segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Uma análise sobre a paixão por personagens fictícios.

Hoje quero discutir sobre um assunto que já me rendeu muita encheção de saco, aloprações e encosto: paixões por personagens virtuais.

Se você freqüenta o blog há algum tempo, deve saber que não faço questão de esconder meus sentimentos de adoração por mulheres animadas, desenhadas ou poligonais. De fato, escrevi a respeito disso não uma, nem duas, mas TRÊS vezes.

E também teve aquela vez que eu falei de ruivas.

E percebo que isso é algo razoavelmente comum. Vários leitores meus já demonstraram (de formas veladas e escancaradas) passar pelo mesmo e se apaixonarem por uma personagem ou outra de vez em quando.

Leitoras minhas admitiram se apaixonar por personagens de vez em quando, como uma certa moçoila que costuma deixar comentários e não esconde sua admiração por um certo andróide que trabalha na Enterprise, sob o comando do Capitão Charles Xavier.

Mas como eu disse, quem admite ser apaixonado por personagens sempre é atormentado por amigos ou desconhecidos.

Eu mesmo já fui muito aloprado por camaradas, que sempre usavam variantes da frase “Ah Amer, é só um desenho, deixa de ser nerd/otaku/otário.”

De facto, uma garota tonta entrou aqui uma vez e fez um enorme discurso nos comentários, porque me achava “doentil” e um mau exemplo para todos os que liam, que corriam o risco de ficar como eu.

Uau... queria ser tão influente assim...

Mas querem saber? Há um motivo perfeitamente aceitável para as pessoas se apaixonarem por desenhos, não é uma coisa de nerds abobados, solitários e masturbadores crônicos.

...

Bom, também pode ser, mas não exclusivamente.

Mas seja como for, todos aqueles que se apaixonaram por mulheres/cara virtuais, UNI-VOS!!!

Provarei hoje que não há nada de errado com nossas paixões e que todo o resto do mundo é composto de mandioqueiros hipócritas!!!

Pra começo de conversa, que atire a primeira pedra aquele que nunca foi apaixonado pela moça pernuda acima!

Tem até uma comunidade no Orkut chamada “Na intenção com a Chun Li” ou coisa do tipo. Esta comunidade prega que todo mundo já deu um “Pause” estratégico enquanto jogava com a moça e se... satisfez olhando para ela.

Basicamente, a comunidade deixa claro que 75% dos homens que jogaram Street Fighter II já bateram uma pra Chun Li.

Os outros 25% mentem.

Mas por que tanta gente se apaixona por ela? Bem, ela é bonita, a personagem foi criada para ser fisicamente atraente, com traços que são considerados quase que universalmente agradáveis para a população masculina.

Eu poderia passar horas descrevendo a gostosura da moça, mas isso me faria parecer um tarado imenso... se bem que a essa altura, vocês já devem saber dos 10 gigas de pornografia que tenho no PC...

Enfim, a mesma leitora sábia que gosta de andróides criados por Gene Rodenberry declarou que “A Chun Li é uma Chinesa com corpão de Brasileira” e acho que isso define bem porque ela é tão atraente.

Pelo menos na parte física, há também a personalidade da moça.

Chun Li é uma policial durona da Interpol, do tipo que não aceita merda de ninguém e discussões com ela normalmente são resolvidas com concussões causadas na pessoa que ousou levantar a voz.
E mais, após o fim de Street Fighter II (e IV, aparentemente) Chun Li decidiu atender a seus instintos maternais. Como ela fez isso? Procurando um sósia do David Boreanaz, fornicando e gerando várias miniaturas suas?

NÃO!!!

Ela adotou um monte de crianças cujas aparências variavam de “obesas e horrendas” a “adoráveis e seqüestráveis” e passou a treiná-las para lutarem kung fu. De facto, sua missão em Street Fighter III é resgatar uma de suas filhas que foi capturada por um dos vilões do jogo.

Mãe protegendo a cria, não tem como criar uma personagem feminina mais forte.

Enfim, ela é uma personagem muito forte, não apenas fisicamente, mas em sua personalidade também. Muitos caras (e muitas garotas, tenho certeza) admiram a personagem não apenas por sua beleza, mas por sua coragem, determinação e capacidade de fazer frente a verdadeiros monstros humanos.

Um personagem é uma idéia no papel. Quando um autor cria um ser, ele está idealizando o mesmo e colocando nele características que ele considera agradáveis ou desagradáveis, pois isto definirá a personalidade do sujeito.

Em outras palavras, quando nos apaixonamos por um personagem, não é apenas o desenho no papel que nos fascina, mas a idéia por trás dele com o qual nos identificamos. Caras que gostem de mulheres fortes e independentes podem se apaixonar pela Chun Li, ao passo de que quem gosta de garotas sexualmente seguras se sentirá mais atraído pela Mai Shiranui.

E claro, que gosta de colegiais lascivas e cheias de doenças venéreas vai adorar a Sakura.

Acho que já me fiz entender.

“Harlam, você ta inventando isso! Fica tirando raciocínios do cu pra justificar suas nerdisses! Você é um puto mesmo!”

Não estou inventando nada não e posso provar!

Sabe quem é esse cara?

...

Não, não é o Morpheus de Matrix se ele fosse velho e branco, é Edgar Morin!!!

Morin é um filósofo e antropólogo Francês, o que significa que estudantes de Jornalismo ouvirão falar MUITO dele ao longo do curso. Significa também que ele tem a mesma profissão da minha amada Bones, o que sem dúvida é um ponto a favor pra ele.

Pois bem, no meu trabalho de graduação, defendi que South Park e outros desenhos animados poderiam ser usados como forma de crítica social e usei o seguinte argumento de Morin como defesa de minha tese:

“O romancista se projeta em seus heróis, como um espírito vodu que habita seus personagens, e inversamente escreve sob seu ditado, como um médium possuído pelos espíritos (as personagens) que invocou.”

E tem mais:

“Esse universo imaginário adquire vida para o leitor e este é, por sua vez, possuído e médium, isto é, se ele se projeta e se identifica com os personagens em situação, se ele vive neles e se eles vivem nele.”

Não lembro qual foi o livro de que tirei este raciocínio. Peço desculpas a todos os quatro fãs de Edgar Morin por isso.

Enfim, o escritor coloca muito de sua personalidade, idéias, sonhos e desejos nos personagens que cria e o público recebe todas estas mensagens e as interpreta como forem melhores para ele.

Mary Jane Watson é a namoradinha do colégio, Selina Kyle é uma mulher independente e dominadora, Ravena é solitária e séria e a Chi Chi é uma dona de casa neurastênica e hipertensa.

Todos estes exemplos são personalidades que realmente existem, não são coisas criadas por artistas solitários e onanistas. Tenho certeza que você conhece pelo menos uma mulher que pode ser definida por uma das características acima.

E mais, não somos só nós fãs que adoramos personagens virtuais. Sabiam que John Byrne uma vez declarou ser apaixonado pela Mulher Hulk?

E quem não seria, não é verdade?

Digo, Byrne escreveu uma Graphic Novel em que não apenas a gostosa esmeralda aparecia semi nua em diversos momentos (e seus mamilos podiam ser parcialmente vistos em alguns momentos, algo impensável para a Marvel da época) como também ela perdia sua capacidade de voltar a forma humana fraca e magricela de Jennifer Walters.

Tudo bem que ela já deve ter recuperado essa habilidade, mas isso não importa agora.
O negócio é que Byrne adorava tanto a forma poderosa da heroína que ele não queria mais ter de vê-la como a fracote rosácea que ela era originalmente, o que indica que ele tem uma tara bem óbvia por mulheres grandes, musculosas... e verdes...

Se bem que eu também gosto dessa combinação e todo mundo pode ir pro Inferno.

Mas como podem ver, é perfeitamente normal que sintamos afeto por um personagem e o que ele representa. Vou dar dois exemplos práticos disso agora, um para os meninos e outro para as meninas.

Muito bem, esta é Frankie Foster, uma das personagens principais do desenho A Mansão Foster para Amigos Imaginários.

Desenho esse que é ducaralho, devo dizer.

Enfim, Frankie é a neta da fundadora da mansão, tem 23 anos e cuida para que tudo na casa funcione como deve. De facto, em um episódio ela some e a mansão praticamente começa a ruir sem sua manutenção.

Sua companhia mais constante é Mac, o protagonista do desenho, que visita a mansão todos os dias para estar sempre próximo a seu amigo imaginário Bloo. Ou seja, Frankie passa a maior parte do tempo na companhia de um menino e seres imaginários com personalidade infantil.

Como podem ver, ela possui um visual cartunesco. Frankie não foi desenhada para ser sensual, mas sim para representar uma mulher adulta que possui o espírito e a energia de uma criança, o que explica porque ela se dá tão bem com Mac e Bloo.

Mesmo assim...

... muita gente declaradamente cai de quatro por ela.

Aliás, essa imagem é o papel de parede do meu PSP.

Se buscar “Frankie Foster” no deviantART, verá dezenas de ilustrações feitas em homenagem a esta ruiva. E mais, as demonstrações de afeto para com ela não param em Fanart, há fóruns unicamente dedicados a ela.

Mas por que isso? Não há nada de atraente na personagem!

Bom, a idéia por trás dela é atraente. Como eu disse, Frankie é uma mulher de 23 anos que passa a maior parte de seu tempo com crianças e amigos imaginários que também possuem um comportamento infantil, e que não parece se interessar muito por romances adultos. Isso tem um significado especial para muitos dos espectadores do desenho.

Por quê?

Oras, porque TODO MENINO JÁ SE APAIXONOU POR UMA MULHER MAIS VELHA!!!

Todo garoto de nove ou dez já teve uma companhia feminina mais velha constante. Fosse a prima mais velha, uma amiga de sua irmã, a vizinha com quem brincava ou mesmo sua professora do primário.
Falo de uma paixão inocente, não de algo sexual. Daquela coisa pura que só uma criança é capaz de sentir por uma pessoa mais velha.

Pois bem, mesmo depois que crescemos, ainda temos uma certa lembrança inconsciente daquela mulher mais velha que passava tanto tempo conosco e de quem gostávamos tanto. Frankie é meio que a materialização em desenho destas paixões e é natural que tantos caras se sintam atraídos por ela.
Há inclusive um episódio em que Mac declara ser apaixonadinho por ela.

Pois é.

Do mesmo jeito que comer um doce que sua avó fazia o lembrará dos bons tempos que passou com ela, uma personagem com a descrição de Frankie o fará se lembrar de forma nostálgica de uma pessoa que foi especial pra você em algum momento.

Viu só? Não há nada de “doentil” nisso.

Agora, falemos de uma paixão platônica feminina.

Sim, é ele mesmo: O Wolverine!

Veja bem, Wolverine, não Hugh Jackman. Se bem que é espantoso que tantas mulheres sejam apaixonadas por ele, considerando que hoje em dia o padrão de beleza masculina são aqueles emos andróginos de Crepúsculo e não um sujeito grande e peludo como o senhor Jackman.

Mas voltando, o Wolverine dos quadrinhos é amado por muitas garotas.

Ele é baixinho, peludo, feio, carrancudo, mau humorado, beberrão, boca suja e provavelmente fede, considerando o tanto de álcool que ele ingere e as pocilgas que ele freqüenta.

Mas mesmo assim, muitas garotas são apaixonadas por ele. Isso poderia demonstrar que muitas mulheres sonham em namorar caras que parecem gorilas depilados, mas não é exatamente este o motivo.

O negócio é que mulheres são criaturas inseguras por natureza.

Todas.

De uma maneira ou de outra.

Se um cara quiser devastar a psique de uma mulher, basta ele dizer que ela está gorda. Sete gerações posteriores ainda sentirão mágoa pela ofensa.

Mas enfim, enquanto homens se preocupam com apenas UMA parte de sua anatomia (você sabe de qual estou falando), mulheres se preocupam com o corpo inteiro: cintura, tamanho dos seios, tamanho da bunda, tamanho dos pés, das mãos, volume da voz, se está piscando demais, falando demais, se colocou perfume demais, se sua pele está ressecada, se devia ter usado mais maquiagem, menos maquiagem, se não devia ter usado maquiagem... e por aí vai.

Mulheres passam a maior parte do tempo se sentindo inadequadas, por isso loiras querem ser morenas, morenas querem ser loiras, mulheres de cabelo cacheado fazem chapinha e as com cabelo liso pagam caro para fazer cachos.

Claro, todos somos inseguros em um nível ou outro, mas para as mulheres é diferente. Elas vivem em uma sociedade que constantemente as pressiona e diz que elas são feias, que precisam emagrecer, se bronzear, mudar a cor dos cabelos e não importa o que façam, nunca estarão "na média". Assista dois minutos de comerciais e verá do que estou falando.

Mas se elas estão com um cara seguro, isso tudo perde a importância, porque elas se sentem bem consigo mesmas.

E o Wolverine é um dos caras mais seguros de si que já apareceu nos quadrinhos. Sujeito tem 1,60 de altura (sim, essa é a altura oficial dele) e já peitou Fanático, Hulk, Wendigo e mais um monte de seres que fariam homens maiores e menos peludos cagarem nas calças.

Wolverine é um cara durão de verdade e sabe de uma coisa?

Caras durões tem coração mole.

Não falo de pit boys ou de machinhos de academia, falo de caras durões de verdade como motociclistas, ex-membros de gangues, soldados ou demais caras que passaram por coisas tão escabrosas que eu e você JAMAIS conseguiremos compreender.

Caras assim não tem nada a provar, eles não se importam com a opinião dos outros e não se gabam por serem durões, eles simplesmente são. Assim sendo, eles não se importam de serem gentis com aqueles que precisam, tampouco tem vergonha de demonstrar que são sensíveis quando é preciso.

O melhor exemplo que consigo pensar disso na vida real é o Rescue Ink. Um grupo de motociclistas imensos e ex-criminosos cheios de tatuagens que formaram um grupo que protege animais e investiga maus tratos aos mesmos.

Voltemos ao Logan, mesmo capaz de fatiar pessoas e sendo mais poderoso que um coma alcoólico, ele bancou a figura paterna pra inúmeras meninas sem orientação que conheceu ao longo dos anos.
Só pra citar as mais importantes: Kitty Pryde, Jubileu, Vampira e X-23.

Sem mencionar algumas personagens secundárias que ele salvou do perigo e com quem foi extremamente gentil, apesar de sua perpétua carranca.

E não é de se admirar que muitas garotas se sintam atraídas por um sujeito durão que consertaria seus carros pela manhã, jogaria bola com a molecada à tarde e mais a noite... as deixaria com um sorriso de orelha a orelha.

É, pois é.

Enfim, o ser humano é uma criatura social e não importa o quanto nos isolemos, sempre sonhamos com um companheiro perfeito.

Pode acreditar, eu me isolo e tento não pensar a respeito, mas mesmo assim, não consigo evitar.

Muitos personagens preenchem aquilo que consideramos ser o ideal em um companheiro e enquanto não encontramos alguém com tais características, é plenamente normal que sintamos um afeto especial por um ser em acetato ou polígonos.

Claro, afeto demais, como tudo na vida, pode ser um grande problema.

Por exemplo:

No Japão, existem travesseiros grandes que vem com imagens de heroínas de Animes impressas de corpo inteiro neles.

Pode parecer estranho, mas pense por esse ângulo: um fã de One Piece pode querer comprar um destes travesseiros com a Nami, para acrescentar a sua já grande coleção de produtos da série e valorizá-la ainda mais.

Entendo tal sentimento perfeitamente. Como fã de Hokuto no Ken, eu queria comprar uma daquelas estátuas em tamanho real do Kenshiro que são vendidas a 50 mil Dólares cada no Japão.

... um dia... um dia...

Mas enfim, se um cara compra um destes travesseiros para aumentar o preço de sua coleção (que será vendida no Ebay por sua viúva um dia após sua morte), é perfeitamente normal, mas um cara que carregue o travesseiro pra cima e pra baixo como se fosse uma namorada... bem, aí temos um problema.

Há muitos Otakus que compram tais travesseiros e os tratam como pessoas reais, passeando com eles e agindo como se fossem companhia vivas.

E isso é um problema grave. Do tipo que deve ser acompanhado por médicos especialistas e do qual não deveríamos caçoar.

... muito...

E há um outro exemplo sobre o qual penso sempre que toco neste assunto: Raksha!

Sim, Raksha! A fã abilolada da G1 (a série original de Transformers da década de 1980) e que conseguiu se alienar de praticamente toda a comunidade de colecionadores e fãs dos robozinhos.

E ela também carrega uma cobra de borracha pra todo lugar que vai, pra mostrar a “tremenda gótica” que é.

Raksha defende que só a G1 presta e tudo mais que foi feito com o nome “Transformers” é uma afronta a memória da série original.

Ela não é a única, claro. Conheço um certo fã quarentão que desligava o MSN na minha cara sempre que a conversa entrava em Transformers e eu provava que ele estava errado em tudo que dizia.
Bons tempos...

Mas o caso dela é bem mais grave. Raksha declarou que os Decepticons são “seres predatórios” e destruir a Terra para se aproveitarem de seus recursos é tão natural quanto um leão se alimentar de carne. E que os Autobots são fascistas por tentarem os impedir e por isso devem ser vistos como os verdadeiros vilões da série.

Raksha chegou ao cúmulo de chegar em David Kaye, um dos dubladores mais queridos das novas séries animadas e o agrediu verbalmente na frente de todo mundo.

“E o que isso tudo tem a ver com o tema do artigo, Harlem?”

Bom, Raksha também escreve Fanfics e na maioria deles, sua personagem “Nightbird” normalmente faz sexo com Megatron. E nestas histórias, a autora delira descrevendo as “pernas cromadas” de Megatron.
Eu sou fã de Transformers há mais de 20 anos e “pernas cromadas” não é a primeira coisa que me vem a mente quando penso no Megatron.

Aliás, não é nem a última.

Mas o caso é que Raksha e o gordinho que pediu a refeição para dois mais acima são casos muito extremos, em que a paixão pelos personagens e a divisória entre a realidade e a ficção se tornou quase inexistente.

Eles ficaram assim por consumirem os produtos que consomem? Não, provavelmente ambos tiveram vidas solitárias e miseráveis e preferiram se fechar em um casulo de ficção esquizofrênica ao invés de procurarem ajuda e tentarem melhorar.

E não é porque esses dois acabaram assim que todos acabaremos. Citei estes dois casos pra demonstrar que estou bem ciente dos males que paixões extremas por personagens virtuais podem causar.

Mas acredito que a maioria das pessoas não corre esse risco.

Pra finalizar, conheci muitas pessoas que caçoaram de minha paixão por mulheres inexistentes ao mesmo tempo que nutriam uma idolatração aguda por atrizes e demais mulheres de carne e osso que estão na mídia.

Alguns até se apaixonam por Tila Tequila, que acredito que é a versão humana de Uatu, O Vigia.

Pois muito bem.

Pra quem não conhece, esta é Fernanda Souza, uma das duas atrizes Globais por quem tenho enorme... admiração.

A outra é a Grazi Massafera, se você estiver curioso.

Pois bem, Fernanda Souza começou criança no X-Tudo e eventualmente foi parar na Globo, onde escalou a pirâmide das atrizes da emissora e foi parar no núcleo de novelas. Hoje ela atua na Novela das Seis... ou das Sete, não tenho certeza.

Antes de prosseguir, gostaria de dizer que assim que começou a trabalhar na Globo, Fernanda era curvilínea, tinha a aparência saudável e as lindas formas femininas que tanto adoro. As revistas de “boa forma” se referiam a ela como gorducha e ela foi forçada a se livrar de todos os quilos que não precisava perder.

Hoje ela não mais tem curvas e se tornou a magricela padrão da televisão Brasileira.
Uma pena, de verdade.

Mas enfim, tenho essa paixonite platônica pela atriz, que muitas pessoas podem considerar “menos prejudicial” do que gostar de uma mulher de desenho.

O negócio é que eu e Fernanda Souza vivemos em UNIVERSOS DIFERENTES. Mesmo ela morando a uma distância geográfica relativamente pequena (se não me engano, ela vive no Rio de Janeiro), há mais chances do Colisor de Átomos Europeu destruir a galáxia ao ser ligado do que o Amer e a atriz que é seu objeto de desejo se trombarem em um Shopping.

E mesmo que por um milagre nos encontrássemos, a chance de nos tornarmos amigos e eventualmente namorarmos seriam ainda menores, pois como eu disse, somos de UNIVERSOS DIFERENTES.
Neste caso, eu admiro apenas uma imagem, pois não sei de fato como ela é na vida real. Ela é (ou era, quando tinha curvas) linda, mas será que é uma boa pessoa ou é uma broaca quando está ao vivo e a cores?

É bem menos nocivo se eu me apaixonar pela Mulher Maravilha, pois estarei apenas me apegando a idéia de uma personagem forte, decidida e que tem um lado muito carinhoso, mas que só revela para poucos afortunados.

Ou seja, sempre estarei atento a uma mulher real com estas características, pois é aquilo que eu realmente quero.
E isso é basicamente tudo que eu tinha a dizer sobre isso, meus queridos.

Não tenha vergonha por gostar de personagens. Eu acredito que isso ajuda uma pessoa a definir o que acha valioso em um companheiro e o ajuda a reconhecer melhor as características que tanto admira quando a hora chega.

E foda-se quem achar que você está errado! Declare seu amor virtual o quanto quiser, porque verdade seja dita, essa é a melhor emoção que podemos demonstrar no dia-a-dia.

Cheers!!!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma análise sobre Comics e Manga.

Puxa vida, parece que faz uma eternidade que eu não atualizo o blog! Como vocês tão? Tudo certo? Conseguiram evitar de ir pra cadeia no último fim de ano?

Para os três de vocês que possam estar preocupados comigo após aquela exaustão suprema que me atingiu em Dezembro, podem ficar tranquilos, estou bem melhor. Não fiz ABSOLUTAMENTE NADA nas últimas semanas de 2009, exceto comer, dormir, assistir maratonas de desenhos (Ben 10: Força Alienígena, Ilha dos Desafios e Chowder) e joguei Blue Dragon... que não é tão bom quanto eu esperava.

Em outras palavras, estou bem descansado e meu cérebro voltou a seu estado operacional normal, o que permitirá que os dois blogs voltem a suas atividades semanais!

REJUBILEM-SE!

Mas mesmo descansado e bem humorado, eu disse que passaria o mês de Janeiro reclamando de coisas que me emputecem. Como pretendo cumprir ao menos uma das promessas que sempre faço aqui, decidi começar o ano com um tema que francamente me enche o ravióli.

Fãs de Comics e Otakus batendo boca sobre qual dos dois estilos é melhor.

Como vocês sabem, sou um nerd da velha guarda (quem ta chegando agora, tome nota disso). Comprei toneladas de gibis formatinho da editora Abril, cacei Anime em locadoras escondidas no bairro da Liberdade, gastei fortunas com encadernados e andei por círculos de fãs de ambos os gêneros por muito tempo.

Ou seja, já fiz de tudo um pouco no ramo da nerdisse.

Para começar meu artigo, vou responder uma pergunta simples: o que é melhor, Comics ou Manga?

Nenhum. Ambos se equivalem.

O negócio é que as duas formas de quadrinhos foram criadas em culturas totalmente diferentes e como tal, não deviam ser comparadas. É o mesmo que comparar Megadeth com Beethoven. Ambos são música, mas são tão inacreditavelmente diferentes que uma comparação entre eles é simplesmente retardada.

"Mas Amakusa, nós Otakus estudamos a Cultura Japonesa e a compreendemos muito bem!"

Não meu querido, você não compreende porque não nasceu lá.

Muitas coisas que os Japoneses fazem são completamente alienígenas pra nós, e apesar da Ocidentalização que rolou por lá desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a cultura Japonesa permanece uma ilustre desconhecida para nós.

Não é porque uma garota se veste de “Gothic Lolita”, sai cantarolando Zankoku Na Tenshi No Teeze enquanto passeia pela Avenida Paulista e tem aulas de Japonês que ela está antenada com todas as nuances da cultura Japonesa.

De fato, os pseudo defensores do Japão geralmente estão errados, como um cara que uma vez me disse que no Japão TODOS GANHAM EXATAMENTE O MESMO SALÁRIO o que estimula as pessoas a trabalharem com o que gostam e não com aquilo que paga melhor.

Ele só esqueceu que o Japão é uma cultura Capitalista e não Socialista. Um pequeno detalhe que quebra as pernas de seu raciocínio, dá um pilão nele, o joga pra fora do ringue e desafia o John Cena pelo título da WWE.

Claro, os fãs de Comics também não conhecem a cultura Japonesa o suficiente para criticar o que vem de lá. Isso mostra quem ambos os lados estão com a bunda suja e não se tocam disso.

Mas enfim, hoje quero demonstrar que todos estão errados e vou começar com um dos argumentos favoritos dos otakus: "Manga tem começo, meio e fim!"

Se você começar a conversar com um Otaku, em algum momento ele usará esta frase feita como uma prova inquestionável de que os quadrinhos Japoneses são melhores que os Comics.

Um certo autor de quadrinhos nacional uma vez declarou que “Os Japoneses vêem a vida como um ciclo, com começo meio e fim e isso se reflete nos Mangas, ao passo que os Americanos se acham imortais e por isso que escrevem histórias que nunca acabam.”

O dito autor não entende nada de Geometria, pois um ciclo (que pode ser demonstrado como um círculo) é uma figura sem começo ou fim, o que demonstra o quanto ele pensou antes de soltar essa pérola. Diga-se de passagem, foi ele também que disse que o Japão é um país Socialista.

Pois bem, essa idéia de “começo, meio e fim” não é uma vantagem, mas um mero reflexo cultural. No Japão, os autores se preocupam em criar histórias, que tenham um início, se desenvolvam e cheguem a uma conclusão satisfatória.

Já os autores de Comics se preocupam em criar personagens impactantes e os soltam no mercado para que outros escritores os usem da forma que acharem melhor. Daqui a pouco explico melhor as razões por trás disso.

Enfim, no Japão as histórias são lançadas semanalmente em calhamaços que parecem listas telefônicas. Estas revistas são vendidas por uma merreca e são consumidas de forma voraz pelos leitores Nipônicos. Histórias que tenham uma boa aceitação normalmente se tornam desenhos animados e são relançados em volumes encadernados para coleção (os Tanko-Hons que mencionei antes).

Alguns Otakus pensam que o fato dos Mangas terem histórias fechadas demonstra o quanto os Japoneses pouco se preocupam mais com o conteúdo artístico do que com grana, o que é algo tão longe da verdade que me dá até vontade de cagar.

Se um manga faz sucesso, ele é vendido para todo o sempre através de volumes encadernados e continua dando lucro para a editora muito depois de seus autores terem morrido. Hokuto no Ken já tem mais de 25 anos e ainda dá uma grana violenta para a editora Shueisha.

E mais, uma história que invariavelmente terá um final pode ser encerrada a qualquer momento. Se a editora não estiver satisfeita com a recepção de um Manga, ela manda seu autor a encerrar para colocarem um título de melhor aceitação (entenda-se, mais lucrativo) no lugar.

Ou o autor pode simplesmente ficar de saco cheio da história e terminá-la de qualquer jeito para trabalhar com outros projetos. Provavelmente o que aconteceu com Yuyu Hakusho.

Sejamos francos, a terceira fase de Yuyu Hakusho tinha tudo pra ser a melhor, mas o autor simplesmente correu com o enredo, amontoou um bocado de bobagens, fez mais um torneio de artes marciais (porque no Japão tudo se resolve com torneios) e encerrou a história com um final tremendamente morno.

Ah sim, ele nem se deu ao trabalho de encaixar um dos quatro protagonistas no arco final da história, o que prova que ele não tava mais nem aí pra série e só queria ir pra casa comer a autora de Sailor Moon.

Hããã... Yoshihiro Togashi e Naoko Takeuchi são casados. Deviam estar se comendo desde o início da década de 1990.

Claro, Yuyu Hakusho pode simplesmente ter parado de dar lucro e a editora o mandou encerrar logo a série para que outra tomasse seu lugar. Não temos como saber ao certo, mas o fato permanece que a história foi finalizada de qualquer jeito e outra entrou em seu lugar.

A série que substituiu Yuyu Hakusho pode ter dado mais lucro ou não, se foi o caso, ela também foi prontamente substituída por uma nova.

Então um fã de Comics diz: “Tá vendo? Manga só existe pra dar grana, não tem nenhum amor à arte envolvido! Só a capacidade de mover dinheiro!”

E eu responderei que não é bem assim, meu amigo obeso e virginal. O mercado Ocidental de quadrinhos também é horrivelmente Capitalista e muitos personagens só continuam em destaque no mercado atual porque geram muito dinheiro.

Eis aqui uma prova:

Comics e Manga são dois monstros geradores de dinheiro. Nenhum é inocente neste aspecto, então dizer que um produto é mais “dedicado a arte que o lucro” é de uma boçalidadee sem tamanho.

Agora, por que os autores de quadrinhos Ocidentais se preocupam em criar personagens e não arcos de histórias?

Bom, a indústria dos quadrinhos se desenvolveu de verdade nas décadas de 1930 e 1940 nos Estados Unidos. Se você ler um livro de História, verá que neste período de tempo ocorreu a Grande Depressão e que a população do país estava matando cachorro com voadora e trabalhando com QUALQUER COISA que aparecesse.

Os artistas de quadrinhos então trabalharam feito burros de carga para manterem seus empregos e fazer do ramo dos quadrinhos uma indústria razoavelmente estável no qual pudessem trabalhar. Desta forma, eles criavam personagens que fossem interessantes, como Superman, Batman e Capitão América e os utilizavam em diversas histórias.

Se um personagem fazia sucesso, era conveniente lançar uma série infinita de aventuras com ele, pois enquanto suas histórias vendessem, seus autores teriam emprego. Foi desta forma que nasceu o modo Ocidental de fazer quadrinhos e é assim que ele permanece até hoje.

Assim como o Manga se desenvolveu de uma forma específica por causa da cultura do país em que foi criado, o mesmo aconteceu com os Comics.

O mercado de Comics não se importa com arcos fechados, mas com personagens interessantes, que como eu já disse, possam ser reinterpretados de formas diferentes por diversos autores com o passar do tempo, algo que o Japão não tem.

E é esta maleabilidade dos personagens que permite o lançamento de obras maravilhosas como DC: A Nova Fronteira.

Aqui foi estabelecida uma ponte entre os personagens que foram criados na Era de Ouro (Superman, Batman, Mulher Maravilha) e aqueles que surgiram na Era de Prata dos quadrinhos (Flash, Caçador de Marte, Lanterna Verde). Os heróis são colocados no cenário da Guerra Fria e mesmo com a desconfiança da população e espírito de “Caça as Bruxas” do período, eles tem de se unir e enfrentar uma ameaça titânica, daquelas que só Super Heróis encaram.

Esta série foi criada por Darwyn Cook, ganhou os prêmios Eisner, Shuster e Harvey de quadrinhos e gerou uma animação em DVD, que já foi lançada no Brasil com o nome de Liga da Justiça: A Nova Fronteira e que você deveria assistir.

Não, sério. Vá assistir este desenho quando terminar de ler o artigo ou perderei todo meu respeito por você.

Como podem ver, estes personagens que existem há tantos anos e que de acordo com os Otakus “ninguém mais agüenta ver”, foram recriados de uma forma brilhante e engenhosa. Algo que não existe no Japão, pois ninguém além do autor original pode mexer com os personagens criados.

Claro, temos os caras que fazem Hentais e que mostram a Sailor Moon participando em todo tipo de orgia... mas eles não contam de verdade.

Se o Comics seguisse o modelo japonês e os autores criassem apenas um arco de histórias para cada personagem, Bob Kane teria aposentado o Batman em 1940, o que impediria um certo autor chamado Frank Miller de re-imaginar o personagem em 1986.

Pois é, não é?

Então o mesmo cara obeso e virginal volta e comenta: “Mas Amakusa, você só mostrou o quanto Comics é melhor que Manga! Você provou que Manga é uma merda!”

E eu novamente direi que não, seu porco imundo e suado, os Comics também tem desvantagens terríveis que o Manga não tem.

Ok, Superman, Batman, Homem Aranha e Wolverine são bons personagens cujas histórias sempre serão lançadas. O problema é que nenhum autor permanece a vida inteira escrevendo um único personagem.

Do mesmo jeito que temos artistas brilhantes trabalhando com Comics como Jeph Loeb, Neil Gaiman e J. Michael Straczynski, também existe um sem número de sujeitos que deveriam ser mantidos longe de máquinas de escrever com o uso de tochas, quanto menos ter o privilégio de publicar histórias.

Para ilustrar tal fato, pergunto a vocês, vocês conhecem Guy Gardner, não?

Aquele sujeito desbocado, ruivo, com cabelinho de Moe Howard, que chamava a Mulher Maravilha de “potranca” e que usava o Anel de Força dos Lanternas Verdes para coisas como assistir a vizinha gostosa tomando banho.

Pois é, todos adoramos Guy Gardner.

Então, um autor decidiu tirar dele o Anel de Força e lhe dar o poder de transformar partes do corpo em armas. Algo que nove entre dez personagens genéricos já fazem diariamente.

Em seguida, um outro autor (ou talvez o mesmo, não tenho muita certeza) achou que esta não era uma mudança grande o suficiente no personagem. Foi quando Guy Gardner se transformou em...

... GAL GARDNER!!!

É, pois é.

Também posso citar como exemplo a Era do Apocalypse dos X-Men, a Saga do Clone do Homem Aranha, a Queda do Morcego com o Batman e a atual saga que o Homem Morcego foi mandado para a Pré História e Dick Grayson o substituiu no presente.

Em outras palavras, pra cada Frank Miller, existe um Zé que mal sabe assinar o próprio nome, mas que de alguma forma acaba escrevendo quadrinhos. Talvez alguns destes autores sejam casados com as irmãs dos editores, mas é outra coisa que não temos como saber ao certo.

Neste ponto, Manga e Comics se equivalem. Comics podem gerar histórias abomináveis com o uso de personagens icônicos, ao mesmo tempo que tais personagens podem ser recriados de forma maravilhosa em algumas ocasiões.

Mangas tem a vantagem de que seus personagens nunca serão oficialmente vandalizados por outros autores que não sejam os criadores originais, mas também impede que reimaginações brilhantes possam acontecer.

Ou seja, diferenças culturais. Cada estilo funciona muito bem naquilo que foi criado para fazer.

Então aparece uma garota (nos casos que irei exemplificar, é quase sempre uma garota) com camiseta preta, calça jeans desbotada e ar de intelectual, que diz: “Você está comparando Manga com quadrinhos infantis e tolos de Super Heróis. Histórias que não envolvem caras de uniforme colante são muito mais inteligentes e não entram nestas descrições estapafúrdias que você utilizou.”

Pessoas do meio que querem parecer inteligentes adoram atacar quadrinhos de Super Heróis, é uma praga. Isso prova que pseudo intelectuais existem em qualquer lugar.

Mas este argumento é vomitantemente errado e eu mostro porquê.

Vocês já leram Estranhos no Paraíso?

Basicamente, é a história de duas amigas, Francine (a morena gorducha) e Katchoo (a loirinha bunduda) e das desventuras que elas atravessam ao tentar se dar bem em seus relacionamentos.

Katchoo é bissexual (aparentemente) e está apaixonada por Francine, que gosta de outro cara, que gosta de outra garota... e por aí vai.

Basicamente, a obra tenta ser feminista (pois acompanha duas garotas) e tenta demonstrar o quanto as relações humanas são complicadas e como as pessoas que passam por nossa vida e aos quais damos valor podem nos surpreender ou magoar quando menos esperamos.

Em uma das histórias, Francine se magoa com um cara e Katcho (só de toalha, isso é importante) tenta consolá-la dizendo que todos os homens são canalhas e irão machucá-la se ela der chance. Quando Francine responde que mesmo assim quer se apaixonar, Katchoo responde que se ela quer alguém que a deseje todas as noites, ela está bem ao seu lado.

Ou seja, a autora quis dizer que todos os homens são canalhas que usam mulheres e que somente através das relações homossexuais, as mulheres do mundo poderão ser felizes e livres dos grilhões machistas que as prendem. Com certeza, a mulher que escreveu esta série já se ferrou um bocado no campo amoroso.

Exceto que quem escreveu Estranhos no Paraíso foi um cara: Terry Moore.

Isso é algo que eu conversei com um amigo recentemente. Homens só podem entender a ótica feminina vendo-a do lado de fora, quando um autor tenta ir além disso, ele acaba colocando os pés pelas mãos e só sai merda.

James Cameron escreve histórias com um ponto de vista feminino, mas sem cair na boçalidade de atacar homens. A Tenente Ripley é uma mulher forte e decidida, Sarah Connor também e em determinados pontos das séries, elas se tornam mães, o que dá a elas uma força que nenhum homem pode ter.

Mesmo Avatar tem lampejos deste feminismo que o autor defende.

Divaguei um pouco, mas foi pra mostrar que se um homem quer escrever histórias com um ar de feminismo, há um ponto que ele não pode cruzar, ou seu produto se torna uma obra extremamente pedante e é o que acontece com Estranhos no Paraíso.

Sem contar que os diálogos não são naturais (um crime, sendo que esta história tenta ser realista), os relacionamentos são fracos e muitas coisas convenientes acontecem do nada, pra não contar o humor cretino digno programas da Globo.

Ou seja, não é porque não há super heróis na revista que ela se torna automaticamente boa. Qualquer um que diga o contrário merece ser espancado e estuprado pelo Belo Ursinho Fritz.

Mas o mesmo amigo com o qual tive a discussão sobre o feminismo me fez uma colocação interessante um dia: “Me mostra um Alan Moore Japonês". Meu amigo (que ODEIA Manga com uma força que me deixa até triste) queria provar o quanto os quadrinhos Ocidentais estão mais bem “equipados” que os Mangas.

Será que estão mesmo? Senão vejamos!

Ok, Alan Moore escreveu Watchmen.

Não vou falar muito a respeito de Watchmen aqui, pois há quase trinta anos a série é debatida sem descanso por todos que a leram. Vocês já devem ter lido o quadrinho, assistido ao filme e chegado a conclusão de que não importa o quanto gostemos do Rorschach, somos mais parecidos com o Coruja.

Veja o lado bom, ele ficou com a Espectral no fim da história.

Ok, Watchmen é uma obra prima e revolucionou os Comics como um todo. Depois que esta história foi lançada, o gênero dos Super Heróis mudou da água pro vinho e os quadrinhos evoluíram até chegarem a aquilo que são hoje.

Então, Alan Moore foi um autor que inovou. Quem eu posso citar no Japão que fez a mesma coisa?

Fácil, Go Nagai.

Quem?

Go Nagai iniciou sua carreira em 1967 e se tornou bastante conhecido pelas obras Cutey Honey, Devilman e Maginger Z.

Cutey Honey foi a série que praticamente criou o gênero “menina mágica”. Você sabe, séries como Sailor Moon, Rayearth, Card Captor Sakura e tantas outras. Independente de gostar ou não, você tem de admitir que criar um novo gênero de histórias em quadrinhos não é pra qualquer um.

E Cutey Honey tinha muito mais gostosas peladas e fantasias masculinas em forma de desenho do que o gênero normalmente mostra, então tudo bem pra mim.

Devilman por sua vez conta a história de Akira Fudo, um rapaz que através de uma orgia diabólica, se funde ao Demônio da Guerra Amon. Por ter um coração bondoso, Akira pode controlar os poderes de Amon e os utiliza para impedir que o Anti Cristo destrua o mundo.

Devilman possui um dos finais mais cínicos e pessimistas da história dos Mangas, onde Akira duela com Satã e após um embate que destrói o mundo, é derrotado. Arrependido por destruir seu demônio mais precioso, Satã cria a entidade Slum King para que este o castigue pelo resto da eternidade e é neste mundo destruído e depravado que Go Nagai ambientou Violence Jack, um dos mangas mais doentios e violentos de todos os tempos (e que você pode ler bons artigos a respeito clicando aqui e aqui)

Sim, o herói perde no final. E pare de ser puta e reclamar dos Spoilers, você nem estaria interessado em ler Devilman se eu não tivesse contado sobre seu enredo.

Mas talvez a obra que prove melhor o tamanho colossal das bolas de Nagai é Harenchi Gakuen. Esta série mostra uma escola onde uma tonelada de situações picantes acontecem, com garotas curvilíneas ficando nuas o tempo todo e rapazes bem safados tirando proveito disso.

Para os padrões atuais, a série é bastante inocente. Não há sexo explícito e todas as cenas de nudez foram desenhadas de forma cômica, não sensual. Nagai queria fazer comédia e não gerar masturbações.

Bom, como essa história foi publicada em 1968, acho justo dizer que ele conseguiu fazer os dois.

Enfim, a associação dos pais e professores caiu matando sobre Nagai, acusando-o de corromper a juventude Japonesa com uma história tão depravada. A polêmica se tornou tão grandiosa que o artista passou a ser convidado com frequência por programas televisivos para dar seu parecer dos fatos.

Em um certo momento, Nagai se encheu de toda esta esbórnia e resolveu encerrar a história de forma épica. Como? Ele fez com que TODOS os personagens da história fossem cercados e mortos pela associação de pais e professores. Esta foi a forma que ele encontrou de protestar contra a hipocrisia da sociedade de encontrar bichos papões nas mídias de entretenimento ao invés de se preocuparem com os problemas reais.

A história se encerrou em 1972. Vocês tem idéia do impacto que um final destes teve na época? Isso pra não dizer que Devilman e Cutey Honey também eram da década de 1970, o que mostra que o cara era muito inovador.

“Tá, mas esses Mangas não são melhores que Watchmen” Diz o gordo virginal que continua lendo este artigo, mesmo sabendo que não é bem vindo.

Se Devilman é melhor ou pior que Watchmen não vem ao caso. Uma observação dessas é feita com base apenas no gosto pessoal e tem tanta validade em uma discussão de Comics e Manga quanto uma foto do John Travolta cagando tem para um debate sobre a Cientologia.

Go Nagai é um artista inovador, da mesma forma que Alan Moore. Se quiser outro artista que inovou com seu produto, posso citar Katsuhiro Otomo, criador do lendário Akira.

Akira revolucionou a animação Japonesa e influenciou até mesmo animadores e autores Ocidentais.

O Japão tem tantos artistas únicos quanto o Ocidente. Pessoas que criticam Mangas achando que lá não existem artistas fora do padrão industrial simplesmente não conhecem o mercado Japonês o bastante para tecer seus argumentos.

Pra cada Alan Moore tem um Go Nagai e pra cada Frank Miller tem um Katsuhiro Otomo. O que acontece é que as obras criadas a toque de caixa para vender brinquedos e vídeo games são o principal produto de exportação do Japão neste aspecto.

Qualquer distribuidora Ocidental prefere trazer um sucesso garantido como Naruto do que uma obra “experimental” como Preto e Branco. De fato, fico até surpreso que este Manga tenha sido lançado no Brasil.

Os Otakus também não ajudam, se um fã de Comics enaltece as qualidade de Watchmen, por exemplo, o Otaku vai comparar esta obra a Naruto e tentar provar que os Ninjas de Konoha fazem parte de uma obra melhor. Se o sujeito comparasse Watchmen ao já mencionado Akira ou a O Vampiro que Rí, seria mais fácil levar ele e os Mangas a sério.

Enfim, mais uma vez os dois lados se equivalem. Tanto Comics quanto Manga tem histórias boas e ruins e autores inovadores e medíocres.

Até aqui tudo bem, então vamos para o próximo tópico.

Uma coisa que fãs de Comics adoram malhar, é que quadrinhos Japoneses são entupidos de Fanservice, que muitos autores se preocupam mais em colocar peitos e bundas em suas histórias do que em desenvolver um enredo coerente.

Claro isso não deixa de ser verdade, mas vamos analisar com mais cuidado.

A imagem acima é de Ikki Tousen, e tenho certeza de que sei no que você está pensando.

Apesar das três gostosas com cara de safadas vestidas de enfermeiras (uma fantasia compartilhada por TODOS oss homens do universo), Ikki Tousen não é uma série de putaria... bem, pelo menos, não completamente.

Basicamente, os personagens históricos da história da China, que travaram as guerras que unificariam e dariam início à nação, reencarnaram como estudantes japoneses de escolas distintas. Os ditos estudantes tem poderes incríveis e travam diversas lutas porque... bem, porque não?

É um Manga de pancadaria com uma história fraca que não se segura sozinha, mas que fez sucesso assim mesmo porque todas as personagens femininas são incomensuravelmente gostosas e acabam peladas ou bem próximo disso em 98% do tempo.

Por exemplo...

Pois é... que beleza, não?

Pode olhar mais um pouco, eu espero.

...

...

...

...

...

Ok, agora chega.

O negócio é que Ikki Tousen só tem um pretexto besta como história. O fator que faz a série vender é que o número obsceno de gostosas dessa história estão sempre peladas, de lingerie, tomando banho, ou recebendo SUPER CLOSES em seus peitos, bundas ou virilhas.

Diga-se de passagem, a maioria delas não parece usar calcinha e vestem shortes super colantes, então os super closes na virilha... é... pois é...

A série é tão descaradamente feita para o fanservice que um dos pontos de venda de uma das novas animações lançadas direto em DVD é que as mesmas teriam cenas de nudez frontal completa.

E então, muitos fãs de Comics adoram malhar Mangas, baseando-se no fato que a maioria dos quadrinhos Japoneses usa putaria desnecessária e exagerada em suas histórias, com o intuito de aumentar as vendas para adolescentes cheios de hormônios.

Sim, o Manga faz isso... mas os Comics também! E posso citar três exemplos de cabeça:

Psylocke, que só existe porque Jim Lee um dia decidiu que queria desenhar uma Chinesa rabuda em posições vergonhosamente insinuantes.

Birds of Prey, que só vale a pena ser lido quando é desenhada por nosso conterrâneo Ed Benes, pois ele sabe desenhar garotas tão gostosas que causam dor física nos leitores.

E a senhorita Emma Frost, que anda por aí vestindo só espartilho e meia calça desde a década de 1980 e que causa pelo menos 32 ereções por dia em diferentes partes do mundo desde que surgiu.

O negócio é que o maior público comprador de quadrinhos ainda é o masculino. Muitas mulheres lêem quadrinhos, é verdade, mas a maioria esmagadora ainda é de homens.

E a verdade é que homens são burros. Não importa a qualidade do produto, se houver um par de peitos ou uma bunda bem torneada na capa, há enormes chances que ele gaste seu suado dinheiro com aquilo.

Colocaram três gostosas nos papéis principais da série de Birds of Prey e eu assisti religiosamente aquela bomba até ser cancelada. Da mesma forma, acho que todas as falhas do novo filme de Star trek podem ser perdoadas após darmos uma boa olhada na Uhura.

Ahhhhh, Zoe Saldana...

Enquanto existerem homens, haverá fanservice, não importa a cultura. Sabemos que 90% dos homens gostam de nudez gratuita e fanservice nas histórias que consomem e que os outros 10% mentem.

Então acho que já me fiz entender.

Aliás, já que entrei na parte do erotismo, quero falar um pouco das pessoas que fazem distinção do material sexual criado no Japão e daquele criado no Ocidente. Normalmente elas tratam o primeiro como "lixo" e o segundo como "arte".

Milo Manara é um dos artistas eróticos mais conhecidos do mundo. Ele está na ativa desde 1971 e já lançou inúmeras obras como Click e Gullivera, uma sátira ao livro As Viagens de Gulliver, que pela capa, vocês já podem imaginar como é.

Ele também trabalhou com Neil Gaiman em Sandman: Noites sem Fim. Obra que ganhou o prêmio Eisner e que mostrou que ele podia desenhar histórias em que mulheres não estivessem sendo usadas como objeto sexual.

Aliás, Manara é um artista Europeu e seus trabalhos não podem ser definidos como “Comics”, mas pra efeito de comparação, acho muito justo usá-lo. Todos os que discordarem podem ir pro Inferno.

Enfim, todos os pseudo intelectuais adoram falar sobre “As mulheres de Manara” e babam ovo sobre como a forma feminina que ele desenha é perfeita e sensual e bla bla bla, bla bla bli, Bazinga!

Pois eu já acho que ele é um Akira Toriyama chique.

Veja bem, Akira Toriyama só sabe desenhar um tipo de mulher, todas as garotas das histórias dele são exatamente iguais e a única coisa que as diferença é o penteado. Ele próprio fez piada com isso em Dr Slump e parece ter aprendido a desenhar mulheres diferentes quando criou a Andróide Nº 18.

Então, as “Mulheres DE Manara” (pois é como os pseudo intelectuais gostam de chamá-las) sofrem do mesmo mal, todas tem o exato mesmo corpo e rosto, só sendo possível diferenciá-las pelo penteado.

Quer um exemplo prático? A animação City Hunters (exibida no canal Fx) teve o Character Design feito por ele, assim sendo, TODAS AS MULHERES DO DESENHO SÃO EXATAMENTE IGUAIS.

A viúva quarentona gostosa e a ninfetinha que toca trompete no parque tem exatamente o mesmo corpo, o mesmo rosto, e só é possível diferenciá-las pelo penteado e pela voz, uma vantagem que a animação tem sobre os quadrinhos.

De fato, a maioria das mulheres que ele desenha parece não ter nariz, o que as faz ter muito em comum com o Kuririn e torna Manara ainda mais parecido com Akira Toriyama.

Mas menos engraçado.

Pra piorar, as obras de Manara são bastante machistas e as mulheres são muito objetificadas nelas. Gullivera é uma transcrição bastante fiel do livro original, mas cenas relativamente inocentes da história em que foi baseada se tornam um tanto quanto sexistas na versão de Manara.

Por exemplo, a parada em Liliputt. No livro, Gulliver (que é gigantesco para os padrões de Lilliput) fica parado no meio da avenida principal da cidade enquanto o desfile passa pelo meio de suas pernas. Ele está com as calças rasgadas por causa do naufrágio de sua embarcação, então o primeiro ministro aconselha a rainha a não olhar para cima quando sua carruagem passar pelas pernas dele.

Ela olha e fica assombrada.

Na versão de Manara, Gullivera usa o mesmo vestido da imagem acima e permanece sem calcinha a história inteira. Quando o desfile passa por debaixo dela, a moça se agacha... o vestido levanta... e... bem...

Enfim, isso dá uma conotação totalmente diferente a cena.

Não estou criticando a visão do artista, ele faz o que bem entender com sua obra e tem meu total endosso para isso. Assim como seus fãs tem minha benção para gostarem deste material.

Mas por que um livro de Manara é considerado arte enquanto um Anime erótico como Bible Black é considerado um sub-produto cultural?

Bible Black é uma série lançada em 2001, que mostra uma escola que foi palco de bruxarias e rituais profanos no passado e que volta a ser no presente.

Quase todo tipo de putaria que você possa imaginar rola nesse desenho: aluno com professora, aluno com aluna, aluna com aluna, alunas com alunas, alunas e enfermeira com a professora, alunas e enfermeiras com alunos e professora, alunas, enfermeira, alunos e equipamentos de tortura com a professora... e por aí vai.

Também tem um bocado de Futanari nessa série e se você não sabe o que é isso, não use a busca de imagens do Google até descobrir.

“Mas Aurélio, você não quer comparar uma história dessas com o trabalho artístico de Manara! Você enlouqueceu, seu pedante Babilônico?” diz um sujeito de brinquinho, que usa óculos escuro dentro de locais fechados e que fuma aquele cigarro preto de cheiro insuportável sempre que tem oportunidade.

Sim, quero comparar sim! Quadrinho erótico é quadrinho erótico! É tudo a mesma coisa, todos tem como intenção excitar seu público e servir como auxílio masturbatório.

E sinceramente, se você acha que os leitores de Manara não batem umazinha lendo sua obra, você é incrivelmente ingênuo ou retardado... provavelmente, um misto dos dois.

Eleger que um estilo de erotismo é o correto e os demais são errados é elitismo. Se um diretor Francês lança um filme com Rocco Sifredi comendo a bunda da Faye Reagan por três horas seguidas, o cara criou arte, mas se um diretor Americano faz o mesmo, ele criou pornografia.

NÃO!!! AMBOS SÃO PUTARIA!!! A ÚNICA COISA QUE MUDA É A PERCEPÇÃO DO PÚBLICO SOBRE O MATERIAL!!!

Manara gosta de mostrar closes em vaginas peludas cujas proprietárias (por assim dizer) abrem para dar uma melhor visão ao público, já o Toshirozinho que mora em Tóquio gosta de desenhar uma colegial sendo currada pelos colegas de classe em um depósito da escola após a aula.

Uma história não é melhor que a outra, a percepção do que é um bom material erótico depende unicamente do gosto pessoal do indivíduo e daquilo que o excita, e como já vimos, basear uma opinião em gosto pessoal é mais burro que aquela sua colega tonta que pode ser comida depois que alguém lhe paga uma cerveja.

Aliás, outra coisa que define Manara como arte é que seus livros custam caro, enquanto um DVD de Bible Black pode ser comprado baratinho nos Estados Unidos, ou pego de graça na Internet em países onde não foi lançado oficialmente. Já que o preço define o valor artístico, o boneco do Optimus Prime que tenho aqui é uma obra de arte maior que qualquer livro do Manara, pois custou bem mais caro que eles.

Viram como esse raciocínio é furado? Mesmo assim, ele é a bandeira com o qual muitos lutam para defender seus gostos e valores e mostrar que são melhores que as pessoas que tem outras opiniões.

Pois é.

Enfim, acho que me fiz entender. No fim das contas, existem produtos maravilhosos tanto nos Comics quanto nos Mangas, mas da mesma forma existem bostas gigantescas de ambos os lados.

O Japão produz porcarias monstruosas como One Piece, série que me causa prisão de ventre toda vez que vejo.

Mas até aí...

... o Ocidente produziu Spawn, série que me causa diarréia titânica.

Sem mais perguntas, meritíssimo.

E por hoje é só. Sabem onde deixar suas opiniões, e termino o artigo com uma imagem de Hokuto no Ken.

Porque Kenshiro nunca é demais.

Cheers!!!

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