terça-feira, 1 de março de 2011

Crítica do Amer: Bully


Bully é sem dúvida um dos games mais polemizados de todos os tempos. Arrisco dizer que ele gerou mais polêmica até do que Grand Theft Auto.


Mesmo antes de ser lançado, Jack Thompson, então inexorável inimigo dos games, tentou bani-lo sem muito sucesso. Pouco antes de seu lançamento oficial, ele exigiu que um juiz visse o conteúdo “abominável” do game, para perceber o veneno horrendo que seria lançado sobre a nação. O juiz assistiu o jogo rodando por algumas horas, não viu nada de questionável nele, liberou seu lançamento e mandou Jack ir beijar a bunda de um octogenário.

Aqui no Brasil Bully gerou polêmica e foi proibido. De fato, se eu desaparecer de repente, é porque algum oficial de justiça desocupado achou justo pedir minha prisão por causa de uma crítica de videogame, afinal, não existem problemas maiores em nosso país.

Mas Bully merece toda esta fama? Ele possui de fato um conteúdo tão questionável? Pois é o que vamos descobrir!


Acompanhamos a vida e as atribulações de Jimmy Hopkins, um garoto normal de 15 anos, ou seja, feio, nanico, sardento e com um sério problema de atitude.


A mãe de Jimmy se casou pela enésima vez e planeja passar o próximo ano em um cruzeiro de lua de mel. Contudo, a presença de um adolescente que não controla sua raiva pode perturbar sua diversão, é quando a mulher tem a excelente idéia de colocar o guri em um internato pelo próximo ano.

E assim começa a vida acadêmica de Jimmy Hopkins na Academia Bullworth, um lugar cheio de professores hipócritas, com um diretor que fecha os olhos para os problemas óbvios do lugar, onde os alunos se separam em grupos que mais parecem gangues e o Bullying impera.

Nunca disposto a ficar parado, Jimmy toma os problemas da escola em suas mãos e decide se tornar o rei do pedaço, para unificar todas as gangues de alunos e colocar um fim ao Bullying. Claro,a presença do sociopata adolescente Gary Smith pode dificultar muito as coisas...

Bully é provavelmente o título mais leve já produzido pela Rockstar, ele se foca na comédia e nem de longe lembra o clima sombrio de Grand Theft Auto IV ou o drama de Red Dead Redemption.

Diabos, Bully também não chega nem perto da violência grotesca de Manhunt.

Tudo é exagerado, os quatro grupos de estudantes com quem Jimmy tem de lidar mais parecem aquelas gangues com visual e atitude exageradas, tão típicas das comédias das décadas de 70 e 80. Os nerds são obesos ou magrelos e falam quase que apenas como se estivessem em uma perpétua partida de Dungeons N’ Dragons, os Preppies são idiotas e se comportam como os típicos “garotos ricos malvados” do colégio, os Greasers agem como uma gangue de rebeldes dos anos 50, com cabelos cheios de brilhantina e jaquetas de couro e os Jocks são os atletas queridinhos da escola, grandes feito rinocerontes e tão espertos quanto.

Mesmo as missões em que Jimmy se envolve são completamente fora da realidade, com objetivos como invadir uma usina para confrontar um ex-aluno (em uma batalha dramática no interior da mesma) ou penetrar na fortaleza dos nerds, com mecanismos de defesa que fariam inveja ao Doutor Destino.

Claro, Jimmy pode arranjar brigas, jogar bombinhas no vaso sanitário, arremessar balões de água nos outros garotos, mas nada incomum a garotos de sua idade que passam a maior parte do tempo sem supervisão de adultos. E qualquer atitude extremamente negativa (como bater em garotas ou crianças pequenas) é castigada imediata e severamente.

A história coloca Jimmy no caminho da honra e é só desta forma que se pode chegar ao final do game. Acho que todos aqueles que ficaram contra Bully poderiam ter passado um pouquinho mais de tempo conhecendo-o, acredito que ficariam surpresos.


A apresentação do game segue bem o estilo Rockstar. Fãs de títulos da empresa sabem a que me refiro, mas para todos os demais, me explicarei.


Em primeiro lugar, é preciso saber que o jogo tem um território enorme, todo o terreno da escola, mais uma cidade dividida em zonas residenciais, comerciais e industriais, muito bem definidas. Como a prioridade dos criadores era criar um mundo vasto e aberto para ser explorado, eles tiveram de simplificar os visuais para que Bully não se tornasse um oceano de telas de Loading.

Não entenda errado, o visual é simples, não feio. As texturas dos personagens são muito bem feitas, só não possuem o nível de detalhamento absurdo de certos games da mesma geração. Bully pode ser facilmente considerado o game mais bonito que a Rockstar lançou para o Playstation 2.

E a simplicidade visual funciona a favor da fluidez do jogo. Telas de Loading surgem apenas quando Jimmy vai para algum ambiente interno e mesmo nestes momentos, tudo ocorre de forma muito suave, quase imperceptível. Considerando o tamanho do território aqui apresentado, os programadores mais uma vez fizeram mágica com as ferramentas que tinham em mãos.

Mais impressionante é ver que os criadores de Bully se deram ao trabalho de dar uma aparência e identidade diferentes para cada aluno. Preste atenção em Beatrice e Lola e vai perceber inúmeros contrastes na linguagem corporal das duas meninas.

O audio é muito bem executado, como não poderia deixar de ser. Gerry Rosenthal está perfeito como Jimmy, assim como Peter Vack interpreta Gary com maestria, todos os demais membros do elenco estão ótimos em seus papéis e dão a personalidade necessária aos outros personagens.

A trilha sonora é extremamente discreta, mas funciona com perfeição. Na maior parte do tempo, uma música acompanha as ações de Jimmy e muda de acordo com a situação, seja porque o garoto montou em uma bicicleta, se enfiou em uma briga ou simplesmente está caindo de sono.

Fique de ouvido atento à música do game e perceba suas nuances, tenho certeza que irá se impressionar.


Ok, hora de falar da jogabilidade. Preste atenção, pois há muito o que se saber aqui.


Bully é um game estilo Sandbox, ou seja, possui jogabilidade aberta. Em outras palavras, você pode fazer praticamente tudo que te der na telha. Quer sair pela escola arranjando briga? Sem problema! Ficou com vontade de dar um role de bicicleta? Fique a vontade! Tá a fim de fugir do toque de recolher e ver até quando consegue ficar acordado? Manda ver!

O progresso na história se dá por missões, todas marcadas no mapa e que aparecem no cenário como óbvios sinais amarelos no chão, basta pisar neles e ativá-los para ver uma cena em que os personagens envolvidos lhe explicam os pormenores da mesma e então cumprir a tarefa que lhe é dada. As missões começam simples e se tornam mais complexas e difíceis conforme se avança na aventura. Elas também englobam todo tipo de trabalho, desde bancar o guarda costas, ter o encontro perfeito com uma garota em um parque de diversões, ou fotografar um professor corrupto vendendo resultados de sua prova para os alunos.

Também é possível assistir aulas... ora essa, você está numa escola.

O currículo inclui Química, Inglês, Oficina, Artes, Educação Física e Fotografia. Você pode matar aula se quiser, mas se um monitor da escola o pegar, você será enviado diretamente à sala de aula. É mais recomendável completar cada curso, pois cada vez que terminar um nível de um deles, receberá alguma bonificação que tornará sua vida mais fácil.

Por exemplo, a cada aula de Oficina que completar, Jimmy ganha uma nova e melhor bicicleta, enquanto as aulas de Artes lhe permitem dar beijos mais longos e mais... “potentes” nas meninas, o que revitaliza sua energia acima de 100%.

Jimmy também se envolve em muitas brigas e é mais do que preparado para se virar nelas.

Bully conta com um bom sistema de luta, onde é possível usar diversos tipos de combos e agarrões para se dar bem. Jogadores inseguros com suas habilidades de combate corpo a corpo podem fazer uso de seu estilingue (ou bodoque, dependendo da região do Brasil que morar), bombas fedidas, canhões de batata ou diversas outras tralhas para derrotar seus inimigos.

Yep, você leu direito: canhão de batata. Como ainda tem gente que acha que Bully é um corruptor de menores, não faço a menor idéia.

Enfim, novos golpes podem ser desbloqueados sempre que Jimmy participar das aulas de Educação Física que envolvem luta livre, ou levando-se peças de rádio para o veterano de guerra que mora atrás do terreno da escola.

Fora tudo isso, Bully tem um gazilhão de coisas que podem ser feitas para ocupar seu tempo, desde participar de corridas (de bicicleta e de kart) pela cidade, praticar boxe no ginásio, cortar grama ou entregar jornais pra descolar uma graninha ou coletar todos os itens espalhados pelo mapa, que vão de elásticos a cards de personagens de RPG.

Seria bom se todas essas coisas contassem pontos como atividades extra curriculares na vida real.


Bully foi uma vítima infeliz em uma guerra contra um inimigo inexistente.


Jornalistas mal informados o trataram como um câncer preparado para devorar “nossas crianças” e pessoas impressionáveis levaram a campanha de desinformação a sério, simplesmente porque o nome do game é a nova palavra da moda que as muitos adoram usar fora de contexto para justificar suas inadequações.

Mas não foi só a grande mídia e pessoas sem noção que prejudicaram Bully, essa história toda só mostra que nós, como Gamers, temos muito que amadurecer se quisermos que nossas opiniões sejam levadas a sério.

Enquanto a comunidade jogadora for representada quase que em sua totalidade por Trolls semi alfabetizados que acham que gritar palavras racistas é uma forma de expressão válida, muitos outros games serão julgados erroneamente.

Pensem nisso um pouco, ok?

Cheers!!!

22 comentários:

Scariel disse...

Eu adorei Bully!É um jogo muito divertido!
Foi o primeiro jogo no stilo GTA que eu fui até o final.

Kyo disse...

[2] no comentário do Scariel, hehe.

Bully foi uma das mais gratas surpresas, fui pegando alguns jogos antes de comprar meu console em 2008. Bully marcou uma época pq foi um daqueles jogos que me prendeu na cadeira durante horas. Lembro que uma vez, joguei de meia noite e meia a 5 e 20 da manhã (trabalhava as 3 e 30 da tarde) e deu um alívio ao terminar a luta final contra Gary.

Blog do Sybão! disse...

Ainda o Jogarei!

E sobre Jack Thompsom, é bom que a galera dos comentários leiam sobre a vida do mesmo. Irão ver o quanto ele ja fez para derrubar seus alvos.

Nota justa! Bom Artigo.

Avalanche(Lance) disse...

Jogo ótimo tenta pela história tanto pela diversão de apenas andar por ai.

Mas a maioria das reclamações do jogo era pq por um erro algumas vezes um personagem masculino ficava num "modelo feminino" e assim dava prp Jimmy beijar outros meninos...

Franci23 disse...

Concerteza Bully foi muito injustiçado, talvez pela escolha do nome do mesmo que de certa forma é meio controverso. Porém o jogo não tem nada demais, nada de criança matando e coisas afins, pelo contrario, o moleque do jogo é um moleque como qualquer um que existe na vida real... Ótimo jogo, um dos meus prediletos no estilo sandbox.

pvm123456 disse...

Aí Amer, boa review como sempre. Mas só queria adicionar um detalhe: Na verdade, o jogo mais leve que a Rockstar já lançou é TABLE TENIS. Yeah.
E nossa, não sabia que dava pra andar de kart em Bully.

Ultimecia disse...

Eu sou da época que Wolf3D era a maior polêmica e vi Mortal Kombat 4 ser proibido aqui no Brasil. Sempre tem a caça as bruxas encabeçadas por gente mal-informada. Já estou até acostumada.
Nunca fui lá muito fã de GTA, mas acho q vou experimentar Bully. Parece ser engraçado e menos hipócrita q GTA (ainda mais que quem me recomendou é daqueles que adora jogos fedendo a testosterona q em geral não me atraem tanto)

Ei, se importa de afiliar meu blog de reviews? Comecei a juntar uns reviews perdidos q eu tinha há um tempinho. Claro q vou linkar o seu de volta.

Jack, The Ripper disse...

Mas bah, amo esse jogo, daria até nota 10.

HappyGleek93 disse...

Amo Bully. É um dos jogos mais legais que joguei no PS2.
E admiro muito os culhões da Rockstar ao dar a possibilidade ao jogador de beijar garotos da escola. Dá até pra beijar um cara da cidade. Nunca me saiu da cabeça o que o Trent fala (o bully loiro): I'm hot, you're hot. Let's make out. XD
E Lance, não era erro nenhum, aquilo era muito elaborado pra ser um bug. Os garotos tinham até falas depois do beijo. Um jock gay enrustido até fala pro Jimmy "This never happened, OK?".
Sério, é muito dificil achar um game com beijo gay. De cabeça, só lembro desse e de GTA: San Andreas, que é da mesma produtora modafoca de Bully. É, no modo multiplayer de San Andreas dá pra fazer um homem beijar o outro.
Enfim, ótimo review, como sempre, Amer!
Beijos e abraços.

HappyGleek93 disse...

Lembrei de outra fala pós-beijo gay. q
O garoto é um greaser e depois de ser beijado por Jimmy ele diz "Eu acho que você bagunçou o meu cabelo, mas eu nem me importo."
Um pouco demais para um erro de programação...

HappyGleek93 disse...

Sim, eu adorei isso no jogo. Como gamer gay que além de ser excluido na adolescencia por ser um nerd tambem espantava outros que compartilham da paixão pelos games somente pela minha orientação sexual, fiquei feliz de ver que a Rockstar lembrou que não são só heteros que jogam games.

Nisnast disse...

Eu ja joguei esse jogo a exaustão,o sistema de combate é excelente,as musicas são bem legais,os graficos são bonitos,e a história é bem legal,é um dos jogos mais divertidos que ja joguei.

Insano disse...

eu gosto muito de BULLY,visite o meu blog:
www.bullybrasil.blogspot.com

eu achei um tremenda palhaçada a proibição de bully no brasil, eu ja zerei bully varias veze e nem por isso sai distribuindo socos pela rua...

The Sandman disse...

Esse jogo é épico. Sempre que vejo algo relacionado a ele eu me lembro do meu colega, que me emprestou o jogo (que eu zerei em duas semanas), pra depois ficar meses pra zerar e ter que me perguntar como passava "daquela fase lá..."

Realmente uma idiotice simplesmente banir o game como fizeram com EverQuest...

Paulinho disse...

Amo muito bully, estou zerando pela 21ª vez... claro que nada seguido, jogo desde 2006, no ps2, nele zerei umas 16 vezes.. e no wii desde 2008, o Bully Scholarship Edition, com uma vida com mais compromissos, zerei umas 4 vezes e estou zerando denovo.. o legal do Bully é que não é um jogo tão demorado, 3~4 dias jogando namoral você zera :)

Ministério disse...

Caiu na folia sem camisinha? O cantor Reginho te dá um conselho: http://bit.ly/foKnZH #fiquesabendo

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Obrigado,
Ministério da Saúde

Nanda disse...

Eu devo dizer que fui uma das preconceituosas com o titulo!
Quando meu irmão comprou o jogo, nem queria saber! Ainda mais por ser do estilo GTA, que eu particularmente acho muito chato...
Mas comecei a ver ele jogando, achei muito legalzinho, fiz um save pra mim e terminei antes do meu irmão! ahhahahahaa!

É um excelente jogo mesmo!
Beijo, halley!!
(tempão que eu não aparecia aqui, hein?)

Negrinho disse...

Amer seu "motha fucking gay orc from mordor"

li sua resenha e fui correndo comprar o game (ainda não o possuia no meu modesto acervo de 105 games de ps2)

realmente é bom pra cacete!!!

adoraria lhe pagar um cerveja quilmes em algum bar em algum moda fucking day

Reporter mineiro scraxado disse...

De fato um dos 10 games mais divertidos que já joguei!

Reporter mineiro scraxado disse...

De fato um dos 10 melhores jogos que já joguei!

Augusto Almeida disse...

um dos melhores jogos, sem sombra de dúvidas. Bully me fez sentir adrenalina, coisa que so se repetiu com Shadow of the Colossus e Hulk Ultimate Destruction ,aquela época.

Cristian disse...

Certamente é uma situação muito difícil, mas este jogo de vídeo é muito bom. Eu acho que é mais do que estudar English'm interessado em ver como o caso já passou um ano desde etsoy ir às aulas de inglêspara melhorar minhas concocimientos inglês.