quarta-feira, 15 de abril de 2015

Crítica do Amer: Assassin's Creed II


“Ora Amer, não acredito no que estou vendo. Você acaba de relançar seu site e a primeira crítica de games que irá publicar é de um jogo de 2009? Não é sequer um título velho o suficiente para ser retro. Você me dá nojo, seu homem lindo e bem dotado.”

Eu admito, demorei demais para jogar Assassin’s Creed II, mas entenda meu dilema: Eu queria desfrutar a série na ordem em que foi lançada. Assim, me propus a terminar as loucas aventuras de Altair antes das de Ezio Auditore... O que foi um erro, pois o primeiro game da franquia é tão divertido quanto inalar uma lata de tintas Suvinil com um canudo.

Assim, após anos de terapia intensiva, consegui superar o TOC que me obrigava a jogar o primeiro título de cada série e finalmente pude penetrar em AC II da mesma forma que o Caco faz com a Miss Piggy toda quinta-feira.

O que foi uma boa escolha, porque Assassin’s Creed II é muito melhor que seu antecessor.

Mas até aí, comer um balde de brócolis é melhor do que inalar tintas Suvinil com um canudo. Assim sendo, analisemos o que “melhor” significa neste caso.

Mais games deviam começar com o momento em que
o herói é cuspido para fora de sua mãe

A história se passa na Itália, durante o Renascimento.

...

Aquele período histórico onde a humanidade se desprendeu do modelo medieval de sociedade e quando houveram imensos progressos nos campos da ciência, arte e filosofia... Seu inculto que fugiu da escola.

Aqui jogamos com Ezio! EZIO AUDITORE DA FIRENZE! Novo representante da ordem dos assassinos, e substituto de Altair. Porque o pessoal da Ubisoft percebeu que Altair era um protagonista tão interessante quanto limpar a caixa de areia de um gato, e que removê-lo era imperativo para o sucesso futuro da série.

Pois bem, Ezio é o filho do meio da família Auditore, muito influente na política da cidade de Florença. Um dia, o pai de Ezio é acusado de conspiração, e acaba enforcado em praça pública, junto dos irmãos de Ezio. Ao nosso herói resta apenas fugir da cidade com a mãe e a irmã, se aliar a ordem dos assassinos e a restaurar até a glória do passado, para que possa assim vingar-se daqueles que tramaram contra sua família.

Diga-se de passagem, os responsáveis pela tragédia na vida de Ezio foram os Templários. Porque estamos falando de Assassin’s Creed. E os Templários são para esta série, o que a organização Cobra é pros G.I Joe.

Só que menos incompetente.

Falando em incompetência, a saga de Ezio consiste de 2/3 da narrativa. O resto é preenchido pela saga de Desmond Miles, o descendente de Ezio, que no presente, tem sua memória genética revirada para que revivendo a história de seus ancestrais, ele descubra as peças necessárias para montar o quebra-cabeças que pode derrotar os Templários no presente.

Seriosamente, eu não me envolvi uma vírgula com o enredo de Assassin’s Creed II. Ezio tem carisma, mas sua saga não é exatamente cativante. Temos de vingar a morte de seu pai e irmãos, mas o caso é que não sinto apego NENHUM por eles. Afinal, o máximo de contato que tive com cada um foi cinco minutos de conversa em uma das missões introdutórias.

É preciso um pouco mais do que isso para se importar com um monte de polígonos quando este é pendurado pelo pescoço.

Da mesma forma, não ligo para a história de Desmond Miles. De fato, acho que o aspecto “ficção científica” de Assassin’s Creed, é uma das ferramentas narrativas mais desnecessárias da história dos games. Quem é o herói da série? Quem surge em nossa mente quando pensamos em Assassin’s Creed? Tenho certeza que Desmond Miles escapa da mente da maioria das pessoas quando se fazem esta pergunta.

Ele é como a cebola a milanesa que você pede no Outback antes do prato principal. Claro, preenche um espaço na sua vida, mas você prontamente esquece dele quando seu gigantesco filé mal passado chega à mesa.

Don Leonardo, que sempre ri de minhas piadas.

Os gráficos são como uma sacola de sortidos. As vezes você encontra algo bom nelas, enquanto em outras, a única coisa digna de nota é um daqueles carrinhos de plástico que se tornavam memoráveis apenas no momento que entalavam na sua traquéia.

Sendo este um game de 2009, eu não esperava gráficos fotorrealistas. Mas a imersão em um game fica prejudicada quando grande parte de seu elenco parece ter passado lixas no rosto até apagar todas as marcas de expressão, exceto aquelas necessárias para que possam ser identificados como seres humanos.

Ezio, Desmond e todos os demais parecem enormes bonecos de cera. Os reconhecemos como gente, mas apenas marginalmente. Mesmo jogos como GTA IV, que foi lançado um ano antes, conseguiu atribuir mais humanidade a seus personagens.

Mas talvez tenha sido algo positivo, pois a taxa de frames do jogo não cai, mesmo quando Ezio encontra-se em meio a uma multidão de centenas de pessoas. Se para isso precisamos nos acostumar a protagonistas que parecem feitos de vela, que seja.

Por outro lado, os cenários são belíssimos. Nunca viajei para a Itália, mas pelo que conheço dela através de filmes, documentários e fotos, a reconstrução do período renascentista parece ter sido minuciosa e fiel. É muito gratificante correr a esmo pelo mapa, explorar vielas, torres e canais, a fim de encontrar a maneira mais eficiente de se atravessar o cenário.

A animação dos personagens é muito boa também. Ezio corre, salta, esfaqueia e capota com muita naturalidade. Poucas coisas satisfazem tanto quanto ver o herói esbarrar nas pessoas da multidão e se estabacar feito um verdadeiro Quico. Um detalhe, mas que me trouxe alegria em diversos momentos.

A dublagem, por outro lado, é excelente. Grande parte do carisma de Ezio se deve a seu ator, Roger Craig Smith, que injetou uma simpatia ímpar no personagem. O assassino soa como aquele seu amigo que fala alto, que sempre está alegre, e que te paga um capuccino porque recebeu uma promoção no trabalho e acha que precisa te recompensar por isso.

Verdade seja dita, Ezio é o estereótipo do “italiano legal”. De fato, todo o elenco consiste de personagens que falam com sotaque forte e gesticulam muito enquanto falam. Um processo que faz todos os homens parecerem vlhos divertidos do Bixiga, e que torna todas as mulheres incrivelmente charmosas.

Fabio Lanzoni e Monica Bellucci estão aí para provar que a Itália só produz pessoas de alto quilate.

Ezio: Grazie. Sei troppo belo.

A jogabilidade foi muito refinada em relação ao game anterior, o que torna as aventuras alegres de Ezio muito mais divertidas do que a saga angustiante de Altair.

Progresso na história se dá através de missões. Você encontra algum personagem, bate um papo e então ele lhe diz: “Oh, fulano está em tal parte da cidade e é um problema, vá até ele e mate-o.” Então você vai, arranca os testículos de seu alvo, volta até a pessoa que lhe encomendou o assassinato, e ela então diz: “Bom trabalho. Agora, o melhor amigo do sujeito que você acabou de matar, anda paquerando minha irmã. Já sabe o que fazer, não?”

85% da ação do jogo envolve localizar um alvo e extinguir a chama de sua vida (SOU UM POETA), o que é adequado em um game chamado ASSASSIN’S Creed. O problema é que o design das missões não é consistente. Em algumas precisamos invadir uma fortaleza guardada e evitar os seguranças até chegar em nosso alvo, enquanto em outras, encontramos o oponente em um beco, cercado por um exército pessoal, o que nos obriga a causar uma chacina para alcançar a única pessoa a quem precisamos matar.

O primeiro tipo de missão é emocionante e nos obriga a ser engenhosos. O segundo tipo torna-se cansativo e apenas testa nossa habilidade para sobreviver a um combate grupal. Ou melhor dizendo, nossa habilidade em usar contra-ataques, que é a única maneira eficiente de se enfrentar inimigos armados neste game.

Falando em combate, Ezio possui um arsenal invejável. As espadas, facões e maças acabam se tornando irrelevantes com o passar do tempo (já que o combate depende mais de timing do que de suas armas), mas o equipamento de assassino é fascinante e pode te dar vantagens bastante desleais.

Por exemplo, as bombas de fumaça. Se estiver cercado por guardas, basta arremessar uma no chão. E enquanto eles tossem os ovários pra fora, é só se aproximar e eliminá-los sistematicamente com sua lâmina escondida. Se já tiver a lâmina dupla, pode matar dois de cada vez, o que optimiza sua produtividade no ramo da matança.

E tem também a lâmina envenenada, que faz os inimigos saracotearem antes de morrer, o que pode desviar a atenção dos guardas de sua pessoa. E também é uma forma divertida de assassinar aqueles malditos menestréis que atrapalham sua passagem o tempo todo.

Assassin’s Creed II também tem um mini game de administração, onde Ezio precisa cuidar da Villa de seu tio. É possível reformar prédios como o banco, a mina e o bordel local (AAAAW YEEEEEEAH), para aumentar o valor da região, atrair visitantes e gerar grana. Fazendo tudo certinho, você vai ter mais dinheiro do que possa gastar.

E isso... Quebra um pouco o jogo. Não demora muito até você poder comprar todas as melhores armas, equipamentos e armaduras do jogo, e nenhum inimigo mais representar um perigo. Se equipando de forma adequada, pelotões de soldados podem ser eliminados em segundos.

Claro, isso traz uma sensação de progresso sólida, mas também torna o jogo menos interessante. As etapas finais podem se tornar uma obrigação, como acontece quando você decide terminar um jogo apenas por aquela noção de “mas eu já cheguei até aqui.”

"Vou saltar de um quilômetro de altura e aterrissar de costas
sem causar dano a minha coluna porque HISTÓRIA!!!"

Assassin’s Creed II é um ótimo game e o verdadeiro marco inicial da série. Diferente de seu antecessor, que tornou-se hit por ter um design original (e por ter muita sorte, sejamos francos), a aventura de Ezio merece o reconhecimento que recebe, tanto na época de seu lançamento quanto hoje.

Claro, graças a seu sucesso, Assassin’s Creed tornou-se o FIFA dos games de ação. Com títulos de qualidade variável e questionável sendo lançados todos os anos e que são praticamente intercambiáveis, exceto para os fãs, que se prendem a minúcias para justificar como essa É A MELHOR SÉRIE DE GAMES DE TODOS OS TEMPOS, CAAAAAAAAAAAAAAAAARA.

Bem, considerando o nível do atual mercado de games, é um legado tão bom quanto qualquer outro.

Cheers!!!

15 comentários:

Diogo Lopes Bastos disse...

Excelente texto Amer, cheguei a ver meu irmão jogando o primeiro Assassin's Creed e era extremamente chato fazer as missões e a jogabilidade irritante.
Só tive coragem de pegar um game da franquia quando saiu o Black Flag, porque todos nós gostaríamos de navegar nos setes mares, encher a cara e saquear navios, sem falar que a história do Edward é muito boa.
O Assassin's Creed Rogue tem uma mecânica parecida e ótima história, infelizmente ambos só pecam quando somos forçados a voltar a o presente e a fazer as invasões ao sistema da empresa Abstergo.

Wendel David Przygoda disse...

Ótimo texto, concordo com praticamente tudo. Joguei todos em ordem e atualmente estou no Black Flag...sim sou uma putinha da franquia.

Mas fazendo minha crítica rápida sobre a série:
AC 1: adorei o protagonista e a história do game (pessoalmente ainda é meu protagonista preferido, mas estou de adiantando), mas infelizmente foi feito de modo meio Amadora.
AC2: uma evolução em todos os sentidos, sem mais pois a crítica fala por si só;
AC Brotherhood:, mais uma evolução que consolidou com maestria tudo que o 2 fez. Pra mim o melhor com o Ezio;
AC Revelations: tornou-se o Brotherhood megalomaníaco, o que pra mim tirou a graça. Mas se salvou pois contou através de lembranças jogáveis momentos chave da vida de Altair, mas lembranças que se possam todas antes e depois do AC1. E isso para mim comprovou como o Altair é sua saga foram sim muito bem construídas..finamente.
AC3: nova engine, movimentação muito mais fluida, mas personagem totalmente sem carisma, e história com potencial, mas pessimamente executada.
AC 4: it's on the way, mas estou me divertindo horrores no Caribe, saqueando, navegando, bombardeando enquanto minha tripulação canta músicas de piratas.

É isso. E parabéns pelo site novo e aguardo mais gameplay com Amer

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

legal a resenha Amer, embora prefira o Altair, o jogo de Ezio é legal. até o Relevations tinha aquela vontade de jogar, mas hoje...já desisti.

Adan Ribeiro disse...

Acho esse jogo mais sem graça que assistir a um jogo do estadual sábado à tarde. E isso é tudo o que tenho a dizer sobre esse assunto.

Abraço.

Tuth silva disse...

Amer quem é o carinha q fica aí em cima ?

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Tuth, é o Teddie, um personagem de Persona 4.

Juninho! disse...

"Ezio corre, salta, esfaqueia e capota com muita naturalidade"

ESSE É O AMER QUE AMAMOS! E ELE VOLTOU!

Mikery disse...

Ainda to esperando as reviews de The Warriors e Suikoden

Tuth silva disse...

Valeu leandro

Euclydes disse...

cara, me sinto no dever de dizer: Elmer, vc perdeu alguma coisa que não são os quilinhos extras... ri muito pouco neste texto. precisamos melhorar ao bom tempo das toranjas, quando tudo era HILÁRIO!
Pronto, falei!

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Euclydes é um review de um jogo que o Amer fez, não sei se as piadas combinariam.

José Abrão disse...

Foi o único AC realmente bom. Até do 4 me arrependi.... mas acredita que estou gostando do Unity? Como todos os erros, a Ubisoft meio que ligou um foda-se, o que tornou o jogo legal.

Franci23 disse...

Tenho o trauma de não ter baixado di grátis esse jogo na Live por conta da mudança de lar.

Franci23 disse...

Tenho o trauma de não ter baixado di grátis esse jogo na Live por conta da mudança de lar.

Carlos_Magnum disse...

Brotherhood é a versão melhorada do AC2, muito mais divertido.