domingo, 9 de agosto de 2015

Grandes aberturas de Anime


Muito bem, quero que vocês imaginem uma cena agora.

Imaginem o diretor de animação de um conceituado estúdio japonês, que acaba de assinar contrato para produzir uma nova série, inspirada no mangá mais badalado da atualidade. O sujeito recebeu o roteiro do primeiro episódio e o leu, chegando então a uma única e inabalável conclusão.

A série é um horror.

No dia seguinte, ele se reúne com sua equipe, e tem uma conversa extremamente profissional e séria com eles:

- Gente, acabei de receber o roteiro do primeiro episódio de Super Mamilos da Perseverança... E é uma merda. Digo, é MERDA! Uma MERDA DA PORRA! Digo, se eu cagar na nossa mesa de reuniões agora, minha BOSTA vai ter mais potencial narrativo do que essa DIARREIA que nós precisamos animar. Eu comi repolho, feijão e carniça hoje de manhã, e o que quer que meus intestinos produzam será mais arte do que isso aqui. É MERDA fervendo ao sol, é isso que isso é.

Após uma breve pausa, ele continua:

- MAS... Nós somos profissionais. E temos de fazer este monte de merda maldita parecer bom. Desta forma, só temos uma escolha: Vamos fazer uma abertura tão fodida de boa, que o público inteiro será fisgado pela bunda e se sentirá na obrigação de assistir a série até a metade, antes de perceber que ela é MERDA absoluta.

Pelo menos, eu acho que esta é a lógica que os estúdios de animação japonesa seguem. Porque vamos ser francos, 67% do que sai do Japão é merda. Os animadores tem de dar um jeito de nos encher de adrenalina para aguentar a dose cavalar de coliformes fecais que estaremos recebendo através de nossas televisões. E na maioria dos casos eles fazem este serviço tão bem, que só lá pro capítulo 152 nós saímos do transe e dizemos: “Eeeeeeeei, mas essa série é uma MERDA!”

Então, eles lançam uma nova abertura, e ficamos hipnotizados até o episódio 307.

E dez anos depois, lá tá você, escrevendo um artigo sobre as melhores aberturas de anime de todos os tempos.

HA!

Então, aqui vão algumas de minhas aberturas de anime favoritas.

E vamos nós!


Devilman – 1972

Leitores mais antigos devem conhecer Devilman, pois já mencionei a série algumas vezes, ao longo da vida do site. Para quem está chegando agora, este é um dos maiores trabalhos de Go Nagai, que em minha opinião é o Alan Moore japonês

Não me interessa se estou certo nesta definição, já me apeguei a esta frase e a repetirei até o fim de minha vida.

Aqui, acompanhamos a história de Akira Fudo, um japonês genérico que junto de seu melhor amigo, descobre que a horda de Satã está prestes a invadir a Terra e exterminar a humanidade. O rapaz descobre que para combater o mal, ele precisa se tornar um cuzão, e para isso, ele é possuído por Amon, o demônio da guerra.

Com a força de um demônio e o coração de um humano, Akira transforma-se em DEVILMAN! E então passa a combater todo tipo de aberração par defender a humanidade. Infelizmente, sua luta prova-se inútil e toda a raça humana é exterminada POR DEMÔNIOS SEDENTOS DE SANGUE E MORTE! GAAAAAAAAAAAAAAH!!!

E como se faz um desenho baseado numa obra tão apocalíptica? Simples! Esqueça todo o horror presente no original e crie uma série de porradinha besta inocente que poderia ser exibida no Xou da Xuxa! Êêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê!!!



Se o tom dessa abertura não deixou claro, a adaptação de Devilman não segue o tema de horror do original a risca. É uma série de ação besta, com uma premissa besta (Devilman se apaixonou por uma menina humana e a protege de demônios do mal) mas que consegue ser muito divertida, em seu jeito besta de ser.

O mais interessante é que esta abertura é um claro produto de uma época em que as gravadoras japonesas ainda não tinham se tocado que os fãs de anime pagariam muitos dinheiros pelas trilhas sonoras de suas séries favoritas, para poderem escutá-las o dia inteiro em seus Walkmans.

Walkman.

Isso, Walkman. É o que usávamos para escutar músicas no passado. Colocávamos fitas cassete neles e...

Fitas cassete. Isso.

É o que usávamos pra gravar músicas, antes de surgirem os CD’s.

Isso, CD. Aqueles discos prateados, que vinham com músicas gravadas e ... OH MEU DEUS, COMO EU SOU VELHO!!!

Seja como for, na época de Devilman, o BOOM das trilhas sonoras de Anime ainda não havia acontecido, e as músicas não eram produzidas com um terço do cuidado que são hoje. Este tema mesmo, parece ter sido composto, gravado e mixado em cinco minutos, por três desempregados que o estúdio achou na estação de trem bala e que foram pagos em café e calcinhas mijadas.

Mas havia um charme inegável neste tipo de produção porca, pois de alguma forma, ela gerava musiquinhas que grudavam em nossas mentes para sempre. Você mesmo, agora que ouviu o tema de Devilman, irá cantarolá-lo quando menos esperar. Por exemplo, em um banheiro público.

E a pessoa na privada ao lado irá se questionar sobre porque porras você está cantando uma música sobre demônios e possessão para suas fezes.


Voltes V - 1977

Acredito que este foi o segundo Anime que eu assisti na vida. O primeiro foi Astro Boy, que naqueles tempos era conhecido como “o menino feio do saquinho daquela pipoca repulsiva que vendem na escola.”

Sim, bons tempos, bons tempos.

Voltes V eu conheci por intermédio de uma fita de vídeo. Naquela época, as vídeo locadoras compravam animes por quilo, mas raramente traziam mais de uma fita por série. O raciocínio deles era algo na linha de: “Você gostou da série que trouxemos e quer ver o resto dela? Então vá trepar com a cadela do demônio, pois cinco episódios é tudo que você terá.”

Dito e feito, a fita de Voltes V que minha mãe alugou continha apenas os primeiros cinco episódios da série. E rapaz, eu os assisti até meu pinto cair. Fiquei tão obcecado por este anime que decorei toda a letra do seu tema de abertura:



Ou... Decorei tão bem quanto uma criança idiota que mal sabe português pode fazer, substituindo palavras de outro idioma por completos relinches.

Toda década tem um gênero de anime que se destaca e acaba sendo o padrão daquela época. Nos anos 1980 foram as séries de porradinha, nos 1990 foram as histórias pseudo existencialistas que não iam pra lugar nenhum, nos anos 2000... Eu não faço ideia, porque parei de prestar atenção a indústria nessa época...

Nos anos 1970 eram animes onde quatro jovens estereotipados e uma garota (porque alguém PRECISA ser objeto nestas animações) unem forças para pilotar um robô gigante e frustrar os planos de invasão de uma raça alienígena que é idêntica aos humanos, exceto pela cor da pele ou por algum detalhe anatômico, como chifres.

E é exatamente isso que Voltes V era. De fato, a série é tão sem personalidade que não consigo lembrar de um episódio sequer dela. Se me esforçar, consigo pensar em uns três episódios diferentes de Rei Arthur, que é um desenho que não vejo há 25 anos. Mas Voltes V? Nada.

Não, correção. Lembro de uma cena da série, onde a menina do grupo vai parar no hospital, porque... Motivos. E aí os rapazes enchem o saco dela, ela fica irritada, e a enfermeira lhe dá uma bronca, do tipo “se ficar nervosa, não vai sarar”. Então ela fica sem graça e os rapazes caçoam dela, porque ela tem uma vagina.

Aaaahhhh, os anos 1970 e seu machismo adorável.

Mas o que eu mais amo na abertura de Voltes V, é sua música. Novamente, ela foi criada em uma época onde trilhas sonoras de animes não eram o negócio milionário que são hoje, e não se parece com aquilo que nos acostumamos a ouvir em tempos recentes.

De fato, quero que imaginem uma cena.

Sim, sei que já pedi isso hoje, mas estou pedindo de novo. Me agradem, sim?

Imaginem que estão em um ônibus, fazendo uma viagem para o acampamento com seus colegas de escola da quinta série, que vocês odeiam. Agora imaginem que a viagem deveria durar apenas uma hora e meia, mas vocês já estão presos na estrada há oito horas por algum motivo qualquer. Sei lá, o arcanjo Gabriel caiu dos céus, estatelou-se no asfalto e a polícia, os bombeiros e a Sonia Abrão fecharam a estrada para investigar. Eis que a professora percebe que seus alunos estão ficando desesperados de tédio, ela então pula na frente do ônibus e tenta fazer toda a molecada a acompanhar em uma música idiota improvisada na hora.

É com essa música que o tema de Voltes V se parece. Com algo que uma professora bolou em uma emergência para impedir que o caos tomasse conta da turma que ela estava vigiando.

E Deus abençoe todas as professoras do mundo. Essas mulheres abençoadas, que tem ovários de aço pra aguentar os filhos insuportáveis dos outros e os levar em viagens e passeios que já seriam chatos de ir com os próprios filhos.

Professoras, eu as saúdo!


Super Dimensional Fortress Macross – 1982

Macross é um dos mais importantes animes já criados. Se você se considera um fã de animação japonesa e jamais assistiu esta série, sua vida foi um desperdício. Vá até o banheiro e se mate.

Macross é uma das maiores obras de ficção científica da história, ao lado de Star Trek, Star Wars e Chiquititas. Sua história pode ser resumida com a frase: “uma história de amor que floresce em meio a guerra... NO ESPAAAAAAAAAAAAAAAÇO!!!”

De fato, Macross foi o precursor do estilo “naves que disparam milhões de mísseis zigue-zagueantes que acertam tudo, menos uns aos outros”. Mas além das tretas épicas, a série trazia triângulo amoroso, invasores belicistas que aos poucos redescobrem sua humanidade e desenvolvimento de personagem.

Coisas que são substituídas por tetas sendo apertadas e decapitações em séries modernas.

E a abertura! Oh, a abertura!



Eu amo o anacronismo desta abertura! Na tela, vemos caças espaciais se transformando em robôs, tiroteios, destruição espacial, naves e tecnologia que não apetece ao nosso senhor Jesus Cristo... E tudo ao som de um belíssimo Enka.

“Enka” são as músicas que os samurais cantam. Eles enchem a cara, vão no karaokê ou no Japan Pop Show, soltam meia dúzia dessas baladas, matam os inimigos que os aguardavam na saída, voltam pra casa, espancam seus filhos e depois enchem suas esposas até elas toparem fazer sexo anal.

E vou encerrar este parágrafo aqui. Pois aprendi que na vida é sempre bom parar quando se chega ao sexo anal.


Comando Dolbuck – 1983

Este é muito especial pra mim, e por vários motivos. Mas vou citar apenas um deles, porque sou um cuzão.

Dolbuck foi o terceiro anime que assisti na vida, mas o primeiro pelo qual fiquei completamente obcecado. De fato, um dos protagonistas morre perto do fim da série, e foi a primeira vez que eu chorei por causa de um personagem de desenho animado.

Sim, antes mesmo da morte do Líder Optimus. Lembro-me como se fosse ontem, do sacrifício heroico do Pierre, de chorar tanto que minha cara ficou amassada como a de um buldogue em uma prensa, e do meu pai, me olhando com desprezo, como quem pensa: “Como esse moleque de seis anos ousa chorar na minha frente?”

Um homem compreensivo e amoroso, esse meu pai.

...

Agora que deixei todos desconfortáveis com esta lembrança, vou contar a trama da série.

No longínquo ano de 1999, alienígenas do espaço invadem a Terra. Igual Macross.

E eles são todos pessoas lindas, de pele azulada e cabelos verdes. Igual Macross.

E os heróis da série precisam detê-los, pilotando veículos espaciais que se transformam em robôs. Igual Macross.

...

Sabe todas as vezes que eu disse que os animes modernos não tem criatividade? É, vou parar de fazer isso.

Mas sabem o que Dolbuck tinha que não era igual a Macross? Sua abertura!



Dolbuck não contava com o mesmo orçamento de Macross e desta forma, seus produtores não puderam contratar um samurai emburrado para cantar sua música tema. Assim, eles juntaram seus trocados e foram atrás da segunda melhor opção: Menudos japoneses!

Digo, eu pelo menos, imagino um bando de rapazotes nipônicos, sem um pelo sequer no corpo, todos vestindo lycra com cores fosforescentes dos anos 1980, com bandanas estilo Olivia Newton John, pululando por um palco enquanto olham nos olhos de suas fãs e falam “Terra, eu te amo.”

E as meninas ficam todas: “Ai, ele disse que sou redonda e retenho líquido, mas ele me ama, e isso é o que importa.”


Hokuto no Ken 2 – 1987

Se não conhece Hokuto no Ken, eu espero que troquem sua escova de dentes com a de um mendigo e que você pegue AIDS.

Sei lá como alguém vai fazer isso, só espero que aconteça logo.

Enquanto você ainda está vivo e curioso com a série, vou resumi-la em uma frase: Um bando de machos que estraçalham uns aos outros com socos, em um mundo pós-guerra nuclear.

E ambientação da história pode ser resumida como: “OH MEU DEUS, A GUERRA NUCLEAR EXTERMINOU A RAÇA HUMANA, O MUNDO VIROU UM DESERTO, NÃO HÁ COMIDA, NEM ÁGUA, TODOS PODEMOS MORRER A QUALQUER MOMENTO POR CONTAMINAÇÃO COM CINZA NUCLEAR, E GANGUES DE BANDOLEIROS INVADEM NOSSAS VILAS, DEGOLAM NOSSAS CRIANÇAS E ESTUPRAM SUAS GARGANTAS! OOOOOOOH, A HUMANIDADE!!!”

Então, que tipo de música os produtores da série acharam que representaria adequadamente a desesperança e a tristeza da série? Um J-Pop-Rock pululante, mas é claro!



Agora, se você conhece Hokuto No Ken, deve estar mais familiarizado com You Wa Shock, o lendário tema da série que todos fingimos saber de cor. O que vocês ouviram foi Tough Boy, tema da segunda temporada do Anime, que é muito menos popular que a primeira, e para o qual mesmo os fãs mais dedicados da franquia estão pouco se fodendo.

Eu juro. Já comecei a assistir a segunda fase de Hokuto no Ken umas sete vezes e sempre paro na metade. É óbvio que neste ponto da história, os autores da série estavam tão de saco cheio de escrevê-la, quanto os fãs ficam de acompanhá-la.

Acontece, pergunte a Rumiko Takahashi quando ela estava escrevendo... Tudo... Em Inuyasha.


City Hunter 2 – 1988

City Hunter conta a história de Ryo Saeba e Kaori Makimura, detetives que resolvem casos complexos e lutam dia e noite para livrar Tokyo do crime.

Agora assistam a essa abertura:



Não parece um anime cheio de classe, requinte e bom gosto?

Daí você descobre que em um episódio, Ryo encaixa o pau duro em uma jangada e fica preso a ela.

...

HA!

  
Yoroiden Samurai Troopers - 1988

Samurai Troopers é uma série sobre... Hmmmmm... Samurais, eu acho. Onde os heróis unem forças para derrotar o mal, aqui representado por... Hããããããããã... Gente. Gente ruim. E todos vestem armaduras, porque se há uma lição que aprendemos com Cavaleiros do Zodíaco e Shurato, é que se você tascar armaduras em personagens sem graça, eles correm o risco de se tornar minimamente interessantes.

Desculpem, eu não consigo. Não du a mínima pra Samurai Troopers, me importo menos com essa série do que com a segunda fase de Hokuto no Ken.

De fato, a própria abertura é uma das poucas que não se esforça muito pra tentar vender seu produto. Vejam vocês:



Claro, a música é incrível, mas a ação é morna, a animação tem menos frames que uma página da revista Contigo, e o design dos personagens é menos atraente do que um octogenário na praia.

Se me perguntarem a memória mais vívida que tenho desta série, irei remeter a revista Herói.

Pessoal da minha geração sabe do que eu estou falando. Para todos os demais, Herói era uma revistinha safada, que vendeu milhões de exemplares contando spoilers de Cavaleiros do Zodíaco pra molecada.

Sabe spoilers? Aquelas coisas de que vocês fogem toda noite que tem um episódio novo de Game of Thrones? Pois é, no meu tempo a gente PAGAVA pra levar spoiler nos chifres.

Os anos 1990 foram estranhos.

Enfim, lembro que um editor da revista Herói escreveu uma matéria sobre Samurai Troopers, e fez a série parecer melhor do que um boquete caramelado. O mesmo sujeito depois escreveu outra matéria, mas sobre Shurato, detonando a série e declarando o quanto ela não passava de uma cópia de Cavaleiros do Zodíaco, e como caiu no esquecimento, e BLAH-DI-BLAH-DI-BLAH!

No fim das contas, Shurato era a menos ruim das duas, o que só prova o quanto este dito editor não sabia merda nenhuma da porra.

Anos depois, este mesmo editor foi em uma biblioteca de mangás do centro de São Paulo e bateu no editor de uma revista rival, porque um amigo deste outro editor escreveu um artigo que desmentia um monte de bobagens que o camarada em questão havia escrito em sua revista.

E o editor espancador já tinha perto de seus 30 anos quando aprontou essa imbecilidade.

Dramas do meio otaku paulistano. Porque The Babaquice is Timeless.


Slam Dunk – 1993

Se me dão licença, serei tendencioso por um momento. Slam Dunk é a MELHOR SÉRIE DE ESPORTES QUE EU JÁ ASSISTI! É melhor que Captain Tsubasa...

...

É, eu só assisti essas duas. Mas escutem, Slam Dunk é PHODA.

A história é simples. Um grandalhão arruaceiro (Hanamichi Sakuragi) se apaixona por uma menina e descobre que ela adora basquete. Então, ele entra para o time da escola na tentativa de impressionar a moça, e com o tempo se apaixona pelo esporte.

E é isso.

Ora, essa não é a pior coisa que eu já vi um cara fazer pra conquistar uma garota. Eu, por exemplo, tentei assistir Dr. Who pra ter assunto com uma bonitinha de quem estava gostando.

...

Entrar pro time de basquete teria sido menos doloroso.

Mas bem, vejamos a abertura.



Se me permitem falar sério por um momento, eu amo a forma como esta abertura retrata a série. Ela se foca quase que totalmente em cenas de treinamento, que é o que os personagens mais fazem ao longo da história.

90% da vida de um atleta é treinamento. Sujeito treina, treina, treina e treina mais um pouco, torna-se o melhor que pode naquilo que faz, e os dias de competição são a prova de fogo para todo este treinamento. Não há garantia de vitória, só a esperança de que toda a preparação seja suficiente para se chegar ao topo.

E é isso que torna Slam Dunk tão incrível. Acompanhamos todo o esforço de Hanamichi e seus colegas, toda a dedicação ao esporte, e o crescimento pessoal de cada um. Sabemos o quanto se esforçaram e torcemos para que tenham sucesso em cada partida que disputam.

Graças a isso, todos os grandes jogos da história nos deixam na mais pura aflição. Cada vitória nos faz vibrar, e as derrotas fazem sentir como se nós tivéssemos perdido aquela última cesta.

Então, sim. Slam Dunk é incrível e eu acho que todos deveriam lhe dar uma chance.

Ao mangá. O anime tem tanto filler que os jogos parecem partidas entre um time de Gokus enfrentando um time de Freezas em um planeta Namek a cinco minutos de explodir.

Mania que os japoneses tem de enfiar filler em tudo. Parece eu com maionese.


Neon Genesis Evangelion – 1995

Executivo da Gainax: Muito bem, senhor Hideaki Anno, você viu os primeiros cinco episódios do anime baseado em sua obra.
Hideaki Anno: Hmmmmm...
Executivo da Gainax: O que achou?
Hideaki Anno: Meh...
Executivo da Gainax: “Meh”? Isso é tudo que você tem a dizer? “Meh”?
Hideaki Anno: “Waifu.”
Executivo da Gainax: Isso nem é uma palavra.
Hideaki Anno: Será. Quando meus fãs começarem a debater sobre quem seria uma waifu mais perfeita... Rei Ayanami ou Asuka Langley...
Executivo da Gainax: Quê?
Hideaki Anno: Eu posso ver o futuro...
Executivo da Gainax: Que nem... Que nem aqueles aliens do planeta que o Bardock invadiu? Porque a clarividência deles não serviu pra na...
Hideaki Anno: ... Pop farofa...
Executivo da Gainax: Que farofa? Farofa o que, homem?
Hideaki Anno: A abertura de Evangelion deve ter uma musiquinha pop farofa, com energia e alegria...
Executivo da Gainax: Pra sua série depressiva, cheia de morte e horror, onde um menino chato e traumatizado se masturba sobre o cadáver da amiga? É pra essa série que você quer...
Hideaki Anno: Sim.
Executivo da Gainax: E onde eu vou arranjar...
Hideaki Anno: Já arranjei.



Executivo da Gainax: Uau! Que eficiente.
Hideaki Anno: Sim...
Executivo da Gainax: Ainda acho que não comb...
Hideaki Anno: Será sucesso. Eu prevejo isso.
Executivo da Gainax: Ok, você quem sabe. Vou mandar botar na animação, então. Mais alguma coisa?
Hideaki Anno: Não. E agora devo partir.
Executivo da Gainax: E vai pra onde?
Hideaki Anno: Vou para a internet, dizer que o mercado de anime está com os dias contados.
Executivo da Gainax: Hã? Hahahahahahahahahahahahaha! E quem vai acreditar nisso?
Hideaki Anno: O pessoal do Omelete.
Executivo da Gainax: Oh. Ok, então.
Hideaki Anno: A entropia me chama... Devo ir...

*Desaparece nas sombras*

Executivo da Gainax: Eu tou te vendo aí, escondido debaixo da mesa. Você não engana ninguém, seu emo de merda!


Sakura Wars – 1997

Não sei sobre o que é a história desta série e não poderia ligar menos pra ela.

Mas sua abertura é bem legal.



Sério, estou ligando tão pouco que não estou nem cagando e andando. Estou cagando sem me mover. Neste exato momento, um círculo de bosta se forma no assento de minha cadeira.

E não me arrependo de tomar esta postura.


New Dr. Slump – 1997

Ei! Você é retardado?

Porque eu sou retardada!

Todo mundo aqui é retardado!

Vamos celebrar ao nosso retardamento mental!



ABLUÉÉ! ABLUÉÉ! ABLUÉÉ!

...

Este é o espírito desta abertura para mim. E eu não poderia amá-la mais por isso.


Bleach – 2004

E pra encerrar, vou falar de um anime que odeio.

Oh, como eu odeio Bleach. Ooooooooooh, como eu odeio! Digo, eu odeio muito anime dos anos 2000, mas Bleach tem um lugar reservado na minha vesícula biliar... Que eu removi... Então não há um centímetro sequer do meu corpo dedicado a este Ebola em forma de desenho animado.

Por que eu odeio tanto esta merda, você pergunta? Porque Bleach tem o maior número de personagens desinteressantes por metro quadrado que eu já vi! É todo mundo igual, só muda a arma. Todos os personagens são chatos, clichês idiotas que já vimos milhares de vezes e muito mais bem feitos em outras séries.

E as garotas são ainda piores. Tudo a mesma merda, a única diferença de uma pra outra é o tamanho dos peitos. E os fãs fazem discussões épicas sobre quem é a mais legal, se é a peitudinha ou a peitudona, pelo amor de Benji, vocês têm doze anos de idade, seu bando de caralho voador?

Têm?

Pois vão se foder vocês também! A vida é mais do que ficar falando de peitos! Bando de mandioqueiros da xavasca!

Mas, a abertura da série é muito boa.



A abertura da série (a primeira, pelo menos) foca naquilo que Bleach tem de melhor, que é a identidade visual dos personagens. O autor Tite Kubo parece ter estudado as tendências da moda jovem japonesa e tenta refletir isso no elenco da série.

Nos momentos em que Ichigo e seus amigos estão vivendo suas rotinas diárias, eles vestem-se como a molecada de sua idade faz na vida real. Isso dá um bocado de personalidade a eles e torna Bleach extremamente agradável aos olhos.

Claro, no momento que as lutas começam e todos colocam uniforme de shinigami (mas que diabo de fascinação é essa que os japoneses têm com shinigamis?) e pronto, o elenco inteiro fica menos interessante que lingerie beige.

Foda-se Bleach! Fodam-se os fãs de Bleach! E vá se foder, Margot Kidder!

E por hoje é só.

“Mas Arno, você não colocou a abertura de Cavaleiros. Nem a abertura de *insira aqui um de 3.000.000 de animes*. Você é um farsante e sua credibilidade jornalística está abalada.”

ÓTIMO! Porque eu não quero mais ser jornalista. Agora quero ser bailarina.

Além do mais, esta não será a única vez que vou escrever sobre este tema. Retornarei a ele no futuro, e quem sabe seu anime favorito não aparece na próxima?

Compreendido?

Muito bem então.

Cheers!!!

24 comentários:

Helio Mendes Jr ou Kamen Homer disse...

Hammer, voce não gosta de City Hunter?

Galomortalbr disse...

Amer e u amo seu blog cara voce e foda

Aristóteles de Oliveira Marques disse...

DR. Slump realmente me fez ficar com vontade de ser retardado.

João Beck disse...

Dá uma olhada nas aberturas de Fullmetal Alchemist: Brotherwood, Amer. São muito boas

Jonathan Ribeiro disse...

Excelente artigo e apesar de gostar de Evangelion,concordo que ele é um anime meio merda,kkkk.

Betânia disse...

Amer, sobre animes de esporte: já viu as aberturas de Eyeshield 21? São bem legais também.
No mais, adorei a seleção e ri bastante, parabéns!

Azrael_I disse...

Sinceramente, Amer, até chegar à abertura de Macross, achei que você estivesse fazendo um post das PIORES aberturas de anime. Tudo bem, algumas são bem nostálgicas (principalmente para você), mas daí a dizer que são as melhores tem grandes diferenças. E se for pelo fator histórico, a abertura original de Astro Boy (ainda em preto-e-branco) é mil vezes melhor que as duas primeiras. De todas que você citou, a que achei mais marcante foi a de Sakura Taisen (Sakura Wars), e olhe que no meu caso nem conta o fator nostalgia, já que a assisti depois de 2005 (há menos de dez anos atrás). E se for contar pelo fator nostalgia, eu ficaria com a versão brasileira da abertura de Samurai Troopers (que aqui foi chamada de Samurai Warriors). E sim, pra que me apedrejem de vez, também gosto da abertura de Evangelion...

À propósito, sabia que o Jackie Chan fez um filme do City Hunter, e neste filme ele enfrenta o Gary Daniels (o cara que fez a versão live action de Hokuto no Ken)? Ou seja, a grosso modo, é o único filme do mundo onde vemos o City Hunter enfrentar o Fist of North Star! (detalhe que, na bagunça que é esse filme, o Jackie até mesmo se transforma em Chun Li e luta com o Gary daniels transformado em Ken!!)

Agora, quanto a Bleach... eu poderia escrever um post de mais de 100 linhas sobre a série aqui, destacando tanto seus fatores positivos (que você deixou de lado) quanto os negativos (que você falou parcialmente; sim Bleach tem mais), afinal curtir a série ou não é uma questão de gosto mesmo, mas prefiro apenas mandar vossa digníssima pessoa se fuder a si mesma! Afinal, nem todos os fãs de Bleach somos do jeito que você descreveu (a maioria aliás não, mas infelizmente ficamos estigmatizados por causa dos acéfalos...) e aliás isto vale praticamente para QUALQUER série. E quanto às aberturas, a primeira pode ser tudo isso que você falou, mas em termos de música eu sinceramente prefiro Ichirin no Hana e Change.

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

Nem vi a abertura do Hokuto no Ken 2 e na minha cronologia pessoal, Hokuto acabou quando Kenshiro venceu Raoh e salvou a Yuria.

talvez dê uma chance a Slam Dunk, mas confesso que não sou muito fã de basquete...

e sobre Bleach, é o unico desses mangás/animes modinhas de hoje que tenho alguma consideração.

mr.Poneis disse...

Muito legal o post... reiterou mais uma vez o herege que eu sou por dizer por aí o quanto eu gosto de anime quando minha lista de completos é tão pequena (meros 360 títulos). Eu não sei se você está sendo irônico (ou sarcástico) ao questionar a qualidade de alguns itens da sua lista, mas sinceramente gostei bastante do que eu vi...

Perguntaria se você prefere a abertura original ou a dublada de Dai no Daibouken mas certa vez você questionou como pouco original a revelação de que Baran (General do exército dos Super Dragões) era o pai de Dai (herói), uma vez que Star Wars tinha feito isso primeiro... então acho que vou deixar por isso mesmo...

Até mais ver
mr. Poneis

Ps.: E em todo esse tempo que eu acompanho o blog... deve ser a primeira vez que eu vi uma menção ao seu pai... e justo em um dia dos pais... like a ninja!

Ana Beatriz disse...

Se eu tivesse Twiiter te chamava para a gente iniciar uma corrente de ódio contra toda o tempo que perdermos com Bleach, que no meu caso foi muuuito tempo. Eu sou fã, li a porra do mangá, vi o anime então posso falar mal hunf hunf! Hoje em dia Bleach é uma sombra do que um dia foi e a cada dia fica mais óbvio que o autor está empurrando a série com a barriga.

Mas essa primeira abertura é foda, acho que é a minha favorita.

Renan MP disse...

Eu lembro de adorar Samurai Troopers quando era criança...mas pra ser sincero eu não lembro porque adorava. Acho que era por causa das armaduras, vendo hoje, talvez ache uma bosta. Então melhor ficar com a visão nostálgica. De qualquer forma, os bonecos eram bem legais, e diferente dos bonecos dos Cavaleiros, as armaduras não caiam a toa!

Anderson "ANDF" Ferreira disse...

Voltes V passou na Manchete, com o título "O Ataque Volts 5".

Adan Ribeiro disse...

A melhor parte do seu blog são os fãs se mordendo de ódio nos comentários... Já trago até pipoca pra deixar aqui do lado.

Azrael_I disse...

Ana Beatriz, o problema não é falar mal do mangá ou do anime, eu também sou fã de Bleach e não renego nenhum dos problemas que a série tem. Mas não se pode xingar as pessoas indiscriminadamente apenas por gostarem da série, não é mesmo?

Fellipe Igor disse...

Amer, tem alguma explicação lógica para essas expressões americanas aleatoriamente coladas no meio das músicas? Tem em umas três das que você postou e já tinha visto isso antes.

Ah, e obrigado por ter apresentado essa do Dr.Slump, não conhecia e agora a música me grudou na cabeça, sei lá quando vou tirar.

juvezino disse...

Eu ainda leio Bleach. *cries in German*

Gabriel Santos disse...

@Fellipe Igor

Japa tem uma mania absurda de falar em inglês. Pra ilustrar o nível que chega a coisa, eu sei que macaco em japonês é soa como "saru/zaru", então me chamou a atenção quando em JoJo o vilão Dio pergunta pro herói se "Um macaco poderia derrotar um homem" que ele fala "Monkey" em inglês.

Seria o mesmo que ele falasse: "Poderia um monkey derrotar um homem"?

Não consigo pensar em qualquer propósito pra fazerem isso especificamente.
Por inglês ser tão diferente de japonês eles devem achar "exótico". Assim como "Hadouken" não soaria tão cool se a gente chamasse de "Fist Wave" ou pior ainda "Onda do Punho".

Ace Of Spades disse...

Alface, poderia ter colocado a do Capitão Harlock e do Mazinger Z, conheci milhões de pessoas que nunca viram mazinger z, mas são completamente apaixonados pela música, eu mesmo fui assistir pela música, quando eu descobri que era do go nagai, ele se tornou um anime impar para mim, e me obriguei a assistir mesmo que não gostasse, e eu gostei...OH COMO EU GOSTEI!!! E nada como Ichirou Mizuki cantando músicas de animes antigos e tornando tudo mais digno!

JoaoNMatz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
JoaoNMatz disse...

Death Parade
O que é? O limbo na verdade é um bar onde o casal faz jogos de bar como dardos e boliche(?) pra decidir quem deles vai pro ceu e quem vai pro inferno?

Sim, é idiota. Mas. É. A. Melhor. Abertura. De. Todas.
https://www.youtube.com/watch?v=UjjTMNDZi-A

De nada, glr, vlw flw

Zoro Lee disse...

Já assisti e gostei muito de Slam Dunk. Agora você devia dar uma chance à Hajime no Ippo também, outro anime de esporte muito bom, só não liga muito pra parte onde eles ficam pegando no caralho um dos outros no banheiro... sim, isso acontece tanto no anime quanto no mangá.

FernandesGrue disse...

Ótimo post, Amsterdã!

Falando em Devilman, indo a Go Nagai, reitero o @Ace of Spades e indico Mazinger Z. Obra que nos trouxe o gênero mecha como o é hoje.

Acho a abertura de Mazinger Z bem foda (ainda que parte da letra seja simplesmente falando o nome dos ataques do robô, mostrados nas cenas da abertura, hahahaha), e uma coisa interessante a se checar: procurem o jingle de Carlos Henrique, candidato a deputado estadual de SP, de 2010. Seja lá quem tenha criado o jingle, deve ser um grande leitor de mangá velhaco pra conhecer Mazinger e desenterrar sua abertura!

E, caso não conheça, recomendo a abertura de Tenjo Tenge, Amer. Pode não merecer top, mas certamente é muito divertida.

Tsuss disse...

O que você falou a respeito das aberturas de anime nos prenderem a eles é a mais pura verdade. Uma das principais razões de eu ter assistido quase 200 episódios de Bleach foi por conta das aberturas. Mas acabou chegando uma hora em que a ficha caiu e percebi a grande merda que aquele troço era e dropei a série. Amém.

Cassiotkg disse...

Ei Amerindo,vc tem razão....
Acabei de ver o último capitulo de Bleach,e me dei conta que foi uma diarréia todo esse tempo que perdi vendo essa merda....
Afss...