sexta-feira, 10 de abril de 2015

Meus G.I Joe favoritos - Parte 1


Eu gasto uma quantia obscena de palavras descrevendo minha permanente obsessão por Transformers. Mas a verdade é que na infância, eu tinha uma fixação quase tão grande pelos G.I Joe.

Ao menos, pelos brinquedos.

O desenho animado era tão simplório. Por que eu me interessaria por um desenho onde militares humanos enfrentavam terroristas humanos, quando podia assistir a guerra entre dois exércitos de robôs?

Ou a felinos humanóides enfrentando sacerdotes zumbis de uma terra desconhecida?

Ou a um bárbaro metrossexual que lutava contra uma caveira neurastênica?

Mas a coleção de brinquedos dos Joes (aqui renomeada “Comandos em Ação”, argh) era outra história. Devo confessar que eu não tinha muito interesse nela, pelos mesmos motivos que não me interessava pela série animada, mas a melhor amiga da minha mãe não sabia disso, e todo Natal ou aniversário me presenteava com um veículo ou bonecos da série.

Pensando agora, eu deveria ter demonstrado muito mais gratidão a ela do que o fiz na época. Os adultos dos anos 1980 costumavam comprar aqueles brinquedos genéricos de papelaria (“O Super avião da Matemática”) para presentear os filhos dos outros. Mas não a amiga da minha mãe, que ia além do chamado do dever para me mimar.

Deus a abençoe. Porque graças a ela, tive minha última obsessão saudável da minha vida. Assim que entrei na adolescência, tudo que me interessava era Dragon Ball Z e pornografia com asiáticas.

Não se atreva a me julgar. Alguns de vocês fizeram pior, tenho certeza.

Sem mais delongas, vamos descobrir quais bonecos eu usava quando resolvia satisfazer minhas fantasias belicistas.

Barbecue


Eu não fazia a menor idéia de qual era a função de Barbecue entre os Joes, mas isso não me impediu de adorá-lo em minha infância. Digo, ele é um cara mascarado que anda por aí com um machado. Como não gostar dele?

Eventualmente eu descobri que ele é o bombeiro da série, o que me parece a função mais inútil que alguém pode ter quando é um Comando em Ação. Metade dos seus colegas carregam bazucas, morteiros, disparadores de Geisy Arruda e outros equipamentos de destruição em massa, e o trabalho da equipe era espalhar o máximo de caos e morte que puderem.

Digo, eles estavam lutando contra uma organização terrorista, então nenhuma violência era desnecessária ou excessiva. Se o Roadblock enfiasse uma cafeteira no rabo do Zartan, seria considerado apenas “mais um dia servindo a AMERICA!”

Sabendo que a missão dos Joes era bombardear os Cobra com força suficiente para tirar o planeta de sua órbita, Barbecue parece meio sem propósito. O que ele vai fazer? Apagar o fogo colateral em uma moitinha enquanto os outros causam explosões grandes o bastante para derrubar doze World Trade Centers?

E é por isso que quando eu brincava, Barbecue se tornava um verdadeiro maníaco. Para mim, ele não carregava um extintor, mas um lança chamas. E era com isso que nosso herói mascarado trazia uma dose de LIBERDADE à vida dos Cobra.

Antes que alguém fale, sim, eu sei que havia um boneco entre os mocinhos que usava lança-chamas, mas eu nunca o tive. Então Barbecue teve de preencher a cota de piromaníacos da minha coleção.

Além disso, eu fazia dele um psicopata funcional. Sempre que eu o colocava em conflito contra um inimigo, Barbecue o incinerava com seu “lança chamas”, e enquanto a vítima gritava de dor ao ser consumida pelo fogo, ela era abatida a machadadas pelo herói.

E eu fazia coisas ainda piores quando brincava com os bonecos do He-Man. Mas isso é uma história para outro dia.



Low-Lite

Low Lite era a epítome de tudo que havia de mais cool nos G.I Joes de sua geração.

Enquanto seus colegas vestiam roupas camufladas, ou em tons de verde e bege, Lite usava cinza e preto. Enquanto os outros soldados vestiam boinas e capacetes, Lite optou por uma touca de seu Madroga. Enquanto a maioria dos Joes não usava nenhum equipamento facial, Lite desfilava por aí com um óculos de visão noturna grande o suficiente para ter nome próprio e um episódio dedicado a sua história familiar.

Além disso tudo, Low-Lite vinha com uma mochila tão grande que ele parecia estar preparado para viajar até o mundo de Caverna do Dragão se quisesse.

Sim, sim. Low-Lite era o cara cool, que ficava encostado no hangar, fumando um Marlboro e não dando a mínima para os suspiros da Cover Girl. O que só fazia com que ela ficasse ainda mais gamada nele.

Uma rápida leitura na Wiki dos G.I Joe (sim, isso existe) me esclareceu que Low-Lite era o sniper da equipe, especializado em missões noturnas. Ou seja, se o General Hawk precisasse de alguém para remover o pint do Comandante Cobra com um tiro, enquanto ele entrava na jacuzzi a meia-noite, Low-Lite era o homem para o serviço.

Em contrapartida, Low-Lite NUNCA remove seus óculos de visão noturna, mesmo que esteja numa rave frequentada por pessoas estroboscópicas. O que deve ter fodido com sua visão e sua capacidade de trabalhar.

Mas sejamos francos, não é como se os Joes fizessem uma seleção meticulosa ao alistar seus representantes. De outra forma, jamais teriam contratado um marujo chamado "Shipwreck".


Cobra B.A.T

B.A.T é sigla para “Battle Android Trooper”. Ele não tem relação alguma com morcegos, ó pessoas que só conhecem quatro palavras em inglês, duas delas por causa do Batman.

No desenho animado, os B.A.T's eram parte da infantaria, criados para substituir os soldados humanos da organização Cobra, e como tal, sofriam todo tipo de violência do qual seus antecessores humanos escapavam ilesos toda semana.

Porque vejam só, nenhum humano podia morrer ou sofrer violência física em excesso nos Cartoons dos anos 1980. Os pais acreditavam que as crianças se tornariam estupradoras de homossexuais caso vissem o Comandante Cobra levar uma estilingada na cabeça. É por isso que os Joes se limitavam a explodir os veículos dos inimigos e atirar a esmo enquanto eles fugiam, sem JAMAIS acertar em um dos vilões.

O que passava a impressão de que os Joes sofriam todos de catarata.

Mas com os B.A.T's não rolava isso. Como eles era robôs, e robô não era considerado gente pelos estúdios de animação, eles eram constantemente desmembrados, decapitados, implodidos e defenestrados. Se o Duke quisesse arrancar as entranhas de uma unidade B.A.T e esfregar na cara do filho robô dela, era totalmente OK, não importa o trauma que o pequeno dróide viesse a sofrer.

Mas com meus bonecos a coisa era diferente. Eu não podia convencer minha mãe que eu merecia ganhar uma legião de bonecos todos iguais (minha mãe me mimava, mas sabia impor certos limites), assim, tive que transformar meu único B.A.T em uma máquina indestrutível. Quando os Joes estavam certos de sua vitória no campo de batalha, eu fazia com que o B.A.T aparecesse e matasse ao menos dois dos heróis, até alguém ter a idéia de atropelá-lo com um caminhão.

... O que NÃO o detia. E o motorista do caminhão perecia como castigo por seu erro ignorante. Quando eu brincava, o B.A.T era a porra do Terminator e absolutamente ninguém podia com ele.

Ninguém, exceto...


Sgt. Slaughter

... Sargento Slaughter, o instrutor especial dos G.I Joe. Que transformava meninos em homens e meninas em... Seres com o exato mesmo corpo... Que um homem.

Todas as figuras da coleção dos Comandos seguiam um molde parecido. Assim, homens e mulheres da série tinham as mesmas proporções e a mesma pança de cerveja que se tornou uma das marcas da série.

Era uma linha de bonecos feia pra cacete.

Como muitos de vocês devem saber, Slaughter era um astro da luta-livre dos anos 1980. O militar patriótico que chutava o rabo de todos que representassem uma ameaça para a AMÉRICA. Ou seja, qualquer um que não tivesse a pele branca e não falasse inglês.

O governo Reagan tinha uma facilidade incrível em declarar todo mundo inimigo.

Agora, tive dois bons motivos para adorar tanto o Sgt. Slaughter na infância.

O primeiro é que o desenho animado o apresentava como uma versão militar do Hulk, ou seja, absolutamente invencível. No comercial de seu brinquedo ele salta de um tanque no meio da explosão, aterrissa em um pelotão de soldados Cobra, e espanca a todos como se não passassem de figurantes em filmes do Steven Seagal.

E no longa metragem, ele encarou um gárgula alienígena de TRÊS METROS e o derrotou como se fosse apenas mais um imigrante imundo querendo mamar nas encarquilhadas tetas do serviço social americano.

DEUS ABENÇOE A ERA REAGAN.

Então, é claro que ele era o único em minha coleção capaz de derrotar o B.A.T. De fato, Slaughter era um dos poucos personagens que SEMPRE sobrevivia ao fim das guerras que eu produzia. E aquele que colocava o braço ao redor dos ombros de uma soluçante Scarlett, olhava o por-do-sol e com triunfo no bigode, proferia as palavras: “Yes, we can.”

O segundo motivo para eu adorar Slaughter, é que ele me provou que o Tiaguinho era um merda.

...

Ok, preciso ser um pouco mais claro que isso.

Tiaguinho era o moleque que sentou ao meu lado na 3ª e 4ª série, e ele era o dodóizinho da professora. Vocês sabem, aquele garoto que tirava nota alta em todas as matérias, que a professora usava como exemplo para os demais alunos e de quem todos queriam ser amigos.

Nem preciso dizer, éramos exatos opostos. Eu era tímido e ele era extrovertido, eu me esgueirava pelos canos comendo restos de lixo, e ele era carregado em um trono para onde quer que fosse, eu tinha tetas de menino gordo e ele tinha uma barriga tanquinho, e tatuagens aos 9 anos... OH, COMO EU ODIAVA.

Mas uma coisa tínhamos em comum: Ambos nutríamos uma enorme obsessão por G.I Joe, e era um assunto que nos aproximava.

Pois bem, quando a Estrela (a fabricante dos Joes no Brasil) anunciou que lançaria uma nova leva de bonecos, eu dei piruetas quando vi que Slaughter estava entre eles. Tiaguinho, por sua vez, anunciou com orgulho que já tinha o boneco um mês antes de seu lançamento em lojas. Porque seu tio trabalhava na Estrela.

Ok, tudo bem. Acontece.

A história teria acabado aí mesmo, mas Tiaguinho, como Satanás, pecou pelo orgulho. Vejam bem, crianças, os bonecos recebiam codinomes específicos quando eram lançados no Brasil. Snake Eyes por exemplo, foi chamado de “Lobisomem”, pois de acordo com a Estrela, ninjas e vítimas de licantropia tem tudo a ver um com o outro.

Por que isso é relevante? Bem, Tiaguinho disse que o codinome de Slaughter era “Sargento das Trevas”. E quando ganhei o boneco, vi que era uma MENTIRA IMUNDA! Aqui, o bigodudo era chamado de “Brutamontes”.

O que é igualmente ruim, mas este não é o ponto. O ponto é que TIAGUINHO MENTIU! Aquele moleque tão perfeito e adorado, que poderia exigir boquetes de todas as meninas da sala... Se já tivesse atingido a puberdade e soubesse o que raios é um boquete... Ele era tão mentiroso e lazarento quanto todos nós. Ele era humano afinal.

Slaughter provou isso, e por este motivo, sempre terá um lugar em meu coração.

...

Sim, eu sei que não é saudável odiar alguém que conheci há um quarto de século.

...

E que provavelmente está morto.

Em um beco.

Com a boca cheia de sêmen de mendigo.

...

Vou trabalhar isso na próxima sessão com a minha terapeuta. Eu prometo.



Destro

Oh sim, esse aqui foi algo grandioso quando lançado. Pelo menos, pra mim.

A Estrela tinha o péssimo hábito de lançar muito mais heróis do que vilões em nosso mercado. Em uma proporção de 2 para 1, praticamente. E as lojas de brinquedos revendiam AINDA MENOS dos vilões. O pensamento dos comerciantes deveria ser: “Por que uma criança compraria o feio e pedófilo Mumm-Ra, quando pode levar o galante e sensual Lion para casa?”

PORQUE PRECISÁVAMOS DE ALGUÉM PARA ESFAQUEAR NA CABEÇA COM A ESPADA JUSTICEIRA! É POR ISSO!

E embora a coisa tenha melhorado com os anos, os Cobra sempre estiveram em desvantagem. Nenhum dos vilões de alta patente foi lançado nas primeiras levas da coleção e passaram-se ANOS até que uma figura do Comandante Cobra chegasse aqui, no mais completo acidente.

Destro foi o primeiro vilão de alto nível a aterrissar em nossas lojas de brinquedos. E no glorioso dia que o ganhei, a minha organização Cobra FINALMENTE teria uma liderança.

Olha, eu primava pelo realismo nas minhas brincadeiras. Se o Esqueleto não estivesse disponível, a Maligna comandava suas tropas. Eu nunca passaria este cargo para um incompetente como o Homem-Fera. O mesmo valia pros Cobra.

Outra coisa que lhe conferia autoridade era sua mala. Normalmente, as mochilas dos Comandos eram peças sólidas de plástico, mas a de Destro se abria como uma valise, que podia ser usada para guardar a arma do vilão. Enquanto os outros bonecos eram obrigados a carregar suas armas perpetuamente como se fossem seus bebês recém-nascidos, Destro podia ficar com as duas mãos livres. Ele podia beber um café e datilografar uma carta para mãe ao mesmo tempo, e ao menos para mim, isso lhe conferia uma aura de profissionalismo que faltava aos outros bonecos.

Sim, não faz o menor sentido. Mas eu tinha oito anos, o que vocês querem de mim?

Mas vou contar, essa pintura prateada na cabeça dele não durava muito. Com algumas semanas de uso, ela descascava e ficava com o mesmo tom de um pirulito Dip n’ Lik, sem açúcar e todo babado. O que me faz pensar que o responsável pela foto acima tinha este boneco lacrado há 25 anos e o abriu apenas pra criar esta pose sensual pro seu site.

Não me surpreenderia se ele tivesse se arrependido e cometido suicídio logo em seguida.


Duke

A falta de figuras de liderança não era apenas um problema entre os vilões, os Joes também sofriam com isso. Por anos, recebemos dezenas de coadjuvantes, mas NENHUM dos oficiais que costumavam comandar as tropas no desenho animado.

Como eu já disse, minhas brincadeiras primavam pelo realismo. Quem eu ia colocar formulando estratégias de combate para os demais soldados seguirem? Snake Eyes? Ele não passava de um mímico com privilégios. Shipwreck? A única coisa que aquele marujo podia liderar era um grupo cover do Village People. Scarlett? Eu era inseguro demais pra fazer voz de mulher enquanto brincava. Meu irmão podia entrar no quarto a qualquer momento e caçoar de mim. E ele levaria dias para me deixar em paz.

Então um dia, a Estrela lançou o Duke, e meus Comandos teriam o líder que tanto precisavam. Melhor do que isso, eu finalmente tinha um boneco que pudesse travar um dramático combate final com o (improvisado) Comandante Cobra nos últimos momentos da guerra.

Duke chegou ao Brasil como parte da retardada “Força Tigre’, onde personagens da franquia recebiam uma camuflagem tigrada (DUH!). Algo pouco útil quando você quer se esgueirar pelo meio da floresta sem ser visto pelo inimigo. Mas considerando que os Joes contrataram um xamã indígena que falava com espíritos, podemos concluir que discrição nunca foi um dos fortes da equipe.

Agora, a ficha que vinha com o boneco nos dizia eu Duke tem um Q.I de 500. Em outras palavras, ele é o homem MAIS INTELIGENTE DO MUNDO!

O que é balela. Se fosse o caso, ele apenas desenvolveria armamento pros Joes, ficaria trilionário, e passaria seus dias em casa, injetando heroína no sovaco e recebendo boquetes do J.K Simmons.

Ou pelo menos, é o que eu faria se fosse trilionário. Depois de um tempo, putaria deve perder a graça, se não for usada para sistematicamente destruir a dignidade de um ganhador do Oscar.

Snake Eyes

E o último boneco sobre o qual falarei hoje é o favorito de doze entre dez moleques obcecados pelos Comandos. Snake Eyes era para sua franquia o que Optimus Prime era pra Transformers: O absoluto favorito e a joia da coroa da coleção de qualquer guri babento da época.

Infelizmente, nunca tivemos o boneco do Optimus. Porque a Estrela tinha um racismo nada discreto contra caminhões.

Snake Eyes era UMA PORRA DE UM NINJA. Ele também era loiro de olhos azuis, pois obviamente que apenas um ariano seria capaz de dominar um estilo marcial japonês durante a era Reagan. Claro, sua etnia pouco importava, porque seu rosto permanecia coberto o tempo todo. Isso porque Snake Eyes tinha a cara toda estraçalhada, como se um urso tivesse mastigado sua cabeça e a enfiado na bunda em seguida, só por farra.

Assim, se quisesse imaginar que por debaixo do uniforme o ninja era negão, ruivo, ou o Marcos Mion, você era livre para fazê-lo.

Mas eu o desprezaria se escolhesse a última opção.

Quanto ao boneco, tivemos duas versões dele por aqui. Pois Snake Eyes teve mais relançamentos no mercado americano do que a Angela Bismarch fez plásticas. A segunda delas foi aquela que recebeu o codinome “Lobisomem”... Porque ele vinha com seu próprio cachorro.

É a que vocês podem ver acima.

A primeira foi lançada com a primeira leva de Comandos em Ação brasileiros. O boneco tinha uma gola role ridícula e era conhecido como “O Invasor”.

Pois é. Só porque se vestia todo de preto e não tinha um rosto, o pessoal da Estrela imediatamente o rotulou como vilão. E isso aconteceu com sua segunda versão também, que foi lançada aqui como sendo parte da Organização Cobra.

E vou te dizer, eu me sentia desafiando o sistema quando o colocava o lado dos heróis. Eu olhava para aquele emblema dos Cobra na cartela e em meu coração, dizia: “Não me curvarei ante o que você estabeleceu, Estrela! Snake Eyes é um dos heróis. Eu CUSPO EM SEUS PADRÕES SOCIAIS! PTÚ-PTÚ!”

...

Eu era um menino gordo e covarde, que era chicoteado na escola todo dia. Eu me revoltava contra o sistema como dava.


Brinquedo bônus: O caminhão dos Joes.

Os bonecos eram a atração principal da coleção, mas muitos dos veículos se tornaram o objeto de desejo da molecada imberbe da época.

Agora, nem todos eram legais. Alguns eram completamente retardados, mas quando os designers responsáveis pela linha acertavam, eles produziam máquinas capazes de impressionar até nossos amargos pais.

Caso em questão, o caminhão de transporte dos Joes, que eu também ganhei da amiga da minha mãe. Se não me engano, ela me deu um jatinho e três bonecos em um Natal e depois prometeu que me traria o caminhão.

E ela cumpriu a promessa, vejam vocês. Que grande mulher.

Agora, verdade seja dita, o transporte é um busão glorificado. Não lembro exatamente quantas figuras podiam ser colocadas no transporte, mas era algo na casa dos 30. Mais do que um transporte público militarizado, o caminhão ainda servia como uma “caixa” para guardar os bonecos quando terminássemos de brincar com eles.

E vejam só, tinha uma alça, para que pudéssemos levá-lo pra todo lado, como se fosse uma maleta.

O que os fabricantes esperavam? Que as crianças desfilassem por aí carregando este caminhão por aí, com todos os seus bonecos dentro, na esperança de impressionar alguém?

Ali tá você, passeando com sua coleção, então você passa pelo McDonalds e vê a turma dos jovens problema no estacionamento, comendo lanche do Bob’s (porque eles eram rebeldes, CAAAAAAAAAARA), aí eles te veem chegando e você diz: “Olá amigos, garotas. Querem ver o que eu carrego no meu caminhão/maleta?

E cinco minuto depois, você estaria no chão, cheio de hematomas, sem calças e com todos os bonecos enfiados no cu. O pessoal da Hasbro não tinha muita ideia do que acontece com crianças do mundo real que se atrevem a revelar que gostam de brinquedos.

O mais importante neste veículo é que ele era grande. E ele tinha em uma criança o mesmo efeito de compensação que uma Lamborghini tem num homem adulto.

Aliás, a caixa o promovia como sendo um transporte anfíbio, o que era balela, ele afundava na água, como todos os barcos da linha. Todo veículo aquático da coleção tinha furos estratégicos na parte de baixo, que se enchiam sempre que ele era colocado na piscina ou no tanque de lavar roupa.

Curiosamente, o submarino da série não tinha nenhum orifício por onde água pudesse entrar. Como tal, ele boiava.

Algo me diz que alguns dos designers dos G.I Joe odiavam crianças.

E por hoje é só.

Cheers!!!

15 comentários:

Lucas Zer0 disse...

Kuakuakua quero ver o Storm Shadown na próxima lista amerindio! Show!

Diogo Lopes Bastos disse...

Essa lista me fez lembrar da época que ganhava bonecos no aniversário, principalmente porque ganhava o boneco e algo mais, enquanto meus irmãos também ganhavam um boneco para todos brincarem juntos!

Hao Cinis disse...

Ah, os melhores dias da infância daquela época! Tive treze bonecos, apesar de vários não serem os que eu espezinhava meus pais pra comprar (felizmente, uma surpresa foi exatamente esse Snake Eyes com o lobo). Tive até esse caminhão, e também o boneco do lança-chamas ue você falou (esquema de cores amarelo e vermelho, legalzin). Agora, fiquei triste em lembrar o fim que minha coleção teve...

Sobre o Berbecue, sei lá, se eu tivesse um piromaníaco no meu grupo de joes, eu iria querer um bombeiro pra tirar todo mundo em segurança. Ou sair de um incêndio provocado pelos Cobra. Ou, depois que o extintor secasse, ver o sujeito causar concussões cranianas com ele em quem enchesse o saco.

...

Eu também era gordo, tinha de descarregar meus complexos de forma sadista...er, sadia.

luizotavio disse...

Me lembrou de uns "Tiaguinhos" que conheci...CÉUS COMO OS ODEIO!!!

De tudo um pouco disse...

me lembro de um tiaguinho do meu reforço escolar,tipo ele ate que era legal,mas eu tinha uma puta inveja dele pq ele tinha uns transformers maneirões,boa postagem amer,me fez lembra do tempo que fazia meus soldadinhos invadirem uma ilha com dinossauros assassinos do câmelo

Azrael_I disse...

"Sabendo que a missão dos Joes era bombardear os Cobra com força suficiente para tirar o planeta de sua órbita, Barbecue parece meio sem propósito. O que ele vai fazer? Apagar o fogo colateral em uma moitinha enquanto os outros causam explosões grandes o bastante para derrubar doze World Trade Centers?"

Das mais de 3 mil pessoas que morreram no 11 de Setembro, 343 eram bombeiros, homens que entraram lá para diminuir o número de perdas civis, ao custo da própria vida. Porra Amer, primeiro post do ano e você já começa desmerecendo a minha profissão?!? Tudo bem que você colocou o Barbecue entre seus favoritos, mas pelos motivos errados!

Barbecue vem de uma família de bombeiros (seria o sétimo bombeiro da família), e embora sua especialidade seja combate a incêndio, ele também é especialista em missões de campo e infantaria e foi responsável por comandar diversas operações bem-sucedidas contra os Cobra (se você leu mesmo a G.I. Joe Wikia, pesquise as vezes em que ele resgatou o Snake Eyes, o General Hawk e ajudou os demais Joes). Depois que o grupo foi desfeito e reestruturado, Barbecue foi aceito na reserva para missões especiais (ou seja, elite)! E se mesmo assim você não dá o devido mérito a ele, pense nisto:

- Se o Cobra iniciar uma série de incêndios como parte de algum de seus esquemas, quem você acha que iria comandar as operações de extinção do fogo e salvamento das pessoas?

- Se a Casa Branca estiver pegando fogo, quem você acha que o General Hawk irá mandar pra salvar o Presidente e demais membros do Governo (e eventuais civis) que estiverem lá?

- Se o caminhão dos Joes for atingido por uma granada incendiária de Napalm (que não apaga na água, ou seja, não adianta jogar no mar no modo anfíbio), quem é que vai salvar o couro dos companheiros?

E se tudo isso ainda não é o bastante, lembre-se que o Barbecue é o mais festeiro dos Joes, ou seja, ele é o primeiro do grupo a levantar uma caneca de cerveja após uma missão cumprida, o companheiro de bebedeira ideal.


Ah sim, eu lembro que esse boneco "Lobisomem" do Snake Eyes chegou aqui no Brasil com o nome de Comandante Negro na caixa ( http://mlb-s1-p.mlstatic.com/comandos-em-aco-file-card-cobra-comandante-negro-17694-MLB20141576415_082014-F.jpg ); e a edição Força Tigre e Força Naja dos bonecos vinham com duas bisnagas de tinta para camuflagem: https://propagandasdegibi.files.wordpress.com/2012/04/scan21.jpg

Rafael M. disse...

Que saudade, cara!

Adan Ribeiro disse...

Também prezava pela realidade nas minhas brincadeiras.

Eu e meu primo juntávamos nossas coleções. Ele era rico e tinha o triplo de figuras, várias repetidas, aviões, caminhões... mas como éramos os melhores amigos à época o que importava era ver aquele IMENSO exército em campo.

Um dia resolvemos brincar em um barranco de terra vermelha (morar no interior é bom demais para uma criança) e fizemos com que os Joes escalassem aquela enorme montanha em busca dos esconderijos dos Cobras (cavernas que cavamos com as facas de cozinha da minha mãe)... agora penso que era como uma versão do Osama Bin Laden sendo caçado pelo exército americano, só que nos anos 80.

Enfim... fingimos que uma grande explosão causada pelo Comandante Cobra fez a montanha desmoronar sobre as figuras e... é... acho que se tivéssemos uma figura do Indiana Jones poderíamos ir para lá fazer a busca pelos artefatos perdidos naquele fatídico dia.

Bons tempos, bons tempos.

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

que bom ver o site de volta a ativa novamente. e vejo que está mais fácil de procurar os assuntos no site.

Euclydes disse...

Cara, lembro de ter ganho alguns, mas sinceramente, não lembro quais. acho que o snake eyes era um deles. todos viviam em missões secretas localizadas em regiões montanhosas desbravadas com técnicas de rappel (eu amarrava linhas e barbantes nos armários) incrível...

Euclydes disse...

cara seu blog ficou muito sóbrio com esse cinza cor de burro ... o que aconteceu com as fotos bacanas que sempre o coroavam?

lilycarroll disse...

Sempre q passo naquelas galerias de brinquedos antigos no centro fico contando os trocados quando vejo um desses bonecos dos Joes ;_;, mas nunca consigo comprar um!

Júlio Cezar disse...

Eu tinha uns "Comandos em Ação" também... incluindo um OFICIAL DE RECONHECIMENTO, que vinha com um para-quedas totalmente sem utilidade e um...
Prepare-se: LIU KANG.

O outro era um cara com um penico na cabeça e um lenço vermelho no rosto.

Rodrigo Checchia disse...

Só senti falta de um comentário: os dedões dos bonecos eram absurdamente frágeis (ou eu era extremamente bruto ao colocar as arminhas nas mãos deles).

Quebrei a maioria e era impossível colar aquele milímetro de plástico de volta...

Sem os respectivos polegares opositores, nenhum deles jamais manejou uma arma novamente.

Marcel disse...

Amer, então teu B.A.T. era um beneficiário do teorema de conservação de ninjutsu?
Era um ninja-roboto, então! :P

Eu tive alguns Joes, mas não muitos, lembro do cara com um laser, o snake-eyes enrustido (que eu usava como outro personagem justamente para lutar contra os Snake-Eyes), soldados cobra, o B.A.T. e uns robôs dos Joes.

sempre gostei mais de robôs e complementava meus Transformers com quaisquer Gobots ou robôs de camelô que meus pais ou amigos deles me arrumassem e fazia batalhas de 3 ou 4 facções em que Autobots, Decepticons, Gobots e outros faziam alianças ou trocavam de lado de acordo com a ocasião - e quantos moleques e bonecos juntos a gente tinha para lutar. Ás vezes juntávamos B.A.T.s e os robôs dos Joes à massaroca e até fizemos uma "revolução das máquinas" em que a robozada toda atacou os Joes e o Cobra. XD

Também tive bonecos do Rambo e dos Sectaurs - que eu me amarrava, mas nunca fizeram os insetos gigantes para eles, ao menos por aqui.