sábado, 26 de fevereiro de 2011

Grandes Momentos de Tristeza nos Games!

Ahhh, Video Games! A melhor invenção da história da humanidade.

Eu disse uma vez e direi de novo, nada consegue ser melhor que Video Games, nem mesmo sexo. E para todos os que estão fazendo “Meh” para esta afirmação, sexo não dura 40 horas, Mass Effect 2 sim.

Enfim, sou uma daquelas pessoas que consideram Games uma forma de arte. Como? Veja você, uma das definições de arte é que qualquer trabalho que consiga evocar emoção daqueles que a observarem, pode ser considerado como a mesma.

Você lê um livro e ele te faz refletir? Arte! Você assiste um filme e ele o deixa tenso? Arte! Você assiste Patrice O'Neal e ele te faz escangalhar de rir? Arte! Você escuta música e ela te faz chorar? Arte!

Acho que já me fiz entender.

E games são capazes de tudo isso, podem nos fazer refletir, nos deixar tensos, nos fazer rir e até mesmo chorar. De fato, muitos games tem o poder de destruir nosso fim de semana de forma absoluta. E não me refiro apenas a aqueles que nos matam impiedosamente, não senhor.

Alguns enredos de games são escritos de maneira a nos fazer chorar feito um bando de lanfranhudos azuis! E não só games recentes, não senhor! Falo de jogos lançados desde a época do Super Nintendo e é sobre alguns deles que falarei hoje.

E não, a morte de Aerith não conta neste artigo. Sejamos francos, Aerith já apareceu tantas vezes desde Final Fantasy VII (Crisis Core, Kingdom Hearts, aquela merda de Advent Children) que seu falecimento perdeu todo valor que poderia ter. Um sacrifício não conta se o herói continua aparecendo depois dele, uma lição que Marvel, DC e Animes nos ensinam quase diariamente.

Aliás, o artigo de hoje está cheio de SPOILERS, SPOILERS, SPOILERS, SPOILERS! Assim sendo, se não jogou nenhum dos games aqui descritos e não quer estragar sua diversão futura, recomendo que viaje cuidadosamente a partir deste ponto.

Agora, siga-me, peregrino!

Cyber-Lip

É difícil acreditar, mas houve uma época em que a SNK não produzia apenas games de luta. Nestes dias tão distantes, foi lançado o game Cyber-Lip.

Creio que a maioria de vocês jamais jogou este título, então deixem-me pintar uma imagem: pensem em Contra e Metal Slug, agora, retire a boa jogabilidade, capacidade de atirar em diagonais, boa trilha sonora, armas interessantes e tudo mais que torna estes games interessantes, seu resultado é Cyber-Lip.

E foi por isso que as pessoas passaram a prestar atenção em Fatal Fury e Art of Fighting.

Ok, o que nos interessa de fato é a história. Pois bem, alienígenas do mal atacaram a Terra, BOOOO! Então, os humanos criaram um super computador inteligente para que este os defendesse dos extraterrestres, YAAAAY! Então, o computador bancou o Skynet e lançou um ataque contra a raça humana que praticamente a dizimou, BOOOO! Foi quando o PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS chamou dois cara de colete e rayban e os ordenou que destruíssem o computador e salvassem o que restou do planeta.

Pois eis que você chega a fase final e encontra o dito computador, que não passa de uma boca gigante (“Cyber-Lip”, sacaram?). O bicho diz que não é perverso, apenas que foi programado para o mal... não que isso importe, seu destino é A MOOOOOOOORTE!!!

Após destruir o bicho, o PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS aparece mais uma vez e nos congratula pelo genocídio bem executado. Então ele declara que uma vez que as defesas da Terra foram destruídas, ele e seus subordinados agora podem invadir o planeta...

Parabéns! Você foi enganado por um alienígena disfarçado de PRESIDENTE e que ele e sua raça estavam por trás dos ataques de Cyber-Lip. Agora, graças a seus esforços, o planeta está sem defesa e todos os órfãos e cãezinhos da Terra serão transformados em sanduíches pelos invasores.

Agora, imagine isso em 1990, época em que TODOS os games do mundo terminavam em final feliz, com o resgate da princesa ou da namorada.

E ainda estamos só no começo.

Breath of Fire II

Disparado, Breath of Fire é uma de minhas séries de JRPG favoritas. O fato da Capcom tem assassinado a franquia em seu quinto jogo e nunca mais ter se dado ao trabalho de tocar no assunto é algo que me enche o ravióli até hoje.

Bom, talvez não me encha tanto quanto a tentativa de fazerem um Sephiroth de bosta no quarto jogo, mas isso não importa agora.

O fato é que Breath of Fire II é um dos games mais pesados que já experimentei. Seus produtores parecem ter feito hora para criarem o produto mais capaz de estragar o dia de seus jogadores.

Ok, o herói mora em uma vila próxima a uma montanha onde dorme um dragão. Uma bela tarde, ele dormiu perto do mesmo e quando acordou, seu pai e sua irmão haviam desaparecido e ninguém em sua vila se lembrava dele. Assim, só lhe restou fazer amizade com um órfão e sair do lugar... para ser quase morto por um monstro abominável pouco depois.

O herói e seu amigo crescem, passam por dezenas de aventuras e fazem novos amigos, incluindo uma menina gato, um tatu humanóide imenso, uma garota com asas e um padre... é quando descobrem que DEUS é um super vilão e precisam destruí-lo se quiserem que o mundo viva em paz.

Ok. Aí as coisas começam a dar errado.

Somos obrigados a matar o padre, pois ele tem de defender sua fé e seu deus, mesmo sabendo que ambos estão errados. O tatuzão humanóide? Ele segura uma parede para que o grupo possa avançar por um castelo, mas quando ela estava prestes a esmagá-lo... sua mãe surgiu, o empurrou para fora da armadilha e morreu em seu lugar.

Calma, fica pior.

A menina com asas? Bem, Ela decide se sacrificar para se transformar em um pássaro gigante, mas sua irmã caçula aceita tomar seu lugar... contra sua vontade e apesar de seus gritos de protesto. Diga-se de passagem, o ritual de transformação não podia ser revertido e aparentemente apagava a humanidade daqueles que se sujeitassem a ele.

Calma, tem mais.

Eventualmente, descobrimos que o dragão adormecido que guardava a montanha na vila do herói, ERA SUA MÃE!!! A montanha ficava sobre uma gigantesca torre subterrânea, onde residia o clã Black Dragon, de pessoas com a capacidade de se transformarem em dragões que permaneciam em constante vigilância para impedir que DEUS e seus asseclas saíssem dela e destruíssem o mundo.

A mãe do herói optou por abandonar seu marido e filhos para se transformar e guardar a montanha eternamente.

E quando descobrimos esta verdade, o que acontece? Uma reunião cheia de lágrimas entre o herói e sua mami perdida? NÃO!!! Ela dá sua vida para quebrar o selo da montanha mais uma vez e assim seu filho e amigos poderem descer até seu ponto mais baixo e poderem matar DEUS!!!

Calma, fica PIOR AINDA!

Após matar DEUS! Achamos que tudo ficará bem e que a ação heróica do protagonista trará alegria para você e o vovô. Então ele chega a conclusão que o mal verdadeiro não pode ser destruído... eis que ele se transforma em um dragão e se põe em guarda sobre a montanha, exatamente como sua mãe fez... enquanto seus amigos desesperados olham a cena e não sabem como reagir.

Pois é.

E querem saber o pior? O jogo tem um final feliz, mas é tão retardado e faz tão pouco sentido com o resto da história, que mais vale matar o pai do herói para chegar ao final triste.

Ah sim, esqueci de falar, o pai desaparecido do herói? Temos de matá-lo durante o jogo ( o que leva ao final ruim) ... ou poupar o velho e usá-lo como bateria viva para nossa fortaleza voadora (o que leva ao final bom).

Com mil diabos, Capcom!

Phantasy Star IV

Muitos de vocês talvez conheçam Phantasy Star apenas em suas versões Online ou nos jogos para PSP que tentam (com variado grau de fracasso) simularem uma experiência Online. Mas o fato é que houve uma época em que esta série era o carro chefe de JRPG’s da Sega, capaz de fazer frente a Final Fantasy ou Dragon Quest sem problemas.

Embora cada jogo pudesse ser aproveitado como uma aventura separada, havia uma continuidade muito pesada envolvendo a série toda. Fatos relevantes de Phantasy Star I poderiam refletir na história do IV e diversos personagens longevos apareciam em diversos pontos da série.

Por algum motivo, a série nunca emplacou como seus rivais para Super Nintendo. Phantasy Star tem uma base de fãs bastante devotada e furiosa, mas nunca alcançou o mesmo patamar de Link, ou Cloud e seus amigos pululantes.

Irônico, pois Phantasy Star IV fez uma cena de morte muito melhor do que a presente em Final Fantasy VII.

Ok, largue esse martelo. Vai, você tá fazendo um papelão com isso. Mesmo que bata em seu monitor com ele, não vai conseguir me machucar. Coloca isso no lugar que eu explico porque acho Phantasy Star IV superior a Final Fantasy VII.

Nossa história começa com Alys e Chaz, caçadores de recompensa contratados para investigar o problema de monstros no sub-solo de uma universidade. Como uma bio-cultura de monstros não é algo muito comum de se aparecer em instituições de ensino, um professor do lugar estica o contrato dos dois, a fim de descobrir a verdade por trás de tudo.

Nossos heróis então atravessam o planeta, fazem novos amigos, encontram máquinas mirabolantes, oriundas de uma civilização antiga há muito esquecida e descobrem eventualmente que o responsável por tudo que há de errado no mundo é a Dark Force, o mal ancestral que causa todos os problemas na série desde o primeiro game.

Eis que nos deparamos com Zio, um sacerdote da Dark Force e grande vilão do primeiro ato da história. Durante o combate, nenhum dos ataques do grupo é capaz de lhe fazer mal, eis que ele dispara uma rajada de energia das trevas contra Chaz... quando este é empurrado por Alys, que sofre todo o impacto do ataque.

A moça é levada até uma vila, onde ninguém pode fazer nada para salvá-la. O resto do grupo corre então atrás de um artefato que pode destruir a barreira ao redor de Zio, pois matá-lo parece ser a única opção para salvar Alys.

Infelizmente, o grupo não é rápido o bastante e a moça morre antes que tenham a chance de espancar o vilão até ele aparecer na próxima Terça Feira.

E por que você deveria se importar? O que torna esta cena mais impactante do que a morte de *GLUP* Aerith?

Primeiro, Alys é a líder do grupo durante todo o Ato I do game, Chaz pouco faz, exceto ser o parceiro mirim que chega a conclusões óbvias e dispensa carinho a menina gato do jogo. Quando Alys é ferida, Chaz relutantemente toma seu lugar como líder da equipe, é o momento em que ele abandona sua infância e assume as responsabilidades de um adulto.

Em Final Fantasy VII, Cloud não evolui de fato com a morte de Aerith, ele apenas a usa como pretexto para ser mais emo. Não é até quase o fim do Disco 2 (e claro, somente com a ajuda de Tifa) que ele supera todos os seus problemas e se torna um líder eficaz para sua equipe.

Segundo, Alys é mostrada como uma caçadora de recompensas linha dura, que não tem problemas em extorquir um professor de seus fundos de casamento, ou de intimidar qualquer um que a deixe infeliz. Seu sacrifício mostra que ela tinha um carinho praticamente maternal para com Chaz, uma vez que ela não pensou duas vezes em tirar o menino do perigo quando a situação apertou. O momento que a firma como uma pessoa mais calorosa do que seu exterior demonstrava, também é o momento de sua morte.

Você pode argumentar que Aerith se sacrificou pela humanidade, mas ficar parada em um pedestal enquanto Sephiroth a transformava em Shish-Kebab não é uma demonstração muito eficiente disso. Morrer pra salvar uma pessoa querida por um puro instinto materno é algo muito mais plausível do que fazer o mesmo para “salvar a humanidade”.

Finalmente, o jogo deixa bem claro que a equipe mordeu mais do que podia mastigar ao enfrentar Zio. Até este ponto na história, o grupo tem apenas ataques especiais básicos e equipamento pouco melhor que um estilete. Enfrentar o sumo sacerdote do mal é uma PÉSSIMA idéia, mas os heróis vão assim mesmo e em sua arrogância, pagam caro. A perda de Alys ajuda todos a amadurecerem e avaliarem melhor suas alternativas diante de obstáculos futuros.

Ok, Sephiroth é apresentado como um COMPLETO MONSTRO quando mata Aerith, mas sejamos francos... quantas abominações gigantescas Cloud e sua trupe enfrentaram até o final do Disco 1? Até este ponto no jogo, Aerith podia ter controle sobre seu Limit Break de nível 4, capaz de restaurar toda a energia do grupo e os deixar invencíveis por um certo limite de tempo.

Sem mencionar que até o momento da morte de Aerith, o grupo possivelmente já tinha controle sobre UMA PORRA DE UM DRAGÃO (Bahamut, pra quem não sabe). É difícil acreditar que gente com um potencial de poder tão grande não podia fazer nada contra um cabeludo armado com um espeto de churrascaria glamourizado.

E ainda digo mais, Aerith é praticamente esquecida após sua morte (exceto por jogadores que passaram 36 horas a evoluindo), a única menção a ela é quando a vemos de relance cultivando flores em sua cidade natal, em uma cena tão rápida que pode ser confundida com um bug de programação do jogo.

Em Phantasy Star IV, Alys é enterrada na vila onde passou seus últimos e agonizantes dias e Chaz pode visitar seu túmulo sempre que quiser dar uma choradinha. Mais ainda, podemos visitar a casa onde Chaz e Alys moravam, e mexer nas coisas da garota após sua morte traz uma sensação de perda incrível.

Square Enix, ainda estou esperando vocês fazerem melhor.

Suikoden II

A série Suikoden é uma espécie de Phantasy Star da Konami. Os jogos são divinamente bem escritos e possuem um elenco fantástico, mas nunca conseguiram brilhar como Final Fantasy ou Dragon Quest, provavelmente pela ausência de CG’s mirabolantes ou Akira Toriyama.

Basicamente, cada game da série mostra um período de crise em um reino e a guerra que consequentemente acontece. O jogador guia um herói escolhido pelo destino para ser o líder de um exército que trará paz a terra.

O negócio é que Suikoden muitas vezes pinta a história em tons de cinza e o exército inimigo não é necessariamente composto de vilões sanguinários. Salvo algumas exceções, são apenas pessoas com um ponto de vista diferente, que decidiram utilizar de meios mais drásticos para vencer o conflito.

Suikoden II é um exemplo perfeito disso.

A história começa com Riou e Jowy, amigos de infância que unem-se ao exército e partem para lutar em uma guerra que não entendem direito. Eventualmente, os oficiais decidem sacrificar seu pelotão, para usá-los como mártires, o que supostamente serviria como exemplo para as demais tropas.

Riou e Jowy descobrem o plano, soltam um sonoro “vá se foder” e desertam. Os dois se separam, mas eventualmente voltam a trabalhar juntos, desta vez com um grupo de mercenários que pretende colocar abaixo a tirania de seu reino.

Em meio a guerra presenciamos inúmeras atrocidades. Luca Blight, o insano líder do exército inimigo, executa camponeses sem nenhuma cerimônia. De fato, ele faz uma mulher andar de quatro e roncar como um porco, só pelas risadas que isso traria, antes de executá-la.

Há também Pilika, a menininha que se torna amiga de Jowy após seus pais o salvarem. Em um ponto da história, o exército de Luca Blight atravessa a vila de Pilika e executa a todos que encontra, a menina escapa, mas antes de ser encontrada pelos heróis, tenta acordar seus pais que de acordo com a descrição da menina, estavam “desmaiados em cima de uma coisa vermelha viscosa, que não parava de sair deles”.

Pilika tem entre 4 e 5 anos. Acredito que sua reação é bastante adequada pra idade.

Riou e Jowy aliás, se vêem em lados diferentes da guerra. Jowy se enfiltra no exército de Luca Blight e aos poucos sobe hierarquicamente, até que finalmente torna-se rei. Ao fazê-lo, ele não acaba simplesmente com o conflito, mas finalmente entende o ponto de vista daqueles que costumavam ser seus inimigos e prossegue com a batalha, o que o coloca em rota de colisão com seu antigo melhor amigo.

Riou ainda tem uma irmãzinha hiperativa e fofinha, Nanami, que não larga de seu pé em momento algum da história. Pois bem, próximo do fim do game, ela é ferida mortalmente em batalha e dependendo das ações do jogador (por exemplo, se recrutou todos os 108 personagens de seu exército), ela pode ter uma morte agonizante e horrível, ou pode ficar melhor depois.

E o jogador também tem a opção de matar Jowy com as próprias mãos em um conflito final.

Claro, estas opções acontecem no final ruim, mas a menos que jogue com um detonado do lado (FRACO) não há como saber disso e é possível deixar passar algumas das coisas que levam ao final bom.

Considerando o tanto de gente que fez finais horríveis e tristes em Suikoden, por não ter a menor idéia de como chegar ao final bom, não é de se espantar que a série seja tão pouco conhecida hoje em dia.

Chrono Cross

Chrono Cross é a segunda continuação do icônico Chrono Trigger. A primeira foi Radical Dreamers, game sobre o qual escrevi há MUUUUUUUUITO tempo, quando ainda era jovem e o peso do mundo não tinha destruído o meu espírito.

Pois bem, Chrono Cross é um dos games mais queridos do PsOne até hoje. Prova disso é a quantidade de gente que me pede para escrever um review a seu respeito, o que só não aconteceu ainda porque não tive tempo de rejogá-lo recentemente.

Mas bem, Chrono Cross tem uma história complexa e absurdamente rebuscada, que mesmo pessoas que já o tenham terminado doze vezes não entenderam o enredo em todos os seus aspectos. Qualquer um que diga o contrário está mentindo e deveria ser estuprado pelo Belo Ursinho Fritz depois de ser espancado feito uma putinha banguela.

O jogo tem diversos momentos tocantes, mas a história gira ao redor de Kidd, uma loirinha gatinha com uma personalidade tão explosiva quanto um Irlandês e com a pronuncia tão boa quanto um Australiano.

O negócio é que Kidd cresceu em um orfanato. Lembram de Lucca, a nerdzinha bonitinha de Chrono Trigger e que todos queríamos que fosse o par romântico do herói? Digo, ok, Crono ficou com a princesa Marle no fim, mas ela tinha tanta personalidade quanto uma piriguete viciada em descongestionante nasal! Porque a garotinha inteligente de óculos fundo de garrafa não tinha o mesmo apelo diante das gônadas do herói?

Se bem que psicologicamente falando, existe uma teoria de que pessoas de sexos opostos que passem os primeiros seis anos de vida juntos ficam dessensibilizados para a presença um do outro e na maioria dos casos são incapazes de sentir atração quando crescem. Crono e Lucca são amigos de infância, então...

...

...

...

Por que raios estou explicando a dessensibilização sexual de personagens de um game com mais de 15 anos de idade? Jesuis, acho que despiroquei de vez.

ENFIM, após o fim de Chrono Trigger, Lucca abriu um orfanato e Kidd foi a primeira criança que ela adotou. Por que uma cientista de repente resolve ser mãe de uma centena de crianças, jamais entenderei, mas aplaudo sua decisão.

O negócio é que Lynx, o vilão do game, decidiu uma noite incendiar o orfanato e matar a todos que lá residiam, provavelmente porque perdeu um capítulo de Jersey Shore e precisava arranjar uma maneira construtiva de ocupar sua Sexta Feira. É esse ato de vilania que motiva Kidd a crescer para ser uma menina durona, que quer arrancar os olhos de Lynx por sua uretra.

Mas antes disso, ela era uma menininha normal e tão sensível quanto qualquer outra.
Caso em questão: em um momento da história, o heróis Serge tem a opção de voltar no tempo, exatamente para a noite do grande incêndio no orfanato. Nessa hora, ele resgata Kidd e foge com ela para um morro próximo, onde a menina vê sua casa e família queimarem, sem poder fazer nada a respeito.

Lógico, ela chora e ganha um abraço do herói... que desaparece logo em seguida, pois precisa voltar ao seu tempo. Neste momento, Kidd tem um chilique e grita “Não, não me deixe você também! Por favor! Eu não quero ficar sozinha!”

Claro, ao voltar para o presente, o herói reencontra a versão adolescente de Kidd, mas é difícil não pensar na tristeza e desespero da menina, na noite em que perdeu tudo e a única pessoa que parecia se preocupar com ela simplesmente desapareceu no ar.

E assim ficamos mais motivados ainda em transformar Lynx em sarapatel. Boa cartada, Squaresoft, bons tempos que vocês podiam lançar games novos e criativos, e não prostituiam o elenco de Final Fantasy VII indefinidamente pra descolar um troco fácil.

Eu gosto de Final Fantasy VII, eu juro.

Persona 4

Definitivamente, Persona 4 é um dos meus games favoritos de todos os tempos. Um dos últimos títulos de peso a serem lançados para o Playstation 2, em uma época em que todo mundo se preocupa cada vez mais com alta definição, gráficos imbecis e orçamentos milionários, Persona 4 nos mostrou que sem uma grande história, nada disso realmente importa.

Aqui, o jogador guia um rapaz que vai morar com seu tio em uma cidade do interior. Tudo muito bom, tudo muito bem, até que ASSASSINATOS MISTERIOSOS COMEÇAM A OCORRER NA REGIÃO!!! OHHHHHH, OS MEUS SAIS!!!

A polícia nada pode fazer, pois uma força sobrenatural está por trás dos crimes. Resta ao protagonista e seus amigos (que tem poderes, não tão convenientemente assim) investigarem os acontecimentos e tentarem resolver o mistério, antes que seja tarde demais.

O herói (que aliás, você nomeia) também precisa fazer malabarismo e equilibrar o dia-a-dia com a resolução do mistério. Ele não pode descuidar da escola, de sua vida social ou da familiar e é aí que entra Nanako.

Já falei dela aqui, Nanako é a menina mais adorável da história dos games e grande parte disso se deve ao potencial de “ooohhhh, quero cuidar dela e lhe fazer cafunés” que a personagem apresenta.

Pra começar, Nanako é órfã de mãe. Quando era menor, sua mãe foi atropelada enquanto ia lhe apanhar na escolinha infantil, seu pai policial ficou tão estressado com o acontecimento, que esqueceu da filha... que passou o dia inteiro na escolinha, esperando pela mãe que não mais podia ir buscá-la.

Então, Nanako cresceu e aos poucos seu pai se distanciou dela. Em parte porque se afundou no trabalho e queria encontrar o responsável pela morte da esposa, mas também, porque não sabia como lidar sozinho com a filha.

Graças a isso, Nanako assumiu responsabilidade pela casa, passou a cozinhar, lavar e fazer compras. A relativa indiferença de seu pai também a tornou introspectiva, Nanako não tinha amigos de sua idade e passava todo seu tempo livre assistindo televisão.

Eis que o protagonista entra na vida da menina e passa a tratá-la como a irmãzinha que nunca teve, ele assiste televisão com Nanako, a leva para passear com sua turma de amigos (que a “adota” de imediato e tem um tremendo xodó por ela), a ajuda com a lição de casa, cuida dela quando ela fica doentinha e supre boa parte da ausência que a família faz na vida da pequena.

Nanako por sua vez, fica apaixonada pelo protagonista e sempre o recebe com um caloroso “Bem vindo de volta, irmãozão!” quando este chega da escola!

Fala a verdade, você quer apertar as bochechas da menina!

Então O MAL ATACA!!! E Nanako é vítima do assassino misterioso da cidade. O herói e seus amigos a salvam, mas não rápido o suficiente e Nanako fica em coma, e é aí que Persona 4 começa a estragar seu dia.

Você pode visitar Nanako todos os dias no hospital, mas não há o que fazer, sua situação piora a cada momento que passa. Mais ainda, quando a menina está no hospital, não há ninguém em casa para recebê-lo após a aula e sem o “bom dia irmãozão” de Nanako, a sensação de solidão na casa do herói é quase insuportável.

E ainda tem mais. Se tomar as decisões erradas, Nanako tem uma morte terrivelmente agonizante no hospital, que você testemunha em primeira mão. Sim, finais ruins são uma constante neste artigo, mas Persona 4 praticamente nos joga em direção do final ruim, é muito difícil ignorar nossos instintos e tomar as decisões erradas, motivados pela vontade de punir quem fez mal a nossa fofinha.

Exato, DOIS finais bons! E da primeira vez que jogar, é quase certeza que você deixará Nanako morrer.

Acho que poucos games se esforçam tanto para nos fazer sentir culpa quanto esse.

Gears of War 2

Gears of War é possivelmente a série mais DE MACHO da história dos games. Acredito que seus criadores tem pôsteres do Manowar cobrindo as paredes de seus escritórios, pois este tipo de série só nasce em um ambiente infestado de testosterona, com bombados semi nus fazendo pose por todos os lados.

De acordo com meu raciocínio, Gears of War poderia ser criada em uma boate gay de strip tease... devo guardar este raciocínio para pesquisas futuras.

Enfim, os fãs da série são igualmente cheios de testosterona e a defendem como se fosse a melhor coisa desde o surgimento do pão enlatado. De facto, quando escrevi um review do jogo, muitas pessoas me xingaram nos comentários enquanto outras acharam que podiam me ensinar a fazer meu trabalho.

Mais de facto ainda, o povo do Portal Xbox criou um tópico só pra me xingar e à meu review. Alguns dos membros do site até se questionaram “quanto a Sony me pagou para eu criticar Gears of War”.

Eu juro, queria viver no mesmo mundo que esses orangotangos. Pelo menos eu seria bem pago pra escrever sobre games.

Mas deixando meu pití de lado, Gears of War é uma boa série. Ela só tem um fiapo de história, mas a ação compensa por isso... não que precisemos de uma grande motivação para atirar na cara de um alienígena DO MAL com uma espingarda quando a chance aparece.

Gears of War 2 tentou ir um pouco mais fundo com o enredo e colocou a trama romântica na história. Um dos membros do pelotão de heróis, Dom, teve a esposa seqüestrada pelos alienígenas DO MAL durante o dia da invasão, ou bem perto disso. Como resultado, ele não vê sua mulher há 11 anos.

Então, em Gears of War 2, Dom passa TODO seu tempo livre dizendo o quanto ama sua mulher, o quanto ela é cheirosa e linda, o quanto tudo será perfeito quando ele a resgatar, como terão filhos loiros de olhos azuis e como aos domingos toda a família irá deitar junta na cama e rir das tiras de Calvin no jornal.

Ok, eu sou um romântico incorrigível (meu artigo passado prova isso), mas não entendo como o pelotão de Dom não encheu seu rabo de balas e o jogou em uma vala. Pelo amor de Deus, tudo tem limite, até romance!

Mas então, eis que próximo ao fim da história, Dom reencontra sua amada! OH!!! QUE LINDO!!! O AMOR TRIUNFA AFINAL! VIVA! HURRAH! BAZINGA!!!

Exceto que Gears of War foi desenvolvido para agradar adolescentes cheios de hormônios que se acham durões e não adultos. Lógico que a história não teria um final feliz, ou milhares de moleques de 14 anos ao redor do mundo teriam ataques histéricos.

Pois quando Dom reencontra sua amada esposa, ela está esmilinguida e catatônica e não se lembra mais dele, pois acabou de passar uma década sendo torturada e experimentada pelos alienígenas DO MAL que a capturaram. A Dom só resta UMA coisa a fazer, enfiar uma bala na testa da esposa e partir em busca de vingança, o que provavelmente ainda será sua motivação em Gears of War 3.

Os jogadores de Gears of War aprendem então uma valiosa lição sobre a vida: amor é supervalorizado e perde sua importância quando temos a oportunidade de balear coisas na cabeça.

Por algum motivo, acho que Charlton Heston concordaria com esta lógica.

The Last Guardian

The Last Guardian sequer foi lançado, mas é no momento um dos games mais aguardados para o Playstation 3. E como não seria? Está sendo produzido pela mesma equipe responsável por Ico e Shadow of the Colossus.

Aqui, veja o trailer! Não é adorável?

Mas sejamos muito sinceros, este game só pode acabar de um jeito: o menino ou o bebê grifo, um deles vai morrer.

De fato, o site Penny Arcade até fez uma tira reconhecendo estas duas possibilidades.

Então... é, tou deprimido com este game desde já.

Dead Island

E mais um game que ainda não foi lançado, o que fará este artigo parece inacreditavelmente ultrapassado ano que vem, quando este título já estiver velho e sua continuação cada dia mais próxima.

A história do jogo foca-se em uma ilha paradisíaca de férias, que de repente se torna cenário de um apocalipse zumbi. Os sobreviventes precisam dar um jeito de afastar as hordas de mortos vivos e saírem inteiros do lugar. O diferencial é que não haverão armas de fogo dando sopa como em outros títulos do gênero. Um hotel em uma ilha tropical não é o lugar mais propício do mundo para armas e munições pipocarem inexplicavelmente.

“E o que isso tem a ver com games tristes, Amakusa?” Bem, o trailer de lançamento do game consegue estragar o dia de qualquer um.

Heim! Heim! Que tal? Sentiu um aperto no peito?

Não?

Bem, então lamento informar, mas você deve ser o Dr. Mengele!

SEU MONSTRO!!!

Kana’s Little Sister

E para encerrar, temos um game Hentai...

“HENTAI!!! VOCÊ É LOUCO, AMATERASU??? COMO SE ATREVE A COLOCAR UM GAME PORNÔ EM UMA LISTA DE JOGOS MELANCÓLICOS??? COMO??? COMO??? ESPERO QUE O URSINHO FRITZ...”

CALE-SE!!! VOCÊ NÃO ESPERA NADA!!!

O Ursinho Fritz trabalha pra mim, não se atreva a tentar usá-lo contra minha pessoa.

E olha só, diferente da cultura Ocidental, que faz a associação “Sexo=Pecado” os Japoneses não vêem muito mal em produções adultas. Pra eles é só mais um gênero e muitos caras graúdos da industria dos Animes já trabalharam com desenhos Hentais.

Diabos, a Enix lançava games eróticos antes de emplacar Dragon Quest!!! Como se atrevem a me julgar?

Harunf, harunf!!!

Enfim, Kana’s Little Sister foca-se em Kana a “little sister” do título, que tem uma doença terminal horrenda e que mantém uma relação incestuosa com seu irmão adotivo, como é tradição no Japão.

Vou ser muito sincero, não joguei este game por completo e não tem nada a ver com o fato de ter pessoas constantemente atrás de mim enquanto uso o computador (INFERNO DE VIDA!!!). O negócio é que os primeiros cinco minutos de jogo me deixaram tão deprimido, que achei melhor desligar o PC e fazer algo mais animado, como assistir A Lista de Schindler.

A melhor descrição de Kana’s Little Sister veio do meu amigo Nando: “Esse jogo é tão depressivo, que depois que eu fiz o primeiro final ruim, eu precisei jogar o game inteiro de novo, só pra fazer o final bom e me sentir menos mal.”

Pois é.

Então joguem até o final e depois me digam o que acharam, de preferência antes de ingerirem um vidro inteiro de tranqüilizantes.

E por hoje eu fico por aqui. Sim, sei que não falei de Metal Gear Solid, mas aquela série tem tantos momentos depressivos que merece um artigo só seu.

Antes de ir, quero que visitem o site do Projeto Oban, mantido por um grupo dedicado de fãs da série Oban Star Racers, um dos Animes mais brilhantes que tive o prazer de assistir nos últimos anos. Dêem uma olhada, eu acho que vocês vão gostar.

Agora eu fui. Volto um dia desses.

Cheers!!!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Saga da Garotinha Ruiva

Alou queridos, como estão?

Uau, faz muito tempo que não atualizo o blog... bom, nenhum deles. Pra colocar em perspectiva, desde meu último artigo, passou tempo o suficiente pra rolar uma revolução no Egito. Santo pão de mel!

Mas há uma explicação perfeitamente plausível para isso, vejam bem, já faz algum tempo que estou desempregado. Não escrevo mais para as revistas da Editora Europa por motivos que não vêm ao caso.

Mas isso não significa que estou parado, tenho trabalhado feito uma mula poduzindo conteúdo para duas empresas, na esperança de que algumas delas goste o suficiente de mim e decida contratar meus serviços. Graças a isso, tenho muito pouco tempo livre e ando preferindo dedicar a folga que me resta aos prazeres simples da vida, como sair com amigos (algo que estou fazendo em freqüência muito maior do que o normal), assistir bons filmes ou jogar videogames, um prazer que ironicamente eu não tinha tempo de aproveitar quando trabalhava com eles.

Ainda não joguei Gears of War 2, só pra dar um exemplo.

E também estou tentando dar um jeito na minha saúde, que não anda lá essas coisas. Ganhei peso excessivo ano passado por causa dos milhares de problemas que me encheram e graças a isso, meu joelho começou a doer. Como não quero que ele exploda antes de meus 40 anos, iniciei um regime meio hardcore, que pelo menos até agora, parece dar resultados.

Sem contar minha eterna exaustão, lembrança de minha época como redator de games. Trabalhar neste meio é uma das coisas mais brutais do mundo, uma vez que tem horário para se começar o expediente, mas não para terminá-lo. Dois amigos meus do ramo estão, neste exato momento (Sábado à noite) fazendo fechamento de revista.

Enfim, meus horários andam bastante zoados graças ao trabalho com games, não tenho horário pra dormir, comer nem nada disso. Claro que quando seu corpo de trai desta forma, é difícil manter a mente clara o suficiente para trabalhar com processo criativo.

Mas aos poucos estou me consertando. Com sorte, em algumas semanas estarei de volta a minha velha, linda e cheirosa forma.

E como já deu pra notar, o artigo de hoje vai ser um delírio megalomaníaco onde falarei sobre mim, MIM, MIIIIIIM!!! Bem, o blog tem meu nome, acho que de vez em quando é justo que eu viaje sobre assuntos mais pessoais.

Sobre o que escreverei então? Contarei a vocês a história da garotinha ruiva.

Vêm comigo!

Quem acompanha o blog com certa assiduidade já conhece minha paixão por ruivas. Aquelas meninas de pele bem branquinha, muitas vezes cobertas de sardas e com cabelos da cor de magma incandescente. De fato, sou tão encantado por ruivas que já dediquei um artigo inteiro a elas.

Não que as demais mulheres não tenham seu charme também, sou um defensor radical da opinião que todas as mulheres, de todas as cores, tamanhos e origens, são lindas quando se valorizam e se cuidam. Já escrevi um artigo sobre as morenas mais lindas do mundo e pretendo dedicar alguns textos mais às loiras, negras e asiáticas.

Atitude esta que certas pessoas considerariam machista... mas que vão pro Inferno.

Mesmo não me prendendo a um padrão de beleza só, admito que ruivas me encantam em uma escala fora do normal. Se quer me ver parar no meio da rua com olhar abobado e sorriso imbecil, basta que eu cruze com uma ruivinha na rua, passarei o resto do dia pensando nela e em como ela é linda e perfumada, mesmo que não tenha me aproximado o suficiente para sentir seu cheiro.

Mas de onde veio esta obsessão, se é que podemos chamá-la assim? Digo, nunca acorrentei uma ruiva à minha cama e quebrei suas pernas para não fugir enquanto a alimentava apenas com Froot Loops, isso me qualifica como mentalmente sadio, não?

Bom, independente de meu estado mental, o fato é que por ANOS tive esta queda por meninas de cabelos rubros, simplesmente porque a primeira moça por quem me apaixonei era ruiva.

Eu já contei essa história parcialmente aqui, mas acontecimentos recentes me fizeram pensar que é hora de revelar todos os detalhes.

Bom, todos já tivemos dez anos uma vez, non? Aquela época da vida em que meninos consideram TODAS as meninas como um inimigo absoluto. Lembram de filmes infantis dos anos 80, em que os meninos tinham um clube e não permitiam a entrada de nenhuma garota? Pois é, era basicamente aquilo. Snake Eyes e Doc Brown eram nossos pastores e isso é tudo que nos bastava.

No entanto, não tínhamos objeções no tocante a MULHERES. Todo menino de dez anos (eu incluso) é um taradinho em potencial, com poderes sobrenaturais e infalíveis que lhe permitem encontrar as Playboys de seu pai ou irmão mais velho. Eu mesmo passava horas admirando aquelas mulheres lindas e curvilíneas da mencionada publicação, não saberia o que fazer com uma modelo nua se ela caísse no meu colo (provavelmente, pediria pra ela ser a Rainha Ahamis, pra podermos brincar de Changeman), mas diabos, como eu as admirava.

Inclusive, é um FATO CIENTÍFICO (na verdade não é, mas que se dane) que todo menino já foi avassaladoramente apaixonado por uma mulher mais velha, seja sua professora, sua prima, aquela vizinha sobre o qual nada sabíamos. Colocariamos fogo em uma menina de nossa idade se tivéssemos chance, mas nos curvaríamos aos desejos de uma mulher mais velha, se ela assim o ordenasse.

Eis que chegamos à puberdade e tudo em nossas vidas começa a mudar. Queremos o máximo possível de distância de nossos brinquedos e deixamos que nossas mães os doem (algo de quem nos arrependemos brutalmente no futuro), passamos por aquela fase em que apenas filmes de terror ultra-gore nos entretêm e xingamos o Superman de todos os nomes possíveis, porque comparado ao Batman, ele não passa de um viado.

Não importa a idade, todo mundo adora o Batman.

E é neste momento que nossos colegas de escola começam a mudar também, algo que é muito mais notável nas meninas, algumas ficam peitudas do dia pra noite, outras se tornam ridiculamente altas, a gordinha da turma de repente fica com curvas bastante notáveis e todos damos graças a Deus pelas camisetas brancas de uniforme escolar, fabricadas de um misterioso material semi-transparente que nos permitia vislumbrar os sutiãs novos de nossas colegas.

Você fazia isso também, nem se atreva a me olhar desse jeito.

Não vou mentir, nestes dias tão estranhos, eu reparava em todas as minhas colegas e acabava caindo por várias delas. Nada sério, apenas pensava nelas durante o dia, em algumas, de forma mais impura que em outras.

Eis que uma se destacava entre todas elas. A garota tinha voz anasalada, era sardenta, quietinha e tinha cabelos da cor do magma, isso aí, era a garotinha ruiva.

Por algum motivo que para mim não era claro, ela me atraía mais que as demais garotas. Não tínhamos absolutamente nada em comum, exceto que como eu, ela era muitas vezes o alvo das piadas da sala. Em menor escala do que este que vos fala, mas isso não importa agora.

Minha mãe conhecia o pai dela, não sei se pelo fato de sermos colegas ou por algum evento anterior a isso, mas de certa forma, o fato de nossos pais se darem bem fez com que nos tornássemos algo entre colegas e amigos. Conversávamos vez ou outra, mas nunca nosso relacionamento nunca evoluiu mais do que isso.

Eu nunca me aproximei muito dela, mas a admirava em segredo. Sempre que a aula acabava, eu observava cada um de seus passos, até o outro professor chegar. Não sei como conseguia ser discreto com isso, talvez fosse o medo de ser ainda mais aloprado pelos meus colegas caso percebessem meu interesse na garota.

Eis que o ginásio acabou e fui para o colegial. Minha mãe me transferiu para um novo colégio e passei um ano sem ver ou pensar na ruivinha... até o dia em que ela também foi transferida para o novo colégio.

Pois é.

Como éramos estranhos em uma nova escola, nos aproximamos um pouco mais. Nos falávamos brevemente durante a hora do intervalo e ela até me telefonou algumas vezes, quando percebíamos que não tínhamos assunto para permanecer mais do que dez minutos no telefone e eu começava a discorrer sobre a Liga da Justiça de Keith Giffen, só para ela não desligar.

Que foi? Você nunca fez merda na adolescência?

O fato é que eu não tinha certeza sobre o que sentia por ela, só sabia que tinha um apego enorme pela garotinha ruiva. Eu sou um daqueles caras que amadureceu emocionalmente muito tarde. Mesmo hoje, não sei como agir em certas situações.

Um belo dia, quando ambos estávamos com 16 anos, a vi bem grudada com um cara no corredor da escola. Ao perceber minha presença, ela me saudou de forma bastante fria e não falou muito mais além disso, no entanto, ela fez algo que valia mais do que todas as palavras do mundo. Lembra dos uniformes escolares semi transparentes que mencionei? Outra particularidade sobre eles, é que dependendo de como fossem esticados, colavam no corpo das pessoas como lycra e acentuavam todas as suas formas.

Ela segurou na barra da camiseta e a puxou para baixo, o que automaticamente destacou todas as suas curvas, a garotinha ruiva havia se transformado em uma linda mulher de cabelos vermelhos e o olhar fulminante que ela me lançou deixava bem claro o que se passava em sua mente: “Olha o que você perdeu!”

E foi neste momento que percebi porque pensava tanto nela, eu estava apaixonado.

Antes que me censurem, eu era extremamente tímido, até hoje sou, por mais que não pareça. As vezes fico sem jeito para telefonar pra amigos que conheço há mais de uma década, e isso aos 30 anos. Me declarar pra alguém (ainda mais sem ter certeza do que sentia) aos 16 era uma tarefa impossível para mim.

E então o tempo passou. Me interessei por outras mulheres, tive uma dose de relacionamentos extremamente curtos (alguns mais saudáveis que outros) e um sem número de fracassos amorosos, algo que acredito ser bastante normal para a maioria das pessoas.

Mas apesar de sempre estar aberto a novas relações, a imagem da garotinha ruiva nunca me deixou, meninas com cabelos vermelhos sempre me hipnotizaram, não importando a situação.

E porque diabos estou contando essa história agora? Você deve estar pensando.

Acontece que alguns dias atrás, eu reencontrei a garotinha ruiva.

Era uma quarta-feira de manhã e eu ajudava minha mãe a fazer as compras do mês. Atividade que odeio com todo o meu coração e que só é minimamente tolerável graças ao meu MP3 sempre carregado com o programa de radio de Opie & Anthony.

Em um certo momento, minha mãe foi apanhar legumes e eu fiquei tomando conta do carrinho de compras, eis que quando comecei a sorrir por causa de uma piada cruel feita no radio as custas de Mel Gibson, percebo uma ruiva também comprando legumes. Logo, ela se virou e pude ver seu rosto, era A MINHA garotinha ruiva.

Antes que perguntem, não, não falei com ela. Passamos mais de uma década sem nos ver, o que eu diria? Sem contar que sempre que dou atenção a alguma mulher com minha mãe presente, ela dá um jeito de fazer uma cena e era algo que eu não precisava naquele dia.

Totalmente estupefato, a admirei como não fazia com uma mulher há muitos anos, eis que a primeira coisa que vem a minha mente é “o anos não foram bons com ela.”

Ok, deixa explicar. De forma alguma ela estava feia, não senhor, ela continuava tão linda quanto na última vez que a vi no colegial, seus cabelos ruivos em contraste com sua pele clarinha e sardenta ainda eram uma visão belíssima. Ela também usava um vestido simples, porém elegante, com um enorme decote na frente, o que permitiu-me vislumbrar que mesmo aos 30 anos, ela ainda tinha um corpo que faria inveja a muitas adolescentes.

O que havia de errado então? Simples, ela havia perdido o “brilho.”

Por alguma razão, ela parecia uma pessoa cansada, abatida, que havia deixado o peso do cotidiano e das responsabilidades da vida adulta esmagarem seu espírito. A primeira vista, ela me parecia um pouco amarga, mas quando chegou ao caixa (por coincidência, passamos nossas compras em caixas paralelos) ela ajudou uma velhinha, com um sorriso no rosto.

Gente amarga não sai de seu caminho para ajudar anciões, eles simplesmente desejam distância de todos. A garotinha ruiva havia se tornado uma mulher linda e gentil, mas sem o brilho do passado, o que teria acontecido?

Então percebi um anel em sua mãe esquerda, não sei se era uma aliança ou um anel comum, mas seria isso? Teria ela se casado e a vida em casal acabado derrubado seu espírito? Conheço muitas pessoas que se casaram muito jovens e se arrependeram amargamente, teria sido esse o destino da garotinha ruiva?

Matutei sobre isso o resto do dia e todo tipo de coisa passava pela minha cabeça. Como teriam sido as coisas se eu fosse mais maduro quando jovem e tivesse me declarado? Teria ela aceitado namorar comigo, ou a atração que acredito que ela sentia não passava de minha imaginação? Teríamos vivido uma relação intensa que duraria um mês, ou estaríamos juntos até hoje? E se nossa relação tivesse durado, estaria eu a fazendo feliz, mesmo com meus milhares de defeitos, ou teria tirado seu brilho também?

Eis que percebi que nada disso fazia diferença e que era hora de mandar a sombra da garotinha ruiva para o receptáculo fantasmagórico.

Não sei a explicação Freudiana para isso, mas o fato é que me sinto muito melhor desde esse dia. A garotinha ruiva sempre foi a mulher perfeita, imaculada,eternamente em um pedestal e eu idealizava todos os meus relacionamentos tendo ela como base.

Hoje sinto que estou mais aberto a me relacionar com uma garota, sem partir do princípio de que as coisas devem ser tão perfeitas quando o namoro que eu sonhei por anos em ter com a garotinha ruiva. Ainda tenho um trilhão de defeitos que precisarão de décadas de terapia para serem consertados, mas acho que pelo menos no aspecto emocional, estou um pouco melhor do que há alguns meses.

E... é, minha história termina aqui. Lamento decepcionar aqueles que esperavam um final empolgante como eu me aliar a um exército de ruivas que treinam pandas para dispararem lasers enquanto lutam contra os Soldados Hidler sob o comando da Dilma. Espero pelo menos ter ajudado aqueles que estão passando por algo semelhante.

Antes de ir, quero agradecer milhões de vezes ao genial Vitor Cafaggi, um dos artistas mais brilhantes do Brasil, que gentilmente me cedeu as imagens da mini MJ que ilustra este artigo. Ele é responsável pela tira em quadrinhos As Aventuras do Pequeno Parker, que contam de forma muito sensível e inteligente sobre a infância do nosso querido Homem Aranha. Se nunca viu seu trabalho, você devia ter vergonha na cara! Corrija este erro antes que eu mande o Belo Ursinho Fritz atrás de você!

E já que estamos aqui, visite também o blog Los Pantozelos, criado por Lu Cafaggi, irmã do Victor e igualmente sensível e genial. Algumas famílias são abençoadas com talento mesmo.

E por hoje fico aqui. Vou tentar postar artigos novos sem tanta demora, mas enquanto não o faço, vocês podem me acompanhar no Twitter ou me perguntar coisas no Formspring. Reclamo de coisas novas diariamente no primeiro e respondo (quase) tudo que me perguntam no segundo.

Agora, se me dão licença, vou jogar Marvel Vs Capcom 3.

Cheers!

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