sábado, 20 de fevereiro de 2016

Cinco Mestres do Universo que eu não tive


Hey! Quem quer falar de brinquedos velhos? EU QUERO! E como este site é meu, é isso que faremos pelos próximos vinte mil caracteres.

Para quem não sabe, o Amer tem uma personalidade compulsiva. E isso se manifestou cedo em minha vida, pois eu queria ter as coleções completas de todas as linhas de brinquedos que porventura despertassem meu interesse.

Em alguns casos isso era impossível, como com os Sectaurs (falo deles em outra ocasião), mas em outros eu chegava perigosamente perto de meu objetivo antes da coleção ser cancelada aqui em Terra Brasilis.

Mas houve uma série de brinquedos que eu colecionei com devoção e após muitos anos (dois provavelmente, mas para uma criança pareceram vinte décadas), finalmente completei: He-Man e os Mestres do Universo.

Oh sim! E por anos bradei para quem quisesse ouvir (e para quem não quisesse, o que era a maioria das pessoas) que eu era a única criança do Brasil que tinha uma coleção completa de figuras do He-Man e seus amigos pederastas.

Ou assim eu pensava.

Quando comecei a usar a internet, por volta de 2001, descobri que a série era muito maior do que eu podia imaginar, e que ao menos dois terços dela nunca foram lançados no Brasil. Assim, eu não tinha chegado nem perto de completar minha coleção de Mestres do Universo, e foi aí que minha depressão começou.

Doce... Doce depressão...

Portanto, unam-se a mim, enquanto lamento pelas posses materiais supérfluas que não tive em minha infância.

AI DE MIM!!!


Fisto

Se você quer provas de que os anos 1980 eram muito mais inocentes do que a era atual, não precisa procurar mais. Naqueles tempos, podíamos ler o nome “Fisto” sem conjurar imagens da Maligna com a bunda empinada no ar, enquanto o Aquático se aproximava perigosamente com um punho fechado e coberto de lubrificante.

Agora, He-Man é o herói mais inclusivo de todos os tempos, pois ele não tinha ressalvas em recrutar as maiores aberrações do mundo para serem parte de sua turma. Entre seus amigos havia um duende azul voador imprestável, um homem-abelha imbecil, um sujeito no formato de dildo que destruía paredes a cabeçadas, entre outras coisas. No meio dese show de horrores, a mão gigante de Fisto era praticamente normal.

No desenho, Fisto foi apresentado como um grandalhão que morava na floresta e trabalhava pro Esqueleto, até que um dia o He-Man chegou pra ele e disse: “Hey, pare com isso.” E ele parou com isso. Isso foi tudo que nos revelaram de seu passado, o que demonstra que Fisto teve tanto desenvolvimento quanto a Dona Neves.

E falando nisso, porque eu provavelmente não terei outra chance de comentar sobre este assunto, lembram daqueles episódios de Chaves onde a Chiquinha e a Dona Neves interagiam? Quando era criança, eu acreditava que usavam hologramas para conseguir este efeito. EU ACHAVA QUE O MÉXICO JÁ TINHA TECNOLOGIA HOLOGRÁFICA NA DÉCADA DE 1970!!!

Mas voltando ao He-Man, no remake de 2002 da série (que é espetacular e todos vocês deviam assistir... Porque é espetacular) Fisto era o irmão perdido do Mentor, que foi acusado de ter desertado do exército de Etérnia durante uma guerra que rolou 16 anos atrás. Infelizmente, ele não pode provar sua inocência, pois perdeu a memória da época específica em que a dita treta histórica ocorreu. Assim, cheio de raiva e amargura, ele passa seu tempo enchendo a cara e arrumando briga em bares.

Basicamente, ele é o Wolverine com retenção de líquido na mão.

Mas mais importante, o remake da série deu a entender que ele era o pai biológico da Teela. EXATO! Ele furou o bolo da Feiticeira, fugiu da responsabilidade, como pai calhorda que é, e a Feiticeira, como a mãe calhorda que é, chegou no Mentor e disse: “Hey, quer um fardo pra toda vida? TOMA!!!” E o resto é história.

Eu não tive Fisto durante a infância (como o título do artigo deixa claro), mas acredito que se o tivesse, ele seria um dos “Bruisers” da minha coleção.

Se vocês bem se lembram de quando escrevi sobre meus Comandos em Ação, toda vez que brincava com minhas figuras, eu criava enormes batalhas de vida e morte entre os mocinhos e os bandidos. E sempre havia um “Bruiser”, isso é, um sujeito enorme e resistente, que entrava em batalha quando as coisas pareciam perdidas para o lado do bem, e que virava a mesa, matando um ou dois vilões por conta própria.

No caso dos Comandos, era o Sargento Slaughter. E acredito que Fisto preencheria a mesma vaga entre os Mestres do Universo, se eu o tivesse ganho na infância.

Posso até imaginar a cena. O Castelo de Grayskull praticamente tomado pelas forças do Esqueleto, e a Teela, bravamente lutando contra o Mandíbula, que a derrotaria facilmente, e se divertiria com os gritos de agonia da menina enquanto a torturava. Então, quando o vilão estivesse prestes a dar o tiro de misericórdia, KA-POW, Fisto surgiria e o surpreenderia com uma porrada nas costas, partindo sua coluna e o aleijando para sempre.

Então, ele estoicamente ignoraria a Teela e entraria no Castelo de Grayskull para igualar o campo de batalha. Mataria mais dois vilões sem problema algum (talvez o Kobra Khan e o Triclope) e seu avanço furioso só seria detido pela chegada de seu rival... Sobre o qual falarei a seguir.

E quero chamar atenção ao bigode magnífico que o boneco de Fisto exibia. Olhem para ele! OLHEM! Com certeza o escultor dedicou diversas horas de sua vida para que o bigodão do herói fosse a mais fantástica representação de pelos faciais já feita em um boneco. É um bigode tão espetacular que merecia ser sua própria figura de ação!

Tenho certeza que li esta piada no site Dinosaur Dracula e a roubei.

Mas agora é tarde demais para corrigir este erro. Peço perdão ao Dinosaur Dracula, e peço perdão aos meus filhos por esta fraude.


Jitsu

E aqui está a contra parte maligna de Fisto, que também tinha o punho inchado e que trazia consigo uma tentativa de espada japonesa. Pois como asiático, ele não podia usar os mesmos armamentos dos demais bárbaros ocidentais que recheavam a coleção. De forma alguma.

Fisto não foi bem desenvolvido na série, mas acabou sendo um milhão de vezes mais trabalhado que seu rival.

Lembram-se daqueles episódios onde o Esqueleto aparecia de supetão na frente do Castelo de Grayskul, gritando algo como: “Abra esse castelo, sua vaca! Eu preciso cagar!” ao que a Feiticeira respondia: “Nã-nã-nããããããã.” Nestes momentos, o Esqueleto voltava-se para seus capangas, que normalmente consistiam de um personagem antigo (como o Homem-Fera) e um novo, e os mandava invadir o castelo a força.

Jitsu foi o "capanga novo" em um episódio, e esta foi toda a extensão de seu trabalho na série: Aparecer em duas cenas, ter uma fala, e ser jogado na lama pelo He-Man.

E eu achava a carreira do Taylor Kitsch patética.

Alguns fãs acreditam que os roteiristas abandonaram o personagem porque ele era a caricatura racista do japonês enfezado (ou seja, Toshishiro Obata em todos os seus papéis no cinema), mas eu não acredito nisso. Eram os anos 1980, e o politicamente correto e a sensibilidade cultural não existiam na época. Era o tempo em que podiam fazer um filme onde o Drácula agarrava a cara de uma menina de cinco anos e a chamava de “putinha”! Pelo amor de Benji!

Honestamente, acho que os escritores simplesmente esqueceram dele. Já existiam 2135089162509162450963495762983465098273054710825470 personagens diferentes que apareciam com regularidade na série. Não é como se Jitsu pudesse causar algum impacto sem ter algum poder que o diferenciasse dos demais, como se capaz de disparar dardos tranquilizantes pelos sovacos.

Mas o brinquedo! Aí era outra história! Pra começar, ele se parecia com um japonês durão, ao invés de um sociopata com desejos ocultos por wasabi e colegiais menores de idade. Além disso, ele tinha uma mão CROMADA!!!

SIM! A GLÓRIA!!!

...

Sei que não parece muita coisa, mas para o cérebro macacal de uma criança, uma brinquedo com uma peça cromada era muito mais interessante do que brinquedos sem cromo. De fato, o boneco mais sem graça do mundo podia se tornar o favorito de qualquer moleque, se a parte correta dele fosse cromada.

Vide o Cobra de Aço.

E se você ainda não acredita no poder do cromo, pense nos cartuchos dourados de The Legend of Zelda e Zelda II: The Adventure of Link. E tente se lembrar de como eles pareciam épicos quando comparados aos cartuchos cinzas plebeus do console.

Além disso, Jitsu tinha uma espada curva que eu acredito, foi a tentativa da Mattel de fazer uma katana. Lembremos que nos anos 1980 o BOOM dos Animes ainda não tinha acontecido deste lado do planeta, e nenhuma nação ocidental, fosse Estados Unidos, brasil ou Guarulhos, tinha conhecimento suficiente de cultura japonesa pra saber como exatamente era uma espada samurai. A tábua que acompanhava Jitsu era uma reprodução fiel o suficiente para a época, e até onde eu sei, ele era o único boneco da coleção que vinha com esta arma, o que o tornava ainda mais exótico.

Por fim, uma vez que ninguém na Mattel ou na produção do desenho animado se deu ao trabalho de criar uma história para ele, nós eramos livres para desenvolver seu passado como bem entendêssemos. Jitsu poderia ser um guerreiro honrado que foi enganado pelo Esqueleto e acabou participando de um duelo até a morte com He-Man por um mero mal entendido. Ou talvez fosse o antigo parceiro de Fisto, que traiu o amigo por pura ganância (daí o punho dourado), ou talvez fosse o pai perdido da Maligna, que olharia com repulsa pro próprio punho gigante ao descobrir o que a filha andava fazendo com o Aquático.

E sua batalha final contra Fisto seria GLORIOSA!!! Continuando, Fisto derrotaria três capangas do Esqueleto sozinho, quando subitamente, Jitsu surgiria das sombras e o atacaria! OH! A luta seria equilibrada e brutal, quando SUBITAMENTE, Jitsu cortaria o braço de Fisto fora! OH MEU DEEEEEEEEEEE... Hã, as figuras dos Mestres do Universo tinham braços removíveis, que podiam aumentar muito a dramaticidade das brincadeiras de crianças que soubessem como recolocá-los. Enfim, OH MEU DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEUUUUUUUUUUUUUSSSSSSSS!!!

Aproveitando-se do choque de seu oponente, Jitsu cravaria a espada em sua barriga, e gargalharia malignamente, BWA-HA-HAAAAA... Quando Fisto aproveitaria a oportunidade, arrancaria o braço de seu rival E ESMAGARIA SEU CRÂNIO COM SEU PRÓPRIO PUNHO DOURADO! GAAAAAAAH!!!

Então... Nosso herói tombaria. Satisfeito em saber que em seus últimos momentos... Ele fez a diferença para seus amigos.

...

EU SOU UM HOMEM ADULTO!!! PORQUE ESTOU ME EMPOLGANDO TANTO IMAGINANDO BRINCADEIRAS COM BONECOS DE TRINTA ANOS ATRÁS??? ISSO NÃO TÁ CERTO!!!


Roboto

Você já deve ter percebido que os desenhos animados da atualidade são criados para durar. Dentro de trinta anos, você poderá assistir Steven Universe e se divertir com a série como fria hoje. Exceto que no futuro o Tumblr provavelmente terá transformado SU em uma religião, neste caso, a animação também servirá como um importante documento histórico.

Mas nos anos 1980 não era assim. Série animadas eram basicamente comerciais de brinquedos glorificados, tão profundos e bem pensados quanto o corte de cabelo do MC Brinquedo. E como tal, eles tinham um tempo de vida pré-determinado, normalmente, quatro anos, que era o templo de sua audiência cativa crescer e desenvolver novos interesses.

Peguemos como exemplo o Tiaguinho, bom e maldito Tiaguinho. Imaginem que ele tornou-se fã do He-Man aos oito anos. 1460 dias depois, ele está com 12 anos, e não quer mais saber das aventuras do vagabundo bronzeado de Etérnia, pois seus interesses agora consistem de Tony Hawk, Motorhead e drogas injetáveis.

Claro, isso nos Estados Unidos. No Brasil, He-Man é popular a trinta anos, o que prova que o brasileiro amadurece três vezes mais devagar que o resto do planeta. E olhando pro tipo de gente que elegemos para serem nossos governantes, isso não chega a ser uma surpresa.

Nos Estados Unidos, a audiência de He-Man não apenas caiu após quatro anos de existência, como ZEROU! De repente ninguém mais estava assistindo o desenho, como se toda uma geração de crianças descobrisse de repente que ver um homem semi-nu com cueca de pelúcia bater em uma caveira toda semana não era tão divertido quanto parecia.

E sempre que um desenho da época se aproximava de seu crepúsculo, as fabricantes de brinquedos por detrás dele chutavam as bolas da barraca e lançavam os bonecos mais espetabulosos que podiam, na esperança de faturar mais alguns dobrões antes de aposentarem definitivamente a franquia.

Por exemplo, ao fim da vida útil de Transformers, a Hasbro lançou o imenso Fortress Maximus, que com seus 56 cm de altura, podia muito bem ser comprado por um casal de luto para substituir seu filho que morreu afogado na banheira.

A Mattel não foi tão longe em termos de tamanho, mas nos deu ROBOTO! O robô! To!

Como podem ver pela imagem, o grande trunfo de Roboto é que ele foi construído com plástico transparente. Tá vendo aquelas engrenagens dentro dele? Se girássemos seu torso, as engrenagens rodariam, mostrando como três simples rodas dentadas de plástico eram responsáveis pelo funcionamento de um complexo mecanismo humanoide! OOOOOOOHHHHHHH!!!

Mas o mais importante é que todo brinquedo feito com plástico transparente representava um desafio para a força de vontade de uma criança. Pois precisávamos lutar perpetuamente contra a vontade de abri-lo e pegar o que quer que tivesse dentro dele.

Sério! Anos atrás eu vi um boneco do Comandante Cobra que tinha um cetro com um globo na ponta. O globo era transparente e continha um líquido verde em seu interior, e a única coisa que passava pela minha mente é que se eu tivesse oito anos, minha meta de vida seria abrir aquele cetro e beber o que quer que houvesse dentro dele.

Roboto não é diferente, e imagino que muitas crianças o destruíram a marteladas só pra terem acesso a suas entranhas. Crianças que depois se arrependeram e choraram aos borbotões a morte de um de seus brinquedos.

O personagem tinha duas histórias de origem. No desenho animado ele era um visitante alienígena do planeta Robótica (PORQUE ANOS 1980), mas nos quadrinhos a coisa era muito mais interessante. Lá, ele era um robô construído pelo Mentor, para auxiliar os demais Mestres do Universo em sua batalha contra o Esqueleto. Mas Roboto não era uma máquina qualquer, o Mentor o fez indestrutível, e deu-lhe um coração mecânico (a engrenagem vermelha no pito do boneco) para que ele pudesse desfrutar de todas as emoções de um humano... Digo, das aberrações que se passam por humanos em Etérnia.

Então... Vamos pensar nisso por um minuto. Roboto é indestrutível... De alguma forma. Digo, não sei que porras de material o Duncan usou, mas acho que ele seria muito melhor empregado na construção de naves, tanques e demais veículos imbecis que o povo de Eternia usava em seu dia-a-dia. Então, armados de uma frota de veículos indestrutíveis, He-Man e seus coadjuvantes poderiam organizar um ataque em grande escala a Montanha da Serpente e se livrar de todos os seus inimigos de uma só vez.

Mas não... O Mentor achou que era melhor usar material indestrutível em UM SÓ ROBÔ! Boa, Duncan.

E aí, ele dá emoções a esse robô indestrutível e o manda pra guerra. Então, é um ser que pode sobreviver a tudo, enquanto seus amigos o redor morrem feito moscas. Num minuto, Roboto está conversando com o Stratos, sobre a dificuldade de se criar uma filha adolescente, quando SUBITAMENTE UMA EXPLOSÃO, e o androide se vê coberto pelo sangue, intestinos e  bunda de seu amigo alado, e a única coisa que passa pela sua mente é a filha adolescente que ele deixou pra trás.

Mentor criou um robô capaz de ter estresse pós-traumático! E o coitado sequer tem um aparelho digestivo para poder se entregar o alcoolismo e aliviar um pouco a dor de ter sobrevivido. BOA, DUNCAN!!!

Em outras notícias, plástico transparente tem o péssimo hábito de ficar amarelado com o tempo. O boneco da imagem acima está em excelentes condições, mas já vi muitos outros Robotos que foram bem maltratados pelo avanço dos anos.

Bom, na pior das hipóteses, podemos dizer que a cor amarelada em Roboto é porque ele passou a frequentar um clube de fetiches após a guerra, e sempre que vai lá, ele recebe uma chuva dourada da Drielly.

Hey, uma garota precisa comer! E não é como se o Gorpo tivesse a capacidade de sustentar uma casa.


Sy-Klone

Não, este não é o príncipe Adam vestido para fazer teste pro grupo Genghis Khan. Este é Sy-Klone, um daqueles personagens do tipo “quem se importa?” que foram apresentados ao fim da série.

Como eu disse, quando uma série animada (e consequente linha de brinquedos) se aproximava do fim de sua vida útil, os responsáveis pela criação dos bonecos criavam todo tipo de horror pra ver qual deles dava certo. As vezes dava certo, e tínhamos bonecos legais como Roboto, mas na maior parte das vezes, o resultado era o destaque de escola de samba visto acima.

Em sua história de origem, Sy-Klone era um acrobata de circo, que foi transformado em um ciborgue após ser atingido pelo “raio mecânico” do Esqueleto. Porque em Etéria, cibernetização não é um longo e arriscado processo cirúrgico, mas mágica! Mágica que é usada para criar avanços tecnológicos e científicos!

OS DESENHOS DOS ANOS 1980 ERAM RETARDADOS!!!

Claro, você não saberia disso se assistisse a série de tevê, pois nela Sy-Klone era um coadjuvante do nível de Jitsu, embora ele tenha tido mais aparições do que seu colega asiático. Provavelmente porque o Blue Man Group ainda não existia para se sentir ofendido com uma representação tão caricata de seu povo.

Sy-Klone, como seu nome mal soletrado indica, tinha o poder de controlar os ventos. E seu brinquedo tentava duplicar tal habilidade, com resultados questionáveis.

Em seu interior, havia uma complexa rede de elásticos... Ou pelo menos, tão complexa quanto elásticos podem ser. Para ter acesso aos INCRÍVEIS PODERES (sarcasmo óbvio) de Sy-Klone, tudo que o guri impressionável precisava fazer era girar seu torso e soltar, e os elásticos rodopiariam seu corpo e seus braços, gerando VENTOS FORTÍSSIMOS (sarcasmo óbvio) com os quais ele derrotaria as forças do mal.

Ou, fariam parecer que Sy-Klone estava sofrendo um derrame, enquanto tentava inutilmente convencer o Pacato a buscar ajuda, ele sendo um gato doméstico burro demais para entender a natureza de um acidente vascular cerebral.

Agora, se Sy-Klone tivesse feito parte de minha coleção na infância, eu acredito que ele seria um personagem “Nível B”. Ele não seria maneiro o suficiente pra ser parte do círculo de amizade de He-Man, Teela e Mentor, mas também não seria um fracassado, forçado a passar seu tempo nos estábulos de Etérnia com o Aríete e aquele cavalo mecânico imbecil que ninguém gostava.

Sy-Klone provavelmente passaria seu tempo com o Multi-Faces, escondido no segundo andar do castelo de Grayskull e disparando lufadas de ar para derrubar todas as armas do raque (havia um raque de armas no Castelo de Gryaskull, era o maior legal) que o Aríete havia terminado de arrumar. E enquanto ele bufava frustrado por todo trabalho que teria de refazer, Sy-Klone e Multi-Faces ririam dele e de sua virgindade.

Lembre-se, crianças. Bullying é errado.

Quanto ao seu papel na grande batalha, acho que eu faria Sy-Klone ser facilmente morto pela Maligna, a fim de mostrar o quanto a moça era poderosa. Não é como se eu tivesse muita utilidade pra um cara que dispara vento, especialmente quando tinha figuras muito mais interessantes para trabalhar nas sessões de violência simulada que eu organizava com tanto gusto na infância.

O melhor dessa história é que eu SEMPRE fazia o Aríete matar a Maligna. Em um momento de desconcentração da bruxa (provavelmente causado pelo Gato Guerreiro, que pereceria em suas tentativas de derrotá-la) o Aríete tomava um impulso heroico e atirava-se em sua inimiga, esmagando-a contra a parede no processo.

E então, ele vingaria a morte daquele que tanto o teria atormentado mais cedo, naquela mesma tarde.

Uau! Eu era muito poético quando brincava com meus bonecos.


Hordak

E chegamos ao crème de la crème: HORDAK, o líder da Horda.

Porque eu imagino que ser o supremo comandante de um exército do mal significa que você não precisa ser criativo na hora de nomeá-lo.

Se você não conhece Hordak, em primeiro lugar, O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI? Volte para o seu mundo de baladas, futebol e satanismo, e deixe os entusiastas de brinquedos de mais de 40 anos em paz na sua solidão!

Em segundo lugar, ele era o inimigo da She-Ra, irmã gêmea infinitamente gata de He-Man e protagonista de uma série muito mais interessante e bem escrita. Sério, assista ela hoje e verá que eu tenho razão.

Pois então, todos conhecemos e amamos Hordak como o vilão principal da She-Ra em sua respectiva série, mas ele não começou assim. O facínora e seus servos foram criados em 1985, durante o auge da popularidade de He-Man, para servirem como um novo inimigo tanto para ele quanto para o Esqueleto.

Porque a linha de brinquedos dos Mestres do Universo já não era abarrotada ao ponto de nenhuma criança conseguir ter uma coleção completa. Claro que precisávamos do Modulok e do Mantenna para gastar ainda mais dos suados dinheiros de nossos pais.

Mas eu admito que não entendo porque raios Hordak foi promovido a inimigo da She-Ra quando a série da moça estreou. Não é como se a Mattel não pudesse criar um inimigo original só dela. Afinal, a empresa lançou os Snake Men DEPOIS que o desenho do He-Man foi cancelado. Então talvez, a Mattel tenha enfiado Hordak em sua nova animação, na tentativa de convencer as meninas a comprarem algumas figuras encalhadas da Horda.

...

Ou provavelmente não. Essa é uma ideia inteligente demais pra sair dos donos de uma mega corporação.

No momento que eu descobri que Hordak teve sua própria figura, fiquei obcecado por ele. Mas a verdade é que eu não faço a menor ideia de como iria usá-lo quando brincasse. As minhas “Guerras por Grayskull” sempre envolviam os Mestres do Universo e as forças do Esqueleto, e eu jamais faria Hordak trabalhar lado-a-lado de seu velho discípulo.

Hordak treinou o Esqueleto e depois foi traído por ele, para aqueles que não sabem. Sério, por que ainda estão aqui?

Acho que o mais provável, é que após o Esqueleto e seus soldados serem mortos pelas forças do bem (exceto Mandíbula, que apenas ficou paraplégico), Hordak surgiria com seus soldados, para tomar o Castelo de Grayskull e seus segredos. E He-Man e seus amigos, exaustos, feridos e com muitas baixas em seu lado, não teriam como impedi-lo.

É quando OS THUNDERCATS SURGIRIAM NO CAMPO DE BATALHA E ENFRENTARIAM A HORDA DO MAL!!! VRRRRRUUUUUUUUUOOOOOOOOOOOOOMMMMMMM!!!

... Que foi? Eu misturava minhas linhas de brinquedos, toda criança saudável fazia isso! De fato, eu fazia Panthro e o Mentor baterem altos papos sobre mecânica, e a Teela e a Cheetara eram super BFF’s. Claro que o soberano de Thundera daria uma força para seus amigos de Etérnia na hora de necessidade.

E claro, eu não tinha o Mumm-Ra nem os Mutantes. Hordak e seus minions seriam uma excelente forma de dar aos Thundercats algo pra fazer.

...

E agora, eu estou sonhando em substituir brinquedos que não tive, por outros que eu também NÃO tive. Já que estou sonhando mesmo, eu queria ter tido um pônei que disparasse Marianas Ximenes pelo chifre. Sim, eu queria.

E já que estou falando disso, eu queria MUITO a linha de brinquedos da She-Ra quando foi lançada aqui. Não me lembro de tê-la visto nas lojas, mas sei que chegou ao Brasil, pois vi muitas propagandas da mesma em revistas em quadrinhos.

E os bonecos eram bem legais. Tinham uma vibe mais “Barbie com poderes”, mas eram bem legais de qualquer forma. E o castelo da She-Ra podia muito bem ser o irmão não-gótico do Castelo de Grayskull.

O único motivo pelo qual eu não tive a linha da She-Ra, é porque eu nunca a pedi pra minha mãe. Por um misto de vergonha (afinal, eu tinha um irmão mais velho que caçoava até da minha forma de respirar), somada ao fato deu já estar chegando à idade em que não tinha mais interesse em brinquedos.

Vejam bem, minha mãe nunca fez distinção entre brinquedos “de menino” ou “de menina”. Para ela, brinquedos eram brinquedos. E da mesma forma que eu tive um exército de Transformers, também tive bichos de pelúcia suficientes para abrigar nações inteiras de ácaros.

E eu tenho certeza que se tivesse pedido os brinquedos da She-Ra, os teria ganho. Isso foi algo muito certo que minha mãe fez durante a minha infância, e que eu pretendo passar aos meus pimpolhos quando eles saírem de meus testículos para o mundo.

Quer um Optimus Prime? Beleza? Quer um Snoopy de pelúcia? Beleza! Quer uma Clawdeen Wolf, da Monster High? Beleza também! O céu é o limite!!!

E fico imaginando as brincadeiras loucas que meus filhos vão inventar. Talvez eles decidam casar o Starscream com a Barbie, e juntos eles derrubem o Megatron e se tornem o CASAL DO PODER que levará os Decepticons ao domínio do universo. E os únicos que poderão detê-los serão os G.I Joe e os habitantes de Equestria, todos juntos, cavalgando até o campo de batalha.

SERÁ GLORIOSO!!!

Mas deixarei que meus filhos contem essa história pra vocês, quando eles herdarem o blog, dentro de 40 anos

E por hoje é só.

Cheers!!!

13 comentários:

Shadow Geisel disse...

Impressão minha ou as pernas desses bonecos do He-man eram curtas demais?

Lance "Avalanche" disse...

Sem o Stinkor?

Tsc tsc tsc....


Ou o Two-Bad?

Amer H. disse...

Você acha que este vai ser o único artigo sobre o tema?

Azrael_I disse...

Amer, mais de uma vez o Hordak e o Esqueleto se aliaram contra She-Ra e He-Man (mas sempre dava merda ou o Esqueleto acabava traindo o Hordak. De novo). E o Hordak NÃO É o Líder da Horda! A única coisa que foi mostrada do Líder da Horda foi uma mão mecânica gigante, sua silhueta atrás de uma nuvem e o filho dele (que acabou passando pro lado da She-Ra); o Hordak é apenas o Comandante da Horda (função que ele exerce a alguns milhares de anos...). E você mal mencionou que a série animada foi criada depois que os brinquedos foram lançados; isto explica o motivo de termos personagens tão estranhos e mal explorados como o Fisto e o Jitsu na história.

Azrael_I disse...

Aqui, ele mostrando que vai fazer com o Hordak o que o Aquático quis fazer com a Maligna: http://www.frankshemanpage.net/holiday01.JPG

A silhueta do cidadão: http://dinosaurdracula.com/wp-content/uploads/2012/11/37.jpg

E se tiver coragem, a figura de ação dele (que foi lançada, embora ele nunca tenha sido visto por inteiro no desenho). Cuidado que tem SPOILERS: http://doomkick.com/masters-of-the-universe-classics-horde-prime-review/

C disse...

Embora entre as coisas que eu jamais entenderei, é porque o He-Man e a She-Ra foram transformados de irmãos a primos na dublagem brasileira. Não é como se tivesse qualquer coisa vagamente polemica no desenho, apenas pq?!

Álvaro Freitas disse...

Cara, eu tive uma das vilãs da She-Ra, a Mal-Em-Dobro (Double Trouble), e também o Corujito. A Mal-Em-Dobro foi pra minha filha, mas o Corujito tenho até hoje...
O bizarro é que eram os únicos bonecos da coleção He-Man/She-Ra, mas também tinha o Castelo de Greyskull. Vá entender os pais né.

SEMI disse...

Dos cinco citados, o Fisto eu cheguei a ver naquela infame linha "Aventuras na Galáxia" que misturava peças de resina e chumbo para conceber réplicas medonhas dos bonecos importados.

Jitsu eu nunca vi mais gordo! Nem no desenho eu lembro dele.

Sy-Klone e principalmente o Roboto me parecem familiares. Talvez algum amigo riquinho tivesse, mas provavelmente eu vi em alguma vitrine de importadora.

O Hordak eu tinha! Meu pai rodou durante meses nas importadoras da cidade maravilhosa, provavelmente teve que abrir mão de um rim mas conseguiu me dar de presente de aniversário.

E quase 40 anos depois, esse artigo me fez descobrir uma vantagem de ter irmã. Eu brincava com a Teela, Maligna, She-Ra e até a Rainha Ângela sem ter que abrir mão de um outro boneco masculino (e ter que me justificar para os amigos).

Vou aproveitar para esclarecer o motivo do Hordak e toda a Horda serem da coleção do He-Man (mistério que me assolou durante décadas) sendo vilões da She-ra.

Tem um documentário nos dvds contando que os bonecos eram lançados e posteriormente enfiados no desenho para serem conhecidos e arrancar mais trocados dos pais. A Horda surgiria na próxima temporada de He-Man que acabou cancelada para o lançamento de She-Ra que herdou os bonecos prontos.

Fabio Salvador disse...

Tinha boneco da She-Ra, sim! Aliás minhas irmã tinha uma She-Ra (a bonequinha era até anatomicamente bem feita - leia-se gostosa), e uma Teela.

A She-Ra reapareceu subitamente quando abri uma caixa com um monte de peças de Lego, que eu pretendia passar adiante para minha filha. Ela adotou a She-Ra, e a boneca permanece como personagem secundário das aventuras do Hulk (minha filha cresceu, meu filho menor nasceu, e ele tem os Vingadores, fazer o que?).

Fabio Salvador disse...

Eu tinha...
He-Man, Esqueleto, Mentor, a PORRA do Ariete, Mandibula, e minha prima tinha o Arqueiro. Minha irmã tinha a She-Ra, a Teela, e acho que só.

E tínhamos Lion, Panthro, Tigra, Sheetara, um desnecessário Snarf (que era um boneco de plástico maciço, que podia ser usado como arma de arremesso), e também o Escamoso, Abutre (com nave), e o meu favorito... MUMM-RA, um boneco com cobras feitas de plástico duro que saíam da cabeça e que cortavam os dedos da criança que brincasse.

Rafael M. disse...

Eu pensei a mesma coisa.

Rafael M. disse...

Eu pensei a mesma coisa.

Martinele Gomes disse...

era foda mesmo