terça-feira, 25 de agosto de 2020

Crítica do Amer: Aquaman

Vivemos em um mundo onde o Aquaman tem um filme.

Pensem nisso por um instante.

Em 1985, quando as redes sociais ainda não haviam destruído a sociedade, uma loira brotou do mar (Nicole Kidman) e se afunhanhou com um chadão que cuidava de um farol, chamado Thomas Curry (o cara que interpretou Jango Fett). Diante de uma moça molhada misteriosa, o chadão fez aquilo que qualquer um de nós faria e plantou um bebê em sua barriga.

Foi consentido, não é uma piada de estupro. Pelo amor de Deus, gente burra que não sabe interpretar texto e problematiza piada por ter NADA acontecendo em suas vidas agora. Arrumem um hobbie, um emprego, sei lá. Vão encher o saco de outro.

Enfim, Chadão engravidou a Loira Oceânica e tudo parecia bem. Apenas parecia, porque nessas situações NADA está realmente bem. A moça veio de Atlântida, porque é claro que veio, e era a noiva prometida do príncipe local, com quem ela se recusava a casar. Os guardas vieram, levaram ela embora, mandaram o Chadão ficar na dele com seu filho, e assim ele o fez.

No tempo presente, o filho de nome Arthur Curry (Jason Momoa) seguiu os passos do pai e tornou-se um Chadão do mais alto quilate. Caso é que ele tem direito ao trono de Atlântida, que está nas mãos de Orm, seu meio-irmão, e só ele pode impedir que o sujeito declare guerra a superfície, por seus habitantes estarem poluindo os oceanos. O único problema é que Arthur não quer se envolver com o pessoal do fundo do mar, e é por isso que Mera (Amber Heard) vai atrás dele, porque se uma ruiva tesuda não conseguir te convencer a se tornar rei, nada mais vai adiantar.

Pena que a Mera desse filme não é só mediana, porque isso diminui consideravelmente suas chances.

Então eles viajam o mundo atrás do tridente do pai da Ariel, no meio do caminho são atacados pelo Arraia Negra, monstros de CG, e somos agraciados com uma grande batalha submarina que só existe porque os executivos da Warner acham que esse é o tipo de coisa que as pessoas gostam de ver no cinema.

Dolph Lundgren também está no filme, por algum motivo.

O elenco é é ok, na maior parte do tempo. Eu irei pro meu túmulo afirmando que a DC desperdiçou o Momoa colocando ele pra fazer o Aquaman, ele devia ter sido o Lobo. Da mesma forma, entendo que os executivos não queriam colocar um loiro cabeludo e herdeiro do trono de um reino místico em seu filme, quando a empresa rival já havia feito isso.

Digo, quem cresceu com quadrinhos sabe que Marvel e DC passaram quase um século reaproveitando as ideias uma da outra e disfarçando muito mal, mas sabe como é, o público normie perdoa muito menos que fãs de quadrinhos. De fato, se nós fãs de quadrinhos fossemos tão implacáveis quanto os normies, talvez as editoras tivessem evitado merdas como fazer o Homem-Aranha vender a alma pro diabo, ou Hulk Guerra Total, ou qualquer coisa que aconteceu com os X-Men desde os anos 1990.

De qualquer forma, Momoa faz um bom trabalho tornando seu Aquaman tão diferente do Thor quanto possível. O ator possui um charme de “atleta da escola”, mas não do tipo que afunda a cabeça do nerd na privada, mas sim que ajuda ele a conquistar o coração da Velma. Seu charme jovial dá muito carisma a um herói que é considerado como sendo “chato” pela maioria das pessoas, e que precisava de uma dose cavalar de magnetismo para convencer o público a gastar seu dinheiro com seu filme.

O mesmo não pode ser dito de Amber Heard. Se Momoa fez todo o possível para impedir que seu personagem pudesse ser associado ao de Chris Hemsworth, Heard parece ter transformado na missão de sua vida a tarefa de ser a Brie Larson da DC. Sua atuação tem tanta emoção quanto um seminário sobre física nuclear, temperada por ocasionais caretas que uma criança do pré-primário acharia exageradas demais. Fico imaginando quem ela precisou chupar pra conseguir esse papel.

Ah sim, o Johnny Depp.

Depois cortou fora o dedo dele.

... "Fé nas maluca" é o diabo que te carregue, viu...

Tá bom, eu sei o que vocês estão pensando e não, eu não fiz meu julgamento da atuação de Heard com base no que sabemos dela hoje. Ela realmente é uma atriz limitada, sem nenhuma presença de tela e que transmite uma antipatia sem igual. Honestamente, não entendo como podem existir fã-clubes dela no Twitter, com legiões de meninas adolescentes jurando amor eterno a sua pessoa.

É quando me lembro que certos jovens são como gatos, é só chacoalhar algum treco brilhante em frente a eles, que ficam hipnotizados. Bom, os meus gatos não caem nessa, o que aponta que o jovem médio do Twitter controla seus impulsos ainda menos que um felino doméstico.

Imagino como será a sociedade criada por estes jovens.

O resto do elenco trabalha bem. Patrick Wilson consegue dar tanta dignidade quanto possível para um personagem chamado “Mestre dos Oceanos”, que mais parece figurante das cenas ocidentais de um episódio de Power Rangers, Yahya Abdul-Mateen II intimida na medida certa ao interpretar o Arraia Negra e é bom ver que Dolph Lundgren conseguiu trabalho e pôde pagar o aluguel por mais alguns meses.

Pobre He-Man...


O roteiro é mais caótico do que uma pintura de Jackson Pollock que foi atingida por espaguete. A impressão que tenho é que existiam roteiros prontos para uma trilogia inteira do Aquaman, mas a Warner ficou com medo do herói não vingar e amalgamaram os três longas em uma produção só, o que gerou um filme muito mais longo e cansativo do que precisava ser

Não apenas isso, o roteiro deixou Aquaman sem ter o que fazer em suas próximas histórias. Logo em seu primeiro filme, o herói recuperou um artefato mágico milenar, enfrentou o Arraia Negra (possivelmente seu adversário mais famoso), enfrentou seu irmão pelo direito ao trono de Atlântida, lutou contra criaturas abissais das profundezas, foi testemunha de uma guerra submarina ao melhor estilo do Senhor dos Anéis, re-encontrou sua mãe desaparecida (Spoilers!!!)... O que sobrou pra ele fazer na continuação? Ir pra praia ajudar o Tonho da Lua a construir castelos de areia? Talvez ajudá-lo a derrotar a Raquel, quem sabe?

Aliás, o filme é MUITO barulhento. Tem explosões, tiros, destruição, laser, poderes mirabolantes e todo tipo de desgraça grandiosa acontecendo a todo momento. Sinceramente, o maior problema de Homem de Aço (e Batman Vs. Aids, obviamente) foi o espetáculo de destruição, com prédios caindo como se fossem bolachas de maisena esquecidas no leite e mais explosões do que Michael Bay consideraria apropriadas. Mulher Maravilha foi um excelente passo na direção certa, com um enredo preocupado em desenvolver seus personagens, e parecia indicar que a DC estava aos poucos encontrando seu caminho. Aquaman destrói essa percepção, fazendo parecer que a DC está mais interessada em espetáculo fofalha do que em contar boas histórias.

O excesso de CG também é desgastante. Ok, eu sou um velho que cresceu com efeitos visuais práticos e sou extremamente tendencioso quando os comparo a computação gráfica, que reconheço, é muito mais prática e rápida em diversos casos. Dito isso, acho que filmes da escala de Aquaman perdem um bocado de sua magia quando aqilo que vemos na tela não possui muita diferença de um cinemático presente num game de Playstation.

Nem Playstation 4, Playstation 3 mesmo.

Além disso, lembram como eu disse que Mulher Maravilha demonstrava o quanto os filmes da Marvel eram iguais? Bom, os da DC não ficam muito longe. Todas as produções envolvendo Superman e seus amigos coloridos trazem alguma ameaça de fim de mundo. Primeiro Zod, depois Lex Luthor e Apocalipse, depois a bruxa coberta de bosta de Esquadrão Suicida, agora um Mestre dos Oceanos disposto a varrer a superfície do planeta. Se em todo filme o mundo está sob perigo de aniquilação constante, essa cartada perde o poder. Mesmo repetindo sua fórmula a exaustão, a Marvel ao menos sabia que os eventos cataclísmicos de fim de humanidade tinham de ser guardados para os filmes dos Vingadores, a DC não parece ter aprendido isso.

No fim, nem Marvel nem DC eram perfeitas. Ouviram isso, paquitas dessas empresas? Abracem-se e beijem-se, porque é tudo a mesma bosta.

Por essa crítica, deve parecer que odiei Aquaman, mas não. Eu gostei do filme, nem que seja pelo surrealismo que é ver o nome “Aquaman” em um pôster de cinema, sem que isso seja uma piada de Jovens Titãs em Ação.

Mesmo com seus defeitos, Aquaman ainda consegue ser um dos melhores filmes da DC. Não supera Mulher Maravilha, de fato, não supera nem o filme dos mencionados Jovens Titãs, mas é uma boa diversão pra uma tarde de marasmo. Faça uma pipoca, um café, e curta duas horas de diversão despretensiosa.

Ainda estamos na pandemia, não é como se você tivesse algo melhor pra fazer.

Agora, se me permitem, vou ver Shazam.

Cheers!!!

8 comentários:

Geovane Sancini disse...

Achei injusta a comparação da Amber Heard com a Brie Larson, Abner.

A Brie Larson não cortou o dedo de ninguém.

...

Ainda.

Mauricio lopes disse...

As vezes Amber Heard e Brie Larson são tão expressivas quanto pedras.

Ítalo disse...

Temos que dar o braço a torcer também pq as técnicas de filmagem pras cenas dentro da água do filme do Aquaman pode meio q ter servido como um teste pra um possível filme do Namor.

E tb o embate final foi minimamente competente, onde podíamos ver que eram duas pessoas reais se digladiando em um cenário de CGI tb minimamente convincente. Diferente daqueles dois bonecões de PS2 que vimos em Pantera Negra.

Leo Oliveira disse...

Interessantes os pontos que você levantou. De fato, o Aquaman fez muita coisa logo no início, e por isso pode ser que as sequências sejam afetadas por essa "falta de conteúdo".

Além disso, sim... Esse negócio de cataclismo todo santo filme enche o saco. Mas sei lá, antes isso do que ideologia política na nossa goela. E em pleno 2018, Aquaman não ter isso? É um baita ponto positivo.

Esse é um dos poucos filmes de heróis que não pego no pé. Sério, não vejo um só ponto negativo nele (pelo fato de ter me divertido mais que qualquer coisa na época). E olha que sou o maior crítico da trilogia Cavaleiro das Trevas.

Talvez você goste mais de Shazam. Esse filme tem uma mensagem legal e trabalha o tema da adoção super bem. E novamente, outro filme sem ideologia.
Por algum motivo, se o futuro da DC for nessa pegada Mulher Maravilha/Aquaman/Shazam, isso me deixa muito mais ansioso que o futuro medonho da Marvel.

Lipcke disse...

Bom, ao contrário da Brie, Amber é uma deusa. É doida de pedra, mas as melhores sempre Defecar na cama, Brie ainda não fez isso.

Leandro"ODST Belmont Kingsglaive" Alves the devil summoner disse...

Não acharia que veria aqui uma critica do filme onde Kal Drogo faz um principe submarino filho da Nicole Kidman....O mundo não é mais o mesmo, Charles.

Sobre acontecer de enfrentar o Mestre dos Oceanos, Arraia Negra, encontrar o Dolph Lundgren e Ect, simples Americano, depois do fracasso dos filmes do Snyder, a DC não deve estar com a menor pressa em tentar fazer conexões com outros filmes dos hérois da casa, Por isso que teremos um nova película do Esquadrão Suicida, com uma Arlequina que aparentemente não resolveu ser "empoderada" e juntar um bando de tribufus em duas horas de violencia e lacração sem sentido ou o teremos o Batman do Cedrico Diggory, que por enquanto ainda estou neutro pelo trailer que passou no DC Fandome essa semana.

Pena da Amber Heard ser uma vaca e ter destruido a vida do Johnny Deep...nem toda ruiva é uma Mariana ou a Barbara Gordon.

Quatro D disse...

Bom, se bem me recordo, a única coisa que sobrou pra acontecer com o Aquaman é perder a mão e virar o Capitão Gancho. Mas, acho que não vão fazer isso.

PeterSunnerBits disse...
Este comentário foi removido pelo autor.