terça-feira, 26 de março de 2019

Crítica do Amer: Alita - Anjo do Combate

 

Lembra de Crying Freeman?

Lembra de O Guerreiro da Estrela Polar?

Lembra de Guyver?

Lembra de Death Note?

LEMBRA DE DRAGON BALL EVOLUTION???

Lembra de TODAS AS OUTRAS ADAPTAÇÕES DE MANGÁS QUE HOLLYWOOD TRANSFORMOU EM DIARREIA SENDO PROJETADA CONTRA UMA PAREDE BRANCA???

Eu duvido que deixem de existir. Hollywood adora pegar o trabalho de artistas japoneses, tascar o Wilem Dafoe, um orçamento baixo e ver o fracasso acontecer.

Alita: Anjo do Combate é um acidente em meio a este velho hábito.

Um acidente muito feliz, mas um acidente assim mesmo.


Nossa história se passa em 2563, três séculos após a queda da civilização, causada pela Grande Guerra, também conhecida como “O Dia que o Facebook saiu do ar”.

Tudo começa com o Dr. Dyson Ido (aquele alemão bacana de Django Livre) revirando a sucata da grande cidade de ferro-velho, em busca de partes usáveis... Porque todo mundo precisa de um hobbie.

Durante seu passeio, ele encontra o torso de uma cyborg feminina, com cérebro humano intacto. Uma vez que Dyson é um pedóf... DIGO... Um bom homem, ele leva o torso para casa e o conecta a um corpo cibernético. A menina desperta e ele a batiza de Alita, o nome de sua falecida filha.

Em seu novo corpo, Alita (interpretada por uma atriz latina que NUNCA será mais famosa que a loira-de-olhos-azuis-Brie-Larson, porque Hollywood é racista pra cacete, embora adore dizer pra todos que é inclusiva e “ama a diversidade”) não possui memórias de sua vida anterior, então ela tem de redescobrir a coisas pequenas da vida, como que é preciso descascar mexerica antes de comer, que é legal se apaixonar pelo bad-boy saradinho da vizinhança (interpretado por um bad-boy saradinho) e que chocolate é a melhor das refeições.

Ela também aprende sobre o Motorball, o esporte mais popular do futuro. É como Quadribol, só que sem ser idiota.

O tempo passa, Alita aprende que seu alemão favorito é um “Hunter-Warrior”, um caçador de recompensas endossado pelo governo e responsável por trazer um semblante de ordem ao mundo. Ao se encontrar com ele em uma situação de perigo, os instintos da menina entram em ação e ela descobre que é a cyborg mais poderosa do mundo, destruindo um oponente muito maior sem o menor esforço. Alita então fica obcecada por descobrir seu passado e de onde veio tal habilidade, o que a coloca em conflito com seu novo pai e a põe em rota de colisão com alguns dos mais poderosos figurões locais, bem como Nova, manda-chuva da cidade de Zalem, o monolito que flutua acima da capital de sucata, para onde todos sonham em se mudar.

Serei honesto, Alita: Anjo do Combate, tem um roteiro meio bagunçado onde certas coisas acontecem muito rápido, problemas oriundos de adaptarem dois volumes de um mangá para um filme de duas horas e acrescentarem longas cenas de ação que não estavam presentes na história original.

Não é perfeito, mas no geral, a história é de fácil compreensão e o carisma dos personagens ajudam a manter o público interessado em seu desenrolar.


Agora, falemos do óbvio: O visual de Alita.

Admito que fiquem meio “muh” quando vi o primeiro trailer do longa. Ma como? Essa menininha com olhão e boquinha, parecendo mangá de 1990, ABSURDO!!! O QUE FARÃO EM SEGUIDA??? COLOCARÃO UM GOONIE INTERPRETANDO O DARKSEID DA MARVEL???

Oh...

Mas o caso é que funciona. O visual de Alita foi criado de modo a separá-la do resto da humanidade. Ela não é humana, nunca será, não totalmente pelo menos. Parte de sua jornada é a busca por seu lugar no mundo, e sua aparência nos lembra que não importa o quão próximo ela chegue de ser como nós, sempre será um pouco menos que humana... Ou talvez um pouco mais.

De fato, a atuação fantástica de Rosa Salazar, unida ao visual único de Alita, lhe conferem mais humanidade do que a qualquer personagem da história. O mundo do filme é sujo, traiçoeiro, perigoso, onde todos escondem algo, desde o alemão que te abrigou ao boy magia que mexe com suas gônadas.

Mas não Alita. Ela é 100% honesta e esconde absolutamente nada. Seus olhos enormes sempre transparecem sua frustração, alegria, gratidão, amor e fúria. Alita é a integridade encarnada, num mundo onde corrupção e egoísmo parecem ser a norma.

E hoje em dia, quando efeitos visuais nem precisam de um motivo de ser e produtores os adicionam a seus longas apenas porque “o público se acostumou a vê-los”, é refrescante ver uma personagem de computação gráfica que transmite tanto em sua existência.

OUVIU, BIGODE DO HENRY CAVILL???

...

BIGODE RASPADO DO HENRY CAVILL???


Já que falei de Rosa Salazar, é justo que eu fale do resto do elenco.

Pois bem, Christoph Waltz, o alemãozão do Frutily, faz um excelente trabalho como o Dr. Dyson. Acho incrível como ele possui uma aura paternal completamente maleável, que pode ser usada da forma que for mais apropriada a seus personagens.

Em Django Livre, ele é o amigãozão de Django, que adora ser teatral e nem sempre toma a decisão mais sábia (meter um balaço no dono da plantação quando se está na casa dele? Qual é o seu problema?!), em Bastardos Inglórios, ele é um nazista mais assustador que o próprio Hitler,capaz de emanar uma energia aterrorizante, enquanto sorri e fala mansamente com você.

Aqui, ele manipula essa essência novamente, gerando um personagem que é basicamente o pai perfeito. Um senhor que sabe ser enérgico quando precisa, que claramente ama sua nova filha e quer protegê-la dos terrores do mundo, mas sabe que irá perdê-la quanto mais tentar mantê-la aprisionada.

E a relação entre ele e a menina é de uma doçura tremenda. Após um evento no meio do filme, Alita perde seu corpo ciborgue e o doutor é forçado a implantá-la em um novo, algo que ele relutava em fazer, por motivos que não irei revelar porque SPOILERS (até eu evito ser filho da puta as vezes). Após o procedimento, Dyson está dormindo no sofá de seu laboratório e Alita o acorda com um beijinho na bochecha, antes de sentar ao seu lado e recostar o corpo nele, esperando um abraço paternal que logo vem. Ela não diz nada, pois seus gestos transmitem uma gratidão e um amor que não cabe em palavras, e o doutor aproveita o momento para estimular sua pimpolha a ser o que quiser na vida.

É possivelmente a relação pai-filha mais adorável que já vi em um filme.

Não, mesmo. Não lembro de nenhuma outra no momento.

Não, Gamora-Thanos não conta.

Keean Johnson, que interpreta Hugo, o interesse amoroso de Alita, não fede nem cheira. Ele é o “bombado genérico lindo” que parece ter saido de uma linha de montagem, pois Hollywood está infestada de caras como ele. Nos anos 1980, ele interpretaria o “namorado traste da sobrinha do John Candy”, e não nos lembraríamos dele até descobrir que ele morreu de overdose no mesmo lugar que encontraram River Phoenix.

... Ok, fui desnecessariamente cruel neste parágrafo... Permitam-me tentar ser melhor.

Keean Johnson tem mamilos durinhos, que...

...

Ok, não melhor.

...

Keean Johnson é um boy-magia genérico, que a menos que receba um papel em filmes da Marvel nos próximos anos, será esquecido pelo público, junto de seus mamilos.

Isso.

Jennifer Connelly está no filme também, e pelo menos aqui, nenhum macaco comeu suas falanges.


Ok, mas eu sei no que todos vocês estão pensando: “Qual era meu boneco favorito da minha coleção de G.I Joe na infância?”

Já escrevi dois artigos sobre isso, vão ler.

E sei também em que mais vocês estão pensando: “Amber, sua Crystal Gem gostosa, quão fiel é o filme ao material de origem?”

90% fiel.

Eu revi o anime antes de escrever esta crítica.

...

Bom, eu coloquei o anime pra rodar e fui pulando cena por cena, para que 50 minutos passassem em cinco.

Mas isso não vem ao caso.

O que importa é que o filme reproduz muito bem grande parte do enredo original, com uma adaptação aqui e acolá, para que a história se adaptasse melhor à sua nova mídia. Por exemplo, o gore extremo do Anime (típico de uma produção dos anos 1990) foi extremamente reduzido, Hugo deixou de ser um molequinho normal pra ser tornar um ULTRA-GOSTOSO-DE-MAMILOS-ABRANGENTES (porque por mais que as pessoas reclamem da objetificação feminina no cinema, homens são igualmente tratados como pedaços de filé), a Dra. Chiren é apresentada como uma personagem mais empática e Vector é muito mais importante aqui do que em sua encarnação original.

Honestamente, nada disso prejudica a apreciação do filme. Claro, sempre vai ter um otaku de 350 quilos, incapaz de comer uma coxinha sem ter de parar pra descansar, que vai fazer questão de te explicar, entre muitos despejos de saliva, porque todas as mudanças tornam esta a pior coisa que já aconteceu pra humanidade desde o surgimento do Ebola... Mas ele está errado.

Existe uma diferença no tom das duas versões. A história original é desesperançosa, nos apresenta um mundo brutal, no qual a opressora sombra da cidade de Zalem parece sufocar os sonhos de todos que esperam um dia poder escapar de sua sofrida existência. O filme apresenta um mundo igualmente perigoso, mas com mais raios de sol, onde uma menina pode brincar com um cachorrinho no meio da rua, antes de se tornar a heroína que inspirará todos ao seu redor.

Ambas as versões da história são boas e igualmente válidas. Preferir uma em relação a outra é uma mera questão de gosto pessoal.


Então, Alita: Anjo do Combate é bom?

PODE APOSTAR AS ESPINHAS DA SUA BUNDA QUE SIM!!!

Com ótimas sequências de ação, grandes atuações, vilões repugnantes, heróis carismáticos e uma mocinha tão adorável que você quer apertar as bochechas dela até arrancar sua cara... Alita é um dos melhores filmes de ação dos últimos anos.

Mas mais do que isso, me lembra muito os filmes de ação e ficção científica dos anos 1990.

Lembra? Quando a história e os conflitos dos personagens de um filme eram mais importantes do que a avalanche de marketing e os produtos com seu logotipo que o cercavam? Pois é, Alita: Anjo do Combate parece um produto destes tempos hoje tão distantes.

Não é surpresa, pois ele é fruto da mente de James Cameron, um cara mais preocupado em trazer boas narrativas ao público do que descolar um contrato com uma rede de pizzarias.

Meu Deus, eu sinto falta da época em que filmes eram feitos por cineasta, e não grupos de executivos formados em maquiagem, perucaria e serviços de buffet, que subiram até o topo da cadeia alimentar de Hollywood porque chuparam os pintos certos.

Enfim, Alita: Anjo de Combate é maravilhoso e todos deveriam assistir.

Já.

Nesse instante.

A próxima adaptação de um Anime feita por Hollywood pode ser a versão de Akira onde o vilão do filme é um menino sensitivo que canta “Frere Jacques” enquanto mata as pessoas com a mente.

Sério, esse era um dos roteiros da adaptação Hollywoodiana de Akira.

Aproveitem o filme da Alita. Pode ser o único bom filme adaptado de um Anime que veremos em nossas existências.

Não. Os filmes de Rurouni Kenshin são fezes, vá pro diabo.

Cheers!!!

13 comentários:

~Le Chefão~ disse...

James Cameron volta mais uma vez para resgatar os padrões
South Park previu corretamente de novo

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

Tendo a Jennifer Connely para mim, já é sinal de qualidade. O que mais me irrita no "par romântico" da Alita é ele não parece impressionado por uma robô linda gostar dele, não vou dar spoiler, mas o boy magia não merece Alita. pelo menos no mangá é assim, verei quando der, thanks Amblimídia!

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

Uma robô linda e zoíuda beija você e solta uma dessas:

"Seu beijo tem gosto de beijar uma moeda....."

tinha que ser um Millenium mesmo e um cabaço.

Sano-BR disse...

Ainda preciso ver essa beleza <3

Diogo Lopes Bastos disse...

Vi Alita: Anjo de Combate e o filme é muito bom, uma ótima diversão que tem um visual incrível e os efeitos especiais ótimos, ideal para ver em 3D. Os personagens são muito bons e acabam tendo boas revelações em certos momentos do filme. O Hugo é bem chato e te incomoda as vezes, já a Alita tem um ótimo desenvolvimento e vai te surpreendendo.

Sei que o filme acabou não fazendo uma boa bilheteria nos EUA, mas mundialmente fez mais de 400 milhões e acredito que isso possa faze-lo receber uma sequência, espero que isso ocorra.

Jorgette disse...

http://sandrinryugamer.blogspot.com/2012/04/os-melhores-games-do-dreamcast.html?m=1

Surpresa!!!

Marcolla203 disse...

Sabe o que é curioso? É que eu tinha uma amiga que era a cara da Alita. :v

Lance "Avalanche" disse...

Se eu apostar as espinhas na minha bunda e ganhar... eu ganho mais espinhas na bunda?

Guilherme Rodrigues Bruno disse...

Amer, se eu estivesse milionário, (digo, assalariado, já que tô desempregado faz um tempão e nem internet eu tenho em casa), pagaria pra você resenhar a verdao cinematográfica do The Guyver... Eu espero que esses sonhos se realizem. O de ser um assalariado e colaborar com seu Padrim e ler esse eetudo de fezes que seria a resenha do "Mutronics".

Ítalo dos Santos Alves disse...

A baixa receptividade q o filme tem tido nas críticas americanas (e q se reflete em parte na bilheteria) pra min mostra como o cinema hj está alienado, onde qualquer coisa q seja lançada e q n seja protagonizado por seres vestidos com roupa colante e capa n é digna de atenção.

Marco disse...

O filme de Bleach e bom...!

Fala de Bumblebee, seu degenerado!!

MasteRaveN disse...

Ameranha.... como assim? Rurou... digo samurai x, foi epico foi lindo, vindo de um mangaka que apenas yuyu hakusho, xmen cagon animation e samurai showdown sao capazes de paudurece-lo, fora lolis... é um grande feito...

Bier disse...

A-ham...
"Dyson está dormindo no sofá de seu laboratório e Alita o acorda com um beijinho na bochecha, antes de sentar ao seu lado e recostar o corpo nele, esperando um abraço paternal que logo vem. Ela não diz nada, pois seus gestos transmitem uma gratidão e um amor que não cabe em palavras, e o doutor aproveita o momento para estimular sua pimpolha a ser o que quiser na vida."

Como pai, segurei a lágrima aqui!

Respeitosamente discordando, Samurai X ficou bom, sim. E não é porque o resto ficou um lixo. foram mais de 50 mangás compelidos em 3 filmes com caracterização e cores fieis. Adaptações são consequências, mas os japoneses aprendem qualquer coisa, inclusive a fazer uma adaptação decente.

Chupa, Dragon Ball!!!