terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Crítica do Amer: Cyberpunk 2077

Yep... Esse é certamente o melhor game de mundo aberto que eu já joguei.

Antes de qualquer coisa, vamos falar do elefante na sala, e não me refiro A SUA MÃE, AQUELA GORDA, e sim, aos bugs presentes em Cyberpunk 2077.

Como todos sabem, o jogo saiu do forno muito antes de estar pronto. Como resultado, é provavelmente uma das coisas mais bugadas a chegarem a um console (ou PC) nos últimos dez anos. Temos de tudo aqui, desde personagens cujas texturas não carregam a tempo e que fica parecendo vítimas de um incêndio quando nos aproximamos, até crashes inesperados e corrupção de saves. Três patches de correção foram lançados desde a chegada do jogo, e os problemas mais críticos já foram consertados, porém muitos outros permanecem. O pessoal da CD Projekt Red já se pronunciou a respeito, pediu desculpas aos fãs, e prometeu que mais atualizações com correções viriam, não que isso tenha aplacado a fúria da internet, principalmente de pessoas que nunca tocaram no game, mas entraram na Carreta Furacão do ódio a Cyberpunk 2077, atiçados por YouTubers modinha desesperados por cliques.

Pois bem, eu joguei mais de 100 horas (obrigado feriado de fim de ano) de Cyberpunk 2077. O jogo é insuportavelmente bugado? Sim. Esses bugs quebram o jogo ao ponto dele não poder ser desfrutado? Não, de forma alguma. E joguei a versão de Playstation 4, que os “especialistas” afirmam que é a pior de todas, “injogável”, “que roda a 12 FPS” e outras coisas, e tive uma experiência soberba. A maioria dos bugs que encontrei eram glitches gráficos e um ou outro troféu que não “popava”, fora isso, pude completar todas as missões das quais participei e consegui fazer todos os finais do jogo, sem maiores problemas. Ademais, em todo o tempo que joguei, o game crashou apenas 4 vezes, o que é nada para quem jogou Fallout: New Vegas.

Estou querendo dizer que o consumidor não tem o direito de reclamar quando um game sai sem estar completado? Claro que não, o consumidor pode e DEVE fazer sua voz ser ouvida quando deposita seu dinheiro e sua confiança em uma produtora de games e a mesma não corresponde a suas expectativas. O problema é que as mesmas vozes que gritam impropérios em uníssono contra Cyberpunk 2077, mantiveram-se caladas quando ouros jogos em estado igual ou até pior chegaram ao mercado. Se você não protesta contra o péssimo estado da indústria como um todo e reserva seu ultraje apenas para atacar produtos que sabe, serão a moda absoluta quando forem lançados, fica mais do que claro que sua indignação não é um grito do consumidor em busca de seus direitos, mas o relinche de um paquiderme que segue tendências em busca do aplauso de desconhecidos.

Sejam melhores.

Então, sobre o que é este game? A história se passa em Night City, megalópole futurista totalmente controlada pelas corporações e o hiper capitalismo, um lugar onde absolutamente tudo tem um preço, inclusive a vida humana. Aqui conhecemos “V”, mercenário que topa qualquer parada pelo preço certo e que em uma missão rotineira para realizar um grande roubo contra uma das maiores corporações do planeta, acaba atolado em bosta até o pescoço e precisa encontrar um jeito de se safar.

E Keanu Reeves também está no jogo.

Concordo que não é a sinopse mais detalhada que já escrevi em uma crítica, mas é difícil falar da história de Cyberpunk 2077 sem liberar algum spoiler. A trama é deliciosamente bem escrita e amarrada, e será melhor aproveitada se o jogador souber nada a respeito quando jogar. Tenham em conta que sou eu que estou dizendo isso, o mesmo cara que odeia a frescura “anti-spoiler” que se formou na internet e que propositalmente lê os verbetes do Wikipedia de todos os filmes antes de assisti-los.

Pois é.

A história principal não é o único atrativo de Cyberpunk 2077, e é bem possível que você passe a maior parte de seu tempo fazendo missões secundárias com os demais membros do elenco. Outros games de mundo aberto usam personagens secundários apenas como decoração, eles são as pessoas que irão lhe apresentar um certo apanhado de missões e que desaparecerão para nunca mais serem vistos uma vez que as mesmas sejam completadas. Cyberpunk 2077 injeta vida em seus coadjuvantes, como a trágica Judy Alvarez, a abrasiva Panam Palmer, seu médico e conselheiro Viktor, ou seu melhor amigo eternamente otimista, Jackie Welles. Conhecemos estas pessoas, passamos tempo com elas, quando percebemos, estamos frequentando suas casas e sendo parte de suas vidas. É o mais próximo que um videogame já conseguiu de fazer suas linhas de código parecerem com pessoas reais, das quais você sentirá legítima saudade quando finalmente encerrar o jogo e desligá-lo.

Tirando os bugs, Cyberpunk 2077 é estupendo. Night City é um lugar abarrotado de vida e decadência, com cartazes vendendo produtos de forma hiper sexualizada para todos os lados, e cheia de pessoas eternamente circulando e esbarrando em seu personagem por onde quer que você esteja. Mais importante, dificilmente você verá duas pessoas iguais andando na rua ao mesmo tempo, pois cada transeunte possui sua própria identidade visual, representada por suas roupas e implantes cibernéticos. Cada loja que encontrar possui seu próprio atendente que possui opções específicas de diálogo, bem como todos os prédios e casas onde tiver de entrar serão diferentes uns dos outros. A ausência do fenômeno “Enfermeira Joy” e a não-reutilização de cenários internos ajuda a criar a ilusão de que Night City é um lugar real, vivido, e é um dos mais importantes fatores para a imersão do jogador.

O áudio também é espetacular, com atores que se dedicaram 100% a criar uma personalidade notável para seus avatares dentro do jogo. Cherami Leigh (que também emprestou sua voz a Makoto Nijima de Persona 5) dá o tom perfeito a versão feminina de V, e cria alguém que pode ser intimidadora ou cheia de ternura, dependendo de com quem estiver falando. Não joguei com a versão masculina de V, mas chuto que o cara deve ter atuado bem também. Se for melhor que a versão masculina do comandante Shepard, já é uma vitória.

O único ator que parece meio desinteressado é Keanu Reeves, justamente um dos maiores pontos de venda de Cyberpunk 2077. A maioria de suas falas sai sem emoção e sem a energia que seria adequada ao anarquista absoluto que ele está interpretando. De certa forma, o estilo de atuação de Reeves sempre foi meio “madeiroso” e talvez ele esteja dando o melhor de si aqui, mas em algumas cenas ele simplesmente não parece interessado no roteiro que está lendo. Seja como for, o carisma natural do ator transborda de Johnny Silverhand e é impossível não gostar dele, esse homem de tirar o fôlego.

Não joguei com a dublagem em português, mas chuto que deve estar uma merda, considerando o quanto a qualidade dos profissionais do ramo decaiu nos últimos anos.

Exceto pela dublagem de Animes. Deus abençoe os dubladores de One Punch Man e Back Street Girls... E MAIS NINGUÉM!!!

Cyberpunk 2077 é um RPG em mundo aberto, onde as escolhas do jogador definem o caminho que ele seguirá no mundo. Esta é uma frase clichê que ouvimos de todo canastrão que se apresenta na E3 e que tenta fazer seu game pareça mais empolgante do que a plantação de pepinos que realmente é. Bom, no caso da obra da CD Projekt Red, é a mais pura verdade. A melhor forma que consigo encontrar para me referir a este game é o apresentando como um grande guisado. Cyberpunk 2077 lhe oferece os ingredientes, mas é você quem decide o que vai pra panela e qual será o sabor que sua criação terá no final.

O jogo lhe oferece cinco atributos básicos: Corpo, Reflexos, Habilidade Técnica, Inteligência e “Cool”, que eu sei lá como foi traduzido em português, pois não sou um selvagem que joga videogame no idioma de minha mãe-pátria. Enfim, cada atributo fortalece seu personagem de uma determinada forma, Corpo o torna mais resistente em combate, Habilidade Técnica o permite confeccionar armas e equipamentos, “Cool” o torna mais eficaz com “Stealth” e por aí vai. Sempre que ganhar Level, você poderá colocar um ponto em um atributo a sua escolha, e comprar um perk disponível em cada atributo. o caso é que o Level máximo que se pode atingir aqui é 50, então não será possível maximizar todas as habilidades de V até o fim da partida, cabe ao jogador decidir como quer que sua experiência seja, se quer ser mais violento, diplomático ou se quer resolver tudo das sombras. Você precisará encontrar uma entrada alternativa para o complexo do inimigo, ou é forte fisicamente o bastante para derrubar o portão de entrada no braço e então encarar a saraivada de balas que virá em sua direção? Você escolhe como quer enfrentar Night City, e nenhuma experiência será igual a outra.

Se estiverem curiosos, minha personagem era uma mistura de Brock Lesnar e Geordi La Forge, capaz de massacrar tropas inteiras usando uma esfiha como arma, e inteligente o suficiente para criar uma katana altamente letal no conforto de seu apartamento, sem forja ou metal disponíveis. Construí um revólver que era um Canhão de Navarone portátil capaz arrancar os membros dos inimigos com um único disparo, mesmo quando estavam escondidos atrás de muros de concreto ou paredes de chumbo.

GLORIOSO!!!

Cyberpunk 2077 valeu cada centavo de meu rico dinheirinho, e valerá para todos aqueles que tiverem apreço por games em mundo aberto, RPG’s altamente customizáveis, ou pelo gênero cyberpunk de narrativa.

Você pode comprar o game agora e encará-lo como ele está, ou esperar alguns meses e apanhá-lo após a CD Projekt Red aparar todas as arestas que ficaram. Seja como for, será uma das experiências mais sublimes e únicas que poderá tirar de um videogame.

E sim, sei qual a pergunta que todos vocês querem fazer: “Amer, colocou um pinto na sua personagem quando a fez?”

A resposta é um óbvio e retumbante SIM.

Que pergunta, Robin.

Cheers!!!

25 comentários:

Addam Barcelos disse...

O jogo pareceu bem interessante mesmo. Sobre os glitches, é um problema da geração atual que fica muito em lançar jogos antes de serem concluídos.

Ana94 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana94 disse...

Além das reclamações de certas alas lacradoras, conservatards fundamentalistas também reclamaram. O jogo é malvado, com gente pelada e de cabelo colorido, com obscenidades, não agrada papai do céu. Tirem as criancinhas da sala, e seus terços dos bolsos!

Ah, tempos modernos. Agora podemos contar com politicamente corretos tanto de esquerda quanto de direita. Dois lados da mesma moeda.

Leandro"ODST Belmont Kingsglaive" Alves the devil summoner disse...

Bela Analise do game, Humbler.

E como você mesmo sugeriu, melhor esperar, ao menos no meu caso, até a proxima Steam Sale no meio do ano para pegar o meu Cyberpunk, vai estar alguns dobrões mais barato e quem sabe até lá, os bugs terão sido consertados.

Quem derá a Square tivesse tanta consideração a consertar bugs de seus jogos como a CD Projectk faz.

LuisGameseAnimes disse...

Melhor jogo de mundo aberto...
Declaração forte.

Danilo disse...

Você esqueceu de falar do mais importante do jogo que é o Ozob.

andre pimentel disse...

Mto bom

Thiago da Silva disse...

Não joguei, mas eu vi uns video na net e curti o game

Unknown disse...

Gostei do game, mas meu rpg de mundo aberto favorito sempre será Skyrim.

Tulespa disse...

prefiro rejogar Dead Rising 1 e 2

hazel kaur disse...

Odisa
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Lucas Sena disse...

Foi uma minoria, ao menos no meu círculo (Que não é de "direita", porque eu tenho tanta ansia se vômito dessa gente quanto da esquerda, mas de pessoas religiosas assim com eu) e a única coisa que realmente chamou atenção foi o fato da cd projeckt red usar uma representação de maria extremamente desrespeitosa.

Lucas Sena disse...

O jogo de forma bruta tem muita coisa boa, em um ou dois anos teremos uma experiência bem diferente (e melhor, espero) porque o jogo peca em diversos aspetos quando se trata de um mundo aberto. Desde ia podre, até falta de customização. Existe uma parte gigante de pacífica que simplesmente não tem nada, o jogo claramente é inacabado e eu não falo de bugs baixa performance. Nightcity, por mais ESTETICAMENTE linda e verossímil (tanto em design quanto visual mesmo) ela perde muita dessa verossimilhança quando o jogador dá-se conta de como os npcs na rua, carros e as interações entre eles e o jogador são absolutamente horríveis.

Daqui a um ano (Ou um pouco mais) voltarei a jogá-lo para poder ter a experiência real que estava nos planos dos devs.

Roberto de Sá Dal Bem disse...

Então Adam. Realmente no PS4 fica devendo um pouco, porém os bugs estão em todas as plataformas. O que o Amer ressaltou mesmo cheio de bugs o game ainda é ótimo e viciante mesmo. Isso tende a acabar veja pelo No Mans Sky, hoje ele é outro game. Torcemos pra ajustarem a Cd Red Project não falha... E agradeço o Amer meu amigo tmb pelo Blog exolicativo

Roberto de Sá Dal Bem

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Euclydes disse...

Caramba... vc falar que o keanu não faz nada de incrível na dublagem... e com certeza deve ter sido o que melhor pagamento recebeu...
valor imaterial e intangível

Euclydes disse...

Saudades amigo!!! Abraços, toranjas e sucesso pra vc!!!

Unknown disse...

Bom...tenho interesse nesse jogo, já que adoro jogos lixos e bugado, mas Cyberpunk não é um lixo, mas é bugado, e adorei essa resenha do Amer sobre o jogo, chorei de rir aki hahaha Amer como sempre fazendo resenha inteligente s e engraçadas, saudades do canal do Amer ;-;

Unknown disse...

Ammer sou se fã desde 2008! Vai ter review de Snyder Cut ou Godzilla vs Kong?

André disse...

Caramba, passo quase que diariamente por aqui na esperança de um Post novo.
Pelo que vi, o Ammer está em um nova empreitada de trabalho em uma área diferente. Espero que esse não seja o ultimo post do blog e se for o fim dele, podia rolar um de despedida hehe.
Leio diversas vezes os mesmos posts desde 2009 porque sempre são engraçados e me trazem uma sensação boa de nostalgia.

Se você ler esse comentário Aldebaram, te desejo todo sucesso do mundo. Você merece.
Abração.

Amer H. disse...

Não é o fim do blog, tenho coisas pra escrever aqui ainda. Só estou estudando demais e consertando diversos aspectos da minha vida que deixei de lado por tempo demais.

Assim que as coisas se acertarem, lanço artigos novos.

paris here disse...

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Rafael Fraga disse...

Adquiri a versão deluxe do jogo por 40 mangos, física e com brindes deliciosos. Comecei e joguei por umas 5h, puta jogo divertido e até agora, nada de bugs (PS4 slim) ou algo realmente comprometedor.

Sua análise foi decisiva Amer, sempre assertivo para um caralho! Sigo te acompanhando desde 2013 e aguardando o retorno triunfal da sua escrita.

Abraço!