segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Meus G.I Joes Favoritos - Parte 2


Feliz Sete de Setembro!

E que melhor maneira de celebrar a independência de nossa pátria, do que falando de bonecos militares estadunidenses que invadem países do Oriente Médio para tomar seu petróleo?

VIVA A AMÉRICA! VIVA DONALD TRUMP!

Croc Master

Croc Master veio com a última leva de bonecos G.I Joe que ganhei na infância. Na época em que ele foi lançado aqui, eu já tinha dez anos e estava migrando meus interesses lentamente dos brinquedos para os videogames.

Oh, a ter de escolher entre um Nintendo ou um Master System. As crianças de hoje jamais conhecerão este tipo de dilema com seus Pessequatros e Xisbones, com jogos idênticos e exclusivos que não valem o plástico do disco em que foram impressos.

Mas estou divagando.

Para ser honesto, até pouco tempo atrás eu não tinha certeza se Croc Master havia feito parte da minha coleção. Eu me lembrava de ter brincado com ele, mas não sabia se eram memórias reais, ou se eram devaneios implantados em minha mente pelo tio que me molestava durante a infância.

Bom, revirando minha caixa de G.I Joes, eu encontrei Croc Master, todas as lembranças das tardes que passei em sua companhia voltaram feito uma torrente, e agora sei que ele fez parte de minha coleção.

Claro, ainda pode ser que eu tenha sido molestado. Mas isso é assunto para um outro dia.

Agora, se você leu a parte 1 desta série (se não leu, você me enoja), deve se lembrar que descrevi o Sargento Slaughter como o soldado definitivo, capaz de destruir andróides assassinos na porrada e se necessário, desviar ogivas nucleares com as concavidades do sovaco.

Bom, Croc Master era o anti-Slaughter, capaz de duplicar qualquer feito do bigodudo. Na minha mente infantil, eu provavelmente associava o uso de um camiseta regata com a capacidade de realizar feitos sobre humanos. E se olharem bem, irão perceber que a camisa de Croc Master tem escamas. UM CROCODILO PRECISOU MORRER para que este cavalheiro pudesse se vestir como um daqueles vagabundos de boteco do centro.

E tem essa máscara! Minha nossa, a máscara, que é toda preta e tem esse bagulho na frente que eu não sei pra que serve, mas assumo que era pra respirar debaixo d’água, já que Croc Master vivia entre os crocodilos. O sujeito é praticamente uma mistura de Jason, Bane e de um pilantra do bilhar.

Qual era seu papel quando eu brincava então? Bom, os Joes e os Cobra entravam em uma grande batalha e aos poucos, os mocinhos começavam a ganhar a vantagem. Talvez destruíssem um veículo dos vilões e matassem um ou dois de seus oficiais. Quando tudo parecia ir bem para os Comandos, Croc Master entrava em cena e virava a balança a favor dos vilões.

Como? Ele matava três comandos da maneira mais brutal e horrenda possível. Os dois primeiros (sempre escolhidos ao acaso) eram sempre mortos de maneiras especialmente brutais, sendo comidos pelo crocodilo, ou pisoteados pelo vilão até terem seus órgão internos liquefeitos, ou eram quebrados ao meio... Algo assim.

A terceira vítima era sempre uma das garotas, Cover Girl ou Scarlet. Que tinha seu pescoço quebrado e a cabeça totalmente virada para trás, e cujo corpo sem vida era arremessado em um de seus colegas, que então gritava sem parar, no mais absoluto terror..

...

Eu era uma criança problemática.

Após esta entrada triunfal, como deter Croc Master? Lembrem-se que o Sargento Slaughter estava ocupado demais lutando contra o B.A.T (o andróide Cobra, que em minha imaginação, era mais forte que o T-800 e o T-1000 combinados), então a ingrata tarefa de enfrentar este monstro recaia sobre Snake Eyes.

Mas o ninja sozinho não podia com Croc Master, era aí que entrava em cena...


Quick Kick

... O obrigatório asiático mestre em artes marciais dos Joes.

Porque se tem uma coisa que eu aprendi sobre asiáticos no cinema e na tevê, é que ou eles são mestres em artes marciais, ou são caras que dedicaram sua vida aos estudos, e a única experiência sexual que tiveram na vida foi quando a catraca do metrô os acertou no saco.

O curioso nesta brincadeira é que embora eu adorasse o boneco, Quick Kick nunca foi um dos meus personagens favoritos no desenho. Definitivamente, ele estava bem atrás do Snake Eyes, do Roadblock (o negão que só falava em rimas e que por algum motivo foi interpretado pelo The Rock no filme) e da Jinx (a japonesa gatinha que lutava de olhos vendados, e que é interpretada pela bem menos gatinha Elodie Yung no filme).

Mas o caso é: Eu sabia o nome dele. E isso era o suficiente para sua figura ser uma das minhas favoritas.

Isso soou estúpido, então é melhor eu explicar.

Ok, imagine que você acabou de assistir um episódio de Monster High. Você gostou da protagonista mas não gravou o nome dela. Tudo que precisa fazer é ir até o Wiki da série, procurar na página de personagens e logo descobrirá que ela se chama Draculaura... O que é um nome imbecil. Agora você pode digitar “Draculaura Hentai” no Google e se divertir com o que aparece.

Pois bem, naqueles tempos não havia internet. Para aprender o nome de um personagem, tínhamos de prestar atenção a cada vez que alguém o chamasse no desenho animado. Há um limite pro tanto de palavras em inglês que uma criança de dez anos é capaz de aprender. E eu já tinha excedido minha cota com os nomes de batismo dos Autobots.

Assim, o mero fato de saber como me referir a Quick Kick o colocou entre a elite de meus bonecos na época.

Mas aposto que vocês querem saber como acaba a batalha dramática envolvendo o Croc Master, não é verdade? Pois bem, Snake Eyes e Quick Kick tomavam um cacete violento do vilão, e quando este se preparava para estrangular o ninja, ele era empalado pelas costas com a espada do karateca.

...

Era pesado.

Mas com dez anos de idade, eu conseguia criar brincadeiras com mais carga emocional do que qualquer coisa que Michael Bay faz hoje, então toma essa, vida.

Em outras notícias, o boneco do Quick Kick me lembra do Chong Li. O que é sempre um bônus.


Crystal Ball

Aqui temos a prova de que as vezes, o boneco de um personagem que você não conhece tão bem, pode ser muito mais divertido do que aquele sobre o qual você sabe tudo.

Eu não conhecia Crystal Ball do desenho animado, pois até o ponto em que eu assisti a série, ele nunca havia aparecido. Seu cartão de perfil dizia que ele era um pilantra que trabalhava em um desses parques itinerantes, que usava de truques sujos para engambelar as pessoas e tomar seu dinheiro. Um belo dia, Destro apareceu, lhe deu um escudo hipnótico e o recrutou para a organização Cobra... E foi isso.

Agora sejamos francos, quando você vive cercado de androides, sujeitos de cara cromada e todo tipo de assassino e sociopata, ser uma mistura do Saddam Husseim com o Vovô Monstro, que carrega um escudo hipnótico não é grande coisa. Digo, o que ele vai fazer com essa recém descoberta habilidade de controlar a mente dos outros? Convencer o Shipwreck a lhe pagar um boquete? Pelo amor de Deus, Shipwreck é um marujo, não precisa hipnotizá-lo pra isso, é só pedir.

Assim, sem ter o desenho animado como um guia para seguir a risca, pude desenvolver a personalidade de Crystal Ball como bem entendesse. E em minhas mãos, ele não era um pilantra de parque de diversões, ele era a porra do Gandalf.

Ele era capaz de fazer qualquer coisa que envolvesse mágica, ou PES...

...

Percepção extra-sensorial, não Pro Evolution Soccer. Pelo amor da mitocôndria!

Comigo no comando, Crystal Ball podia se teletransportar, ler mentes, prever o futuro, disparar rajadas de energia com seu escudo, executar vôos de curta distância, e caso se lembrasse, hipnotizar pessoas também. Com todo esse poder, Crystal Ball podia facilmente se tornar o líder dos Cobra, bastava entrar no escritório do Comandante Cobra, trocar seu rosto e sua bunda de lugar no corpo e pronto. Para alguém com esta vastidão de poderes, aprender manipulação de matéria era um pulinho.

Acho que Crystal Ball não tinha interesse em lidar com todo o stress de liderar um grupo terrorista, e se contentava em ser um bem pago e onipotente oficial de alto nível. De fato, com ele e Croc Master no mesmo time, era pra organização Cobra ser capaz de cominar o mundo sete vezes seguidas antes do fim de semana, mas como acontecia com seu amigo parrudo e mascarado, Crystal Ball também encontrava um final violento antes que pudesse causar baixas notáveis aos heróis.

Normalmente, eu colocava Crystal Ball para lutar contra o Duke, e enquanto ele estuprava o cérebro do líder dos comandos com seus poderes mentais, algum outro Joe entrava em um dos vários tanques a sua disposição e disparava UMA PORRA DE UM MÍSSIL CONTRA CRYSTAL BALL!!!

O VILÃO ERA DESTRUIDO POR UM MÍSSIL!!!

DRAMAAAAAAAAAAAA!!!


Iron Grenadier

O Iron Grenadier é outro personagem que eu nunca vi no desenho. Considerando a caracterização de bosta que a série dava para a maioria dos personagens coadjuvantes, isso talvez tenha sido uma benção.

Os Iron Grenadiers (isso, no plural) são a milícia particular do Destro. Eles são como os Guardas Reais do Imperador em Star Wars, sabemos que no fundo não servem pra nada, mas eles tem um visual tão foda que ignoramos o quão inúteis os sujeitos são na maior parte do tempo.

Mas o legal dos Iron Grenadiers é que eles não são meros soldados, mas funcionam também como representantes comerciais do Destro.

Lembremos que além de ser um dos chefões da Organização Cobra, Destro é também um contrabandista de armas. Quando não está tolerando os planos imbecis do Comandante Cobra ou fazendo sex tapes com a Baronesa, Destro descola um troquinho por fora, fornecendo armamentos para os maiores déspotas do mundo.

... O que é muito contra producente, se pensarmos bem. Se você quer dominar o mundo com sua organização terrorista, por que armar gente eu pode ser um obstáculo no futuro? A menos que as armas de Destro sejam uma bosta, e ele saiba disso... Nesse caso ele é tão ruim quanto Ryu e Ken, que vendiam armas de brinquedo pros vilões em Street Fighter – A Última Batalha...

... É tarde. Eu sempre me pego pensando em filmes do Van Damme na madrugada.

Mas enfim, suponhamos que Destro tem um grande acordo de venda de armas para fechar com o Kim Jong Un e não pode ir porque finalmente convenceu a Baronesa a fazer um ménage com a Zarana. Eis que ele envia um Iron Grenadier para fechar o negócio e o sujeito recebe uma comissão pela sua venda.

Basicamente, são vendedores de loja glorificados. Mas hey, estar um passo acima de um Stormtrooper, soldado da Organização Cobra ou qualquer sujeito que trabalhe como infantaria, é sempre um bom começo.

Novamente, eu não podia convencer minha mãe a comprar DEZESSETE destes bonecos, então tinha que botar a cabeça pra funcionar pra transformar um mero soldado em uma produtiva engrenagem do menos afinado grupo terrorista do mundo. Desta forma, o Iron Grenadier se tornava o guarda costas pessoal do Destro, que matava ou mutilava qualquer um que fosse uma ameaça para seu empregador.

Claro, o Iron Grenadier nunca se tornou uma ameaça do nível do Croc Master ou Crystal Ball, mas ele era um soldado competente quando eu brincava. Normalmente, eu o fazia derrubar um dos aviões (isso, UM AVIÃO) dos Joes com os canhões manuais que ele carregava, só para que o piloto do veículo abatido aterrissasse com seu para quedas e o cobrisse de porrada. Era o momento que o Iron Grenadier se retirava do campo de combate...

... Oh, mas ele não ficava ausente por muito tempo. Quando a batalha parecia vencida e o único obstáculo entre os mocinhos e a vitória era o Comandante Cobra, eis que o Grenadier retornava ao campo de batalha pilotando D.E.M.O.N, seu tanque de assalto particular... Que resultava no desfecho dramático que eu usava para encerrar todas as aventuras que bolava com os G.I Joe.

Desfecho este que contarei daqui a pouco.


Overlord

O Overlord também foi uma das últimas figuras da linha que eu ganhei. De fato, tenho certeza que o trouxe pra casa junto do Croc Master, que dia glorioso deve ter sido.

Este é mais um dos personagens que eu jamais vi no desenho e como tal, tive total liberdade para desenvolvê-lo como bem entendesse. O caso é que não me devotei ao Overlord como fiz com Croc Master e Crystal Ball. Ao invés disso, apenas copiei a personalidade de um outro vilão muito popular na época.

Para quem pensou no Destruidor, parabéns! Você ganha absolutamente NADA!!!

Basicamente, Overlord era uma versão mais competente do Destruidor, e o parceiro de duplas do Dr. Mindbender, este um vilão muito desenvolvido da série animada e sobre o qual falarei em outra oportunidade.

O caso é que eu colocava Overlord e Mindbender juntos como uma dupla dinâmica da malevolência. Um era o músculo e o outro o cérebro. Um lutava com garras afiadas e o outro com armamentos futuristas. Um pilotava os veículos e o outro bolava estratégias. Um tinha entradas enormes no cabelo e o outro era careca. Um usava máscara e o outro bigodão de torturador chinês.

E ambos usavam monóculo, o que tornava este par ainda mais perfeito.

Eventualmente, um dos dois (geralmente o Mindbender) era morto de forma espetacular, como sendo atingido pelos destroços do avião que o Iron Grenadier derrubou lá atrás. Ao presenciar tal cena, Overlord entrava em estado de loucura incontrolável e sais estraçalhando todos que via pela frente, fossem amigos ou inimigos... Até ser despachado de forma espetacular também.

Talvez sendo comido pelo crocodilo órfão do Croc Master, que ficou esquecido no campo de batalha após a morte de seu mestre.

E relendo este último parágrafo, acabo de me dar conta que transformei Overlord e Mindbender em um casal gay.

Oh bem, o amor floresce nos lugares mais estranhos, desde um campo de batalha, até o quarto de um moleque gordo e perturbado que passava tempo demais com bonequinhos de soldados.


O Cobra Blindado

Ok, sente-se porque tem uma bela história por detrás desse aqui.

Aliás, se você precisou sentar após ler a última sentença... QUAL É SEU PROBLEMA? Você lê meus artigos em pé? Fica lendo eles no celular enquanto pratica Cooper pela cidade? É assim que acidentes acontecem e famílias são destruídas, seu monstro!

Mas enfim, existiram duas séries distintas dos G.I Joe nos anos 1980. A primeira foi produzida pela Marvel Sunbow e foi ao ar entre 1983 e 1986. A segunda foi produzida pela DIC, que a lançou entre 1989 e 1992.

A série da DIC era uma merda.

Não que a DIC fosse uma merda. O estúdio produziu muita coisa boa como Capitão Planeta, Dinosaucers e Pole Position. Mas sua versão de G.I Joe era uma merda.

E como tal, eu nunca assisti.

Sim, eu sei o quão incoerente é dizer que uma série que eu nunca assisti é uma merda. Mas são quase cinco da manhã enquanto eu escrevo e não vou fazer mais sentido do que isso a este horário.

O caso é que o Cobra Blindado nada mais é do que o Comandante Cobra da animação da DIC.

POIS TASQUE O MEL EM MIM E ME JOGUE PRO VILLAGE PEOPLE! Porque eu só descobri isso no ano passado.

Yep. Eu passei a minha vida inteira reclamando que NUNCA, JAMAIS, tive um boneco do Comandante Cobra e vejam vocês, estava de posse de um deles o tempo todo. Mas que coisa absurda!

Eu provavelmente ganhei esta figura nos idos de 1989, quando a série tinha acabado de estrear no EUA, mas não dava nem sinal de que um dia seria lançada aqui. De fato, lembro que ela começou a passar no Xou da Xuxa em meados de 1992, mas a esta altura eu já havia há muito perdido qualquer interesse que pudesse ter pela franquia. Lembrem-se, estávamos na era dos videogames.

Ok, eu não sabia que este era o Comandante Cobra, então novamente tive de desenvolver todo um personagem e poderes para o Cobra Blindado. Por pura preguiça, eu o transformei no Homem de Ferro.

É, o cara vestia uma armadura. Então é claro que ele voava, disparava rajadas de plasma (ou qualquer outra coisa que soasse tecnológica no meu cérebro infantil) e era capaz de suportar até mesmo os mísseis que haviam explodido o Crystal Ball.

Pois é. Assim que o “feiticeiro” Cobra era abatido, o Cobra Blindado entrava em campo, e o mesmo tanque que havia abatido seu colega disparava contra ele, que sem nenhum esforço segurava o míssil em suas mãos e o arremessava de volta... Explodindo um veículo dos Joes e matando seu piloto, porque DRAMAAAAAAAAAAAAAA!!!

Agora, eu sei o que você deve estar pensando: Primeiro um monstro humano que controla jacarés, depois um feiticeiro capaz de dar aulas pro Dumbledore, e agora o Cuzão de Ferro. Os Joes realmente se lascaram nessa brincadeira, heim?

Mas a verdade é que eu estava apenas igualando o campo de batalha. Por culpa da Estrela, que lançou mais heróis do que vilões, eu tinha dois Comandos para cada Cobra. Assim, eu tinha que aumentar o Level dos bandidos para níveis World of Warcraft de apelação para que eles tivessem uma chance.

E embora eu não me lembre com clareza, tenho certeza que alguém descobria uma fraqueza imbecil na armadura do Cobra Blindado. Por exemplo, que ele explodiria se alguém removesse sua mochila durante o combate.

Por que isso aconteceria? E eu sei lá? Mas o Comandante Cobra uma vez tentou aprisionar os Joes em um parque de diversões que ele próprio havia construído. Então não é como se ele não fosse capaz de criar uma armadura com uma falha de design tão esdrúxula.


O Cobra de Aço

E pra encerrar, eu tenho uma criatura especial. O Cobra de Aço é um retool, ele é tudo que há de errado e de certo em colecionar brinquedos.

Mas preciso explicar alguns dos termos da vida de colecionador para vocês. Sim, vocês que não sabem o que é um retool... mas que sabem o significado de tantas outras coisas, como amor, sexo, amizade e felicidade. Coisas que gente como eu só descobre o que são através do Tumblr... Porque ninguém mais lê blogs.

EU ESCREVO PARA O VÁCUO!!!

Ma bene, um retool é quando pegam um boneco, mudam uma peça significativa nele, como a cabeça, o pintam com outra cor e o vendem como um personagem inteiramente novo. Por exemplo, pegam o Optimus Prime, trocam a cabeça dele e colocam a de um robô com cara do Lemmy do Motorhead, pintam de roxo escuro, chamam de “Motor Master” e vendem como exclusivo na Comic-Con.

E como colecionador é uma desgraça, lá vai ele pagar a bunda pra ter o bonequinho exclusivo, só pra postar a fotinha dele nas redes sociais e deixar os outros colecionadores com invejinha.

Lastimável.

Repugnante.

Fiz muito isso.

Pois bem. O Cobra de Aço vem com a cabeça da primeira versão do Snake Eyes, com uma pintura cromada, e com o corpo do Flash, lançado por aqui como “Comando Raio-Laser”. E o mais importante nessa história: Ele é um boneco exclusivo do Brasil.

SIM! A Estrela o criou e lançou exclusivamente em território tupiniquim! Ele jamais chegou às lojas da terra de Ronald Reagan!

VITÓRIA! SIM!

Nossa seleção pode tomar 7x1 da Alemanha na Copa, nossa educação pode ser uma piada e nossa economia está indo pras cucuias! Nossa produção cultural está no fundo do poço, porque está nas mãos de um bando de canastrões que não saberiam o que é “entretenimento” nem que isso lhes mordesse o pinto... Mas o que importa é que O COBRA DE AÇO É EXCLUSIVO DO NOSSO PAÍS!

VIVA O BRAZUL! N-E-P-A-L! BRAZUL!!!

Mas talvez o mais importante de TUDO ISSO... É que nas minhas mãos, o Cobra de Aço foi promovido a Comandante Cobra. Afinal, ele já tinha a cabeça cromada e tudo mais, porque não lhe dar o controle de um exército terrorista do qual o próprio Bin Laden teria inveja?

E com tamanha responsabilidade, vinha também o privilégio de ter a morte mais ESPETABULOSA das minhas brincadeiras.

Normalmente, após toda a carnificina que ocorria durante a tarde (eu começava a brincar lá pras duas, e sempre terminava por volta das sete) tudo se resumia a uma troca de socos entre o Duke e o Comandante Cobra no alto de uma montanha (interpretada pela minha cama), onde os dois subiam eu sei lá como.

Após muito sangue, suor e Slurm, Comandante Cobra obtinha a vantagem e preparava-se para dar o golpe de misericórdia em seu inimigo... Que em um último e glorioso fôlego, o atingia com um SHORYUKEN... E o derrubava da montanha.

Comandante Cobra se estatelava lá embaixo, tinha a coluna quebrada e não mais podia se mover, era quando...


Brinquedo Bônus: D.E.M.O.N

... Ele era esmagado por esta atrocidade mecânica, pilotada por Snake Eyes.

Como eu disse, o Iron Grenadier fugia do campo de batalha após ser desarmado, e regressava pouco depois pilotando o D.E.M.O.N. Os Joes sobreviventes entravam em pânico e tentavam se abrigar do poder de fogo absoluto do tanque... MENOS SNAKE EYES! Snake Eyes é ninja e não desiste nunca! E ele escalava o D.E.M.O.N., chegava até o cockpit, estripava o bucho do seu piloto, arremessava seu corpo inerte para fora da cabine, então assumia o controle do tanque e com ele esmagava de forma horrível o corpo paralisado do Comandante Cobra.

MEU DEUS, COMO ERA DIVERTIDO BRINCAR ASSIM!!!

Em uma nota menos psicótica, tenho um carinho especial por este tanque, porque ele foi o último brinquedo que ganhei de presente da minha avó.

Me lembro até hoje. Eu estava com quase 12 anos, e tinha atingido o limite de idade que era considerado socialmente aceito brincar com brinquedos. De fato, era algo que eu escondia ferozmente de todos os meus colegas de escola. Não que eu fosse popular, pelo contrário. Eu só não queria dar a eles mais um motivo para me zoarem, Deus sabe que eles já tinham o suficiente.

Seja como for, eu havia ido com a minha avó ao super mercado, fazer as compras do mês, atividade que vezes eu odiava, vezes eu gostava. Neste dia em especial, sei lá como, eu a convenci a ir até o então novo shopping Center que havia sido inaugurado no centro de Guarulhos. Caminhamos do mercado até lá, minha avó com sua dificuldade para andar e tudo, naquela dedicação que uma senhora sempre tem pelo neto, e fomos direto até a loja de brinquedos local... Que agora eu não lembro se era RiHappy ou alguma outra franquia que sumiu com o tempo.

Aproveitei que minha mãe não estava por perto para me dizer: “não, é muito caro”, e arrisquei para ver se minha avó concordava em me presentear com um trambolho destes sem que fosse meu aniversário ou algo do tipo.

Bom, ela concordou. E tomamos um taxi para casa, onde eu prontamente desembalei o D.E.M.O.N. e o acrescentei aos teatrais embates entre comandos e Cobras que eu passava a tarde inteira imaginando.

Foi o último brinquedo que tive em minha infância e acho que não poderia ter encerrado de forma melhor.

Este não foi o último presente que ganhei da minha avó no entanto. Esta glória seria reservada ao meu primeiro Playstation 2, que está quebrado além da possibilidade de reparo, mas que guardo como lembrança dela.

Bom, é isso. Peço desculpas por ter fugido da comédia neste último trecho do artigo.

Ok, são quase 8 da manhã. Virei a noite, mas terminar este artigo e agora vou dormir um pouco. Cheiro vocês mais tarde.

Cheers!!!

7 comentários:

Hao Cinis disse...

Nunca aprendi o nome do Quick Kick. Eu tinha posto uma armadura de cartolina do Jiraiya nele, fazendo de conta que, de alguma forma, os personagens dos tokusatsus que eu assistia quando moleque foram alistados pelos Joes. Bons tempos, realmente.

Você faz parecer que o Iron Grenadier é um revendedor superpoderoso da Avon, só que com salário melhor... e vendendo produtos igualmente perigosos.

Cara, feliz é quem teve uma infância regada a tantos comandos em ação (sem amigos, mas, ei, IMAGINAÇÃO). Como não tinha veículos além daquele caminhão-maleta e de um carro C.O.B.R.A., sempre acabava faznedo alguma coisa com caxas de fósforo, tampas ou o que mais encontrava. Mas, ter um trambolho como esse D.E.M.O.N. deve ter sido tudo de bom.

Ah, MALDITA HORA em que eu resolvi que estava "adulto demais" aos 14 e decidi me livrar da minha coleção! Com mil grimers...

Luis Paulo S.M disse...

Muito legal essa matéria. Poderia nos falar um dia sobre as aventuras sanguinolentas com seus bonecos do He-Man?

Valter Machado disse...

Quanta criatividade! Eu nunca criei batalhas tão epicas entre meus bonecos. O maximo que eu fiz foi uma luta entre Kratos e Predador... que nem teve final pois eu não conseguia decidir quem deveria perder a batalha.

Diego Alberto disse...

Épico!

Incrível como se lembra com tanta riqueza de detalhes as histórias. Eu só consigo me lembrar que sempre me inspirava em filmes. E minha coleção era bem variada - não tinha uma série só. O mais legal era escolher os vilões e os heróis. E passei pelo mesmo problema da idade, e também escondia o fato de ainda brincar mesmo depois de "velho".

O que não daria para lembrar de uma história...

Anderson "ANDF" Ferreira disse...

Os Comandos em Ação que tive, eram sobras de bonecos que um primo riquinho escroto tinha e jogou fora. Me divertia brincando com retalhos, massa de modelar e peças de montar. Sniff!

Gabriel Santos disse...

Esse Sargento Slaughter parece alguém "montado" para frequentar uma boate gay S&M do lado errado da cidade.

Texugo disse...

Muito legal, também tinha vários G.I.Joes, e por incrível que pareçaeu estava já começando a escrever há algum tempo um post como esse, com a lista daqueles que eu mais gostava. Absurdo mesmo que fizeram com o Snake Eyes nos primórdios, só porque o cara se vestia todo de preto tinha que ser inimigo. Blog sensacional, parabéns!