domingo, 18 de setembro de 2011

Crítica do Amer: Transformers: Convoy no Nazo


Já devo ter contado essa história antes, mas eu sou um senhor de idade e tenho o direito de me repetir as vezes.

Em 1991, após meses implorando, resmungando e gemendo em voz alta pela casa, finalmente ganhei meu NES. Antes de passar todo esse tempo convencendo minha mãe e minha avó de que eu merecia um, houve um breve período de dúvida em minha mente, em que eu não sabia se deveria ter o console da Nintendo ou um Master System.

Mas isso é uma história pra outro dia. Nos foquemos no NES por enquanto.

Graças a minha querida e saudosa vovó, obtive meu primeiro video game e o céu era o limite. Eu tinha 11 anos e todos os jogos do mundo estavam à minha disposição! Eu jogaria até meus olhos cairem e seria feliz!

Exceto... que eu não tinha nada de bom pra alugar.

Para quem é jovem demais pra saber (e novamente, tenho certeza que já falei disso antes) naqueles tempos existiam locadoras de games, que se tornavam mecas da garotada aos finais de semana e muitas vezes, logo depois da aula.

O problema é que em determinados dias, não havia NADA para se alugar. As crianças espertas e com pais que dirigiam, já haviam passado na locadora e levado os bons títulos embora, deixando para letárgicos como eu, apenas jogos terríveis, ou títulos em Japonês que ninguem fazia a menor idéia do que poderiam ser.

E foi isso que aconteceu quando ganhei meu NES, tive de revirar a locadora em busca de algo para estrear em meu novo e reluzente console. Eis que em meio a minha busca desesperada, vejo uma figura de meu passado na capa de um game: Ultra Magnus.

Na época eu não era o fã abilolado de Transformers que sou hoje, mas sempre tive um lugar muito especial para eles em meu cerebelo. Desta forma, não pensei duas vezes, um game de Transformers tinha de ser a melhor coisa de todos os tempos desde a invenção so sanduiche de presunto, certo?

...

Não...

...

Não...


A história do game é baseada em Transformers 2010, série animada exclusiva do Japão e que seguiu as aventuras dos robôs no mundo pós longa metragem de 1986. Eu não a assisti inteira e sei muito pouco a seu respeito, lembro apenas de um episódio em que os Autobots tinham como missão resgatar um panda gigante (tipo, cinco andares de altura) hiperativo e se enfiavam em DIVERTIDÍSSIMAS CONFUSÕES para salvá-lo.

Pois é.

O game se chama “Convoy no Nazo”, ou em bom Português: “O Mistério de Convoy”. Convoy desapareceu e o motivo por trás disso é um mistério, cabe a você encontrá-lo.

Aliás, “Convoy” (que está escrito errado na capa do game, aich) é o nome Japonês de Optimus Prime. Ou seja, o personagem principal de Transformers nem sequer está no jogo, esse deveria ter sido o primeiro sinal na época.

Então, Optimus sumiu, você joga com Ultra Magnus (um dos piores personagens já criados para a saga) e tem por missão encontrá-lo. De acordo com Magnus, a melhor maneira de fazer isso é correr em uma linha reta, metendo chumbo em qualquer coisa que cruzar seu caminho.

Pois a solução pra qualquer problema da vida, não importa quão esdrúxulo seja, é atirar nas coisas até que elas melhorem.

Eu falaria mais a respeito, mas o enredo deste game é ainda menos desenvolvido que um episódio de Transformers Armada, e crianças, isso é dizer um bocado.


A apresentação do jogo é uma desgraça, nenhum dos programadores dava a mínima para o produto final quando estavam trabalhando nele. Devem ter usado todo o orçamento em churrasco grego, pois só isso justifica o horror que ficou este título.

Os gráficos são desanimadores. Os personagens são MINÚSCULOS, mesmo para os padrões pré-1990 e possuem no máximo cinco quadros de animação... digo, o Ultra Magnus possui cinco quadros de animação, os demais personagens (todos inimigos) tem UM MÍSERO MALDITO FRAME DE ANIMAÇÃO CADA!!!

E os cenários são excepcionalmente sem graça, com cores foscas e nenhum detalhe que chame a atenção. De fato, se você pegar duas fatias de pão branco, juntar sem nada no meio e comer, elas terão bem mais graça que o visual deste game.

Além de não serem interessantes para manter a atenção do jogador, muitas vezes os inimigos ficam camuflados no cenário, devido ao limitado uso de cores em tela. Desta forma, é muito fácil ser pego de surpresa pelos mesmos, que tem uma desleal vantagem desde o começo.

Aliás, não existe o menor cuidado com a escala aqui. O desenho animado tinha momentos em que pisava feio na bola neste quesito, mas Transformers: Convoy no Nazo não só faz isso, como também a chuta por cima do muro do vizinho psicopata que tem um fetiche por estripar as bolas da garotada da vizinhança.

Entre os chefes de fase estão Trypticon e Megatron e ambos são pelo menos sete vezes maiores que Ultra Magnus. Ok, Trypticon é imenso mesmo, pois se transforma em uma fortaleza, mas da última vez que vi, Megatron não podia sair no braço com o Ultraman.

Cacetada, povo que trabalhou nessa desgraça nunca assistiu à série não?

Aliás, ao menos dois chefes de fase são o emblema Decepticon, pois Deus sabe que não existiam personagens suficientes na série para os programadores usarem no game.

Quanto ao som, existem DUAS músicas no game inteiro.

Isso mesmo, DUAS.

Uma é o tema de abertura (incompleto) de Transformers 2010 e toca na tela de apresentação, já o outro é um tema exclusivo do game que toca em ABSOLUTAMENTE TODAS AS FASES!!!

Toca na fase das montanhas, no espaço, na base Decepticon, quando se luta com um chefe, É UMA MÚSICA SÓ NA DESGRAÇA DO JOGO INTEIRO, PELO AMOR DAS BISNAGUINHAS!!! Ao fim de 10 minutos de jogo, este tema lazarento estará gravado em brasa no seu cortex cerebral pelo resto da vida, igual a qualquer música do Tiririca.

Já os efeitos sonoros se resumem a “PTOO”, “PDUINN” e “PSHHHHH” genéricos que cansamos de ouvir em games de segunda categoria do NES. No fim das contas, tirar o som da tevê e colocar um CD com uma briga de gatos tocando em looping é uma opção muito mais saudável e menos incômoda.


No tocante à jogabilidade, erraram em absolutamente tudo que podiam. Devem ter quebrado algum recorde no processo.

Transformers: Convoy no Nazo é um Sidescroller comum, ao estilo de Contra, Mega Man e tantos outros. Você atravessa cenários, atira em inimigos, salta abismos e é feliz ao final da história, ou ao menos, deveria ser.

O controle é abismal. Magnus demora algumas frações de segundo para responder soa comandos, o que pode não parecer muito, mas em um game nesse estilo, este tempo pode ser a diferença entre escapar de um ataque inimigo ou não.

Aliás, não existe medidor de energia. Encostar nos inimigos uma vez ou ser atingido por um disparo é o suficiente para acabar com sua (relativa) alegria.

Normalmente, isso traz desafio extra a um game de ação, mas aqui simplesmente torna as coisas injustas. Como já vimos, os gráficos muitas vezes ocultam os oponentes ou seus disparos e é praticamente impossível evitá-los no último segundo, com as respostas canelonicamente lentas do controle deste game.

Em outras palavras, você morrerá muitas e muitas e muitas vezes, logo nos dois primeiros minutos de jogo. Eu ficaria muito impressionado se alguns de vocês conseguissem chegar ao primeiro chefe.

Aliás, sendo este um game de Transformers, imagino que vocês querem saber se é possível converter Ultra Magnus em um caminhão, correto? Sim, é! Exceto que isso cria mais problemas do que os resolve.
Magnus leva em torno de dois segundos para se transformar, tempo demais para ficar parado em um game como este. Se consegue virar um caminhão sem ser baleado no processo, suas armas tornam-se inúteis e tudo que lhe resta é desviar dos ataques inimigos, que já era difícil como robô e torna-se improvável no modo veículo.

Como a cereja do bolo, não há Power Ups, vidas extras, nem nenhum item que possa facilitar um pouco sua vida. Aúnica coisa a sua disposição são Continues, que precisam de um código para funcionarem, pois não são dados ao jogador por meios normais.

Não que eu acredite que alguem vá querer continuar jogando essa diarréia depois das quatro primeiras mortes consecutivas.


Transformers: Convoy no Nazo é um arremedo de game. Uma batida de trem que foi produzida as pressas pelos donos da marca (a Takara é a sócia da Hasbro no tocante a Transformers) com a intenção de faturar um troquinho rápido com os personagens.

Não existe nenhum fator que redima essa abominação, ela é imperdoável. Sequer parece um game completo produzido por uma empresa profissional, mas sim uma porcaria gratuita disponibilizada online por algum guri desocupado que se acha um gênio da programação.

Ao invés de jogar isso, prefiro assistir Transformers: A Vingança dos Derrotados com um martelo em mãos e a cada cena sem graça ou constrangedora, bater em meus joelhos com ele. Essa seria uma forma muito menos dolorosa de fazer uso de meu tempo.

E que Primus tenha piedade de todos nós.

Cheers!!!

13 comentários:

Nisnast disse...

Wow,não lembro de você ter dado nota zero para nenhum outro game,esse game deve ser a piora coisa já feita sobre Transformers,eu lembro que o AVGN fez uma matéria só sobre esse game,e que ele teve que usar um Famicon para fazer ele funcioanr,e como que você conseguil fazer ele funcionar?

Nappa_ disse...

Nem tudo que reluz é ouro, assim como nem tudo que carrega um escudo de autobots ou decepticons é bom.

Marlon Rodrigues disse...

Eu falei desse jogo no meu blog(http://osnerdcores.blogspot.com/2011/08/review-transformers-convoy-no-nazo.html)e a nota não foi ZERO(hehehe!

Scariel disse...

Passar um final de semana só com esse jogo, deve ter sido traumático.
Como eu tô ficando velho. Lembro desse tempo de ter que correr pra locadora, pra ninguém gravar por cima do meu save.
Você zerou essa abominação, Sr. Amer?

Sybellyus Paiva disse...

Ainda bem que passei reto por esse jogo.

Agora por algum motivo me lembrei de "Galactic Crusader" do NES. Esse jogo me causa ânsias de vômito.

Hikaruon Dekabase disse...

Hammer se puder faça resenha do Beast Wars (Game Boy Color eu acho) que é um tipo de Street Fighter, do pouco que joguei achei legal.

Bardock disse...

É euvi a matéria do AVGN sobre o jogo, que grande bosta isso ae.

Hikaruon Dekabase disse...

Bardock

Pior que parece que o final verdadeiro só é obtido quando se joga com o Rodimus, que só é obtido depois de terminar o jogo pela primeira vez

juninho-ad disse...

O tempo das locadoras era uma coisa muito muito muuuuuuuito boa e altamente nostálgica. Sinceramente, às vezes sinto falta disso...

Old_Nash disse...

Até eu faço coisa melhor no RPGMaker XD

Pior que isso, só o games dos Thundercats.

Marlon Rodrigues disse...

Amer, valeu a vizita no meu blog( realmente eu valorizo o seu trabalho blog pra caramba), e foi mal de fazer um Spam, mas serio, esse post fala das coisas horriveis desse jogo (tirando o masquismo, que eu gosto!)!!!

Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner disse...

já zerei ele hoje mesmo Amer. é ruinzinho mesmo. cara, como um Transformer morre com um golpe? era para no minimo o Ultra Magnus ter uma barra de energia. e a trilha sonora é fraca...um dos mais fracos que já zerei no NES. e o final é ruim demais e olha que fiz a zerada boa.


mesmo assim, valeu pela jogada.

Alexandre Lancaster disse...

O pior é que sempre achei o Ultra Magnus um dos robôs visualmente mais bacanas de Transformers.

Como é que fazem dele um personagem assim? :P