sábado, 30 de julho de 2011

Katawa Shoujo, 4Chan e o Romance com Garotas Deficientes


*Este artigo foi postado no finado “O Outro Blog do Amer”, que eu usava unicamente pra expressar minhas opiniões. O texto foi publicado em algum momento de 2010 e certas informações já são meio desatualizadas, mas optei por não editar o texto para não sacrificar seu significado original. Divirtam-se.*

Não sei quantos de vocês estão familiarizados com o 4chan, mas é nele que nossa história começa hoje.

4chan é um fórum de internet onde as pessoas podem postar imagens e conversar a respeito dela. Logicamente, seus idealizadores tinham em mente um uso bem simples, como a criação de comunidades onde fãs de um determinado tema pudessem se encontrar e fazer amizades.

Mas como tudo na internet que depende de usuários para se manter ativo, a proposta do 4chan se tornou algo que seus criadores não seriam capazes de imaginar nem em seus maiores momentos de agonia.

Aproveitando-se da garantia do anonimato, os usuários do 4chan são conhecidos por postarem imagens e comentários inacreditavelmente cabeludos no site. Discussões sobre escatologia, pedofilia e incesto brotam a todo o momento e em qualquer lugar do site.

Por exemplo, um grupo de caras pode estar conversando sobre Dragon Ball e de repente eles começam a debater quem estupraria a Pan da forma mais violenta e humilhante. Lembremos que Pan é uma menina de uns 10 anos no desenho animado.

Não vamos esquecer que o 4chan nasceu como um fórum baseado em imagens, então não é difícil encontrar ilustrações de garotas de anime ultra sexualizadas, imagens de violência contra a mulher ou cenas simplesmente nojentas, como uma garota de anime com uniforme colegial que não conseguiu segurar uma diarréia em sala de aula.

Aliás, o 4chan é supostamente responsável por 25% do movimento da internet.

Não acredito em porcentagens que não tenham um número exato por trás delas... mas mesmo que a quantidade de usuários não chegue a tanto, ainda é gente demais que passa seu tempo debatendo sobre colegiais de anime com incontinência.

Mas verdade seja dita, não acredito que os freqüentadores deste site sejam ruins. Não todas, pelo menos. As vejo em sua maioria como idiotas que aproveitam a internet para dar vazão a coisas que não podem conversar normalmente em seu dia a dia. Todos temos pensamentos sombrios e curiosidades mórbidas, e um site onde todos são anônimos é o local perfeito para isso.

Diariamente somos julgados por nossas ações. Basta um comentário inapropriado e nossos colegas de escola ou do trabalho podem fazer julgamento errado de nosso caráter. Um amigo me advertiu a não declarar abertamente quais sites ou veículos midiáticos eu acho ruins, porque isso pode me afetar profissionalmente no futuro.

Mas na internet não existe isso. Basta conectar e após cinco minutos escolhendo um avatar e um pseudônimo, você pode declarar que se excita com a imagem de uma pilha de bebês mortos. Ninguém vai te julgar, nem o declarar um monstro, e todos esquecerão a bobagem que foi dita logo que desligarem seus computadores.

Pelo menos é o que acreditamos acontecer, mas nem sempre é o caso. E o artigo de hoje é a respeito disso.


Um usuário do site, com o pseudônimo de “Nurse-kun” e que declarava ser um enfermeiro na vida real, começou a postar sobre uma paciente que havia chegado ao hospital em que ele trabalhava. A paciente em questão era uma menina de sete anos, que havia sofrido um acidente de carro e tinha não apenas ficado órfã, como perdido as duas pernas, um braço e um olho.

Inicialmente, Nurse-kun só queria fazer o mesmo que os demais usuários: chocar. Na primeira postagem ele pediu a opinião dos demais membros do fórum se devia abusar da menina ou não caso tivesse chance. As tradicionais piadas sobre pedofilia e estupro se seguiram e a vida continuou normalmente.

Mas a história não parou por aí, Nurse-kun continuou relatando a vida da menina e sua dificuldade em adaptar-se a sua nova vida, não só ela precisava aprender a se virar com próteses, como também com as cicatrizes mentais causadas pela perda dos pais. Pra piorar as coisas, ela estava sozinha no mundo, pois não tinha parentes vivos do lado da família de seu pai e a família de sua mãe nunca aprovou o casamento e queria distância dela.

Nurse-kun se condoeu pela menina e aos poucos se aproximou dela. Tornou-se seu amigo e mostrou-a que não estava sozinha no mundo.

Eis o ponto mais chocante dessa narrativa: muitos membros do 4chan se sensibilizaram com a história e pediam a Nurse-kun que os mantivesse atualizados a respeito da menina. Muitos fizeram desenhos da garotinha, baseados na descrição de Nurse-kun e as postaram no fórum.

Eventualmente, Nurse-kun se tornou o guardião legal da menina e parou de escrever no 4chan. Hooray para um final feliz!

Verdade seja dita, alguns pontos da história fazem ela parecer a criação de uma mente muito imaginativa, a menina descrita por Nurse-kun é loirinha de olhos claros, mas com feições asiáticas, devido a miscigenação entre seu pai Nórdico e sua mãe Japonesa. Convenhamos, uma combinação que parece saída de um Anime.

E Nurse-kun errava termos médicos básicos ao falar dos ferimentos da menina, o que leva a crer que ele não é um enfermeiro real, só um sujeito com muito tempo livre e que deveria estar escrevendo roteiros para Hollywood. Sinceramente isso não importa, acho que os fins justificam os meios e os resultados desta história é que valem.

Logicamente, dado o conteúdo presente no 4chan, muitos usuários começaram a conversar sobre transas com meninas deficientes, o quanto ficavam excitados em imaginar uma menina sem pernas nem braços sendo violentada e por aí vai.

Mas eles não foram a maioria neste caso. Outros tiveram uma idéia bem mais nobre.

Um grupo de usuários do site decidiu unir-se e criar um game onde o tema seriam garotas com deficiências e a possibilidade de se namorar com elas. Nasceu Katawa Shoujo (literalmente “Meninas Deficientes”).

Basicamente, é um game ao estilo simulador de encontros, como True Love, Hitozuma Hime e diversos outros games eróticos para PC. Aqui, o jogador assume o papel de Hisao Nakai, um garoto com uma doença cardíaca grave e que é transferido para uma escola para alunos com necessidades especiais, onde ele passa a conviver com diversas garotas e pode tentar conquistar uma delas. O game ainda está em desenvolvimento, então não sei se haverão cenas de sexo explícito com as meninas.

Entre as possíveis candidatas a namorada, estão uma garota que perdeu as pernas em um acidente (assim como a menininha da história de Nurse-kun), outra que nasceu sem os braços, uma vítima de incêndio com marcas de queimaduras feias pelo corpo e pelo rosto, uma garota surda muda e uma que é cega.

O game não as trata como fracas e dependentes, pelo contrário, apesar de suas deficiências, elas são meninas normais. De fato, em muitos momentos elas ajudam o protagonista, que tem a saúde muito frágil devido a sua condição cardíaca.

A internet reagiu a tal game com a trindade patenteada de emoções do meio: repudia, apatia e aprovação. Vamos falar da repudia e da aprovação, pois a apatia não nos interessa neste caso.

Os que desgostaram da idéia viram algo errado e imoral em sexualizar garotas deficientes. Um amigo meu disse que “homens se sentem atraídos por meninas sem pernas, pois tem a impressão de que elas não podem fugir”.

O que mais percebo nos argumentos contra o jogo, é a necessidade daqueles que os proferem se passarem por pessoas nobres e com valores morais maiores e mais bem definidos do que o resto dos mortais. Claro, eles não percebem que estão sendo violentamente preconceituosos com isso.

Eu aprovo Katawa Shoujo, simplesmente porque coloca garotas deficientes no mesmo nível de todas as outras mulheres do mundo.


Um dia, já faz algum tempo, eu estava andando na rua, quando vi uma garota muito bonita.

Ela tinha um rosto glamouroso, como se fosse uma artista de cinema do passado, corpo saudável, com o visual curvilínio que tanto adoro e que é cada vez mais raro no mundo que prega anorexia como modo de vida para as mulheres. A moça também possuia seios fartos, uma característica feminina que me atrai e era alta, com pernas muito atléticas.

Só havia um porém: ela não tinha os braços. Por causa deste detalhe, devo me sentir sujo por ter passado tanto tempo admirando sua beleza?

Isso é um falso moralismo que eu sinceramente não suporto, pessoas portadoras de deficiências são tratadas com diferença pela sociedade, quando tudo que querem é ser consideradas iguais. Elas se esforçam três vezes mais que todos nós, simplesmente para conseguirem o respeito que lhes é devido. Mesmo quando nos superam em todas as áreas da vida (o que é quase sempre), ainda são vistas como coitadinhas e julgadas dignas de pena.

Houve um episódio de Família Soprano (antes da série ficar imbecil) em que o protagonista, Tony, transava com uma garota russa que não tinha uma perna. A moça era linda, parecida com Greta Garbo (de acordo com o próprio Tony), mas era bastante áspera e durona.

Em um dado momento do episódio, Tony disse que a admirava devido a sua determinação, mesmo com a deficiência. A garota respondeu cinicamente “gente como eu existe para inspirar gente como você.”

Não acho que um artista sem braços mereça mais reconhecimento que um artista que nasceu com os braços. Ambos trabalharam duro para ter reconhecimento e valorizar mais o trabalho de um por causa de sua deficiência é preconceito, puro e simples.

Do mesmo jeito, aquela garota sem braços que achei tão bonita, não deve querer ser colocada em um pedestal, como uma figura mítica que traz esperança aos desesperados. Acho que ela quer apenas se sentir normal, conhecer alguem que a ache bonita e a deseje.

Eu não veria mal em me apaixonar por uma garota que tivesse perdido as pernas, tampouco em beijá-la na frente de outras pessoas, e não me sentiria culpado em fazer amor com ela dez vezes por dia quando estivéssemos sozinhos em casa e com os hormônios a flor da pele.

Katawa Shoujo mostra que seus criadores também não vêem nenhum problema. O que demonstra que nerds reclusos que levam seu lado negro até as últimas conseqüências em um site são supostamente mais evoluídos do que boa parte da sociedade.

Um pensamento interessante, não?

Se quiser conhecer Katawa Shoujo em maiores detalhes, clique aqui. Mas se quiser ler a saga de Nurse-kun (em inglês), clique aqui.

Cheers!!!

domingo, 10 de julho de 2011

O dia em que conheci Clarissa


Antes de começar, quero pedir desculpas por pisar na bola. Quem me acompanha no Twitter sabe que eu pretendia dedicar o mês de Julho ao Homem Aranha, falar de uma de suas séries animadas, do Live Action Japonês e do que mais encontrasse. Ainda vou dedicar 30 dias ao senhor Parker, mas isso terá de esperar até Agosto.

Logo vocês entenderão o motivo dessa mudança.

Agora, eu sou um cara engraçado. Um dos meus motivos para escrever neste blog é para fazer as pessoas rirem. Pelos inúmeros comentários que recebo, tenho cumprido bem a missão e agradeço a todos que deixam suas mensagens declarando o quanto gostam de meu trabalho. Vocês que fazem meu esforço valer à pena.

Dito isso, vou avisar que o artigo de hoje não será divertido. De fato, é um assunto muito sério e pesado, que com certeza deixará muitos desconfortaveis, se preferirem deixar o texto de hoje passar, fiquem a vontade.

Enfim, esta semana conheci a série em quadrinhos “Clarissa”. A história é de autoria de Jason Yungbluth, um artista da versão Americana da revista Mad e dono do site Deep Fried, onde publica e vende todos os seus trabalhos.

Um deles é Weapon Brown, uma história sobre um futuro pós-apocalipse, onde Charlie Brown cresceu e tornou-se um badass supremo. Ele procura pela garotinha ruiva, ao mesmo tempo em que se prepara para um embate com seu jurado inimigo: o psicopata Calvin e seu tigre cibernético, Haroldo.

Pois é.

Não li Weapon Brown, mas dada a competência de Yungbluth, não duvido que seja uma ótima história.

Mas voltemos a Clarissa. O autor produz a série desde 1999 e até o momento, existem cinco histórias curtas com a personagem. Aparentemente, é um projeto que ele coloca no papel quando está com tempo livre e pelo que vi, Yungbluth tem muito pouco disso.

Para quem está se perguntando sobre do que a série se trata, é simples: Clarissa é uma menina de seis anos que sofre abuso sexual nas mãos do pai.

Cada história mostra um momento diferente no dia-a-dia da menina. A primeira (“Clarissa estraga o Dia de Ação de Graças”) vai direto ao ponto, mostra a família celebrando o feriado como se fossem personagens perpetuamente felizes de uma comédia americana da década de 1980.

Clarissa quebra toda a comemoração ao dizer sem papas na língua: “não vou fingir que o papai não abusou de mim.”

Apesar do desconforto, acredito que esta história tinha por intenção trazer apenas uma dose de humor negro. O autor deve ter gostado da personagem e decidiu então criar enredos mais sólidos e dolorosos para ela.

A segunda história (“Retrato de Família”) mostra a menina fazendo um desenho de sua família para a aula de arte da escola. A imagem que ela faz é a de um café da manhã perfeito e alegre, mas ao longo da história, vemos como as coisas realmente aconteceram.

Clarissa não desce para tomar café até seu pai sair do trabalho. Quando finalmente senta a mesa, podemos ver o quanto sua família é destrambelhada. TODOS sabem o que acontece, mas cada um reage aos abusos de sua forma.

A mãe de Clarissa está em completa negação, eternamente com um sorriso no rosto. Ela prepara quilos de torradas para sua família, como uma forma de super compensação pela desgraça em que todos vivem. Ela também tira um segundo de seu dia para jogar na cara da filha que ela é a culpada pelo que acontece (“Lembra-se do que lemos naquela revista? Você é uma instigadora.”), algo que é mencionado novamente no futuro.

O irmão mais velho é um bully completo e tortura Clarissa o quanto pode. Ele afoga as torradas da irmã em calda, mesmo após a menina protestar que não gosta disso. Depois, ele ainda intimida a menina (“Se não gostou, chore pra porra do mundo inteiro te ouvir.”), o que prontamente a condiciona a acreditar que mesmo se gritar por socorro, ninguém jamais a ouvirá. A impressão que tenho é que ele optou por ficar do lado do pai e também culpa a irmã pelos abusos que ela sofre. Afinal, “se não fosse por ela”, eles poderiam ter uma vida normal.

O irmão do meio é uma pilha de nervos e parece estar em negação ainda maior que a mãe, desesperado para que todos ao seu redor mantenham a ilusão de que nada acontece à noite.

A situação fica ruim subitamente, quando o pai volta para apanhar “sua caneta” e decide sentar-se para tomar café. Quando percebe a frieza com o qual a filha o recebe, ele sugere que “ela deixe o que aconteceu pra trás, para que tudo volte ao normal” e a menina prontamente aceita, após sofrer pressão silenciosa de toda a família.

Mas a mera presença do pai faz tanto mal à Clarissa, que ela fica enjoada. Então temos uma das cenas mais aterrorizantes que já vi em uma história em quadrinhos.

Uma menina de seis anos decidiu comer o próprio vômito para não irritar o pai.

...

O pior é que este ato desesperado não deu certo e agora ela sabe que vai pagar por isso. O que quer que ele faça com ela a noite será dez vezes pior do que aquilo que tinha planejado antes.

Na escola, Clarissa não só desenhou sua família, como também fez a imagem de um lobo atacando um esquilo...


... cujo real sentido foi prontamente ignorado pela professora, que estava mais interessada em ouvir a própria voz do que entender o pedido de ajuda de sua aluna.

Existem três outras histórias completas de Clarissa, cada uma delas acrescenta uma nova camada de tragédia à vida da menina. Não pretendo falar delas, mas todas podem ser lidas neste link. É só descer e clicar nas páginas uma por uma.

Eu não deveria ter de explicar, mas sempre tem um que não sabe como a internet funciona.

Aliás, as histórias estão em Inglês. Quem não entender o idioma (que vergonha) peça pra um amigo ler e te passar o sentido delas.

Duas coisas tornam esta série tão difícil de ser lida. Primeiro, a narrativa de Yungbluth é fantástica, ele libera poucas informações e em pequenas doses, no fim, quando ligamos todos os pontos e entendemos o que aconteceu, o resultado é horror absoluto.

Segundo, a série não segura nenhum soco. Todo filme sobre abuso infantil que assisti evitava exibir a parte mais cruel da história, o que normalmente vemos é uma protagonista traumatizada, que graças à presença de boas pessoas em sua vida, consegue deixar seu passado para trás e acertar sua vida.

Clarissa não tem esta opção. Ela tem de viver um Inferno na Terra diariamente.

Eu juro, estou de coração partido desde que li essa história. Estou deprimido há alguns dias já e não consigo parar de pensar a respeito.

O que mais dói é saber que existem milhares de “Clarissas” pelo mundo. Que sofrem em silêncio e todos os dias se culpam por passarem por algo sobre o qual não tem controle.

Quem acompanha meus artigos há algum tempo já sabe que a coisa que mais desejo no mundo é ser pai, de preferência de uma menina. Não sei por que, sempre me dei melhor com meninas do que com meninos.

Enfim, uma de minhas metas é obter estabilidade financeira antes de chegar aos 40 anos, para assim poder ser pai sem preocupações e poder oferecer a minha pimpolha aquilo que ela precisa para ter uma infância decente.

Claro, não sei o mínimo necessário sobre como ser pai, mas acho que isso se aprende de verdade quando já se está na situação. O negócio é que tenho um instinto paternal enorme já, sempre me preocupo com aqueles ao meu redor, amigos, amigas, sempre quero fazer o que estiver a meu alcance para tornar a vida deles melhor, mais confortável, essas coisas.

Assim, não me desce a idéia de que um homem possa abusar sexualmente de sua filha, é algo que minha cabeça não consegue processar. Sua criança é a ÚNICA pessoa do mundo que você tem a obrigação de proteger, como pode alguém submetê-la a algo tão terrível?

E crianças não têm como se defender, é aí que NÓS adultos devemos entrar.

Se algum de vocês acha que conhece uma criança que possa sofrer abuso sexual, há formas de tentar descobrir se a suspeita tem base ou não.

O importante é prestar atenção as crianças, elas não podem comunicar verbalmente e de forma clara o que aconteceu, pois não tem compreensão do que é o abuso sexual. Elas exteriorizarão o que sentem através das suas brincadeiras e de desenhos (como Clarissa tentou fazer), especialmente em momentos que estejam sozinhas.

Marcas pelo corpo também são um sinal de que algo está errado. É muito difícil um adulto não machucar uma criança quando a força a fazer sexo com ele. Hematomas constantes, sempre nos mesmos lugares também podem ser um sinal de que algo está acontecendo.

E o comportamento da criança muda, ela pode se isolar, demonstrar medo de adultos de um sexo específico ou até mesmo agirem com uma sexualidade exagerada para sua idade.

Então eu repito, PRESTEM ATENÇÃO AS CRIANÇAS, pois só é possível notar tudo isso quando se observa com atenção. Os adultos muitas vezes criam um hábito em ignorar seus filhotes e sinceramente, não consigo ver bem algum vindo disso.

Se perceber todos estes sinais e sentir que de fato há algo errado, vem a parte que muitos temem: DENUNCIE!!!

Quando pesquisava pra escrever este artigo, percebi que um número grande de pessoas tem receio de se envolver, seja por medo de uma represália por parte daquele que abusa, ou seja, lá pelo que for. Saibam que ao fazerem uma denúncia, vocês sempre ficarão anônimos. No máximo, somente a pessoa que o atendeu saberá quem você é, e se entrou em contato por telefone, nem isso será um problema.

Quanto à parte das represálias, se você coloca o seu bem estar acima do de uma criança que pode estar sofrendo violência sexual diariamente, você é um merda muito pouco melhor que o canalha que está se aproveitando dela.

É possível fazer a denúncia no Conselho Tutelar, nas Varas da Infância e da Juventude, em Delegacias de Proteção da Criança e do Adolescente ou mesmo nas Delegacias da Mulher.

Não faltam opções, então, por favor, faça alguma coisa se puder. Não permita que esse tipo de história de horror se estique por mais tempo que deve.


Sei que deve ter sido difícil ler este artigo, acreditem, foi muito difícil pra eu escrevê-lo. Cada palavra teclada me doía.

Não vou fazer nenhuma declaração piegas ou dizer alguma frase pronta como “devemos proteger as crianças, pois nelas reside o futuro”, não, nada disso. Minhas motivações são muito mais simples.

Eu tive uma infância muito boa. Li gibis, assisti filmes e desenhos, joguei video games, criei sagas imensas e macarrônicas com meus bonecos, via luta livre com a minha avó e tudo mais. Não tive amigos, mas bem, não se pode ter tudo. O que importa é que tenho lembranças muito boas de minha infância e sinto uma doce nostalgia sempre que penso nela.

Isso é o mínimo que uma criança deve ter.

Toda criança tem o direito de crescer em um ambiente saudável e aproveitar os primeiros anos de sua vida. Não é justo que um animal venha e simplesmente tome isso dela.

Não sei bem como encerrar este artigo, então vou apenas pedir para você pensar em uma criança com quem convive e a quem ama. Seja uma filha, um sobrinho, irmão, irmã que for.

Imagine que esta criança poderia ser uma “Clarissa”.

...

Não parece mais tão difícil encontrar motivação pra querer protegê-la, não?

Cheers.
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