quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Crítica do Amer: Advanced V.G 2


Há vantagens em se ter um console para o qual são lançados bilhões de jogos.

Por exemplo, você tem a certeza de que investiu bem seu dinheiro ao comprar o aparelho e que por um bom tempo terá centenas de títulos para escolher, dentre o mais completo horror em forma de jogo até as pérolas que parecem ter sido enviadas por Deus em pessoa.

Mas existem desvantagens também. A mais grave é que em meio a enxurrada de títulos você vai acabar dando preferência a alguns e pode acabar ignorando games realmente bons no processo.

O jogo sobre o qual falarei hoje é um deles.

Advanced V.G 2 faz parte de uma série de jogos de luta erótica meio obscura que começou no PC. Em sua encarnação original, sempre que uma personagem perdesse, seria humilhada como forma de coroar a derrota. As humilhações variavam desde coisas "leves" como ser despida em público até ser forçada a se masturbar diante de milhares de pessoas.

Coisa típica de hentai.

Diferente de tantas outras séries do gênero que nascem e morrem sem sair do lugar, Advanced V.G evoluiu conforme o tempo passou. Novas lutadoras eram acrescentadas, a jogabilidade era melhorada e a história era aperfeiçoada.

Eventualmente a série migrou para o Super Nintendo, onde perdeu as cenas eróticas e alcançou popularidade bem maior, a ponto de gerar um anime. Foi então que o jogo migrou para o Saturn e o PsOne.

E é sobre a melhor versão da série que irei debater hoje.

Aliás, este game também não tem nudez, ele pertence a leva onde só jogos de família foram lançados.

Se quiser terminar de chorar antes de continuar lendo, tudo bem, não tem pressa.


A história de Advanced V.G 2 é burlesca, para se dizer o mínimo.


Todos os anos é realizado um grande torneio no Japão (como um amigo meu bem disse, no Japão qualquer coisa se resolve com um torneio) patrocinado por restaurantes pertencentes a diversas famílias. Em troca do patrocínio, estes restaurantes podem divulgar seu trabalho enviando uma de suas garçonetes para lutar em seu nome.

Sim, é um game de luta cujo elenco é composto por garçonetes e sim, todas são mestras em artes marciais.

O Japão é mesmo um lugar muito interessante.

A vencedora recebe 10 Bilhões de Ienes (o que é dinheiro pra cacete, mesmo eu não sabendo converter Iene pra Real) e uma casa em seu nome, construída em qualquer lugar do mundo que possa desejar.
A perdedora não mais é humilhada horrivelmente, mas ainda tem as roupas razoavelmente rasgadas ao fim da luta, o suficiente para atiçar um menino de 11 anos que ainda não comprou sua primeira Playboy.

Enfim, em cada versão da série as garçonetes descobrem um grande mal ao fim do torneio, na figura de um chefe tremendamente poderoso. Batalha acontece, bem vence o mal, afasta o temporal, azul amarelo, tudo é mais belo.

A série sempre se focou em Yuka, que é de certa forma o “Ryu” do jogo. Desta vez, o enredo se foca em Tamao, que é a “Sakura” de Yuka, quer se tornar uma lutadora tão capaz quanto ela e que no fim, descobre uma conspiração e precisa lutar contra um chefe poderoso para salvar o mundo.

O enredo não é nenhuma obra de arte e as personagens são inacreditavelmente estereotipadas. Yuka é uma garçonete meio genérica que preenche o papel de protagonista da série, Manami é a menininha cheia de maneirismos de gato e que fala miando, Jun é a machona toda bombada e que usa golpes de luta livre, Chiho é a garçonete ninja, Reimi é a vilã do game anterior que se reformou e que é pelo menos dez centímetros mais alta que o resto do elenco (como quase todo vilão de anime) enfim, personagens que você já cansou de ver nos desenhos vindos da Terra do Sol Nascente.

Por pior que pareça, o enredo brega e cheio de clichês de Advanced V.G 2 funciona muito bem, como um saudoso anime mal escrito da década de 1990, claro.

Aliás, como em todo anime que envolva garotas, quase todas as personagens aqui são impossivelmente curvilíneas e tem peitos IMENSOS!!!

Ahhhh Japão, você não muda mesmo.


Antes de falar do visual, quero lembrar sobre as fraquezas do PsOne. Embora o console fosse bastante eficiente na produção de jogos poligonais, ele deixava um bocado a desejar com os games 2D, devido a sua limitada memória RAM.


Por causa disso, jogos como Street Fighter Alpha 3 e King of Fighters 98 tiveram inúmeros frames de animação removidos e embora isso não prejudicasse a jogabilidade, para quem se acostumou com a movimentação fluida das versões originais era um bocado triste ver aquelas animações incompletas.

Tendo isso em mente, Advanced V.G 2 é tremendamente competente. Uma vez que foi produzido especificamente para usar o poder de fogo limitado do PsOne, as personagens são bem desenhadas e possuem boa animação.

Os cenários são igualmente bem feitos e refletem muito a personalidade de cada uma das lutadoras. Claro que os locais onde acontecem as lutas são meio ridículos, como um restaurante com um ringue de luta livre em seu centro, mas dentro do contexto do jogo tudo isso funciona.

O som é outra história. As músicas em geral não são especialmente bem compostas ou bem executadas e embora não cheguem a atrapalhar, estão muito longe de serem consideradas marcantes.

As vozes também não são muito boas. Com exceção dos vídeos de anime presentes no jogo, a maioria das falas das lutadoras são um pouco abafadas, algo compreensível se o game fosse em cartucho, mas inexplicável em um CD.

Mas considerando que a produtora TGL não tem os rios de dinheiro da Square Enix ou Konami, a apresentação é bastante decente.


A jogabilidade é onde o game brilha, pois ela é impressionantemente refinada para um título tão sem grana.


Cada lutadora possui seu estilo descaradamente copiado dos grandes jogos do gênero 2D. Yuka é Ryu, Tamao é a Sakura, Jun é uma mescla de Zangief com Raiden (o de Fatal Fury), Kaori é uma mistura de Kim Kaphwan com a King e por aí vai.

Dito isso, você pode imaginar como os golpes do game são aplicados.

Os mesmos comandos que cansamos de usar em Street Fighter, Fatal Fury, King of Fighters e Darkstalkers funcionam aqui. Saber o que usar com qual lutadora é uma mera questão de observar e ver qual personagem famoso a garçonete em questão lembra.

A movimentação fluida das personagens permite também a criação de inúmeros combos, desde o básico “voadora e rasteira forte” até os combos mais complexos de levantar o inimigo no ar e mantê-lo lá com sequências cronometradas de ataques precisos.

As lutadoras possuem também medidores de ataques especiais, que podem acumular até três barras. A personagem pode então disparar três golpes especiais de baixo dano (mas que ainda são bem mais fortes que os golpes normais) ou um golpe especial tremendamente forte que drena todas as barras, mas causa um estrago considerável na rival.

As personagens em geral são bem distintas uma da outra e aqueles que quiserem dominar todas (no sentido de dominar as técnicas, seu tarado) terá um game com fator replay bem alto em mãos.

Claro, nem preciso dizer que este game é ideal pra jogar com os camaradas que adoram luta 2D, mas estão meio cansados das opções oferecidas pela Capcom ou SNK.


Após pesar tudo, Advanced V.G 2 é um game de luta muito bom.


Não se equipara aos titãs do gênero, mas é preciso lembrar de suas origens humildes como um jogo que tentava conquistar as pessoas mostrando peitões desnudos e calcinhas sendo arrancadasdas em imagens de alta resolução.

Considerando que a série Advanced V.G iniciou sua trajetória sendo destinada a adolescentes espinhentos e safados, e evoluiu até gerar um game de luta extremamente consistente, é impossível não aplaudi-la.

Assim sendo, Advanced V.G 2, eu o saúdo!

Agora vou programar uma viagem para o Japão, pois quero ir em um restaurante onde uma ninja peituda me sirva. Vai que dou sorte e encontro uma garçonete que se achava melhor representada pela série quando ela ainda era hentai?

Cheers!!!

16 comentários:

Rodrigo disse...

First! \o\ agora vou ler, depois volto e comento sobre oke li xD

Rodrigo disse...

Boa Amer! Otimo Post como sempre! Fui buscar o game na net e acabei achando a versão hentai dele (Que pena não!?), Estou baixando nesse momento, é claro! xD

evil monkey disse...

japão japão...as vezes te amamos, as vezes te odiamos...

as vezes é uma merda, as vezes é um colírio para os olhos...

as vezes é nobre, as vezes é uma taradice sem vergonha...

ok, ok, raramente é nobre, na maior parte das vezes é uma taradice sem vergonha...

e ainda assim não conseguimos nos separar dele....

é, deve ser o fan service...

melhor parar antes que fique muito filosófico...

Scariel disse...

PSOne tem muito jogos mesmo.Eu ja joguei muios games obscuros,mas esse ai nunca tinha visto.
Parece legal.Uma série mais apelativa que Rumble Roses...
Ótimo review!

Avalanche(Lance) disse...

"As humilhações variavam desde coisas "leves" como ser despida em público até ser forçada a se masturbar diante de milhares de pessoas."

meu dues é o melhor jogo já cria..

"Aliás, este game também não tem nudez, ele pertence a leva onde só jogos de família foram lançados."

Ahhhh....:(


Mas piadas a parte...cacete Amer que cincronia...postamos juntos e eu coloquei a imagem do Mês duas mulheres se porrando sem motivo algum.

Amer H. disse...

Grandes mentes pensam igual.

Sasoriman disse...

"Grandes mentes pensam igual."

Eu ia fazer um comentário sobre o review mas... Essa frase foi tão foda que senti que devia perguntar, quem a "inventou"?

Thyago disse...

caralho, vao ficar com essa merda de "first" aqui?
essa porra nao eh orkut caralho.

enfim, interessante o artigo, vindo de vc, eu esperava ver o review da fase hentai. XD

pena q provavelmente nao pegarei isto tao cedo, jah q meu ps1 a muito tempo atras foi vendido para eu comprar meu ps2

Bia Chun-li disse...

Nossa, eu jogava isso direto!!! Aliás eu tenho o game! Tanto pra Saturn (o primeiro) quanto esse de PS.
Bons tempos aqueles... Deu para matar as saudades esse review.

Amer H. disse...

Não seja ranzinza Thyago. Deixa o pessoal brincar de "First" aqui.

É melhor que ficarem na rua fumando maconha e fazendo coisas caóticas.

E uau, uma menina que teve Sega Saturn? Agora eu já vi de tudo.

Bia Chun-li disse...

Não apenas um Saturn, como um Master System. Sem falar nos emuladores... Se hoje o meu irmão mais novo curte games, inclusive os de luta, é por minha causa! xD

Amer H. disse...

Estou oficialmente impressionado.

O mundo precisa de mais mulheres assim.

Bia Chun-li disse...

No problem!!! Fico feliz que tenha gostado do meui blog!!!!^^

E quanto ao seu artigo de cosplay, ele é ótimo. Serviu até para uma amiga minha evangélica que faz cosplay, mostrar para a pastora dela que não tinha nada demais esse hobby. ^^

Rodrigo disse...

LOL, Se eu não estivesse namorando pedia você em casamento menina! xD

Cosplayers rocks! xD

E Sim, escuter o Amer, deixa a gente brincar de First, é melhor do que fumar maconha ou fazer coisas caoticas, ou mesmo doq ue espalhar boatos de mau gosto como um que eu ouvi esses dias dizendoq ue a serie do filmes do Crepusculo é boa... Vai entender... O Mundo e seus adoradores de vampiros brilhantes...

Cpt.Guapo disse...

"Bem vence o mal, afasta o temporal, azul amarelo, tudo é mais belo."

Huahuahuahuahua...carácula! Musiquinha do Gorpo e da Drielle...Do baú...Ah, e seria "Tudo é muito belo"...Huahuahuahua...

Tem um pacotão de todos os jogos da série no Bitgamer. Quem tiver conta lá...

Alexandre disse...

Eu sou um grande fã dessa série. Não sabe como eu fiquei feliz em ver um review tão bem feito desse jogo. Geralmente o pessoal esculhamba essa série dizendo que não passa de desculpa para hentai, mas a verdade é que Variable Geo vai bem além disso com sua história e seus personagens. Eu já joguei todos os games e até assisti ao anime da série.

Só vou discordar com relação às músicas, que eu acho muito boas. O tema da batalha final contra Material e Miranda no Story Mode é uma das melhores que eu já ouvi em um game de luta.

Enfim, excelente review.