Os outros mini-games são o Test Your Might e o Freefall Kombat. Ambos são ativados quando se leva o oponente até a ponta extrema de alguns cenários.

No Test Your Might, um lutador usa o outro como um aríete para atravessar as paredes de um prédio ou outra construção similar. É preciso metralhar os botões do joystick para ganhar a disputa de força e causar o máximo de dano possível.

Já no Freefall Kombat, os lutadores caem de uma grande altura e saem na porrada até chegarem no chão. O funcionamento é parecido com o Klose Kombat, onde é preciso apertar o mesmo botão que o adversário para quebrar a seqüencia de golpes dele, mas a diferença é que há uma barra na lateral da tela e quando ela é preenchida até certo ponto (sendo preciso espancar legal o oponente para isso) você pode apertar um botão e finalizar seus ataques de forma bem estilosa, sem chance de defesa do oponente.

Tais mini-games revitalizam a jogabilidade e combinam com o tema, afinal de contas, super-heróis são conhecidos por serem meio exagerados em suas lutas.

Mas eu sei o que você quer perguntar. Aposto que quer saber como estão os Fatalities neste game, correto?

Infelizmente, não estão grande coisa.


Logicamente, um game envolvendo Batman e Superman não seria tão barbaramente violento quanto a série Mortal Kombat normalmente costuma ser.


Provavelmente foi uma exigência da Warner e da DC, pois suponho que as duas empresas não queriam ver seus personagens icônicos sendo decapitados e desmembrados.

Assim sendo, os Fatalities variam entre "legais" e "totalmente imbecis."

O Fatality de Kitana em que ela explode o oponente com um beijo é bem legal, assim como o clássico fatality de Scorpion onde ele cospe fogo e tosta o adversário.

Os heróis da DC por sua vez não tem Fatalities, mas "Heroic Brutalities." Uma vez que são heróis, eles não matam seus oponentes.

Mesmo estes Heroic Brutalities conseguem ser interessantes as vezes. Superman soca a cabeça do oponente e o afunda na terra (como o cachorro do Jerry costumava fazer com o Tom), enquanto Flash dá uma seqüência de porradas belíssima no oponente e Batman faz uma horda de morcegos o atacarem.

A diferença dos "Heroic Brutalities" para os "Fatalities" é que no primeiro, as vítimas ficam se contorcendo após atingidas, o que mostra que os heróis não as executaram.

Já os Fatalities... esses sim matam... eu acho...

E por sinal, os vilões da DC usam fatalities. Aliás, o de Lex Luthor, onde o careca bombardeia seu inimigo via satélite é bem bacana.

Mas verdade seja dita, os Fatalities são decepcionantes, não pela falta de violência, mas pela total ausência de criatividade em alguns deles. Tudo bem que a brutalidade teve de ser reduzida, mas os produtores poderiam ter se esforçado mais na hora de criar as finalizações.

E por sinal, é um bocado difícil executar algumas, simplesmente porque é preciso estra na distância exata para se fazer os comandos!

Quando os produtores da série vão entender que as finalizações são nossa recompensa por ter vencido a luta? Em MK Deadly Alliance, você podia estar a qualquer distância do oponente, bastava acertar o comando da finalização e pronto, uma cena horrível e grotesca nos era mostrada e todos abríamos um sorriso imenso.

Em MK Deception já voltaram com essa bobagem de distância correta!

Colocar o personagem na distância certa nos faz perder tempo para fazer a finalização, então digitamos o comando rápido demais, com medo do tempo acabar. Erramos o comando, tentamos de novo e aí já era.

E MK vs DC, infelizmente não é diferente. Acertar as finalizações é muito frustrante em alguns casos.

Por este motivo, o melhor modo de jogo acaba sendo o Story, onde não é preciso se preocupar com as finalizações ao fim da luta, basta jogar e acompanhar a história.

História que por sinal, é excelente! Não sei quem escreveu o roteiro deste game, mas fez um excelente serviço em unificar os dois mundos!

Ver o Scorpion materializar na Bat Caverna, ou o Coringa tentando acertar Sonya com ácido são cenas tão bem feitas que acabam sendo naturais. Nem parece que os personagens são de universos diferentes.


Mortal Kombat vs DC Universe não é o melhor game de luta desta geração, nem faz questão de ser.

É um título bastante divertido e que pode ser uma excelente adição à sua coleção caso você ignore os pequenos problemas que ele tem.

E sinceramente, o Scorpion passeando com o Batman no Batmóvel ou o Capitão Marvel socando a Sonya na boca pra salvar o Lanterna Verde, são cenas tão incrivelmente sensacionais e surreais que compensam qualquer problema existente na jogabilidade.

SHAZAM!!!

Cheers!!!

8 comentários:

UnderHell86 disse...

ótimo review!

MK Vs DCU realmente parece ser um bom jogo de luta, embora com certeza não seja o melhor Mortal Kombat...

Só tenho uma dúvida rápida: você jogou a versão censurada?

Bruno disse...

Adoraria socar a cara do Sub-Zero com a Mulher-Maravilha.

lance disse...

(como o cachorro do Jerry costumava fazer com o Tom),

Esse é o Butch.

Bom eu esperava uma porcaria desse jogo, mas sei la vou testa-lo.

O estranho é que pelo Armageddon a Midway se mostrava muito mais inclinada para a Marvel que para a DC.

lance disse...

er...tem versão censurada e liberada, UnderHell?

Amer H disse...

Sim, tem versão censurada e liberada.

Eu joguei a versão censurada e verdade seja dita, não fez diferença.

A censura só é notável caso você jogue com algum personagem que use arma de fogo em seu Fatality, como Coringa ou Exterminador.

Quando atiram, a câmera dá um zoom neles e você não vê o oponente sendo alvejado.

Não é grande coisa.

E como eu disse, poucos Fatalities são realmente legais. Acaba não fazendo diferença alguma.

André disse...

Scorpion + Batman? o_o
Eu quero tanto jogar esse jogo ._."

Cajun explosion disse...

Esse jogo me deu muito frio na barriga.
À medida em que foram saindo os vídeos eu fui tendo cada vez mais certeza de que era um caça-níqueis infernal. Principalmente quando eu vi o vídeo do Freefall Kombat; não sei porquê, mas achei muito despropositado.
Até que veio o vídeo do fatality do Coringa, com ele dando uma risada maníaca depois de explodir os miolos da Sonya, se não me engano.
Minha cabeça explodiu nessa hora.
Porém, dempois eu não me empolguei tanto ao ver como a jogabilidade estava sendo desenvolvida...talvez quando eu jogar eu tenha uma impressão melhor, mas por enquanto não me parece um jogo tão legal quanto Marvel vs. Capcom.
À propósito eu sempre me perguntava, porque cargas d'água tava tdo mundo reclamando de juntar MK e DC se haviam juntado o Mega Man com o Wolverine e a Morrigan com o Gambit?

marcelovitor29 disse...

Quando este jogo foi anunciado torci o nariz, mais depois de jogar me diverti bastante e concordo com vc a respeito do fatalites.O tenho e jogo no PS3 e já me rendeu várias horas de jogatina, é um ótimo jogo de luta!