quinta-feira, 16 de junho de 2016

Crítica do Amer: X-Men: Apocalypse


Eu tenho um relacionamento estranho com os filmes dos X-Men.

Gosto deles... Bom, de boa parte deles. E em uma era onde a Marvel Studios domina o mercado e define como filmes de super heróis devem ser, os longas dos X-Men são uma relíquia pertencente a um tempo onde os estúdios não sentiam obrigação alguma de serem fiéis aos quadrinhos. Algo que os fãs não aceitam mais, se o desempenho morno de Batman V. Superman nos ensinou algo.

X-Men: Apocalypse, produto final de 16 anos de uma continuidade extremamente bagunçada dos mutantes, acaba sendo uma amálgama das duas eras que englobou durante todo esse tempo. É parte um projeto de vaidade de seu diretor Bryan Singer, e parte uma boa adaptação de quadrinhos.

Não é o melhor filme de super-heróis já feito, mas é o melhor filme que poderia ser.

ATENÇÃO: Este artigo possui SPOILERS, mas apenas trapaceiros bichinhas ligam pra spoilers. Cinema é uma mídia visual, e mesmo que alguém te conte o final de um filme, isso não vai estragar seu prazer em assisti-lo. Afinal, saber o que acontece e ver acontecer são duas coisas completamente diferentes.

Por exemplo, em Clube da Luta, Tyler Durden e o narrador são a mesma pessoa. Pronto. Se ainda não assistiu o filme, vá ver agora, depois me diga se o Spoiler estragou sua diversão.

Seu trapaceiro bichinha!

"Deixe-me contar sobre a minha escola. Aqui o ensinarei
a não ser um trapaceiro bichinha".

A história se passa nos anos 1980, e absolutamente ninguém envelheceu. Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lensherr (Michael Fassbender) continuam gatos como sempre, e a Mística (Jennifer Lawrence) agora permanece em forma humana o tempo todo, provavelmente para evitar de ser reconhecida após seus nudes terem vazado na internet.

Mas voltemos ainda mais no tempo. Mais precisamente, para o Egito Antigo, alguns milhares de anos antes de Cristo, aquele hippie boa gente. Neste tempo viveu En Sabah Nur (Oscar Isaac), o primeiro mutante, que dominava o Egito e que sozinho construiu as pirâmides.

Isso mesmo, tá lá na cena pós créditos de X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido. Pode colocar na prova de história, e se sua professora te der zero, diga que Hollywood jamais mentiria pra você. Então arranque as calças e cague na mesa dela.

A parte de arrancar as calças é a mais importante. Nunca se esqueça dela.

Mas o caso é que rola uma rebelião entre os seguidores de En Sabah Nur, que derrubam a pirâmide principal na cabeça de seu mestre. Provavelmente porque um cara chamado “Apocalypse”, deve ser um governante pior do que Donald Trump.

Ma bene, Apocalypse desperta nos anos 1980 e resolve continuar seu trabalho de onde parou: Vai exterminar a humanidade e erguer um mundo melhor em seu lugar. Para isso, ele recruta Tempestade (Alexandra Shipp), Psylocke (Olivia Munn) e Anjo (um cara loiro), pois precisa de quatro Cavaleiros, mas também, porque a Fox adora reciclar personagens da franquia, não importa o quão pouco sentido a participação dos mesmos faça na história.

O último Cavaleiro é Magneto, recrutado após ver sua esposa e filha assassinadas por um pessoal que descobriu que ele era mutante. Afinal, o destino resolveu ferrar a vida do Magneto, pois ele é o melhor antagonista que os X-Men já tiveram.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, os poderes de Scott Summers (Tye Sheridan) despertam, e ele é levado para a escola do professor Xavier, para aprender a controlá-los. Lá ele conhece Jean Grey (Sansa Stark) e Kurt Wagner (Kodi Smit-McPhee), e os três ficam amigos e HOORAAAAAAY!!!

Eis que Apocalypse sequestra o professor Xavier, pois ele é uma peça chave em seu plano de dominação global. Cabe aos Homens-Xis resgatarem seu mentor e trazerem a paz de volta a Terra.

E a Mística os ajuda. Por motivos de Jennifer Lawrence.

Imagem para fins meramente ilustrativos

Como eu disse anteriormente, a continuidade dos filmes dos X-Men virou uma zona. O Anjo... Arcanjo... Aquele loiro alado, seja lá como se chame aqui, apareceu pela primeira vez em X-Men 3... Mas aqui ele aparece de novo, vinte anos antes dos acontecimentos da bomba de Brett Ratner, com a mesma idade e com uma origem completamente diferente.

E o Noturno aparece aqui, adolescente... Mas os X-Men não o conheciam até o segundo filme, quando encontraram com ele já adulto...

Claro, você pode aceitar que X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido resetou o universo, e os filmes originais não existem mais. Mas considerando a cena final do mesmo longa, onde os personagens da trilogia original aparecem na escola de Xavier... Então... Eles valem... Eu acho?

Esse tipo de coisa não devia importar para ninguém, exceto virgens barbudos de 150 quilos, que ainda defendem a obra de Frank Miller. Mas em uma época onde temos o Marvel Studios, que se esforça tanto para manter uma continuidade coerente em suas produções, é triste ver que a Fox não está nem aí.

Claro, reconheço que é uma reclamação muito pessoal, e que no final das contas, não interfere na diversão proporcionada pelo longa. Mas sempre fico pensando, como o Marvel trataria os Mutantes e quão bem eles se encaixariam na cronologia que já está estabelecida.

Se a Sony pode dividir a guarda do Homem-Aranha com a Marvel, posso sonhar com um futuro onde a Fox faça o mesmo, não?

Marvel: Ok, eu fico com eles de segunda a quarta, você de quinta a sábado.
Fox: E no domingo?
Marvel: No domingo eles ficam com o Ramsay.
Jean Grey: NÃO! COM O RAMSAY NÃO!

O elenco está muito bem, e é bom ver que boa parte dos seus membros ainda se importa em estrelar um filme dos X-Men.

James Mcavoy não é mais o foco da história, e como tal, seu papel deu uma diminuída. Mesmo assim, ele faz um excelente trabalho e mostra-se seguro no papel de mentor da equipe. Claro, ele não é bom como Patrick Stewart, mas sejamos honestos, ninguém no planeta é.

Michael Fassbender também cumpre bem seu trabalho. Ele transborda raiva e angústia, e confere muita legitimidade a Magneto. Sentimos toda dor que ele carrega consigo, o que torna suas ações justificáveis e o impedem de se tornar um simples vilão clichê.

Vocês sabem, como aconteceu em X-Men 3.

Mas a grande surpresa foi Oscar Isaacs, pois sua interpretação de Apocalypse tornou-se a minha versão favorita do personagem.

Nunca gostei do Apocalypse... Bom, se vou ser sincero mesmo, não gosto de nenhum dos inimigos dos X-Men, com exceção dos Sentinelas e da Irmandade de Mutantes.

Quanto ao Apocalypse, sempre o achei um saco. Um ser todo poderoso, com milhares de anos, que sequestra outros mutantes para lhe servirem e cuja filosofia é “a sobrevivência do mais forte”. Tudo bem, é um ótimo chefe final pra crossovers da Capcom, mas eu simplesmente o acho pouco interessante para ocupar um posto tão alto no panteão de inimigos dos mutantes.

Aqui, ele é retratado como uma espécie de salvador da raça mutante. Alguém que visa o melhor para sua espécie, mesmo que isso signifique o fim de todos os que não são como ele. E Isaac lhe confere um carisma incrível, quase como o de um líder de culto. É fácil entender porque os demais personagens aceitam servi-lo tão rapidamente, quando o conhecem.

Mas a maquiagem ainda é meio ridícula. Claro, conhecendo a verba que a Fox libera pra CG (lembram das garras de desenho animado em X-Men Origens: Wolverine?), talvez tenha sido melhor assim.

E também temos Jennifer Lawrence, presente apenas por uma obrigação contratual.

Mística passa a maior parte do filme em uma forma humana normal. Claro, inventam uma desculpa para isso na história, mas é óbvio que a atriz não estava interessada em passar oito horas por dia na cadeira de maquiagem, como fez das outras vezes.

Claro, com um Oscar e três Globos de Ouro em casa, ela não precisa mais esconder seu lado broaca. E se aquele vídeo onde ela maltrata o repórter que não fala inglês prova algo, é que ela é tremendamente broaca.

Mística: Eu trabalho em filmes de David O. Russel!
Eu não preciso disso, seu pederasta!

E o novo elenco é ótimo também. Finalmente temos um Ciclope digno, e Sansa Stark é uma Jean Grey extremamente competente.

Olivia Munn se saiu uma Psylocke melhor do que eu esperava, então retiro todas as coisas horríveis que falei dela quando soube de suas escalação para o elenco. E também prometo que devolverei seu coelho de estimação... um dia.

E Alexandra Shipp é uma Tempestade melhor do que Halle Berry jamais sonhou ser. A personagem não tem muito tempo de tela, mas ela transborda cansaço do mundo, dignidade e esperança em doses iguais, naquela que é, em minha opinião, a melhor representação que a heroína já teve nos cinemas.

De fato, acho que agora, mais do que nunca, Ororo Munroe merece um filme solo.

Sim, mais do que a Viúva Negra.

Bebo suas lágrimas, floquinho de neve.

Falando em lágrimas, vou entrar em território de spoilers. Se não quer saber pontos específicos do filme, pare de ler... AGORA.

Os fortes não ligam pra Spoiler...

Primeiro, falemos da participação obrigatória do Wolverine (Hugh Jackman), porque a Fox acha que um filme dos X-Men é incompleto sem o canuck favorito de todos.

Em uma cena que existe por motivo algum, exceto forçar uma aparição do Logan, o coronel Stryker sequestra os heróis, e os leva até sua base em Alkali Lake.

Isso, aquela mesmo de X-Men 2.

Enquanto fogem dos soldados, Ciclope, Jean Grey e Noturno encontram uma jaula, com alguma coisa dentro que ruge muito. Quando abrem a porta, OBVIAMENTE que o que sai dela é o Wolverine... E ele mata todo mundo no local.

A cena remete ao arco da Arma X. De fato, Logan está equipado com um apetrecho parecido com o elmo que usou nos quadrinhos na época, e está em estado completamente selvagem neste momento. Incapaz inclusive de se comunicar com outras pessoas.

É fanservice puro. Tanto por nos trazer o Wolverine, em um filme onde ele não tem a menor necessidade de aparecer, quanto por colocá-lo em um cenário similar ao que vimos nos quadrinhos. Algo que a Fox nunca fez questão de mostrar.

O final da cena, onde Jean alcança sua mente e traz a tona um fragmento do homem perdido nela, também é muito boa. Os filmes não foram exatamente competentes em mostrar o quanto a vida feriu o Wolverine. Este breve momento confere muito mais profundidade ao Logan do que suas duas aventuras solo foram capazes de fazer.

Aliás, lembram da cena do Mercúrio no filme anterior? Pois é, tentaram duplicá-la aqui. É visualmente impressionante, mas injeta um elemento cômico a um momento que supostamente deveria ser dramático. O que em minha opinião, faz com que seja menos eficiente.

E eu sou o único que fica incomodado com a existência de dois Mercúrios no cinema?

Sim, provavelmente.

Agora, quero falar da cena final do filme. Mais precisamente, do desfecho da batalha contra Apocalypse.

Então ok, lá estão os X-Men, despejando seus poderes contra o pilantra e sem obter os resultados desejados. Afinal de contas, estão praticamente atacando Deus.

Eis que o Xavier lembra: “Hey, nós temos a Fênix”. Ele manda Jean Grey soltar seu poder no Apocaypse e ele é reduzido a farelo de Cheetos.

Basicamente, a Jean Grey tem o poder do “eu ganhei”. O que remove o drama de qualquer batalha futura dos X-Men. Não importa quem a equipe enfrente nos próximos longas, eles sempre terão um Deus Ex Machina escondido na manga, para quando a situação apertar.

Claro, eles não precisam USAR esse ás. Mas então teremos um grande buraco na história. Por que Jean Grey deixaria de usar o poder da Fênix contra... Sei lá, o Mojo, quando se provou tão eficiente contra o Apocalypse?

E quando teremos o Mojo nos filmes? Pra quem não conhece, ele é uma mistura de Jabba com Silvio Santos, que governa outra dimensão através de programas de televisão.

É tão imbecil quanto parece! Mas eu adoraria vê-lo no cinema.

E o grande plano do Mojo seria filmar essas duas se beijando por doze horas.
Pensando bem, acho que a maioria dos X-Men não iria se opor.

Considerando tudo, X-Men: Apocalypse vale o ouro gasto no ingresso. Traz boas cenas de ação, uma ótima edição e bons valores de produção. E eu rimei três vezes na última frase.

E em uma das cenas, os personagens saem de uma sessão de O Retorno de Jedi, e debatem que o terceiro filme é sempre o pior da franquia.

PAU! BEM NOS SEUS OVÁRIOS, BRETT RATNER!!!

Agora, espero muito que alguém faça a mesma coisa com Zack Snyder. Talvez Ben Affleck, se ele de fato dirigir o próximo longa do Batman.

Oremos por isso.

Cheers!!!

11 comentários:

Lance "Avalanche" disse...

Esse filme só não teve criticas mais pesadas...pq esse ano tivemos o Batman X Superman que baixou a barra bastante.

Galomortalbr disse...

Gostei do filme,mas e uma pena n ter parceria com a Marvel

Anderson ANDF disse...

Não gostei muito do filme, mas achei melhor que o X-Men: Conflito Final.
A parte dos mísseis disparados pro espaço apenas mostrou que o Apocalipse, de posse da telepatia, terminou com (ou diminuiu) a Guerra Fria. Teve soluções fáceis e bobas, além de forçarem a barra pro heroísmo relutante da Mística e reduzirem o Magneto a simples capanga. Entre outras coisas.

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

esse é um filme "feijão com arroz". foi bão, mas nem tanto assim.

e poxa, custava a Jubileu ter ao menos se apresentado no filme?

Maldita Fox!

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

"Este artigo possui SPOILERS, mas apenas trapaceiros bichinhas ligam pra spoilers. Cinema é uma mídia visual, e mesmo que alguém te conte o final de um filme, isso não vai estragar seu prazer em assisti-lo. Afinal, saber o que acontece e ver acontecer são duas coisas completamente diferentes"

quer dizer que o Amer, desencanou de Spoilers ou foi pra zoar mesmo? mas de qualquer forma, eu penso exatamente o mesmo. vai ver por isso que não fico tão grilado as contar detalhes de GOT no Facebook.

mas fazer o que? essa geração não cresceu nos anos 90 e com a revista Heroí

C disse...

Crescemos em uma geração que viveu com coisas como "O próximo episódio será: Goku morre". Quando nos tornamos tão frescos com spoilers?

オンライ disse...

Eu nunca fui fã de X-Men por uma única razão:

Não tive acesso ao início da série em quadrinhos.

Isso não quer dizer que a série é ruim, muito pelo contrário, é muito boa.

Agora, Xaxier não era um dos quatro cavaleiros?

De qualquer forma, vou assistir um dia desses. ;)

Adriano Neto da Silva disse...

Sobre esta publicação, as seguintes observações:

- Tuas piadas já foram melhores, Amer, kkkkkk;

- O filme é divertido. Não me decepcionei com ele, pois não esperava nada dele mesmo;

- As interpretações foram apenas adequadas, nada digno de nota;

- O mais interessante desse filme foi o fato de ele conter mais ação que qualquer outro de super-heróis que já foi exibido até então este ano;

- Este filme me soou como um episódio de X-Mem: Revoliton, amalgamado com Power Rangers;

- Não, Ororo não merece um filme solo, aliás, nenhum dos Homens-X o merece, como já foi provado por Wolverine e seus horríveis filmes solo. Sou mais, bem mais, um filme solo da Viúva Negra.

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

Um filme solo da viúva negra vai ser bem genérico.

Não que o filme vá ser ruim, mas não vai impactar como um Homem de Ferro ou "O Soldado Invernal " que o pessoal recruta que é o melhor filme da Marvel, E toda vez que vou assistir esse, pego no sono bonito.

Acho que nenhuma heroína ainda mereça um filme solo onde vai dar lucro... talvez a mulher aranha, Silk e outras parceiras do amigo da vizinhança.

Eu queria um filme da Laura Kinner/X-23, mas sei que não vai rolar

Nappa_ disse...

Os filmes de número 3 tem um problema desde que o mundo é mundo, dentro ou fora da Marvel, deve ser alguma espécie de superstição, eis filmes #3 horríveis ou pelo menos piores do que os seus antecessores:

* X-Men 3: O Confronto final
* Spider-Man 3
* Iron Man 3
* O poderoso chefão (parte 3)
* Star Wars: O retorno de Jedi
* ...

Arely disse...

Eu tenho um problema Eu gosto de filmes, porque eles me lembram quando eu fui ao cinema como uma criança com minha mãe não amar a si mesmos filmes. Pessoalmente eu prefiro Oscar Isaac, sem muita coisa digitais, por exemplo, na guerra nas estrelas 7 porque é mais real. Como eu compartilho se trata quem vai passar o último episódio de Star Wars. Deixo a informação http://hbomax.tv/movie/TTL607247 Devo dizer que JJ Abraham eo resto da equipe fez fantasticamente justiça fez tantos anos de espera.