sábado, 16 de julho de 2016

Crítica do Amer: Em Busca dos Anéis Perdidos


Todos começamos em algum lugar, e não importa o quanto desejemos, não há como mudar nossas origens. Elas são parte de nós, e ajudaram a moldar aqueles que somos hoje.

Tomem a mim como exemplo (porque eu sou uma bicha narcisista que adora falar de si mesma). Hoje devoto muito da minha existência a Uncharted, God of War, Halo e outras franquias que já encheram o saco, mas que continuamos fingindo que gostamos, porque verdade seja dita... Que alternativa temos? A indústria de games vai continuar atochando sequências insossas no nosso rabo, porque o gamer médio é um babaca cheio de hype que compra qualquer bosta que joguem em seu colo. E a todos os demais, só resta navegar em um oceano de mediocridade, enquanto esperamos uma nova propriedade intelectual que mude o mercado... Mas que logo vai fazer escola e gerar um sem número de imitações, que estagnarão ainda mais a indústria... Tudo por causa de um bando de quarentões miseráveis, que são tão desesperados para prolongar a própria infância por mais alguns anos, que jamais desenvolveram um senso crítico! E com isso continuam a encher os bolsos de figurões das produtoras e distribuidoras, que não poderiam ligar menos pra qualidade dos games, e que se preocupam apenas em entupir o mercado de DLC’s e microtransações, porque eles sabem que tem desgraçados que gastam fortunas com isso, então não há razão pra mudar.

...

Mas estou divagando.

Por mais que eu goste de desperdiçar tempo precioso de sexo jogando games modernos, vez ou outra me pego lembrando com saudade do Odyssey, o primeiro videogame que ganhei.

... Na verdade, que meu irmão ganhou... E que eu quebrei no dia em que ele ganhou porque fiquei com ciúmes.

E que depois eu herdei, porque meu irmão perdeu o interesse em games.

Enfim, o Odyssey (que na verdade era o Odyssey 2) foi lançado em 1981, e era a resposta da Magnavox e da Phillips ao Atari. O aparelho nunca alcançou a mesma popularidade do rival, mas tinha títulos épicos também, como The Quest for the Rings, lançado aqui como Em Busca dos Anéis Perdidos.

Sim, traduziam nomes de games no passado distante! Conseguem imaginar como o mercado nacional seria se nunca tivesse abandonado este hábito pederástico?

Ruas da Raiva! Garotto Alex no Mundo do Milagre! A Sombra do Bem-Dotado! Brigador de Poço! Rapeladora de Tumbas! Capeta Lacrimejante! Alcançadores Queimando! Fúria Fatal... Que mais parece nome de filme da Sessão Kickbox... Ou do Cine Privê...

... A essa altura já ficou claro que eu tou só enrolando, porque não tenho muito o que falar sobre esse game. Tudo bem, vou parar de flautear e escrever o review de uma ve...

TEMPESTADE ALIENÍGENA!!! TRETA FINAL!!! MATADOR DE SETE!!! A TREVOSIDADE!!! EFEITO DAS MASSAS!!! TETAS COZINHEIRAS!!! MOTORISTA!!! LEONARDO CAMILO NA DIREITA: O ADVOGADO!!!

...

Ok, vamos falar de Em Busca dos Anéis Perdidos.

Sim, falemos da busca... E AQUI ESTÁ ELA!!!

Na história, acontece uma erupção vulcânica colossal, que de alguma forma cria dez anéis capazes de darem poderes infinitos a quem os possuir. A erupção também espalha os anéis pelo mundo, para o infortúnio do Ringwraith, vilão da história, que quer recuperá-los para satisfazer as próprias intenções nefastas.

Para seu azar, o Ringwraith está preso dentro do vulcão. Para sua sorte, a erupção também liberou todo tipo de horror sobre o mundo, como orcs, dragões, aranhas gigantes e morcegos diabólicos, que aqui recebem nomes como Spydroth Tyrantulus e Doomwinged Bloodthirsts, porque os programadores compensavam a pouca tecnologia da época com muita boa vontade.

Mas calma! Como sempre acontece quando o mal espreita, quatro guerreiros surgem da escuridão, dispostos a encontrar os anéis antes dos asseclas do Ringwraith, para assim o impedirem o vilão de atingir seus fins nefastos.

A história é muito mais complexa que isso. Verdade seja dita, é desnecessariamente complexa. Estamos falando do Odyssey, console que teve um game chamado Come-Come, cujo título também era sua história.

Parece filme do Nuno Leal Maia.

Nuno Leal Maia e Vera Fischer em... Menstruação Guerreira!

E como se joga isso? Ora, fico feliz que perguntou... Bem, fico feliz que ainda sou capaz de imaginar que você me perguntou. De fato, fico feliz em imaginar que ainda tem gente que lê essa catástrofe de blog, que consumiu dez anos da minha vida e não me trouxe nada de bom, exceto uma hemorroida.

Vai ver é ela quem fala comigo!!! Oh!!!

Mas bem, como se joga essa monstruosidade? Pois então, o objetivo é recolher os dez anéis do poder. O jogador e um amigo (tem de ser real, não imaginário ou hemorroida) escolhem cada um seu herói, depois o tipo de cenário que desejam desbravar, e os monstros que lá encontrarão. Assim que um deles alcançar o anel, a fase acaba, e eles precisam repetir mais nove vezes.

Tudo isso embalado pelos incríveis gráficos do Odyssey, que fazia todos os personagens e monstros parecerem feitos de bolacha wafer (exceto o dragão, que parece um Godzilla de LEGO), e pelos incríveis efeitos sonoros do aparelho, que soam como se o Q*Bert estivesse sendo estuprado por uma máquina de Pinball.

DIVERSÃO!!!

Quanto aos heróis, eles se dividem em quatro classes de personagem. Temos o guerreiro, que possui uma espada e é o único capaz de matar orcs e zumbis, o mago, que possui um ataque de longa distância que apenas atordoa os monstros, o Fantasma, que pode atravessar paredes (menos no Inferno, mais detalhes a seguir) e o Changeling, que pode ficar invisível.

E como mencionei, os jogadores devem escolher o tipo de lugar onde a aventura irá acontecer, cada uma oferecendo um obstáculo diferente. As Cavernas de Cristal possuem paredes invisíveis, o Inferno tem paredes que podem matar seu herói ao menor toque (incluindo o fantasma, que não pode entrar nelas) e as Paredes Móveis, como o nome diz... Se movem. E podem aprisionar seu herói, que então se torna um alvo fácil para os inimigos.

Claro, é possível escolher as masmorras, que não oferecem nenhum risco além dos monstros. Mas essa é a escolha que um trapaceiro bichinha faria.

E você não é trapaceiro bichinha... Ou é?

E se escolhia tudo com este overlay lindo, que era colocado sobre o teclado.
Sim, o Odyssey tinha teclado. Era parte do charme.

Em Busca dos Anéis Perdidos era parte da série “Estratégica”, que também nos deus títulos como The Great Wall Street Fortune Hunt (chamado aqui apenas de Wall Street) e Conquest of the World (aqui lançado como A Conquista do Mundo... DÃ). Tais jogos eram vendidos em caixas imensas, com manuais de instruções ainda maiores, e que também continham tabuleiros e peças cuja maioria das pessoas não fazia a menor questão de aprender a usar.

Aqui, eram necessárias pelo menos três pessoas para se usar o tabuleiro, uma assumindo o papel de Ringmaster (como um mestre de jogo em Dungeons N’ Dragons, mas com ainda menos glamour), e os demais seriam os heróis. O Ringmaster monta o tabuleiro, e determina em quais lugares do mundo estarão os anéis e por quais feras serão guardados. Os jogadores precisam rodar pelo tabuleiro e enfrentar os desafios que o Ringmaster determinar para tentarem completar a aventura.

O Ringmaster ainda pode ser um cuzão de marca maior e fazer com que a maioria das paradas dos heróis não possuam anéis, o que fará com que a única saída possível da fase seja morrer nas mãos dos monstros. E se ele quiser REALMENTE arriscar sua frágil vida social, o Ringmaster pode usar uma carta de “possessão” e assumir o controle de um dos heróis, que terá então de ser morto pelo seu companheiro, para que o vilão perca seu controle sobre ele.

Em Busca dos Anéis Perdidos foi criado para render uma partida de pelo menos cinquenta rodadas, o que provavelmente explica sua dificuldade burlesca. Os quatro heróis conseguem ser ainda mais frágeis que um personagem recém criado em Dark Souls.

"Todos os nossos poderes e armas são inúteis!
Somos um bando de Yamchas"

O Guerreiro pode matar inimigos mais fracos com sua espada, mas ele apenas repele as aranhas e os morcegos, e causa dano NENHUM ao dragão. O Mago sequer é capaz de eliminar os zumbis e orcs, o que o torna inútil caso acabe cercado.

O Fantasma e o Changeling não possuem capacidades ofensivas e caminham com a metade da velocidade sempre que usam seus poderes. Isso os torna alvos ainda mais fáceis para qualquer coisa que esteja nas redondezas.

Verdade seja dita, o Changeling acaba sendo o personagem mais útil do grupo. Enquanto está invisível, nenhum inimigo o persegue ou ataca. A grande desvantagem é que mesmo o jogador não tem como saber onde ele está, o que pode levá-lo a esbarrar acidentalmente em algum monstro, ou nas paredes das fases do Inferno.

Invariavelmente, os jogadores precisam bolar uma estratégia, onde um deles terá de se sacrificar para dar ao outro a chance de alcançar o anel. Ou você pode ferrar seu amigo para tentar pegar o anel por conta própria. Vai do quanto você valoriza companhia humana.

Bah! Quem precisa de amigos quando se tem TODAS
ESSAS PECINHAS SOLTAS!?!?!?

Em Busca dos Anéis Perdidos é a joia da coroa de qualquer coleção do Odyssey. Não é o game mais divertido do console, Zeus, não. Alien, Senhor das Trevas e Macacos me Mordam ganham longe neste quesito. Mas este jogo era um evento, algo que nunca tínhamos visto antes, e que não vimos mais desde então.

Ele era uma ambiciosa mistura de jogo de tabuleiro e videogame, ambos devidamente embalados em mitologia de RPG. E a forma grandiosa como ele foi apresentado ao mercado, mostra que a Magnavox e a Phillips pretendiam alcançar um público diferente daqueles que já dedicavam horas aos clones de Space Invaders e Pac-Man disponíveis no aparelho.

Em Busca dos Anéis Perdidos não foi um sucesso (possivelmente, por causa de seu alto preço na época), bem como os demais jogos da série estratégica. Mas eles permanecem como uma relíquia de uma era distante, que é difícil de explicar para quem não a viveu, mas cuja sensação de deslumbramento nunca saiu da mente daqueles que puderam desfrutar dela.

Bons tempos... Bons tempos...

E antes que me pergunte, sim. O Odyssey tinha um game chamado Macacos me Mordam. De fato, é meu título favorito do aparelho.

Mas isso... É uma história para outro dia...

Cheers!!!

18 comentários:

Zark Braunschweig disse...

Mas que jogo magnífico, devia proporcionar uma experiência única... Ah, se apenas eu tivesse amigos...

De qualquer forma Amer, seu blog é maneiro e você também é. Aposto que deve ter cheiro bom, e eu te pagaria uma cerveja. Só na brotheragem. Acesso a cada dois dias seu blog, por que cara, seus artigos são ótimos. Continue com o bom trabalho, e cheers!

Leandro DM disse...

Estava precisando desse artigo. Como eu ri. O foda foi reconhecer o nome dos jogos traduzidos. E achei interessante esse estilo de jogo mesclado em RPG, é do tipo q ainda hj dá para usar de material para uma sessão de D&D. É sempre um prazer ler seus textos, seu lindo

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

"Fúria Fatal".

Pior que o filme/Anime do Fatal Fury dublado, alguém fala o título do jogo assim mesmo traduzido e se bem me lembro, tinha um filme de luta na Band, na saudosa "sessão kickboxer " com o mesmo nome. Só não lembro dos atores

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

É gostei da sua divagação sobre a indústria de jogos e os Gamers. E acho que a primeira vez que você analisa um jogo REALMENTE antigo, praticamente Jurrasico.

Valeu o post, Amer.

オンライ disse...

*Hoje no cine Odisséia da tarde:


Em Busca dos Anéis Perdidos

Em um mundo antigo, um vulcão em erupção espalha os anéis do senhor Aparecido do anel que junto de seus asseclas Aranharote Tirantulosa, Asapesadulosa Seca de Sangue tentarão recuperar os mesmos para dominar o mundo.

Mas eles não contavam com uma turminha esperta, que com muita traquinagem aprontará de tudo para impedir o Senhor Aparecido.*

Eita saudade dessa época Amer, estamos aí com quase 40 nas costa, hemorroidas do tamanho de um beiço (e que possuem indentidade própria), seguindo com força e muita teimosia.

Abraços a você meu amigo, tenha uma semana excelente.

Obs. O nome da minha hemorróida é Batman.

Ulisses 8Bits disse...

Impressionante a quantidades de personagens na tela. Acho que o Odyssey não tinha como competir com os clones de Atari por aqui.

Zweist disse...

Eu lembro bem desse jogo. Nunca consegui jogar direito usando o tabuleiro, mas eu e meus primos nos divertiamos muito inventando regras. Nunca soube que fim levaram os acessórios, e passei anos procurando o manual em casa.

Nele estava uma das minhas primeiras incursões no mundo da alfabetização, pois escrevi minha primeira palavra nele, "Cim". Era para ser "Sim", mas fiquei muito orgulhoso mesmo assim.

Guilherme Filipe Pereira de Santana disse...

Sempre entro no seu blog, gosto muito dos seus artigos e uso suas criticas como referencia pra comprar jogos novos... Leio seu blog desde 2009. Meu primeiro video game foi um atari eu vivia jogando enduro, come come e o Mario... Tinha aquela versão que tinha muitos jogos na memória.
Confesso que não consigo mais jogar esses títulos,tentei jogar num emulador uns tempos atrás não consegui fazer os bonecos andarem rsrsrssrsrs.

O que vc esta achando do Dragon Ball Super? Vai rolar analise mais pra frente?

Até mais Amer, esperando o próximo artigo!

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

Sobre o Dragon Ball "Super"

Que ver Goku e Veditta de cabelos azuis ao invés da transformação de SSJ4 ou uma evolução daquela fase é uma das coisas mais brochantes que já vi. É nem vou mencionar aqueles Bills e Whis, até os inimigos do DBGT pareciam mais fortes e ameaçadores.

"
E tem mais piadas e gags do que as versões antigas, como se fosse o Dragon Ball de várzea, como o Goku crianca... legal hein?"

BAH... Duplo BAH.... triplo BAH...


Mas respeito a quem gosta. Fazer o que?

Shadow Geisel disse...

A maior surpresa do texto: nenhuma citação, piadinha ou comparação com a obra de Tolken. Esse Ammer é uma caixinha de surpresas mesmo. rsrsrsrsrs

Conan king disse...

faz um lets play do silver surfer que saiu no nintendinho

Matuck disse...

Joguei muito esse jogo na casa de um amigo. Era um evento, o ápice da época. Quando o questionei, já adulto, se queria vendê-lo para mim, descobri que ele o havia doado a uma creche. É a vida...

Adan Ribeiro disse...

Lembro que fizeram um jogo dos Trapalhões na Serra Pelada para o Odyssey. Era apenas uma roupagem de um jogo gringo, mas era divertido pra caramba.

Marcel disse...

Meu grupo de RPG usavava o mapa desse jogo no cenário que a gente mesmo desenvolveu com os anos(ainda usa nas esporádicas sessões que consegue marcar entre os compromissos que a vida adulta nos força)

Marcel disse...

Meu grupo de RPG usavava o mapa desse jogo no cenário que a gente mesmo desenvolveu com os anos(ainda usa nas esporádicas sessões que consegue marcar entre os compromissos que a vida adulta nos força)

Jéssica L. disse...

Muito bacana o artigo, ri pra caramba, principalmente da lilica feminista...pior que tem muita gente por aí falando igual à ela. Sinceramente, às vezes acho esse pessoal até pior que o povo que aplaude o Bolsonaro. É, dá nos nervos desse jeito...
Aguardando a sua crítica de Ghostbusters, o Nostalgia critic também postou a dele, já viu?

Jéssica L. disse...

Não acredito que eu comentei no artigo errado... sério, só acontece comigo... é que eu tinha lido fazia um tempinho e na pressa de comentar, deu nisso.Era pra ser no outro, aquele anime a parede Seikon no qwaser.

Azrael_I disse...

O plot desse game me lembrou bastante Hero Quest (em vez de Dungeons & Dragons), em que um dos jogadores precisava assumir o papel do vilão e elaborar as armadilhas e monstros pra pegar os heróis.