segunda-feira, 30 de maio de 2011

Crítica do Amer: L.A. Noire


A Rockstar é possivelmente a produtora e distribuidora de games mais bem sucedida dos últimos dez anos. Desde o lançamento de Grand Theft Auto III em 2001, todos os olhos do mundo voltaram-se para a companhia e seus produtos.

Inicialmente, a Rockstar era conhecida como a produtora dos “games polêmicos.” Grand Theft Auto iniciou esta tradição, que foi levada adiante com Manhunt e Bully, e eventualmente, com o infame Hot Coffee, o mini-game “escondido” em GTA San Andreas.

O tempo passou, a produtora amadureceu e seus novos projetos seguiram um caminho similar. Grand Theft Auto IV trazia muita violência, mas também contava a dramática história de um traumatizado veterano de guerra, que usava de todos os atalhos possíveis para conquistar o “Sonho Americano”, em uma sátira ácida e cruel ao estilo de vida Estadunidense.

Logo em seguida, a produtora presenteou seu público com Red Dead Redemption, que como o próprio nome diz, traz a jornada de um homem para compensar pelos erros de seu passado, na mais perfeita recriação do velho oeste já feita para em um videogame.

L.A Noire é provavelmente o projeto mais ambicioso da produtora até o momento. Não apenas temos a reconstrução precisa de mais uma época passada, como também um sistema de jogo revolucionário e uma trama intrigante em uma das maiores declarações de amor já feitas ao gênero de filmes que o inspirou.

Mas do que se trata L.A Noire afinal? É o que vamos descobrir agora.


L.A Noire se passa em 1947. Acompanhamos a história de Cole Phelps, ex-fuzileiro naval do exército Norte Americano que acaba de regressar da Segunda Guerra Mundial, onde atuou em Okinawa e foi dispensado após receber a Estrela de Prata, terceira medalha mais importante que um soldado pode receber.

Após a guerra, Phelps formou família e estabeleceu-se em Los Angeles, onde se tornou um policial de rua. Seus superiores logo perceberam seu talento para investigar cenas de crimes e em interrogar suspeitos e conseguir confissões, o que o fez rapidamente ser promovido a detetive e o levou a casos de maior importância.

Mas Phelps logo descobriria que a “Cidade dos Anjos” era bem diferente daquilo que esperava. Racismo, abuso de menores, tráfico de drogas e corrupção eram fatos comuns na cidade, além de uma rede de intrigas tão vasta que envolve todos os que de alguma forma estão envolvidos com o ex-soldado.

Mesmo Phelps não é o homem nobre e infalível que acredita ser. Os demônios de seu passado ainda estão muito presentes e mesmo ele não é invulnerável a todas as tentações que existem na cidade.

Existem duas tramas em L.A Noire, a principal é contada do ponto de vista de Phelps, enquanto a secundária é narrada em pequenas cenas exibidas sempre que um jornal é encontrado ao longo da história. A primeira vista, ambas parecem desconexas, mas eventualmente tudo se encaixa e como em um complexo quebra-cabeça, temos o panorama completo de um roteiro inteligente, intrincado e brilhante.

Todos os personagens são extremamente críveis, graças à fantástica atuação do elenco, composto por... bem, praticamente todo mundo que já trabalhou na série Mad Men. Mas falarei mais disso a seguir.

O espírito da época é recriado com perfeição. Existe uma eterna aura de “tempos mais simples” durante o jogo, que contrasta diretamente com tudo que a era tinha a oferecer de pior e cria um ambiente que é ao mesmo tempo confortável e tenso.

Bons e velhos tempos...


L.A Noire fez uso da tecnologia MotionScan, onde são utilizadas 30 câmeras de alta definição para capturarem TODOS os movimentos faciais de um ator, para que então os mesmos sejam reconstruídos digitalmente dentro do jogo.

Como resultado, temos as expressões faciais mais perfeitas já criadas em um game. Nada de soldados imensos com queixos caricaturalmente quadrados, nem japonesinhas ultra peitudas com o rosto estilizado de uma menina de 12 anos de idade. Aqui temos atores e atrizes perfeitamente recriados, com expressões tão reais que não há como não ficarmos estupefatos quando os vemos pela primeira vez.

Infelizmente, o maravilhoso trabalho feito nos rostos dos personagens apenas deixa as demais falhas gráficas mais claras. A animação dos movimentos dos personagens é muito boa, mas em alguns momentos parece um pouco artificial, sem mencionar que em alguns momentos o jogo demora pra carregar os dados e nos vemos dirigindo em ruas sem textura alguma. Não são problemas que quebram o jogo, mas diante do brilhantismo das capturas faciais, era de se esperar que os produtores tomassem um pouco mais de cuidado com os demais aspectos gráficos.

E já que eu falei em dirigir, TODOS os veículos de L.A Noire são carros licenciados que realmente existiram. Se você é um entusiasta de automóveis que curte modelos antigos, rapaz, vai se esbaldar aqui.

O som é parte importante na recriação da era. Por exemplo, lembra nos desenhos velhos do Pica-Pau, quando ele estava dirigindo e o motor de seu carro começava a fazer um “chuga-chuga-chuga”, sinalizando de que algo estava errado? Pois então, os carros aqui fazem “chuga-chuga-chuga” sempre que seus motores estão a um passo de morrer.

Quem diria? O carro do Pica-Pau era realista!

Há uma boa estação de rádio também, que pode ser ouvida sempre que se entra em um carro civil e que trás inúmeros sucessos da época como Sing Sing Sing de Gene Krupa, Before Long de Louis Armstrong e My Heart is Hobo de Bing Crosby. Além das músicas, existem programas de rádio da época, como The Bickersons e The Jack Benny’s Show.

Quanto à dublagem, ela é simplesmente perfeita. Aaron Staton, Gil Mckinney, Erika Heynatz, além de todo o elenco, estão simplesmente fantásticos em seus papéis. Não tenho como ser mais claro do que isso.


Antes de prosseguir, é bom deixar claro que L.A Noire não possui a jogabilidade tão aberta quanto Grand Theft Auto ou Red Dead Redemption. Este ainda é um titulo no estilo Sandbox e você pode passar boa parte do tempo simplesmente rondando pela cidade e encontrando coisas aleatórias pra fazer, mas como o foco da aventura está nas investigações, há menos conteúdo para preencher seu tempo vago do que nos games passados da Rockstar.

80% do tempo de jogo é usado nas investigações, que consistem da avaliação dos locais dos crimes, bem como interrogação de suspeitos.

Na cena de um crime, é possível analisar provas marcadas pela perícia, bem como demais objetos encontrados (nem todos úteis a investigação).

Assim que se apanha um objeto, é possível analisá-lo de forma mais detalhada. Se encontrar uma carteira, o jogador pode abri-la e checar a identidade de seu dono e o seu conteúdo, em busca de mais informações. Se um corpo estiver presente, é possível investigá-lo em busca de marcas de violência, ou documentos que se mostrem relevantes ao caso. Assim que todas as pistas e dados forem recolhidos, é hora de interrogar um suspeito.

No interrogatório, é preciso fazer perguntas referentes ao caso para o suspeito e após ouvir o que ele tem a dizer, decidir qual a melhor maneira de prosseguir com a investigação. É possível decidir se ele está falando a verdade, pressioná-lo em busca de mais informação ou acusá-lo de mentir.

É aí que entra a tecnologia do MotionScan, pois é necessário prestar atenção as expressões dos interrogados para perceber se estão sendo sinceros ou não. Um olhar direto e definitivo muitas vezes significa que dizem a verdade, um leve sorriso de escárnio pode revelar que estão tentando te enrolar e um olhar disperso pode demonstrar que o suspeito não tem certeza a respeito de sua declaração.

L.A Noire força o jogador a pensar, bem como a usar seu instinto. As expressões às vezes podem nos enganar (especialmente próximo ao fim do jogo) e se acusar alguém de mentir, é bom ter uma prova que demonstre isso. Se pressionar alguém da forma errada, é uma pista a menos que terá para auxiliá-lo em sua investigação e será mais difícil prosseguir com ela.

Existem os Intuition Points, que podem ser utilizados para eliminar uma das opções durante o interrogatório. Estes pontos são ganhos ao longo do jogo, mas são limitados, então é preciso usá-los sabiamente.

Sempre que concluir uma investigação, o jogo lhe dará um rank, que vai de uma a cinco estrelas. Encontre todas as pistas e consigas as respostas certas durante um interrogatório e terá uma boa pontuação. Dirigir com cuidado, não causar danos a cidade, nem atropelar pedestres ajuda muito nesta empreitada.

Pois é, agora você é um agente da lei. Espalhar o caos, jogar seu carro em pedestres e ser um cretino lazarento é penalizado aqui.

Fora das investigações, é possível deter diversos crimes comuns marcados no mapa. Coisas como deter bandidos que acabaram de roubar uma loja, escalar um prédio para impedir um suicida de se jogar, ou trocar tiros com gangues de rua. Você também pode dedicar seu tempo a reunir colecionáveis, como rolos de filmes e encontrar todas as localizações famosas de Los Angeles.

Sempre que completar um capítulo, todas as suas investigações e crimes de rua ficarão abertos no menu inicial e poderão ser acessados a qualquer momento. É sempre interessante revisitar um caso após fechá-lo, pois muitas vezes, há mais de uma maneira de se chegar ao final do mesmo.


L.A Noire é um dos games mais fantásticos já criados. É inteligente, intenso e prova de uma vez por todas o quanto videogames evoluíram como um veículo midiático nos últimos anos.

Além disso, o título nos prova outra coisa: a Rockstar lança praticamente um jogo por ano apenas, mas é sempre um produto tão bem realizado, que sempre ficamos ansiosos pela próxima pérola que a empresa lançará.

A Rockstar parece guiar-se pela regra: “qualidade ao invés de quantidade.” Verdade seja dita, uma lição que várias outras produtoras poderiam aprender.



Cheers!!!

9 comentários:

Kelvin Matheus disse...

A Activision e a Ubisoft também podiam aprender isso.

Jack, The Ripper disse...

Ansioso pelo jogo. Adoro filmes noir e carros antigos, então tenho certeza que vou gostar disso aí.

Franci23 disse...

Quem joga um jogo da Rockstar se vê obrigado a jogar outro e outro e outro, só para poder dizer "puta que o pariu, conseguiram se superar!"

Evil Monkey disse...

O jogo é quase perfeito, se ele fosse um pouco mais bem realizado em relação ao sandbox poderia ter chegado a perfeição.

Mas de verdade, eu acho que finalmente os games estão se mostrando como uma verdadeira forma de arte, mass effect, the witcher 2, heavy rain, todos esses jogos estão mostrando o quanto essa mídia evoluiu.

Logo logo nós vamos ver do que os games são realmente capazes!

E eu só tive uma ligeira queda nos frames por segundo na versão de ps3...

...Wait... Uma versão de ps3 é melhor do que no 360!?

EU NÃO ACHEI QUE EU VIVERIA PARA VER ESSE DIA!

Ah Amer você esqueceu de mencionar que você pode ligar um filtro que deixa o jogo em preto-e-branco.

Igor Chacon disse...

O meu já está a caminho ^^ jogarei e direi se concordo =}

Lula disse...

Sabe com quem a Rockstar aprendeu a ser assim: ID, Blizzard, Valve, entre outras. A Blizzard é o exemplo claro de uma empresa que prima pela qualidade (em todos os sentidos) do que pela quantidade.

São empresas que pensam nos consumidor, nos "players". Pensam em criar verdadeira obras primas para conquistar o público, e marcar a história deste ramo.

Amer, logo que você puder, faça um review do MK9... bah! que jogão! O melhor MK de todos na minha opinião. Antes era o MK2.

Abraços

Amer H. disse...

Eu já fiz review do novo Mortal Kombat. Procura nos arquivos do blog que você acha.

Paulo_HT disse...

entao.. finalmente comprou um ps3.

entao quer dizer que ja pode jogar Metal Gear Solid 4 e fazer o tao esperado artigo sobre Metal Gear no mes que vem nao é? :D

Gabriel // zGABRIELz disse...

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