sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Crítica do Amer: Mega Man 11


É Mês das Bruxas e eu quero escrever uma crítica de game. Então, o que eu deveria fazer, é pegar um jogo de terror mediano, jogar sem vontade por uma ou duas horas, então passar o resto do dia infeliz, tentando escrever algo inteligente sobre um título que eu não tinha interesse em jogar, e enchendo o artigo com piadas de pinto, em um esforço minimalista de ser engraçado.

Ao invés disso, vou escrever sobre um game que acabei de jogar e adorei: Mega Man 11!

E pensar que quando iniciei meu finado Game Blog (que eventualmente foi amalgamado a este aqui), eu tinha planos para escrever críticas de toda série do azulzinho bombadão.

No fim, fiz apenas um texto sobre o insosso Mega Man fofinho de PSP que ninguém jogou.

O tempo destrói todos os sonhos do homem...


A história deste game é exatamente A MESMA de todos os demais títulos da série: Mega Man tá em casa, fazendo batata doce e frango empanado, enquanto pensa em como pode alterar a programação de Roll para que seu relacionamento com a irmã torne-se algo mais parecido com a série Imouto Bitch Ni Shiboraretai, quando SUBITAMENTE DR.WILY ATACA E QUER DOMINAR O MUNDO E GLAHLAHLAHLAHLAHLAHLAHLAHLAHLAHLAH!!!

O velho rouba oito robôs do bem, os transforma em robôs DO MAL os coloca ao fim de fases com design criativo e inteligente, e o azulzinho bombadão tem de enfrentar estes robôs e matá-los se quiser salvá-los, no processo roubando suas armas e tirando deles tudo que os torna especiais.

Mas pela primeira vez em 30 anos de franquia, o jogo nos mostra um pouco do histórico turbulento que existiu entre Dr. Light e Dr. Wily. Vejam crianças, Wily e Light foram amigos um dia, e trabalhavam juntos em prol da paz, do bem e das waifus, mas tudo mudou quando a Nação do Fogo atacou.

...

Tudo mudou quando Wily desenvolveu um sistema de engrenagens capaz de aumentar o poder e a velocidade de qualquer robô, algo que os tornaria os servos definitivos para a humanidade e acabaria com milhares de empregos que até então eram ocupados por humanos. Light, que sempre foi amigo das máquinas, era contra a ideia. As engrenagens, embora aumentassem o poder dos mecanóides, também colocavam seus corpos sob um stress desnecessário e arriscava muito a existência das mesmas. Wily via robôs como meras ferramentas, enquanto Light acreditava que máquinas e humanos são companheiros na caminhada para o futuro e orgias, e essa discrepância de pensamento fez com que os dois rompessem a amizade.

Ou seja, perder amigos por divergências políticas será uma atitude bastante viva no futuro onde se passa esta série.

Que pode ser 1996, pelo que sabemos.

Claro, essa história toda serve pra estabelecer a existência do sistema de “Gears”, que é a nova gimmick deste game, fora reforçar o fato de que a existência de Mega Man se resume a matar e beber inimigos, unicamente por causa de uma treta entre dois velhos que não tem a maturidade para acertar suas diferenças tomando um café, ao invés de destruindo o mundo.


A apresentação deste game é MARAVILHOSA... Digo, pelo menos metade dela é.

E não é fascinante como podemos usar o termo “apresentação” para nos referirmos a “gráficos e som” de uma maneira que apenas parece um pouco mais profissional, mas no fundo é a mesma merda?

Pois então.

Os gráficos em Mega Man 11 são mais bonitos que a Vanusa Spindler no auge. Os produtores do game optaram por um visual 2.5D que emula da melhor maneira possível um estilo 2D clássico. O resultado é um game extremamente colorido, vibrante e vivo, onde absolutamente tudo esbanja personalidade, do protagonista até os robozinhos olhudos que se escondem debaixo de um chapéu de construção.

E olhando para o visual de Mega Man 11, percebi que odeio gráficos “retrô” e fico muito feliz que a Capcom optou por não utilizá-los aqui. Sério, o que torna gráficos “retrô” especiais? Se parecerem com um jogo de 8 Bits? Gráficos de Nintendinho e Master System eram especiais pois era o ápice da tecnologia da época, e quando um game forçava o limite dos consoles (como Castlevania III ou Little Nemo) era impressionante ver do que aqueles pequenos titãs eram capazes. Visual Retrô hoje em dia é representativo de uma equipe de produção que queria ter o mínimo de trabalho e gastar o mínimo de recursos, enquanto maximiza os lucros, vendendo seu produto para um bando de barbudos oleosos que não pouparão gastos com um game, se o mesmo lhes oferecer a chance de manterem viva a ilusão de sua infância por uma tarde que seja.

E eu nem quero falar de Shovel Knight. Grande game, sim... Retrô? Não.  Não é porque seu game tem gráficos pixelados que uma animação muito mais fluida do que qualquer jogo de Nintendinho jamais teve, se torna retrô. E nem vou falar dos chefes enormes que fundiriam a placa mãe de um Master System se ele fosse forçado a processá-los.

Enfim, estou divagando.

Os gráficos de Mega Man 11 são lindos e detalhados, e por serem em 2.5D, permitem que a aparência do Mega mude toda vez que equipa uma arma de um dos chefes. Isso nunca foi possível, pois nos antigos gráficos 2D, seria necessário redesenhar o personagem completo toda vez que ele usasse um armamento diferente, o que aumentaria muito o consumo de memória do jogo. Uma vez que aqui, nosso herói existe em três dimensões, só foi necessário desenhar peças novas e acoplá-las ao modelo 3D do boneco.

VIRAM COMO GRÁFICOS RETRÔ SÃO UMA BOSTA??? SE QUISER JOGO VELHO, EU VOU BRINCAR COM EMULADOR, NÃO GASTAR UMA FORTUNA EM GAME DIGITAL DE PLATAFORMA DE ÚLTIMA GERAÇÃO!

Cachaça!

A trilha sonora é nem fú nem fá. Não é irritante, tampouco memorável. Uma pena, considerando que Mega Man sempre teve músicas que grudavam na cabeça dos jogadores e tornavam-se icônicas, bastando a mera menção do nome de um chefe de fase para que o tema do mesmo tocasse na íntegra em nossas mentes.

Exemplo:

METAL MAN!!!

E agora você está com o tema desta fase tocando em sua cabeça e assim permanecerá pelas próximas 24 horas. Se durar mais do que isso, é melhor procurar um médico.

Ma sinceramente, não posso culpar Mega Man 11 por ter uma trilha sonora menos chiclete, quando isso é um problema de toda indústria moderna. No passado, com as limitações tecnológicas dos consoles, os temas musicais precisavam ser mais melódicos, de outra forma seriam apenas uma cacofonia de “bleeps e bloops” reminiscentes daquele monitor cardíaco que monitorava a sua mãe, AQUELA GORDA, quando ela deu entrada no hospital com hipertensão por viver a base de pastel e gordura de frango.

...

Lamento muito.

...

Por sua mãe ser UMA GORDA!!!


A jogabilidade é extremamente simples, e agradeço a Ravena pela Capcom ter optado por fazer deste jeito.

Mega Man 11 é um sidescroller clássico, onde o jogador guia seu personagem através da fase, salta abismos, utiliza plataformas para chegar a locais altos, tudo isso enquanto desce o chumbo na moringa de todos os inimigos que encontra pela frente, até chegar ao chefe de fase, matá-lo, beber sua alma e ganhar seus poderes. O design das fases é extremamente criativo e cada localidade oferece desafios únicos, como o estágio de Acid Man, que possui inimigos capazes de transformar reservatórios de água em ácido, criando um novo obstáculo, ou a fase de Torch Man, em que alguns trechos o forçam a fugir de uma labareda gigante que consome tudo em seu caminho... EXATAMENTE COMO A SUA MÃE, AQUELA GORDA.

Ok, vou deixar sua mãe em paz agora.

A grande novidade desta versão é o Gear System, a tecnologia responsável pelo fim da amizade dos dois velhos pecadores residentes da franquia. As engrenagens podem ser ativadas ao toque de um botão, uma deixa tudo em câmera lenta, facilitando certas etapas com obstáculos, ou mesmo lhe dando a chance de fuzilar chefes com muito mais tiros do que seria possível normalmente, enquanto a outra aumenta o seu poder de fogo e permite que as armas adquiridas com os chefes disparem ataques muito mais poderosos. Claro, você não pode usar tais poderes indiscriminadamente, ou Mega Man superaquece e fica tão indefeso quanto um pônei no encontro internacional dos furries, então utilizar estes poderes com parcimônia é a chave para a vitória.

Chefes de fase são os tipos de sempre: Robôs temáticos com poderes de fogo, eletricidade, gelo, explosão, um robô parrudo e um que parece razoavelmente original, até que você se lembra que já existiram três ou quatro outros chefes ao longo da série com poderes iguais aos dele. A grande diferença dos Robot Masters, é que Wily também instalou o Gear System neles, que após sofrerem uma quantidade específica de dano, o ativarão e modificarão seus ataques, o que obriga o jogador a mudar sua estratégia ao longo da batalha e o motiva a permanecer alerta.

As armas adquiridas com os chefes são possivelmente as mais criativas de toda a franquia. Um dos problemas com Mega Man, é que os poderes que o Bombadinho Azul normalmente se limitavam a “tiro de diferentes propriedades”. Mate Fire Man e nosso herói aprende a atirar fogo, mate Air Man e ele aprende a atirar tornados, com Snake Man, o azulzinho disparava cobras, e Concrete Man lhe dava a habilidade de disparar bolotas de concreto. Claro, haviam exceções, mas a maioria dos armamentos não tinha muita utilidade fora serem utilizados no chefe que era vulnerável a ele.

Aqui, as armas dos chefes não podiam ser mais diferentes umas das outras. A arma de Block Man faz uma chuva de blocos despencarem sobre a cabeça dos inimigos, a de Tundra Man cria um tornado gelado em torno de Mega Man, a de Bounce Man dispara bolas quicantes pela tela, a de Impact Man faz nosso pequeno azulãozinho avançar contra o inimigo e o explodir com um dildo de alta potência, e por aí vai. Não é só visualmente interessante, como também lhe dá ferramentas para todas as situações, sendo que algumas armas tornam certos trechos do game muito mais fáceis do que outras.


Por falar nisso, Mega Man 11 é difícil, mas não estupidamente, como Mega Man 9 e 10.

Que eu odeio.

Mais do que a Kathleen Kennedy.

Explico.

Mega Man 9 e 10 foram criados por pessoas que pretendiam “reproduzir a dificuldade dos games clássicos da franquia”, mas que eu arrisco dizer, não jogaram os mesmos desde os anos 1980 e basearam-se no que a sua LEMBRANÇA da dificuldade era.

Sabe quando você lembra de um game como sendo a coisa mais difícil de todos os tempos, então pega pra jogar ele e percebe que não é tão complicado assim? Que você que era um moleque sem paciência ou coordenação motora e por isso não conseguia terminá-lo? Mesma coisa.

A série Mega Man sempre foi difícil, fato, mas nunca impossível. Era uma série que recompensava a persistência e a memorização de padrões. Uma noite de sexta feira bastava para que qualquer guri desbravasse metade dos obstáculo oferecidos, da mesma forma como a Lara Croft desbrava as ruínas antigas que encontra em países do terceiro mundo.

Só que com menos profanação de túmulos.

Mega Man 9 e 10 são artificialmente difíceis, primeiro porque removem o tiro carregado e o escorregão, recursos que tornaram-se tradição na série, e bombardeiam o jogador com fases nas quais o uso de tais habilidades ainda é EXTREMAMENTE necessário. Inimigos e adversidades são jogadas contra o jogador em um ritmo tão frenético, que só o mais autista dos Speedrunners teria a capacidade de chegar ao fim de tais games.

Claro, você pode comprar o DLC de Proto Man em MM 9, que possui o escorregão e o tiro carregado... mas o filho da puta recebe O DOBRO DO DANO NORMAL!!! Ou seja, você gasta DINHEIRO REAL pra liberar um modo de jogo um pouco menos comedor de bundas, e isso de nada adianta! Seria muito mais honesto se os criadores do jogo vendessem a foto de um dedo do meio pelo mesmo preço.

Felizmente, Mega Man 11 volta as raízes dos jogos clássicos: Difícil? Sim. Frustrante? Também. Vai te fazer gritar blasfêmias as três da manhã do sábado porque você errou um pulo em sua última vida? Com certeza!

Mesmo com tudo isso, ainda é um game justo, que como os antigos títulos da franquia, recompensa a paciência, perseverança e a boa memória do jogador.

Ouviram isso, hipsters donos de estúdios de games? É ASSIM QUE SE FAZ UM GAME RETRÔ! NÃO FAZENDO UMA MERDA PIXELADA QUE SE PARECE COM PORRA NENHUMA!!! SEU BANDO DE CHUPADORES DE THIAGOS!!!


Então, está se perguntando se deve comprar este game?

Se você gosta de jogos de ação e plataforma com jogabilidade 2D, sim. Deve.

E se não curte esse estilo, também.

Mega Man 11 é uma das melhores coisas a serem lançadas no mercado de games nos últimos 10 anos. É simples, divertido, viciante, recompensador, não é cheio de pretensão de algum moleque trouxa que se acha o pináculo da cultura em sua indústria, enfim, é um game que TODOS deveriam jogar.

Além de tudo isso, é um excelente exemplo do renascimento pelo qual a indústria japonesa de games passa no momento, após anos de estagnação. Talvez o retorno triunfal do azulãozinho estimule outras empresas a darem uma nova chance a suas velhas franquias.

Está ouvindo, Konami? Aguardo um novo Castlevania com jogabilidade clássica! Aquele Simon Belmont no novo Smash Bros não foi parar lá a toa que eu sei!

É!

E Nintendo, NOS DÁ BOWSETTE! VOCÊS SABEM QUE QUEREM!!!

Cheers!!!

10 comentários:

Kyo disse...

Eu já estou passando mal com esse jogo. E man... Oh man... Você colocou pra fora o que acho de MM 9 e 10.

vic666 disse...

Aquilo alí é um Rock Monster?
Vou comprar só por isso!

Cassiotkg disse...

Ótima análise Amerindo.
Só faltou dizer que o sistema de gears, facilita e muito o jogo como um todo.

Leandro"ODST Belmont" Alves the devil summoner disse...

Bela análise Aboruva, mas não acho que esse mega man vai pegar no meu PC.

Hao Cinis disse...

Grande, estava sentindo falta desse tipo de artigo. Na verdade, até fui procurar um "Let's play com o Amer" do jogo, mas ainda não tem.

Bolotas...

Amer H. disse...

Tem da demo.

felipe camilo disse...

alguma chance de artigo ou lets play de sonic mania aproveitando a onda nostalgica?

Bier disse...

Não vejo a hora de King Of Fighters ser analisado. ;)

Franci Silva disse...

Tem o Yellow Demon?! Man, agora eu preciso muito desse jogo. Esperar aquele preso promocional maroto.

Daniel Garcia disse...

Sensacional como sempre, Amer.