sábado, 20 de agosto de 2011

Crítica do Amer: Knight's Contract


Pode ser por causa de minha idade avançada, mas as vezes sinto muita falta dos games de ação do passado.

Títulos como Double Dragon, Final Fight e River City Ransom, onde não havia segredo, era só seguir em linha reta, espancar tudo em seu caminho e salvar a namorada (ou presidente, ou o mundo) no final.

A vida era simples e bela, algo um pouco perdido na atual geração de produções milionárias que buscam ser as mais complexas possíveis.

Mas então, surge um game que resgata a simplicidade e a diversão de duas décadas atrás, e nos faz sentir guris super excitados, como no dia em que ganhamos nosso primeiro console.

Knight’s Contract... não é um destes games.



Nossa história começa há muito tempo atrás, quando a Peste Negra estava erradicando a população mundial. Condoídas pelo sofrimento dos outros, um grupo de bruxas surgiu e dedicou-se de corpo e alma a erradicar a doença. Com seus poderes elas curaram os enfermos, aliviaram a dor dos que estavam em agonia e destruiram todos os transmissores da doença.

Muito agradecidos, os aldeães fizeram a única coisa que podiam: aprisionaram, torturaram e executaram todas as bruxas por seu uso de feitiçaria.

Ok, então.

A tarefa de separar a cabeça do corpo das meninas ficou a cargo de Heirich, um cara tão grande feito uma casa e quase tão esperto quanto. Quando se preparava para eliminar a bruxa Gretchen (Deus do céu, as piadas se escrevem sozinhas) ele foi amaldiçoado pela moça, que fez dele imortal.

A história vança um número indeterminado de séculos no futuro e vemos que o mundo foi destruido por... algo. A Peste voltou, existem zumbis por todos os lados e Heinrich vaga por aí, estraçalhando monstros, pois de acordo com as leis de Liefeld, isso é tudo que sujeitos imensos podem fazer da vida.

Um belo dia ele reencontra Gretchen e descobre que todas as bruxas que executou voltaram a vida como monstros que desejam vingança contra a humanidade. A garota pede auxílio ao guerreiro para eliminar suas irmãs e lhes dar alguma paz, e para encontrar Faust, o lazarento que levou o povo a executar as bruxas no passado. Como recompensa, a bruxa fará de Heinrich mortal novamente, se completarem a jornada.

A história parece muito melhor do que realmente é, devo dizer. Heinrich é tão profundo quanto uma pizza, Gretchen é interessante feito assistir grama crescer e Faust é um vilão menos convincente que o Esqueleto.

Os diálogos também são horríveis e não soam nem um pouco naturais. Logo na primeira vez que encontramos Gretchen, ela tagarela por uns bons dois minutos sobre o método que uma de suas irmãs usa para controlar zumbis, e Deus meu, é algo tão desnecessário que parece ter sido escrito por um autor de fanfic.

Sem contar que o enredo de Knight’s Contract parece uma plágio descarado do Mangá Berserk. Heinrich é um Gatts de meia tigela e Gretchen é tão desinteressante que quem quer que a tenha criado, parece ter perdido o interesse por ela no meio do processo.

Não o culpo.


A apresentação do jogo tem seus méritos, mas deixa a peteca cair na maior parte do tempo.

Os gráficos não são feios, mas parecem ter sido feitos com muita preguiça. O design de personagens não é minimamente inspirado e as texturas são medianas, na melhor das hipóteses. Alguns chefes possuem um visual mais trabalhado, mas a maior parte deles parece ter sido criada por um guri de 14 anos e seu conceito do que é “legal”.

A animação dos personagens não é das piores, bem como os cenários, que são bem construidos. Mas ambos estes fatores não ajudam a deixar a ambientação do game mais interessante.

A dublagem é uma tragédia, como disse antes, os diálogos são terríveis e soam forçados a totalidade do tempo. Pra piorar mais, os atores que emprestam seu “talento” ao jogo parecem totalmente desinteressados pelo texto que estão lendo. A responsável pela voz de Gretchen é especialmente culpada disso.

Por outro lado, a trilha sonora é excelente. As músicas são sombrias, dramáticas e passam uma atmosfera opressiva que tudo mais dentro do game falha em transmitir. Recomendo o CD com os temas de Knight’s Contract muito mais do que o próprio jogo.

Já deu pra perceber que a conclusão não vai ser boa, né?


Quanto a jogabilidade... puxa vida, por onde eu começo?

Mesmo na dificuldade normal, Knight’s Contract é um bocado difícil. E não me refiro aquela dificuldade instigante, que queremos superar, mas a frustrante, que não abre quase nenhuma brecha e nos castiga pelos menores erros.

Um exemplo: alguns inimigos são sujeitos imensos com escudos, que bloqueiam todos os seus ataques. Quando se enfrenta alguem assim, a melhor estratégia é rodear o inimigo e atacá-lo pelas costas, correto?

Não em Knight’s Contract. Aqui, o grandão com escudo vira-se quase que instantaneamente e estraga sua estratégia no ato, a única maneira de derrotá-lo é golpear seu escudo até quebrá-lo, para AÍ começar a causar dano.

É mais ou menos como ter um prato de sopa escaldante a sua frente e ao invés de esperar esfriar, tomar tudo de uma vez, na esperança das queimaduras de 3º grau causadas pela primeira colherada tornarem sua língua e esôfago insensíveis a dor pelo resto da refeição.

Agora, Knight’s Contract tem um conceito bastante interessante e inédito, uma vez que Heinrich é imortal, não faria o menor sentido se ele tivesse uma barra de energia. Desta forma, é preciso ficar de olho na vitalidade de Grectehn, pois se a bruxa bater as botas, será o fim de tudo.

Como eu disse, uma boa idéia, mas executada de forma porca.

Gretchen é burra. Mas assim, num nível Carla Perez de estupidez. O maior diabo do mundo pode estar bem diante dela, pronto a cuspir um raio de fogo, relâmpago, envolto em abelhas e Lady Gagas... e a imbecil não sai do caminho.

De fato, a maior parte do tempo é dedicado a salvar Gretchen. Sempre que estiver no calor da batalha, é preciso parar tudo que está fazendo para salvar a imbecil, que consegue se enfiar em problemas até contra os inimigos mais simples.

Para restaurar as energias de Gretchen, Heinrich precisa carregá-la no colo. Isso o impede de atacar, então tudo que lhe resta é esquivar dos vilões presentes enquanto a bruxa se recupera.

Aliás, sendo uma bruxa, Gretchen possui inúmeras magias de ataque. Infelizmente, o melhor que podem fazer é abrir uma brecha nos ataques dos inimigos, o que é apenas um alívio temporário para algumas situações.

E não é porque Heinrich é imortal que ele é indestrutível. Se receber dano demais, o grandalhão tomba, o jogador precisa então metralhar um botão para restaurá-lo e poder retornar a aventura. Claro, na maior parte das vezes, Gretchen cai nas mãos de algum inimigo enquanto você se recupera e tudo que lhe resta é soltar um “aich” de frustração.

Os confrontos com os chefes também são um fracasso, deveriam ser épicos, mas tudo que conseguem é ser intermináveis e maçantes. Somente o confronto com a primeira forma do primeiro chefe pode chegar a 20 minutos.

20 MALDITOS MINUTOS NO PRIMEIRO CHEFE DO JOGO!!!

E ao final dos confrontos é preciso ter sucesso em uma sequência de Quick Time Event (ao mesmo estilo de God of War) para eliminar o chefe em definitivo. Infelizmente, a janela de tempo para acertar tais comandos é mínima e os mesmos devem ser feitos com precisão cirúrgica. Quando errar (porque isso VAI acontecer), o chefe restaura quase metade da energia e é preciso enfraquecê-lo de novo.

Algumas lutas podem passar de 40 MINUTOS devido a este mecanismo falho.

Pense nisso por um minuto.

...

Pois é.

Há como comprar comprar upgrades para os ataques de Heinrich e as magias de Gretchen, mas você nunca sentirá que está realmente tornando-se mais poderoso. Os feitiços novos de sua companheira pouco fazem para torná-la mais útil também.

Knight’s Contract também possui uma das instâncias de fanservice menos interessantes já criadas. Um dos feitiços supremos de Gretchen a faz derrubar uma versão sua, pelada e gigantesca sobre os inimigos.

Esse tipo de safadeza funcionou para Bayonetta (que deve ter sido uma das inspirações para os criadores desta bomba) porque ela era sensual e agradável. Com Gretchen é simplesmente constrangedor.

Aprendam com isso, até fanservice precisa ser bem planejado.


A impressão que fica é a de que os responsáveis por Knight’s Contract desistiram no meio de sua produção. Existem bons momentos no jogo e definitivamente, uma boa dose de criatividade, mas nenhuma aresta foi aparada e o resultado final é menos que ideal.

Existem games ruins, mas que servem ao menos como piada (Onechanbara: Bikini Samurai Squad, por exemplo). Knight’s Contract não presta nem pra isso.

E esse é um patamar de fracasso difícil de se atingir.

Cheers!!!

8 comentários:

Renan vas Normandy disse...

Santa porcaria Batman!
desse eu vou passar longe MESMO!

Nisnast disse...

Santa Santa Santissima,a capa do jogo até empolga um pouco,mas após analisar um pouco ele você desobre uma verdadeira aberração,se o pessoal que fez "isso" tivesse um pouco mais de responsabilidade eles poderiam ter feito algo decente.

Warnius! disse...

eu tenho essa coisa...nao quero mais falar sobre isso...

The Sandman disse...

Amer, você faz cada sacrifício por nós que acho que você deveria ter sua própria estátua dourada no meio da avenida Paulista!

Cosmão disse...

Eu tenho o game, joguei até destruir o primeiro chefe e parei, tá lá encostado.

Como vc disse, o jogo poderia ter se saído muito melhor, infelizmente ficou genérico e chato demais.

Qualquer dia eu pego pra jogá-lo por inteiro, talvez quando acabar de jogar todos os outros parados aqui...

Amer, queria pedir pra vc analisar o Majin Forsaken Kingdom, se já não o fez. Grato!

Warnius! disse...

tentei ir para o chefe dois,so sei que me falaram que eu eloqueci saquei um tijolo e sai matando pessoas a torto e a direito...monkey...lance...kelvin...Renan..Lol nao tem nada a ver com o assunto so tava falando os nomes mesmo
sei que so vou pegar esse jogo quando estiver querendo o suicidio

Raphael Soma disse...

Amer, faz um review de Scott Pilgrin The Game. Se tu gostava de River City Ransom é um dever tu jogar esse game, mesmo que não tenha lido o gibi ou visto o (fraco) filme.

Gabriel // zGABRIELz disse...

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