terça-feira, 23 de setembro de 2014

Crítica do Amer: Sin City - A Dama Fatal


Lembram como Sin City – Cidade do Pecado foi legal? Foi o primeiro filme baseado numa obra em quadrinhos que reproduzia sua linguagem com perfeição na telona.

Ouviu isso, Ang Lee? Eu cuspo em você e em seu Hulk! PTUI-PTUI!

Os personagens grandiosos, a narrativa única, os solilóquios hipnotizantes. Tudo contribuiu para que a primeira excursão do público à cidade corrupta de Frank Miller fosse inesquescível.

Então, quase dez anos se passaram e agora recebemos Sin City – A Dama Fatal. Será que o raio caiu duas vezes no mesmo lugar?

Bom... Não. Toda inovação visual e narrtiva que tornaram o primeiro longa único não são mais novidade. E sem estes fatores pra prenderem a atenção da platéia, tudo que nos resta é o roteiro de Frank Miller.

E convenhamos, Miller ficou gagá depois de escrever Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Para de apontar essa arma pra mim, você sabe que eu falo a verdade.

Novamente, o filme é uma antologia. Ele reune diversas histórias com focos e protgonistas diferentes.

São elas:

- A noite que Marv (Mickey Rourke) caça um bando de universitários matadores de mendigos.

- Johnny (Joseph Gordon-Levitt) o jogador sortudo que desafia o über-vilão, senador Roark (Powers Boothe) para um jogo de pôquer.

- A saga do envolvimento de Dwight McCarthy (Josh Brolin) com Ava (Eva Green) a dita “Dama Fatal” do título.

- A conclusão da história de Johnny.

- E a noite em que Nancy (Jessica Alba) resolveu vingar a morte do detetive Hartigan (Bruce Willis).

Os contos nos são apresentados fora de ordem, exatamente como no longa anterior. Assim, personagens que deveriam estar mortos pipocam na tela o tempo inteiro. Sem problemas, é um dos charmes desta série.

Até onde eu sei, as histórias de Johnny e Nancy são inéditas, escritas especialmente para este filme. Nunca li os quadrinhos de Sin City então não posso colocar a mão no fogo por esta afirmação.

Se for o caso, está comprovado que Frank Miller não dá A MÍNIMA para a cronologia de sua obra, pois certos detalhes na história de Nancy fazem com que ela se encaixe em lugar nenhum na linha do tempo entre os dois filmes. Pode parecer que estou procurando chifre em cavalo (e quem não procuraria? Unicórnios detonam), mas se estamos falando de uma personagem importante o suficiente para estampar os cartazes em um cinema, seria bom saber que o autor teve um pouco mais de cuidado ao escrever sobre ela.

Mas bem, Sin City – A Dama Fatal tem muito Marv. Aparentemente, aquele gigante deformado que se recusa a bater em meninas cativou o público o suficiente para merecer mais tempo de tela. Não estou reclamando, ele é a melhor coisa do filme. Sua violência absurda chega a ser cartunesca e é a responsável pelas maiores risadas da história.

E... Isso é tudo que eu tenho a dizer de positivo deste longa. E pelo amor de Benji, não venham me encher o saco com acusações de “SPOILERS”. Eu só passei um sinopse do filme, não sejam chorões.

Bando de gente chata que assiste um trailer e sai gritando “SPOILERS” no Facebook. Vão fazer exames de próstata que vocês ganham mais!
 
E espero que só encontrem urologistas com essa cara

Acho que já ficou claro que eu não achei este filme grande coisa. Mas saibam que isso não é, de forma alguma, culpa do elenco.

Todos os atores e atrizes aqui presentes fazem um trabalho fenomenal com o script que receberam. Não apenas os protagonistas, como os coadjuvantes também. Ray Liotta, Christopher Lloyd e a linda Juno Temple brilham no pouco tempo de tela que recebem.

DEUS TE ABENÇOE, JUNO TEMPLE! SUA MENINA MAIS LINDA DO MUNDO! Ela não seria perfeita como a Arlequina em um filme do Batman? MAS NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! Vamos colocar ela como a aprendiz/namorada/subordinada da Muher Gato em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

VÁ PRO DIABO, CHRISTOPHER NOLAN! VOCÊ É UM SACO!

Onde eu estava? Ah sim, o elenco.

Alguns atores tiveram de ser substituidos, com variáveis grau de sucesso. Dennis Haysbert assume o papel do Manute no lugar do querido Michael Clarke Duncan. Embora não seja tão grande quanto seu antecessor (e NINGUÉM é), ele consegue a sua maneira, ser tão intimidador quanto.

Por outro lado, Josh Brolin não tem tanto sucesso em sua empreitada. Não me entendam mal, eu adoro o senhor Brolin e não poderia estar mais feliz em saber que ele será Thanos no universo Marvel, mas ele simplesmente não funciona como Dwight McCarthy. Talvez porque o papel tenha ficado muito marcado por Clive Owen, não sei, mas acho que ele merecia a chance de desenvolver um personagem só seu.

Mas novamente, o elenco não é o problema. Eles fazem o melhor com o material que receberm e em muitos momentos, conseguem tirar leite de pedra. A maior falha nesta produção é sem dúvida alguma seu roteiro.

Sei que vou irritar muita gente com meu próximo parágrafo.
Então aqui está Juno Temple, para acalmar a todos.

Quero deixar bem claro, eu tenho muito respeito por parte do legado de Frank Miller nos quadrinhos. Eu adoro o fato de que ele deu profundidade real ao Demolidor e gosto muito de seu trabalho em Batman – O Cavaleiro das Trevas (o quadrinho, não o filme). Não que eu ache que é a obra definitiva sobre o personagem, acredito que existem histórias MUITO superiores (A Piada Mortal, Asilo Arkham), mas gosto muito da sátira contida nela, tanto a feita com os super-heróis, como aquela direcionada a política da era Reagan.

Mas acho que Miller recebeu uma adulação tão desmedida pelo seu trabalho com a cria de Bob Kane, que seu ego inflou e ele simplesmene parou de se esforçar. Em um determinado ponto de sua carreira, ele passou a acreditar que apenas estampar seu nome em uma história a tornaria um sucesso imediato. E foi por isso que tivemos aberrações como All-Star Batman e  Terror Sagrado.

E o autor simplesmente não criou tridimensionalidade nenhuma em Sin City – A Dama Fatal. Os personagens tem a profundidade de um pires e motivações pífias, que só estão lá porque o enredo precisa andar de alguma forma.

Todos os homens são ultra violentos, dispostos a causar verdadeiros banhos de sangue e a morrerem de forma absurda, apenas para fazerem valer um ponto, por menor e mais insignificante que seja. Eles não são nada, além de uma idealização besta e juvenil de masculinidade.

As mulheres, existem apenas em função dos homens. Elas são suas vítimas, os manipulam, são motivadas por eles, ou os motivam a fazer algo. Nenhuma mulher do filme pensa por si própria, elas agem apenas porque algum homem está em seus pensamentos.

Já estou até vendo os comentários dos machinhos machucados que vão me atacar com: “DÃÃ, E DAÍ? MUIÉ SÓ PODE SER FODONA PRA VOCÊ? APOSTO QUE VOCÊ APANHA DA NAMORADA, SEU GORDO TETUDO!”

Bom, eu estou solteiro no momento, então não tenho quem me bata... De graça... E posso lhe assegurar que estou perdendo peso e o número do meu sutiã caiu para "P"... Mas entenda que não tenho nada contra o arquetipo da “mulher que existe para servir a um homem”, contanto que seja BEM ESCRITO.

Tomemos Game of Thrones como exemplo. As personagens da história estão presas a um mundo INACREDITAVELMENTE MACHISTA, mas nem todas existem em função dos homens ao seu redor. Cada uma possui objetivos pessoais e vive de acordo com a melhor maneira de realizá-los. Mesmo aquelas que aparentemente vivem para satisfazer as expectativas dos homens que as cercam (Sansa, por exemplo) possuem personalidade e são bem desenvolvidas. Aqui, mulheres e homens tem o mesmo valor para o autor e seu público.

E sinceramente, Frank Miller não chega nem perto de George R.R. Martin em termos de desenvolvimento de personagem.

Finalmente, os diálogos são muito fracos e trazem frases idiotas como “Não deixe o monstro sair”, a forma como Dwight refere-se a seus ataques de fúria incontroláveis quando faz um monólogo interno.

Jesus Cristo de monociclo, mas nem Bruce Banner falava assim em Os Vingadores. E ele LITERALMENTE tinha um monstro em seu interior, lutando para sair a todo momento.

Você é o Thanos, homem. Foque-se no personagem certo

Sin City - A Dama Fatal não é ruim como outras obras envolvendo Frank Miller (*COF COF* The Spirit – O Filme *COF COF*). Tem cenas de ação bacanas e gera algumas boas risadas, mas não causa uma impressão duradoura como seu antecessor.

Mas olha só, tem bastante Marv. Se isso é o suficiente pra você, então vá em frente e divirta-se.

Sin City - A Dama Fatal chega aos cinemas nacionais no próximo dia 25 de setembro.

Cheers!!!

15 comentários:

Cassiotkg disse...

Amer,assim vaocê vai deixar a gente mal acostumado...
Tomara que essa boa fase dure para sempre.

Ótima resenha e devo dizer que,mesmo o primeiro filme eu não gostei muito...

giovanni piovezan disse...

Que delicia o blog sendo atualizado com bastante frequencia!^^ e eu quero muuuuuitoooo assistir esse filme! To curioso *-*

Twero disse...

Tava suspeitando isso desde sua primeira postagem sobre esse filme lá no facebook.

Mas, me explique só uma coisa: quando dizes por momentos de risadas, é algo que o filme propositalmente provoca, ou rimos de alguma tentativa desgraçada que o filme erra miseravelmente?

luizotavio disse...

Espero que a versão nacional mantenha o elenco original de dubladores pois o primeiro filme tem uma das dublagens mais espetaculares que já vi!

Lucas Sant'Anna disse...

Hum, com essa frequência de postagens, será que podemos esperar a ressurreição milagrosa do game blog do amer?

Giovanni Seiji disse...

Grande Amer!
Devemos esperar mais novidades nessa sua onda louca e chocolatante de posts sem fim?
Eu sinceramente não ligo se você lançasse um post a cada dois dias, até porque você talvez tenha coisas mais úteis a fazer na vida, ao contrário de mim...
Mas em fim!! Excelente post! Eu prefiro o primeiro filme do Sin City principalmente porque foi muito inesperado ver uma fotografia tão diferente na época, ainda mais para mim que não conhecia essa obra.
Obrigado pela diversão!
até a próxima!

Franci23 disse...

Cara, entendo sua relativa decepção com o filme mas as HQs de Sin City eram bem bacanas e a arte de Frank Miller sempre mereceu algum respeito, mesmo quando os roteiros dele não...
Pelo primeiro filme, foi possivel ver que tanto a arte quanto o roteiro das HQs foram respeitadas, apesar dos pesares, acredito que nessa continuação o mesmo acontecerá, sei lá, estou no hype do filme...
Como critico, sei que você sempre, mesmo quando não quer, acaba enxergando as coisas de uma maneira mais profissional, sempre em busca de uma novidade ou de algo marcante e tals e as vezes nessa busca inconsciente você acaba não gostando de muita coisa que é até bacana mas enfim, isso é apenas minha opnião.
Muito contente em ver tantos posta nesse blog e na torcida por pelo menos unsinho no Game Blog :)

Pablo André disse...

Hell yeah!! Blog do Amer sendo atualizado com frequência!!! Agora eu só preciso formar uma banda de rock e escrever um livro para ter todos os meus sonhos realizados! asheuashueash

Ótima resenha, sou fan do primeiro filme e não to esperando muito do segundo... mas como sou um verme vou comprar os ingressos antecipados para a estreia.

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

apenas assistirei esse filme por causa do Marv.

e a Eva Green tem cara de psicopata, não importa o papel que a moça faça realmente.

sobre o Hulk, eu sou a unica pessoa do mundo que gostou do primeiro filme do Hulk? só porque ele derrotou o Jeff Bridges com algo mais próximo de "magia" que o Hulk possui o filme é ruim?

e o pessoal elogia o segundo filme só por causa do Edward Norton, que não tem a menor cara de Bruce Banner. trocaram a Jennifer Connely que é tão gostosa pela versão feminina do Steve Tyler,(em Ivy Tyler eu só enxergo o pai dela...é estranho) trocaram Sam Elliot por um zé mané qualquer e pronto: filme de sucesso!! sem falar do embate final mais chato da história do cinema. se eu queria ver dois monstros brigando, veria Dragonball ou Godzilla, obrigado.

a unica coisa que elogio o Norton é que é trocentas vezes melhor que o Mark Rufallo

mas voltando, verei esse filme.

luizotavio disse...

Esse filme do Hulk de 2003 era fraquinho embora tivesse bons momentos e um bom climax, o de 2008 era um um porre e com um hulk ainda mais feio!O Hulk de os Vingadores foi dublado pelo Lou Ferrigno,não?

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

luizotavio eu só queria entender porque o pessoal não gostou do filme de 2003 e elogia sabes lá porque o Incrível Hulk.

só se for pelo Edward Norton e a Liv Tyler. são as unicas explicações plausíveis que tento entender para o povo ter gostado.

e não sei dizer se Lou Ferringo teve algo nos Vingadores. mas duvido que o o Mark Rufallo tinha a voz apropriada para o Hulk.

Ace Shadow disse...

Bem não assiti nem o primeiro filme então não sei o que esperar desse mas em The Spirit (filme) também tinha uma moça que dava certo com Harley Quinn de fato quando vi ela eu pencei "ela daira uma boa Arlequina"

Rafael M. disse...

luizotavio, os gritos do hulk no filme dos vingadores são realmente da série clåssica com o Lou Ferrigno.

SEMI disse...

Esse filme vai ficar pro dvd, onde os recursos do controle remoto poderão ser usados em função das aparições de Eva Green.

Elizabeth Resendiz disse...

Eu não posso ajudá -lo, eu não gosto de filmes de terror. O engraçado é que algumas séries de terror se eu vê-los, uma vez que é a história que assusta cenas.