segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Melhor Filme Infantil de Todos os Tempos


Olá queridos, como vão?

Hoje trago a vocês a republicação de um artigo que escrevi originalmente quando eu era crítico e redator de cinema.

Oh sim, que era gloriosa. Estar junto dos famosos, assistir a filmes novos com exclusividade e me apaixonar por estrelas de cinema, como Mariana Ximenes. Sim sim, foi o melhor dos tempos... foi o pior dos tempos...

Hoje, não mais estou em meio as celebridades, passo meus dias apertado em um apartamento de quinta categoria no Leblon, cercado de baratas, ratos, escandinavos e memórias... Amargando os dias que me restam na companhia de uma garrafa de Jack Daniels...

Enfim, sei que muitos de vocês não acompanharam os artigos que escrevi nestes áureos tempos (que feio, QUE FEIO). Desta forma, decidi compartilhar aqui um texto que escrevi em celebração ao Dia das Crianças de 2012, onde eu defendia com unhas, dentes e cauda, que Meu Amigo Totoro é o melhor filme infantil de todos os tempos.

Tenho orgulho desta publicação, vejam vocês. Isso é pecado?

É? Mesmo? Huh... bem, comer camarão também é pecado e Deus tá vendo você fazendo orgias com frutos do mar toda vez que vai a um restaurante do litoral.

Enfim.

Este artigo vai ser um pouco mais curto do que aqueles que costumo lançar. Estejam avisados então.

Lá vai!

Publicado originalmente em 12/10/12 no site Além do Oscar.


Hoje é Dia das Crianças, que data tão feliz!

Pensei em inúmeras maneiras de celebrar o dia de hoje, mas após muito raciocinar, decidi que o melhor a fazer era compartilhar da minha paixão por um certo filme com vocês. No caso, Meu Amigo Totoro, que considero como o melhor filme para a família já feito.

Roger Ebert também achava isso e vocês verão que concordamos em muitos pontos.

Na história, duas irmãs mudam-se para o interior com o pai, a fim de ficarem mais próximas do hospital onde sua mãe está internada. Lá, elas descobrem que vivem próximas a um “Totoro”, um gigantesco e gentil espírito da floresta, do qual ambas se tornam amigas.

A aventura de Satsuki e Mei é alegre e emocionante, possivelmente uma das animações mais sensíveis já criadas. E decidi compartilhar aqui os motivos que me fazem adorar tanto esta obra.


Satsuki e Mei agem como crianças normais

Uma coisa que nunca me desceu é o conceito da “criança prodígio”. Você já deve ter visto aqueles filmes em que crianças de nove anos são mais engenhosas que o MacGuyver, lutam melhor que o Batman e dispensam pérolas de sabedoria que esperamos ouvir do senhor Miyagi, e não de um fedelho que sequer entrou na puberdade.

Não é o caso aqui. Satsuki e Mei são crianças normais, sem nenhuma habilidade, dom ou poder especial. E é justamente isso que torna tão fácil nos apaixonarmos por elas.

Satsuki é a mais velha, que assumiu muita da responsabilidade de criar sua irmã, uma vez que sua mãe encontra-se ausente e seu pai trabalha demais (como todo bom japonês). Ela se preocupa com a pequena, mas é severa e dá broncas quando necessário. Mesmo assim, Satsuki não censura Mei e a deixa sonhar, e perder-se em suas fantasias as vezes.

Mei age como uma típica menina de 5 anos. Ela é inquieta e precisa constantemente de entretenimento, o que a faz explorar cada centímetro de seu vasto jardim quando está sozinha. Além disso, ela tenta chamar a atenção do pai e da irmã sempre que pode, afinal de contas, são eles o centro de seu universo infantil.

Se você tem crianças pequenas em casa, sabe bem como é isso.

Mas um dos pontos mais importantes é que Mei e Satsuki, como crianças da vida real, BRIGAM. Em pelo menos um momento do longa, as duas tem uma discussão muito feia e ficam sem se falar. Quando finalmente fazem as pazes, é sem uma grande conclusão ou epifania, tudo acontece naturalmente porque elas são irmãs e se amam, apesar das discussões e diferenças.

Meu Amigo Totoro confia na sensibilidade de seu público. De que as pessoas serão capazes de entender a mensagem por trás da história, sem que a mesma seja esfregada em suas faces.

E na maior parte das vezes, acredito que esta fé é recompensada.


O mundo em que elas vivem é pacífico e acolhedor

Muitos filmes infantis colocam seus personagens em um ambiente onde existe algum risco ou obstáculo na vida de seus protagonistas.

Como Treinar seu Dragão se passa em uma terra onde ataques de dragões e batalhas violentas são algo constante, Meu Malvado Favorito acontece em um mundo onde vilões não apenas existem, mas competem para ver quem é o pior dentre eles e Transformers - O Filme nos ensina que se robôs gigantes armados até os dentes chegarem a Terra, NÓS TODOS IREMOS MORRER!!!.

Meu Amigo Totoro não tem nada disso. A cidade para onde Satsuki e Mei se mudam é calma, habitada por pessoas amigáveis e onde o tempo parece não passar as vezes. O lugar ideal para hipertensos tentarem melhorar de suas crises.

Esta paz é evidente em determinadas cenas, como no momento em que Mei persegue um Totoro pequeno até o interior de uma árvore. Sentimos empolgação e nos deixamos levar pelo espírito explorador da menina, sem em momento algum nos preocuparmos com seu bem estar. Mesmo quando sofre algumas quedas, logo percebemos que ela está bem. Como toda criança pequena, ela é indestrutível… a menos que um adulto a assuste com a fatídica pergunta “você está bem”?

Sério, quem tem crianças pequenas em casa normalmente aprendeu isso da maneira mais difícil.

E é este ambiente pacífico que nos faz aceitar o enorme Totoro logo de cara. Mei, uma criança pequena, cai na barriga de um “monstro” adormecido e peludo, que possui uma boca imensa o suficiente para engoli-la inteira se assim o desejar. E mesmo neste momento não tememos por ela, que logo está fazendo carinho no focinho do gigante para adormecê-lo. Ela sente-se segura junto a este colossal espírito da floresta e isso torna-se visível para nós.

Apesar de se passar no mundo real (ou o mais próximo disso que uma animação consegue fazer), a fantasia que cerca as duas irmãs é pacífica, confortável e amistosa. Não existem vilões, apenas seres incomuns e tão dóceis que não se incomodam se uma menininha adormecer em suas barrigas. Quem não gostaria de poder escapar para uma fantasia dessas em seu dia-a-dia?


Totoro é uma criatura mágica, mas não uma saída “Deus Ex Machina”

“Deus Ex Machina” significa “O Deus Surgido da Máquina”. É um termo usado por escritores e roteiristas, para determinar uma saída pouco plausível, mas absoluta, para um problema dentro da história que parecia não ter solução.

Por exemplo, um personagem que está prestes a perder tudo que tem devido a problemas financeiros, descobre sem mais nem menos que é o herdeiro de uma gigantesca fortuna. Ou um herói que está indefeso e foi encurralado por todos os vilões de sua saga, de repente é salvo por um anjo, que desceu dos céus unicamente para tirá-lo da confusão. Esta é a típica saída de um roteirista preguiçoso, que não sabe como resolver o conflito que criou em sua história.

Muitas criaturas mágicas são usadas desta forma, não possuem nenhum desenvolvimento dentro da trama e surgem unicamente para resgatar o herói de algum apuro. Não é o caso do Totoro que na maior parte do tempo, está cuidando de sua vida, dormindo em sua toca, fazendo sementes germinarem ou esperando o ônibus (pois é). Ele não muda sua rotina para ser o “amigo mágico das meninas” e lhes ensinar lições preciosas sobre a vida.

De fato, ele nem precisa ser. As meninas aprendem com os próprios erros, como todos nós. E o grandalhão limita-se a ser um amigo diferente, que brinca com elas mas que em momento algum, torna-se o ponto central de suas vidas.

Mesmo no final, quando Mei desaparece e Satsuki pede ajuda ao Totoro (**SPOILERS**), o gigante arranja uma solução que aceitamos como normal em seu mundo. Ele evoca seu ônibus-gato e faz com que ele encontre Mei. O vemos utilizar algo que é comum em seu dia-a-dia para solucionar o problema, como tantos de nós fazemos para dar uma força a amigos em necessidade.

Totoro pode ser uma criatura fantástica, mas dentro do que se propõe a fazer, ele é tão crível quanto qualquer outro personagem.


O filme nos ensina que o mundo ao nosso redor pode ser mágico, se nos permitirmos vê-lo desta forma

Como eu disse, o mundo em que as meninas vivem é muito comum. Elas vão para a escola, almoçam com a vovó, brincam com o pai nas poucas horas que os três tem juntos e tudo isso se repete diariamente. De qualquer ângulo que olhemos, temos aqui uma família extremamente normal.

Mas as irmãs se permitem fantasiar e brincar, com isso, elas são capazes de enxergar um mundo que os demais não veem. Mei e Satsuki conseguem perceber magia nas coisas comuns do dia-a-dia, e é justamente por isso que elas conhecem o Totoro e passam por toda a sua aventura.

No final das contas, Meu Amigo Totoro passa a mensagem de que o mundo pode ser tão mágico quanto desejarmos, contanto que deixemos nossas inibições de lado e tentemos vê-lo como uma criança o faria.

Quando o longa termina, temos a sensação de que não há nada de errado em sonhar um pouco. E neste mundo cinza em que vivemos, onde crianças querem se tornar adultos cada vez mais rápido, acredito que esta é uma lição muito preciosa que todos poderíamos aprender.

Por hoje é só, meus amores. Eu volto em breve.

*Beijinhos*

Cheers!!!

25 comentários:

Kyo disse...

Não sou muito chegado a longas animados, mas um dia darei chance a Totoro. Se eu conseguir achar o disco pra comprar.

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

parece bacana essa animação Amer. nunca fui muito fã da arte do sujeito que fez a Viagem de Chihiro, mas esse meu amigo Tororo é um clássico(?) que vale dar uma olhada

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

parece bacana essa animação Amer. nunca fui muito fã da arte do sujeito que fez a Viagem de Chihiro, mas esse meu amigo Tororo é um clássico(?) que vale dar uma olhada

Victor Eduardo disse...

Incrível como uma simples porém completa resenha faz a pessoa se interessar por algo q nem imaginava q existia XD. Gostei e vou procurar. Vlw pela dica

Tasso Evangelista disse...

Já tem um bom tempo que quero ver Totoro; agora me sinto motivado a isso.
Ah, eu sinto falta do seu trabalho no Blogs POP Cinema. Eu acompanhei aqueles áureos tempos... :(

Eliel Ribeiro disse...

Este é um dos melhores porque segue-Também na minha lista Laputa, Castelo Animado, Porxo Rosso e A viagem de Chihiro

Eliel Ribeiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eliel Ribeiro disse...

Corrigindo: Porco Rosso

JoaoNMatz disse...

Agora fudeu, ele vai começar a jogar GTA V e só volta ano que vem, show.

Diego Alberto disse...

Bacana, o artigo. Para mim, Totoro sempre será o melhor. As outras animações sempre serão outras. Mesmo porque, como você bem disse, a história não subestima seu público e trata de temas recorrentes em nossas vidas.

Isso me lembra uma frase sua: "Se você ainda não viu Totoro, ainda não viveu."

Pedro Oliveira disse...

Amer seu lindo!!
Quase rolou um suor masculino dos meus olhos agora com tanta nostalgia *-*
Vi Totoro pela 1ª vez quando devia ter uns 5 anos de idade, e se vc perguntar a minha mãe, ela te responderá as quantas milhões de vezes lhe pedi para ver esse filme(e outros como Rei Leão e Toy Story, mas Totoro foi marcante.)
Recentemente vi ele novamente e senti as mesmas boas emoções que senti quando vi-a-o quando era pequeno(acho).

Hoje, já estou entrando no mundo cinza dos adultos, começando a fazer minha faculdade e tendo já algumas preocupações quanto ao futuro, mas msm assim, vendo Totoro ou como aqui no caso, lendo sobre o msm, permito-me sonhar um pouco mais.

Muito obrigado por esse excelente artigo!

P.s.: no post anterior vc disse q a galera iria rir... eu quase chorei, msm q não sendo de triste, não vi nada TÃO engraçado assim, vc já fez posts muito mais engraçados, fica devendo uma seu puto kkkkk'

Cheers!! :)

Luis Paulo S.M disse...

Hey, Amer!! Belo Post!!

Gostaria que desse uma olhada em meu blog: o Portal LPSM

http://luispsm.blogspot.com.br/

Eu o construir me inspirando em você!! Mas ao invés do vicio em Transformers,o meu é o do Homem-Aranha.

Gostaria que escrevesse sobre três animes que acho que você vai adorar: FullmetalAlchemist Brotherhood,Attack on Titan e Karekano.

Bruno He disse...

Gosto tanto da sua escrita q nem importa qual artigo eh broder.

Mas falae, aonde tu escreve agora?

Virtuoses silva disse...

Olá, Amer, tentei entrar em contato por e-mail, mas não encontrei por onde. Gostaria de saber se se interessa por uma parceiria, tipo um banner no seu e no meu da propaganda um do outro. Não sei se me expressei bem. Estamos começando ainda mas queremos seguir muito além. Abraço!


http://virtuosespodcast.blogspot.com.br/

virtuosespodcast@gmail.com

PS.: estamos prestes a fazer algumas melhorias.

Cindy Barboza disse...

Ainda bem que você voltou, Amer!
E parece bem legal essa animação, eu já tinha visto uma coisa ou outra sobre, mas depois de ler isso vou ter que assistir!

Cindy Barboza disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Euclydes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Euclydes disse...

Olá amigo Amer,
muitas saudades de vc.
em verdade, não dei muita bola para a história do filme que vc narrou, acho que já tinha lido antes, agora, me chama a atenção no início do post quando vc diz: "... apartamento no leblon..."
Que papo é esse Willis, digo Amer?
Vc abandonou nossa querida pátria dos índios e peixes barrigudos? Como assim?


Jonnes Derik disse...

Amer, em um tópico não relacionando mas muito pertinente (pelo menos para mim)> Quando saberemos o seu parecer de Mass Effect 3 ??

Guilherme Filipe Pereira de Santana disse...

Eu via esse filme quando era pirralho com um primo meu menor eu gostava d+ desse desenho! Mas havia esquecido dele!

Guilherme Filipe Pereira de Santana disse...

Eu via esse filme quando era pirralho com um primo meu menor eu gostava d+ desse desenho! Mas havia esquecido dele!

Jon_Hen disse...

Essa parte do Leblon tbm me incomodou um pouco...vc ta aki no RJ????? Se não que pena seria maneiro dar um role cntg......bom qnt ao texto....eu nunk vi o filme....e do jeito que vc descreveu tem cara de ser um filme simples e não aqueles maçantes fiquei realmente com vontade de ver....vlw Amer não se esqueça de nos enquanto estiver jogando GTA V

Unknown disse...

apesar de ter assistido na adolescencia, esse filme é muito especial pra mim
ele tá acima de dos filmes de criança que você vê todo natal, na sessão de infantis ou no cinema na época das férias escolares
no brasil ele nem é famoso por ter feito parte da infancia das pessoas, nos estados unidos é assim, mais aqui ele é mais adorado pelos otakus e cinefilos
e o amer conseguiu descrever perfeitamente o que sinto pelo filme; o totoro "simplesmente existe", ao assistir você fica fascinado igual as meninas, ele nem tem um formato tradicional de começo meio e fim e nem tem história bem definida...esse filme é igual a uma tarde de dia de semana em que você tinha 9 anos e não tinha tarefa e saia com um amigo descalço na rua, simplesmente sai sem rumo e sem nenhuma preocupação de adulto


alguns outros filmes da ghibli também tem um pouco desse sentimento, (ponyo, castelo no céu) mas nenhum é tão forte nesse sentido quanto totoro

Também fomos agraciados com um jogo chamado Ni No Kuni, que é um dragon quest meets ghibli studio, que também tem essa vibe

eu choro litros --literalmente-- assistindo esse filme eu não entendo pq, mais acontece e eu não consigo evitar

Lady Strawberry disse...

esse filme nunca envelhece! é fascinante o poder que ele tem de agradar crianças de todas as gerações e faixas etárias sem parecer uma coisa "velha e careta" demais :P ele fez parte da minha infância, posso dizer, sem sombras de dúvida, que foi um dos meus filmes de desenho animado prediletos ^^ quando fui em um evento de anime e vi o DVD (legendado em português) pra vender não exitei em comprar... uma pena não achar mais por aí o filme dublado :\ mas, bem... não importa, sempre que assisto o filme me sinto com 6 anos novamente

Jéssica Lírio disse...

Faz quase três ou quatro anos que eu vi esse filme com a minha irmã e eu lembro que chorei no final(tinha uns 16 ou 17, mas sou muito emotiva...); gostei da sua resenha, e você tem razão, esse é um dos poucos filmes infantis em que o mundo não é mostrado como um lugar perigoso.(em termos.Quem viu o filme sabe do que eu tô falando.Dica, é da parte mais pro final.) Mesmo assim, realmente, isso me faz questionar por que tantos filmes tem a necessidade de enfiarem monstros e coisas assustadoras, sem considerar outros modos de provocar o conflito da estória.