terça-feira, 9 de junho de 2015

Crítica do Amer: Mad Max - Estrada da Fúria


Talvez alguns de vocês não saibam, mas eu trabalhei como redator de cinema por dois anos, e crianças, foram dias gloriosos.

Sim! Eu freqüentava cabines de cinema e assistia grandes lançamentos antes do público mortal, convivia com a nata do jornalismo de São Paulo... E odiava a todos os meus colegas de profissão (menos uma), e tive a oportunidade de conhecer a Mariana Ximenes em uma coletiva de imprensa.

Que mulher linda, incrível e com cheiro de fadas...

Mas bem, naqueles tempos, escrevi sobre Mad Max: Estrada da Fúria, que ainda se encontrava em produção. As filmagens passavam por diversos problemas e eu tive a certeza de que o resultado final seria uma bomba.

Eu compartilharia meus antigos artigos sobre o filme com vocês, mas foram deletados, junto de tudo que eu escrevi para o site Além do Oscar. Pois aparentemente, depois que um jornalista sai de uma empresa é como se ele não tivesse existido, o que deixa UM BURACO ENORME EM MEU CURRÍCULO E VAI ME PREJUDICAR PELO RESTO DA VIDA QUANDO EU FOR PROCURAR EMPREGO COMO JORNALISTA, PORQUE PARA MEUS ANTIGOS CHEFES EU NÃO PASSO DE UMA ESPINHA NA BUNDA DA VIDA!!!

...

Mas estou divagando. Enfim, não posso compartilhar minhas antigas opiniões com vocês, mas digo que eu estava errado. Meninos e meninas, COMO eu estava errado.

Mad Max: Estrada da Fúria é um dos filmes mais intensos que eu já assisti.

"Solte-me! Eu sou gato demais pra passar o filme preso assim!"

Caso você tenha morado em uma caverna nos últimos 36 anos, ou simplesmente tenha péssimo gosto para filmes, e jamais tenha assistido nada com “Mad” ou “Max” na capa, vou tentar resumir sobre o que a série se trata:

Aconteceu um holocausto nuclear, a civilização caiu, a Terra virou um gigantesco deserto, gasolina e água tornaram-se as únicas prioridades da vida, e em meio a todo este caos, está Max Rockatansky (Tom Hardy) um australiano barra pesada que viaja de lugar para lugar, apenas tentando sobreviver em meio a toda loucura que assola o novo mundo.

Basicamente, Mad Max é o avô de todas as histórias de mundo pós-apocalíptico. Se você já gastou meses de sua vida com Fallout, ou não pode viver sem uma dose semanal de Kenshiro, agradeça a Mel Gibson e George Miller (criador e diretor da série), pois sem eles, nenhuma destas obras existiria.

Acontece que Max tem um talento incrível para estar no lugar errado na hora errada, e ele sempre se vê forçado a encarar os horrores do deserto nuclear, como saqueadores psicóticos, canibais assassinos e a Tina Turner. Desta vez não foi diferente, e ele foi parar na Cidadela, controlada pelo tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne).

Vejam bem, Joe é um cretino. O que é deixado claro por sua máscara assustadora e seus problemas respiratórios. Ele encontrou uma quantidade ridícula de água, e tomou posse dela com ajuda do seu exército de fanáticos. Graças a isso, o lazarento passou a controlar toda a população da região, que o reverencia como um deus pela chance de receber um pouco de água de vez em quando.

E como todo cretino que se torna líder de um culto, Joe trata as pessoas a seu redor como propriedades. Homens servem seu exército insano e é esperado que eles dêem a vida pelo seu líder, enquanto mulheres são engravidadas por Joe para aumentar suas tropas, e são ordenhadas por máquinas para que seu leite alimente os adultos que seguem o ditador.

Sério, Joe é um babaca.

Em meio a esta loucura brota a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), que enfia o harém particular de Joe em um caminhão e foge com elas em direção à “terra verde”. Um lugar que ainda é fértil, e onde é possível viver como no velho mundo. Joe não gosta deste claro ato de desrespeito e coloca todo o seu exército atrás de Furiosa.

E perdido neste caos está Max. Que simpatiza com a causa de Furiosa e decide ajudá-la a salvar as meninas.

Não é o roteiro mais complexo do mundo, mas também não precisa ser. Nas mãos de George Miller, ele foi transformado em um dos maiores espetáculos de violência e destruição da história do cinema.

"Nós já chegamos?" "Não."
"E agora?" "Não"
"Ainda falta muito?" "Não."

Agora, vou confessar que não gostava muito de Tom Hardy. Ele estava bem em Batman: O Cavaleiro das Trevas Decepciona a Todos, mas eu ainda não o colocava em meu Top 10 de atores da atualidade.

Bem, isso mudou, pois após assistir Mad Max: Estrada da Fúria, meu respeito por ele tornou-se tão grande quanto uma criança glutona solta em convenção de chocolate.

Quando um personagem torna-se icônico, passamos a associá-lo com o ator que o interpretou. James T. Kirk é William Shatner, Rocky Balboa é Sylvester Stallone, Han Solo é Harrison Ford, e Bella Swan é uma batata que sofreu um derrame. Da mesma forma, Max Rockatansky é Mel Gibson, e é muito difícil desassociar a imagem do herói pós-apocalíptico do velho antissemita favorito de Hollywood.

Hardy conseguiu representar todos os trejeitos de Max, mas sem incorporar Mel Gibson. O personagem é agressivo, calado, parece perpetuamente em estado de alerta e não hesitaria em atirar na cara (NA CARA) de alguém se isso lhe desse uma vantagem para sobreviver. Da mesma forma, o ator consegue transmitir que em sua essência, Max é um homem bom, incapaz de negar ajuda a quem precisa, mesmo que inicialmente relute em fazê-lo.

Então, podemos ter mais uns dois ou três filmes na franquia, pois o personagem está em boas mãos.

Agora, permitam que eu fale sobre a Imperatriz Furiosa: ELA É ESPETABULOSA!!!

...

RIMOU!!!

A moça pertence à nova geração de personagens femininas de Hollywood, que engloba a Viúva Negra, Katniss e todas as garotas que estrelarão os futuros Star Wars. Ou seja, ela não é um simples estereótipo adicionado de qualquer forma ao filme, para tentar convencer a parcela feminina da população a ir ao cinema. Não senhor, ela vale tanto quanto o herói da história.

Furiosa é tão brutal e capaz quanto Max, e é insinuado que ela fez coisas horrendas no passado para garantir sua sobrevivência. Hoje ela busca redenção e mostra como a esperança pode ser simultaneamente uma benção e a pior das loucuras quando se vive no inferno.

Mas a personagem não chegaria tão longe se não fosse pela atuação de Charlize Theron, que lhe dá uma enorme dignidade. Furiosa é praticamente a contraparte feminina de Max, sendo uma sobrevivente tão capaz quanto ele, e compartilhando de seu senso de decência e misericórdia. Pessoalmente, eu adoraria ver o quão longe a personagem pode chegar em um filme solo. Claro, não há garantia de que ela desse certo, mas nas mãos adequadas, acho que Furiosa poderia ter um desenvolvimento muito interessante.

Em outras notícias, ela tem um braço mecânico. E todos sabemos que isso torna qualquer personagem 79% mais legal.

E temos Immortan Joe, (Hugh Keays-Byrne)... Que sejamos francos, é um personagem pronto. Ele é um tirano do deserto nuclear, nos mesmos moldes de Lorde Humongous (de Mad Max 2: A Caçada Continua). Ele tem uma máscara assustadora, veste uma armadura que parece ter sido esculpida por Joel Schumacher e é isso.

E ele é ESPETABULOSO!!! Mais espetabuloso é o fato de que seu intérprete (Hugh Keays-Byrne, caso já tenha esquecido o que leu no parágrafo acima) também fez o vilão do primeiro Mad Max. Isso mesmo! Toecutter! Aquele punk com luzes no cabelo, que olha pra câmera e faz “AAAAAAH” antes de ser atropelado por um caminhão.

Isso mesmo! Esse cara! E eu nem consigo explicar o quanto Mad Max: Estrada da Fúria se torna melhor depois que descobrimos este fato.

Finalmente, o elenco também conta com Nicholas Hoult, aquele cara lindo que interpreta o Fera em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Aqui ele é um dos asseclas de Joe, que eventualmente começa a enxergar as coisas de outra forma.

E ele está irreconhecível. Eu só percebi que era ele no meio do filme, quando o excesso de maquiagem não conseguiu mais conter sua deliciosidade de astro de Hollywood.

...

Que foi?

"OLÁ MENINADA! VOCÊS QUEREM BALA?"

Agora, vou tirar um minuto pra falar de toda a “polêmica” que surgiu na internet junto do lançamento deste filme. Vocês sabem, a campanha de boicote que foi sugerida por HOMENS DE HONRA, que eram contra este filme e a idéia de que uma MULHER fosse mostrada como sendo tão durona quanto Max e blá-di-blá-di-blá *insira barulho de peido aqui*

Muitos machinhos desgostaram da personagem de Furiosa, pois sua presença de certa forma “emasculava” Max. Graças a isso, Mad Max: Estrada da Fúria não passa de “propaganda feminista”. Pelo menos de acordo com eles.

OH! A INSEGURANÇA! É DE MAIS DE 9000!!!

Acho legal como esses “defensores da honra de Max” parecem não entender qual é a essência do personagem.

Max Rockatansky é o arquétipo do herói relutante. Ele viaja de um lugar ao outro, cuidando da própria vida, até que é arrastado PARA A HISTÓRIA DE OUTRA PESSOA, é obrigado a lutar para sobreviver, e de quebra, salvar algumas vidas. Ele foi arrastado para o caos criado por Lorde Humongous, depois para a Cúpula do Trovão, e agora ele novamente é forçado a participar de um drama que não é seu: A jornada da Imperatriz Furiosa.

Quanto a Furiosa, em momento algum ela é apresentada como sendo superior a Max, mas sim, como sua IGUAL. E há uma cena que exemplifica isso perfeitamente, que é quando o caminhão da moça atola na lama.

Os heróis prendem o veículo a uma árvore, para que ela sirva de âncora e o ajude a desatolar. Durante o processo, Max segura a árvore que começa a ceder, e Furiosa empurra o caminhão. Ambos são esforços inúteis, mas que se espelham. Max e Furiosa são guerreiros, sobreviventes, e estão dispostos a irem até seus limites pra concluir aquilo que começaram.

Não vejo “propaganda feminista” alguma aí. Se me perguntarem, vejo uma representação perfeita de igualdade entre os gêneros, que mostra que homens e mulheres podem conseguir o impossível quando unem forças. E eu acho que o cinema precisa de mais exemplos desse tipo.

Mas da mesma forma que estou criticando os machinhos inseguros, eu poderia aplicar este discurso aos Guerreiros da Justiça Social da internet. Aquelas pessoas que condenaram a representação da Viúva Negra em Vingadores: Era de Ultron como “sexista”.

Digo, a personagem ganhou um bocado de profundidade, além de ser apresentada como a pessoa mais bem treinada da equipe... O que ela precisa ser, já que não tem poderes. E mesmo assim, muitos condenaram este filme como sendo machista.

Filmes sempre poderão ser usados como um meio para se debater questões sociais. Mas existem aqueles que criam problemas onde eles não existem e iniciam guerras culturais unicamente para ganho pessoal. Seja financeiro, em influência ou fama.

Meu ponto com todo esse discurso é: Tomem muito cuidado com quem vocês seguem pela internet. Só porque uma pessoa afirma “lutar a boa luta” na internet, não significa que seja sincero. E alguns dos mais ferrenhos “defensores” das causas sociais na internet são pessoas extremamente preconceituosas e sexistas, que estão apenas vestindo uma máscara social, e que podem causar tanto ou mais dano que um bando de machinhos inseguros com notebooks.

Assim, fiquem com o pé atrás com tudo que lerem (ou assistirem) pela internet, não aceitem nenhuma opinião como fato, questionem tudo, conheçam todos os lados de uma questão antes de tomarem uma posição, enfim, sejam inteligentes e não se deixem levar pela loucura que se tornou a internet, ok?

“Quer dizer que devemos questionar até você, Amer?”

Claro, até a mim. Eu sou humano e falível com qualquer um. Muitas vezes escrevo com raiva e falo bosta, e vocês DEVEM me questionar. Sempre usem seu senso crítico, não importa qual conteúdo estejam consumindo.

Estamos entendidos?

Muito bem, então voltemos a nossa programação normal.

O filme também tem um cara que toca uma guitarra que dispara fogo.
Isso já o torna superior a qualquer ganhador do Oscar da história

Então, o que mais posso dizer sobre Mad Max: Estrada da Fúria?

É FANTABULOSO E CHOCOLATANTE! Com certeza, um dos melhores filmes do ano.

Da década.

DOS PRÓXIMOS 25 ANOS!!!

E você devia assistir já!

Agora!

Nesse instante!

Vai! Vai de uma vez!

E quando voltar, faça fanarts da Furiosa e do Imortan Joe.

Todos sabemos o quanto o mundo precisa de mais fanarts desses dois.

Cheers!!!

15 comentários:

Johnny Von Arthoneceron disse...

E tem quem diga que esse Max não é o Max real, mas na verdade é o Garoto-Fera do Mad Max 2 depois de crescer e ir pro norte.

Bem, é uma teoria, mas pode ser que haja um filme em que tanto Mel Gibson e Tom Hardy possam atuar juntos.

Quer dizer, isso se a imagem do Mel Gibson não tiver desgastada o suficiente pelas polêmicas...

Rafael disse...

Me mande um link de uma ISO do DVD do filme, com menús, legendas e tudo mais, ha-ha-ha-ha.

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Verei esse filme

Diego Sato Gomez disse...

"E odiava a todos os meus colegas de profissão (menos uma)"

Anotado.

Amer H. disse...

Sim, é você mesmo que eu não odiava, Diego!

Diogo Lopes Bastos disse...

Assisti o filme e e foi sensacional, ele consegue desenvolver muito bem todos os personagens, todos demonstram momentos de fraqueza e superação. Personagem da Charlize ficou sensacional, tem motivação bem forte para chegar até o fim. O pessoal precisa entender que o foco só foi no Max no primeiro filme, nos seguintes ele apenas auxiliava as pessoas a chegar no objetivo, No inicio sempre pensa em si próprio, mas depois aceita ajudar. Quem fala que o filme é uma propaganda feminista está falando besteira, TODOS os personagens são bem utilizados e tornaram esse um dos melhores filmes de ação.

Nerd Rangers disse...

Olá, Amer, adorei o texto como adorei o filme (que filme!!!). Anyway, espero não estar sendo chato, mas nesse parágrafo "Não vejo “propaganda feminista” alguma aí. Se me perguntarem, vejo uma representação perfeita de igualdade entre os gêneros, que mostra que homens e mulheres podem conseguir o impossível quando unem forças. E eu acho que o cinema precisa de mais exemplos desse tipo.", eu acho que deixou a parecer que feminismo é um machismo reverso, enquanto o que o feminismo propõe é a igualdade mesmo. Eu estava esperando essa crítica há semanas. Acho que você poderia ter falado sobre como foi espetaculactante o filme quase não ter usado cgi!
É isso.

Cheers.

Anderson "ANDF" Ferreira disse...

Boa crítica e sem spoilers.
Que se ferrem essa cambada de pseudo-criticuzóides chorões que apontam sexismos, feminismos e machismos em qualquer mídia.

E como tem pipocado fanarts do filme, até no Facebook, velho!!

Galomortalbr disse...

esse filme e simplismente açao

E ISSO E FODA E AÇAO DO COMEÇO AO FIM SEM NADA DE ENROLAÇAO CHATA OU BOBERAGEM
E PORRA EXPLOSOES EVERYWHERE

Camorel disse...

Não me lembro muito o primeiro filme, mas não me lembro de MAD tendo sua vingança contra o líder da gangue, lembro do doido amarrado no carro com algema no tornozelo e uma cegueta Alá jorgos-mortais décadas antes dele ser concebido, mas não do luzes capilar morrendo, sempre considerei toda a franquia como uma vingança não concluída, talvez deva assistir com mais com mais atenção o final agora que tenho mais maturidade(vulgo, velhice) bela matéria sobre o eterno vagabundo da senhora Turner, e aos mais letrados, uma pergunta sobre a serie. O que aconteceu com o dois?

Camorel disse...

Não o segundo filme, e sim a qual filme essa frase pertence?

Tuth silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriel Santos disse...

"I’d pretty much decided to forgo Fury Road until RADIX asked me to write about it. I took the assignment and went to see it in 3D, and I’m glad I did. I loved it. I’d see it again. I’ve started lifting to the relentless albeit somewhat repetitive Fury Road soundtrack."

[...]

"Max Max: Fury Road is not a feminist film. Or rather, it’s no more feminist than the hashtag badass shieldmaidens in The “History” Channel’s Vikings, or the wise woman who knows better than a man in basically every sitcom and television commercial made in the past two decades. For that matter, it’s no more feminist than Mad Max: Beyond Thunderdome, made thirty years ago, with Tina Turner bossing around everybody in Bartertown and yet another naive heroine leading her people to some promised land that doesn’t exist." [A mina que era a mais velha dentre os sobreviventes do avião. Furiosa é basicamente uma mistura dela com a Tina Turner na mesma personagem].

http://www.radixjournal.com/journal/2015/5/20/never-let-a-woman-drive-your-war-rig

Jonathan Ribeiro disse...

Assisti ontem e achei foda,muito bom.

Vincubo disse...

muito massa!