sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Crítica do Amer: Strip Fighter II


Atenção: Este artigo tem imagens de nudez, blá, blá, blá. Não leia no trabalho e todas essas coisas bonitas. Se você se ofende com peitos, vá pro diabo que te carregue, e assim por diante.

Desde que fiz minha primeira crítica de games, tenho vontade de escrever sobre algum título do Turbografx 16. Embora não seja muito conhecido no Brasil, foi um console que teve sua importância entre as décadas de 1980 e 1990.

E não é como se faltassem jogos entre os quais escolher. O Turbografx 16 (e sua contraparte japonesa, o PC Engine) foi palco de diversas pérolas, como Dracula X: Rondo of Blood, Legendary Axe, Blazing Lazers e Xak III: The Eternal Recurrence.

Mas ao invés disso, decidi escrever sobre Strip Fighter II.

...

A vida faz muito pouco sentido às vezes.


Uma tela de seleção tão vazia, que mais parece a manhã
do último dia de uma convenção de Anime

E a história aqui é...

...

Bom, não tem uma história.

O que é triste. Até Divine Sealing tinha um arremedo de história que motivava o jogador a encarar seus gráficos causadores de enxaqueca a fim de chegar a seu desfecho. Claro, Divine Sealing fracassou em tudo que se propunha a fazer, mas ao menos tentou.

E esta é a palavra chave aqui. O shooter erótico do Mega Drive foi produzido com alguma paixão. As coisas não funcionaram a seu favor pois seus programadores não tinha verba, experiência, ou provavelmente as duas coisas.

Strip Fighter II foi claramente criado por uma equipe de imigrantes ilegais, que viram a febre criada por Street Fighter II, e decidiram explorá-la com uma paródia erótica que possui um trocadilho muito menos inteligente do que eles pensam como título.

E o jogo foi totalmente financiado com moedas roubadas daquelas máquinas que vendem calcinhas usadas no Japão.

Muito bem, já que este game não possui enredo algum, vamos inventar o nosso próprio, que tal?

Oito mulheres loucas estavam em casa, quando simultaneamente pensaram: QUERO DAR PORRADA E VER TETA!!! Então, elas organizaram um torneio de artes marciais ao redor do globo, onde a vencedora ganharia o direito a TETA!

Bom, não saiu grande coisa. Mas pelo menos dediquei mais tempo a este roteiro do que o criador de Apocalypse Zero devotou a toda sua obra.

Queria pensar em uma legenda que encaixasse com esta imagem
mas a vida não me preparou pra isso

Os gráficos.... Oh céus... os gráficos...

Em fotos, eles não parecem tão ruins. De fato, quando conheci este game através de uma revista GamePower, acreditei que se tratava de um título para o Super Nintendo, tão bom seu visual parecia na imagem.

Aliás, sempre era uma revista da Nova Cultural que apresentava estes games eróticos pra molecada. Supergame mostrou Divine Sealing, Gamepower falou sobre Strip Fighter II e aqueles cartuchos piratas do Super NES que traziam coletâneas de figuras com ninfetas de Anime peladas, que época incrível aquela.

Claro, muito pouco impressionante hoje, quando crianças de 7 anos já são usuários vitalícios do Pornhub, mas estou divagando... De novo.

Os personagens são mal desenhados e desproporcionais e demasiadamente simples. O que é chocante, considerando a capacidade gráfica do Turbografx 16, que fazia frente ao Mega Drive e ao Super Nintendo com facilidade.

E a animação é ainda pior. Se quiser ter uma ideia, entre no Google, busque por GIF e clique em qualquer imagem que aparecer. Não importa o que você abriu, vai ter MAIS FRAMES DE ANIMAÇÃO DO QUE UMA SESSÃO INTEIRA DE STRIP FIGHTER II.

Mas calma, fica pior! Sabe como em Street Fighter II, todos os lutadores possuem animações diferentes que representam a intensidade escolhida para seus ataques? Aqui, embora todas as meninas possuam golpes fracos, médios e fortes, todos utilizam a exata mesma animação. O que muda é apenas a velocidade, dependendo da força utilizada.

Então, seis botões de ataque. E se tentar configurar o joystick, na tela de opções em japonês, você NUNCA vai saber se acertou os controles direito.

“Ain, eu leio Kanji, Abn...”

SHIU! Você! SHIU!

Salto alto e sem calças. Em algum lugar do Tumblr,
o Sentido de Ofensa tilinta...

E em uma séria competição pelo posto de “pior parte dos gráficos”, os cenários também conseguem ser tenebrosos.

Lembram como os cenários de Street Fighter II eram cheios de vida e detalhes? A fase da Chun li, por exemplo, tinha o menininho olhando a briga na rua e falando: “Mamãe, olha! Aquela nossa vizinha pernuda que voa batendo numa vadia ocidental capitalista”, ao que a mãe respondia “aquilo é um homem loiro, filho”.

Ou talvez vocês se lembrem do vendedor de frangos que oferecia sua mercadoria ao público sem demonstrar o menor respeito pelos direitos dos animais. Ou ainda, pense nos ciclistas que davam círculos no quarteirão a cada cinco segundos... ou que eram uma frota de gêmeos, pois eram sempre as mesmas cinco pessoas passeando... Não importa.

Bom, você se lembra disso tudo? Pois não tem NADA por aqui. Os cenários são tão vazios e desprovidos de vida, que parece que Strip Fighter II acontece em um mundo pós-apocalipse, onde a TETA é lei.

... Eu devia ter pensado nisso quando bolei meu enredo imaginário pro game. É uma ideia muito melhor.

Quanto ao som, só consigo encontrar uma maneira de descrevê-lo.

Nos anos 1990, existiu um terror em forma de brinquedo, chamado “Chaveiro Eletrônico”. Eram caixinhas de som que podiam ser compradas na feira ou em papelarias, e que emitiam os sons mais horríveis da humanidade quando apertávamos seus botões. Lógico que eles foram uma febre, e lógico que transformávamos a vida de nossas professoras em um inferno.

Parece que alguém usou um microfone barato para gravar os efeitos sonoros vindos de uma destas caixinhas, os converteu em arquivos MIDI de ainda pior qualidade, e só então os colocou em Strip Fighter II.

Gráficos repelentes e som ofensivo, num console que nos proporcionou ISSO!

É uma blasfêmia.

E eu tenho certeza que alguma passagem da Bíblia condena quem
dispara ataques especiais pelo rabo


Mas todas estas falhas podem ser perdoadas, se a jogabilidade for boa, correto? Muito bem, algum parágrafo desta crítica lhe deu a impressão de que qualquer aspecto deste game pode se safar?

Pois então. Strip Fighter II tem OS PIORES CONTROLES DE UM JOGO DE LUTA EM TODOS OS TEMPOS!

E sim, eu inclui Tattoo Assassins nesta avaliação.

Não bastasse a confusão criada por todas as animações serem as mesmas, os golpes nem sempre saem quando se aperta seu respectivo botão. Aplicar um mero combo de voadora e rasteira (a coisa mais básica em um título do gênero) se torna uma tarefa hercúlea na maior parte do tempo.

E claro, as personagens possuem golpes especiais. Alguns respondem a comandos tradicionais como meia lua pra frente e soco, enquanto outras precisam de movimentos enigmáticos como pressionar frente duas vezes seguidas durante o pulo.

Como a cereja do bolo de AIDS, a dificuldade é totalmente desregulada. Claro que o computador não tem problemas em utilizar o arsenal completo de ataques das lutadoras, então não é incomum levar surras dignas de um seu Madruga encurralado por uma dona Florinda que se entupiu de cocaína.

Logicamente, o jogador pode diminuir a dificuldade. Mas qualquer coisa abaixo do nível “médio” faz com que os adversários fiquem parados, aguardando o espancamento tão ansiosamente quanto um gordinho masoquista que encontra com a Ronda Rousey e a Holly Holm na rua e decide chamá-las de piranhas.

“Mas Amblim, você não falou da nudez do game até agora! Cadê as teta?”

Muito bem, vamos lá. Cada vez que vencer um round, o jogo apresentará uma foto horrivelmente digitalizada de uma garota de biquíni ou lingerie. Vença o segundo round, e a moça aparecerá pelada, usando apenas um daqueles mosaicos eletrônicos de virilha que são moda no Japão há pelo menos 30 anos.

Ou é uma doença venérea que afeta apenas pessoas que morem no Japão... Admito que nunca parei pra pesquisar.

CONTEMPLEM! O mamilo esquerdo mais disforme do mundo!
E agora o sexo está arruinado pra você.

Minha conclusão final é: Strip Fighter II é uma bomba de bosta. Remover a própria vesícula com aqueles talheres de plástico promocionais que vem com o Sucrilhos de vez em quando, é uma forma muito mais edificante de se passar o tempo.

Mas mesmo uma tragédia como essas tem seu valor. Neste caso, ao nos apontar para a era de preservação de games em que vivemos.

Estamos falando aqui de um jogo obscuro, lançado para um console que nunca alcançou a mesma popularidade que os rivais de sua época. Para todos os efeitos, este é um título que deveria ter desaparecido sem deixar rastros. Mas graças aos emuladores, qualquer pessoa pode fazer uma busca pela internet e ter a chance de experimentá-lo.

Sim, as produtoras de games adoram martelar na cabeça de seu público que emulação é crime, mas elas não fazem o mínimo esforço para preservar a história da indústria que tantos amam. Este trabalho recai sobre os fãs, que recusam a deixar que obras que moldaram suas infâncias caiam no esquecimento.

Strip Fighter II é uma calamidade, mas é um pedacinho dessa história. E acho que merece uma olhada, ainda que breve e cheia de cinismo, por todos que tenham um interesse em videogames.

TETA!

Cheers!!!

13 comentários:

André Colin disse...

Cara, tenho uma paixão platônica pelo PC Engine porque ele foi o primeiro emulador que tive acesso na minha vida, então passei boa parte do final da minha infância/início da adolescência destrinchando Bonk, Bomberman 93 e Ninja Spirit, entre outros.

E a paixão é platônica porque sei que nunca vou conseguir esse console a menos que venda um rim, então sou obrigado a me satisfazer com sua emulação.

Lembro que quando vi que Strip Fighter tinha TETA me dediquei algum tempo a ele, até ver o quanto sua jogabilidade era frustrante e as TETA exibidas eram de qualidade extremamente duvidosa.

No mais, ótimo artigo Amer.

Bia Chun-li disse...

Não se preocupe Amer, tem a continuação dele, o Strip Fighter... IV!!!! Sério.

Bia Chun-li disse...

Não se preocupe Amer, tem a continuação dele, o Strip Fighter... IV!!!! Sério.

Lance Sonovavish disse...

Strip Fighter II acontece em um mundo pós-apocalipse, onde a TETA é lei.

Agora deu vontade de jogar "Mulheres machorras armadas até os dentes".

E venho aqui defender os controles do Tatto assasisns que nem de longe chegam perto dos controles de jogos de luta.

E o Strip Fighters 4 é bom :P
fiz matéria dele anos atrás.

imperion disse...

é amer, em terra de quico, seumadruga é galã

Alex Souza disse...

Não conhecia o jogo. Ótimo artigo Amer!

luizotavio disse...

Eu acho que fiquei mais tempo do que devia olhando o mamilo deformado daquela mulher...

Enfim,ótimo artigo. Me fez rir bastante!

Prevejo que em pouco tempo seu blog vai ter uma daquelas telas de aviso de conteúdo que tem nos blogs adultos kkk

Jaquelyne Oliveira disse...

Amer, aconteceu algo com a pagina do facebook? Nao encontro de forma alguma.

Alias, joguei muito esse troço, e ate tenho o jogo original kkk

Leandro DM disse...

Um dos primeiros casos onde não conheço o jogo. Mas o texto tá foda como sempre

Dúvida: a página do FB morreu? Perguntando mais pq era uma forma de ter uns extras e um feedback mais constante do senhor, seu moço.

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Qualquer dia eu testo esse jogo.... só pra dizer que joguei isso

Kim disse...

Ei Amer, abandonaste o canal no youtube???

Rakka of Glie disse...

Não tente esconder que usa trigger warnings, Amer.

Franci23 disse...

Tive a Supergame Power que falava desse jogo e nela havia essa exata imagem da india, eu no auge da minha adolescencia achava que esse jogo era a salvação da humanidade.