domingo, 22 de abril de 2007

After the Frozen Flame...ou algo do gênero...


Bom, vou começar com um aviso: Este vai ser meu post mais geek até o presente momento. O texto vai ficar cada vez mais nostálgico e nerd conforme eu escrever, e diabos, eu vou escrever um bocado hoje.

Se a perspectiva de um texto enorme e fedidamente geek te incomodam, eu recomendo que vá para outro site, de fato, até vou recomendar um: http://www.bikini.com/

Lembro claramente de uma sexta feira bastante fria em 95, antes do aquecimento global se fazer sentir. Uma época que FRIO significava FRIO.

Enfim, nesta sexta-feira eu resolvi fazer aquilo que um garoto de 15 anos obeso e socialmente inepto sempre fazia numa sexta a tarde: Ir até sua locadora de confiança e alugar um bom jogo para o fim de semana.

Bom, era o que faziamos antes da pirataria tomar conta e as locadoras de games praticamente desaparecerem da face da terra...

Enfim, neste dia (frio, lembremos do frio) eu aluguei um game bastante recente chamado Chrono Trigger, que eu tenho certeza que você pelo menos já ouviu falar. Pras três pessoas que não conhecem (e que estariam se divertindo muito mais no site de biquinis que passei) é um RPG desenvolvido pela mesma equipe responsável por Final Fantasy na época.

Verdade seja dita, eu odiava Final Fantasy (outro dia explico porque) e só aluguei Chrono por que seu character design era de Akira Toriyama, e eu estava ficando cada vez mais obcecado por Dragon Ball na época.


E foi uma das minhas melhores decisões, porque CT era uma das mais impressionantes coisas que eu já havia jogado na vida. Eu mergulhei tão fundo na história do jogo que minha mãe veio até meu meu quarto ver se eu tinha dormido...ou morrido, tamanho o silêncio que eu estava fazendo. Quem me conhece sabe que eu sou tão silencioso quanto Sebastian Bach após uma taça de vinho.

Ha, i made a funny!

Aliás, a cena acima é do melhor momento do jogo: A luta contra Magus, e devo dizer que a equipe da foto é exatamente a mesma que eu uso durante esta luta.

Trivia particular inútil, só queria mencionar.

Avancemos pra 2000. Minha inaptidão social piorava a cada dia, e eu estava comprando mais jogos do que podia humanamente jogar, uma atitude que se agravaria sensivelmente na geração seguinte de consoles.

Neste ano, eu aguardava ansiosamente pela continuação de Chrono Trigger, que seria conhecida por nós como Chrono Cross.


A loirinha que oferece a mão (ou talvez uma bala...ou uma camisinha, dependendo de quanto sua imaginação é suja) é Kid, a personagem mais importante e DISPARADAMENTE mais legal de Chrono Cross, mas que infelizmente só permanece no grupo por 1/3 do jogo.

CC tinha uma história bizarramente complexa e com um gazilhão de reviravoltas. Além de um sistema de combate horrendo que afastou muita gente, mas que recompensava aos perseverantes.

Tanto CT quanto CC foram dois dos jogos que eu mais joguei em toda a vida. Joguei tanto que não tenho vontade nem de colocar os dois no console de novo hoje em dia. É estranho pois ao mesmo tempo que tenho um carinho imenso pela série, eu não quero mais vê-la na minha frente.

Provavelmente só vou jogar CT de novo quando precisar provar ao meu neto que um dia existiram jogos que não eram poligonais e diretamente transmitidos para o cortex cerebral.

Mas como bom nerd obsessivo-compulsivo que sou, havia uma pedrinha em meu sapato, na forma de um jogo da saga Chrono que eu ainda não havia desbravado:


Radical Dreamers foi uma "quase-seqüência" de CT, lançado em 96 para o Satellaview.

Reconheço que 99% de vocês não devem saber o que é o Satellaview, 33% por não morarem no Japão e 66% por terem namorada, amigos e sei lá...uma vida.

O Satellaview era um periférico que devia ser acoplado ao Super Nintendo, e a uma mini parabólica, e que desta forma perimitiria o download de games via satélite. Seis jogos foram lançados para o sistema.

O esqueminha abaixo já deve ser explicação o suficiente.


Sim, a Nintendo gastou milhões para utilizar um satélite para que pudessemos fazer downloads de SEIS jogos.

Na verdade, não sei se a empresa colocou um satélite próprio em órbita, ou se usaram um que já estava lá, mas esta brincadeira não deve ter saído barato. E para SEIS jogos, dos quais CINCO eram simples upgrades de jogos que já existiam no Super Nes. Radical Dreamers era a única exceção.

Onze anos se passaram, o satélite em questão provavelmente está sendo usado para algum canal pornô da tv a cabo japonesa e supostamente RD estaria perdido para sempre. Mas felizmente, existem pessoas inacreditavelmente desocupadas que resgataram a ROM do jogo e a traduziram pro inglês para todos que a quisessem jogar.

Aliás, Radical Dreamers não é um RPG, é uma "Digital Novel".

O que é isso? Bom, imagine que você está lendo Harry Potter, e o personagem chegou a sala comunal da Grifinória, que está vazia exceto por Hermione que dorme na poltrona. Então o livro te dá a opção de escolher o que Harry vai fazer entre: acordar a garota, deixá-la dormir ou aproveitar e descobrir a cor de sua calcinha...se ela usar calcinha.

Uma "Digital Novel" é mais ou menos isso, é como um livro que te deixa escolher que caminho seguir, parecido com True Love, ou algum outro daqueles games hentais que você joga.

Eu sei que você joga, não minta pra mim.

Tanto é que a maior parte do jogo é em primeira pessoa, só em alguns momentos chegamos a ver os personagens.


Este é um.


Este é outro.

E nem dá pra ver os sujeitos direito, como pode notar.

Vou te contar, este game foi lançado para um periférico que eu não tenho e em um idioma que (até hoje) eu não entendo... em outras palavras, é algo que eu não deveria poder jogar. O gostinho de "coisa proibida" sem dúvida fez com que RD se tornasse algo bem mais interessante...

Tem gente que pula de asa-delta, outros fazem racha de rua...eu injeto adrenalina jogando coisas que não foram lançadas no ocidente.

Anyway, RD me deixou com uma sensação nostálgica, de uma época que as coisas eram mais simples. Um tempo que eu podia passar o dia todo jogando Super Nintendo sem ter grandes preocupações.

E principalmente, UM TEMPO EM QUE OS JOGOS NÃO DURAVAM DIAS!!!

Terminei RD em dois dias, não que o jogo precisasse de 48 para ser finalizado, mas porque me interessei por Shadow of Memories (falo desse game um outro dia) e resolvi deixar RD de lado por um tempo.

Hoje em dia, a maioria dos games são MUITO longos, e nem estou falando de RPG's, falo de games mais convencionais mesmo. Parece que atualmente, um jogo só é bom se nos fizer sentar em frente a televisão por mais de um fim de semana.

Tudo muito bom, tudo muito bem, exceto pelo fato que um ser humano normal não dispõe de 20 horas pra ficar jogando em seu dia-a-dia. Há exceções, algumas pessoas tem dias de 36 horas, mas a maioria de nós não.

Pode interpretar como resmungos de um cara chato, mas eu sinto falta da época que podia terminar mais de um jogo por fim de semana, hoje em dia tenho sorte de terminar três por mês.

Claro que em parte isso se deve a minha jogatina incansável de GTA e Smackdown, mas mesmo assim, nem todo jogo precisa durar dias, alguns ótimos jogos duram somente horas. Final Fight, por exemplo! Que tal?

Pois é, eu sinto falta da época que tinha tempo até mesmo pra jogar Final Fantasy incansavelmente. Diabos, invejo a garotada de 15 anos de hoje em dia.


É Kid, estamos ficando velhos...

Na verdade só eu estou. Você é uma personagem de video-game e assim como a Betty Boop, terá a idade imutável pelo avanço do tempo.

Mas garanto que estou tão melancólico quanto você neste momento.

E por hora, fico sentado aqui, e sentindo falta de tempos mais simples. E se fico nesse estado aos 26 anos, imagino como vou ficar aos 70...

Bom, prometo que escrevo sobre algo mais divertido da próxima vez. Ainda tenho um video da Cindy Lauper aqui de que pretendo falar.

Cheers!

4 comentários:

Taís disse...

Hi dear...
entao, tb adoraria passar os meus dias ou pelo menos um intervalo d tempo longo o suficiente pra se cansar jogando alguma coisa
q me faca esquecer q ha um mundinho la fora. Oh well, n tenho 15, mas tenho 16 e isso nao eh bem possivel. Mas talvez pq eu escolhi assim. Mas q eu adoraria jogar esse RD eu adoraria, principalmente pelo effort q a nintendo fez pra q se pudesse baxar esse jogo o.0'.Infelizmente nao sou nerd enought pra essas coisas e provavelmente nunca vou jogar...Mas como vc conseguiu esse jogo honey? Vc as vezes me assusta...

Carlos disse...

Taís, Radical Dreamers dá pra ser jogado baixando ele na romhustler, fiz isso aqui no emulador de snes que tenho no meu PSP. Aliás, a estória é muito boa, já estou no castelo! Por acaso esse Kid é o kid do Crhoss??

Amer

NERD não é a melhor palavra pra se definir hoje em dia quem joga videogames. Gosto muito deles apesar de não ter muito tempo pros mesmos. Tenho uma mania feia de vender meus consoles conforme avnaça os tempos, por isso escolho sempre consoles com emulação para rever queridos jogos.

Rake-Ryu disse...

Poisé Amer, qual a diverção de poder jogar um jogo que te da a opção de salvar no meio dele, e você pode terminar ele em 1 dia sem precisar usar 100% do nosso potencial, bons tempos com meu velho megadriver

Uris disse...

Sinceramente Amer, esteja feliz, pois você é um sensato! Já eu sou DOIDO!

Nasci em 1994, e sinto uma nostalgia muito parecida com a sua, eu eu nem vivi essa época direito!!!!

De fato meu primeiro videogame foi um clone de NES, e eu nasci em 1994, olha só como as coisas são?

Eu acho que meu lamento não é bem não poder voltar no tempo, e sim nem ter vivido esse tempo direito...

Quão louco eu sou? saudosista que cresceu já proximo da era 128 bits!

De qualquer forma, eu até invejo você, por ter tido oportunidade de crescer nos anos 80 e viver os anos 90 como um adolescente, ter comprado Gamepower e Supergame, ter presenciado de perto a guerra 16 bits, entre outras coisas que não lembro aqui.

Se sinta glorioso! Você é um cara nascido nos anos 80!!